Quinta-feira, 11 de Agosto, 2022
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O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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Opinião
A vertigem digital
Dinis de Abreu
O mercado dos media portugueses anda agitado. Nos últimos meses, mudaram de mãos as rádios da Media Capital, adquiridas por um grupo alemão; o Jornal Económico (e, provavelmente, o semanário “Novo”), que passou a ser titulado por um investidor angolano; e o semanário “Sol” e o diário “i”, detidos pelo jornalista Mário Ramires, que transitaram para o universo de um fundo português de capital...
Se tudo correr bem, no início da próxima semana, Macau “liberta-se”, embora gradualmente, do primeiro grande surto de covid-19 desde Fevereiro de 2020. No total, desde 18 de Julho, foram detectados 1.117 casos de infecção, dos quais apenas cerca de 700 apresentaram sintomas, e houve um total de apenas seis mortos, todas senhoras idosas com doenças crónicas. Se tudo correr bem, o grande surto de covid em Macau durou três semanas. O...
Trump só aceita resultados eleitorais quando é declarado vencedor. Caso contrário, trata-se de uma fraude. Esta versão peculiar da democracia começa a fazer escola. É o caso de Bolsonaro. Os jornalistas são alvo da fúria de Trump e Bolsonaro. Donald Trump prepara a sua candidatura à presidência dos EUA em 2024. As sessões da comissão de inquérito do Congresso federal, que investiga o assalto ao...
Apesar de todo o meu passado de jornalista, tento cada vez mais colocar-me no presente de cidadão leitor, escutante ou visionador da atual torrente de notícias. Não ouso elevar-me ao papel de futurólogo desta relação entre receptor e emissor. Na verdade, isso interessa-me pouco. Quero fixar-me no hoje, já não tenho alma de vidente. E o hoje é a sociedade dos sentidos e das emoções. Li recentemente um pequeno ensaio do...
Esta semana dei comigo a pensar qual a razão para termos um serviço público de rádio e televisão, pago pelos portugueses na factura da electricidade, se verdadeiramente ele é apenas uma variante daquilo que os canais privados fazem? A RTP1 é uma fraca alternativa - a grelha de programas assenta na mesma tipologia dos canais comerciais privados: informação, desporto, entretenimento de consumo rápido. Os melhores resultados da...
Breves
“Artéria”

O “Artéria”, projecto de jornalismo comunitário do “Público”, vai começar a ter edições bimestrais em papel.

O primeiro número impresso, por exemplo, destaca as mudanças em curso na Rua de Arroios, onde oficinas e garagens partilham o espaço com criativos e artistas, e acompanha os circuitos de “stand-up” e das rodas de samba de Lisboa.

Os alfarrabistas da capital, bem como a Estrada de Benfica estão, também, em destaque.

O “Artéria” é produzido por voluntários, sendo o projecto coordenado por Samuel Alemão, e supervisionado por um grupo de jornalistas do “Público”.

Bónus Cultural Jovem

O governo espanhol lançou o Bónus Cultural Jovem, um “voucher” que pode ser utilizado para adquirir produtos culturais, nos quais estão incluídas as subscrições de “media”.

O Bónus Cultural Jovem é uma ajuda directa de 400 euros, atribuída aos cidadãos que completem 18 anos ao longo de 2022, para que estes possam adquirir e usufruir de produtos e de actividades culturais.

Cerca de 500 mil jovens de toda a Espanha poderão beneficiar destas bolsas .

Estrutura da Impresa

A partir de Agosto, a área de receitas da Impresa vai passar a reportar, directamente, a Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo. O cargo de chief revenue officer, até aqui ocupado por Cristina Vaz Tomé, deixará de existir na estrutura desta empresa.

Em comunicado, a Impresa explicou que “esta decisão foi tomada devido à necessidade de reorganização das direcções comerciais, com o objectivo de garantir uma visão integrada da proposta de valor a apresentar ao mercado, e tendo em conta as transformações profundas que o sector dos ‘media’ está a atravessar”.

Liderada pelo próprio CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, a reformulação da área de receitas é uma das iniciativas previstas no plano estratégico do Grupo para os próximos três anos.

“Futuro del Periodismo”

O “Laboratorio de Periodismo”, projecto editorial da Fundação Luca de Tena, lançou, recentemente, um “podcast”, com o objectivo de continuar a servir os interesses de jornalistas, professores, gestores de empresas e de qualquer consumidor que queira saber mais sobre o mundo dos “media”.

O lançamento da série de “podcasts” coincide com o 5.º aniversário do projecto, e promete um novo episódio todos os meses, com análises, entrevistas e sugestões.

O primeiro episódio do “Futuro del Periodismo” já se encontra disponível “online”.

TPA Notícias

A Televisão Pública de Angola (TPA) lançou o TPA Notícias, um canal de informação, que terá emissões 24 horas por dia.

Para este novo projecto, a emissora contou com um reforço de 40 profissionais, entre técnicos e jornalistas.

“A Televisão Pública de Angola vai fazer história com o lançamento do canal de notícias. Vamos fazer a actualização das notícias de forma contínua e permanente. Auguramos conseguir colocar no ar uma grelha de programação que atende o interesse do telespectador em estar muito bem informado”, declarou Cabingano Manuel, director de informação da TPA.

A TPA está, ainda, a planear o lançamento de um outro canal, dedicado à cultura e ao desporto.

Agenda
05
Out
The Publisher Podcast Summit
09:00 @ Proud Cabaret City, Londres
06
Out
News Impact Summit
10:00 @ Praga, República Checa
Connosco
Galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


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Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


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Os jornalistas não apresentam grande unanimidade quanto aos pontos fortes e aos pontos fracos da indústria, dividindo-se entre uma grande variedade de opiniões, concluiu um estudo do Pew Research Center, com base em inquéritos realizados junto de 12 mil profissionais norte-americanos, citado pelo “Laboratorio de Periodismo”.

Aliás, algumas das categorias estão próximas em termos percentuais, mesmo quando analisadas de perspectivas diferentes: a terceira categoria mais votada nos “pontos fortes” é, também, a mais votada nos “pontos fracos”.

Ainda assim, o estudo indica que, para os profissionais norte-americanos, a indústria jornalística demonstra maior qualidade na publicação de notícias (categoria votada por 23% dos inquiridos), e na adaptação às alterações do sector ( 18%).

Já a categoria de “partilhar informações verdadeiras” é, para 14% dos jornalistas, o ponto mais forte do sector, e para 23% dos profissionais, aquilo em que a indústria mais falha.

Nos “pontos fracos”, os colaboradores destacaram, ainda, a falta de imparcialidade (votada por 20% dos inquiridos) e os problemas no local de trabalho (15%).

Houve, ainda, quem dissesse que a indústria jornalística não tem nenhum ponto positivo (8%), enquanto apenas uma percentagem residual (menos de 1%) afirmou que o sector não apresentava qualquer problema.

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O Sindicato Alemão de Jornalistas apelou ao governo e aos directores das empresas de “media” que implementassem medidas de apoio ao sector, perante indicadores de desgaste físico e emocional dos profissionais.

Este apelo surge após a divulgação de um estudo da Fundação Otto Brener, que concluiu que a transformação do sector, moldada pela transição digital e pela crise económica, está a gerar um enorme 'stress', bem como preocupações relativamente ao futuro, junto dos jornalistas.

Por isso mesmo, indica o mesmo relatório, muitos jovens profissionais equacionam mudar de sector de actividade.

Perante este cenário, a presidente federal do Sindicato Alemão de Jornalistas, Tina Groll, considera essencial que as empresas comecem a implementar medidas de apoio à saúde, tanto física, quanto psicológica, dos colaboradores.

Neste âmbito, Groll considerou “devastador” que os jornalistas estejam expostos a tantas pressões.

““Qualquer profissional que se sinta permanentemente ‘stressado’ e desvalorizado, que esteja exposto a constante hostilidade, incerteza e outros tipos de exigências, não terá a capacidade de fazer um bom trabalho”.

Groll recordou, por isso, que as boas condições laborais “são essenciais para o funcionamento do sistema dos ‘media’ que, por sua vez, é essencial para a democracia livre”.

 

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A pandemia flexibilizou  o regime de  trabalho dos jornalistas, que começaram a exercer funções de forma híbrida.No entanto, este novo modelo que, inicialmente prometia libertar mais tempo para a vida pessoal e familiar, fez-se acompanhar de desgaste emocional, e de jornadas de trabalho mais longas, alertou João Victor Gobbi Cassol, num artigo partilhado no “site” “objETHOS”.

O autor começa por recordar que, no início, esta mudança foi considerada como um passo essencial para a evolução do modelo empresarial, uma vez que permite ultrapassar as fronteiras físicas e temporais entre a vida pessoal e o ambiente de trabalho.

No entanto, isto significa, igualmente, que “o processo passou a invadir o tempo livre do colaborador”, contribuindo para o seu desgaste emocional, e para maiores níveis de “stress”.

Por isso mesmo, considerou o autor, citando o trabalho do investigador Tarso Genro, é essencial que a legislação acompanhe as mudanças do sector, de forma a garantir os direitos dos jornalistas.

Até porque, no Brasil, os profissionais dos “media” trabalham, em média, entre nove e dez horas diárias, de acordo com o estudo “O Perfil do Jornalista Brasileiro de 2021”.

Além disso, quase metade (47%)  dos jornalistas que exercem funções remotamente tiveram que financiar a instalação do seu “home office”, apesar de este regime ter sido implementado pela empresa para a qual colaboram.

Como tal, o autor considera que os governos devem regularizar as directrizes de trabalho remoto, para que nenhum jornalista saia prejudicado.


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O TikTok é cada vez mais utilizado enquanto fonte de informação, concluiu um estudo da Ofcom, sobre o consumo noticioso no Reino Unido.

De acordo com o relatório, esta rede social é, agora, a fonte noticiosa mais popular entre 28% dos adolescentes britânicos (entre os 12 e os 15 anos) , além de ter sido a plataforma com maior taxa de crescimento junto da população adulta (a partir dos 16 anos).

Em 2020, recorda o estudo, apenas 800 mil adultos britânicos (cerca de 1% da população) consumia conteúdos noticiosos através do TikTok. Dois anos depois, em 2022, esta passou a ser uma prática comum de 3,8 milhões de cidadãos (7% da população).

Ainda assim, os cidadãos em idade adulta continuam a confiar nos noticiários televisivos, com destaque para os boletins informativos da CNN, da Sky News e, também, dos canais públicos, tais como a BBC, a ITV e o Channel 4.

Por sua vez, os adolescentes têm uma maior tendência para acreditar nas notícias disseminadas “online”, com quase metade dos jovens a afirmarem que a informação das redes sociais é de confiança.

O estudo da Ofcom veio, ainda, confirmar que o consumo de jornais impressos entre adultos está em declínio. Agora, apenas 24% da população adulta diz consumir títulos informativos, uma queda significativa relativamente a 2020, quando a taxa era de 35%.

Além disso, as novas gerações parecem não estar interessadas em consultar informação no formato tradicional, uma vez que apenas 13% dos adolescentes lêem jornais.

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O jornal “Folha de S. Paulo” lançou, recentemente, um “podcast” de investigação, que passou a estar “nas bocas do mundo”, por ter conseguido captar a atenção de milhares de ouvintes.

Chama-se “A Mulher da Casa Abandonada", e narra a história de uma moradora excêntrica que vive, solitária, numa mansão em escombros, num dos bairros mais ricos de São Paulo.

A publicação de sete episódios do “podcast” não só trouxe à tona uma história rocambolesca como gerou três efeitos: transformou o local onde mora a personagem num ponto de turismo, criou um circo mediático e resultou numa investigação policial.

No entanto, esta produção de Chico Felitti, que se assume enquanto um produto de investigação jornalística, aproxima-se, por vezes, de um programa de entretenimento, que viola as barreiras éticas, considerou Rogério Christofoletti, num artigo publicado no “site” “objETHOS”.

De acordo com Christofoletti, o “podcast” investiga alegados crimes, pelo que pode ser considerado um produto de interesse público, em benefício do qual o jornalista pode justificar a utilização de práticas controversas, tais como a gravação de conversas sem consentimento.

No entanto, as técnicas narrativas e o formato da história d’ “A Mulher da Casa Abandonada" aproximam-na de uma novela, visto que a estrutura é “jocosa”, e insiste num “tom especulativo”, que se apoia “quase exclusivamente” nas “queixas e impressionismos de vizinhos”.

Assim, sublinha Christofoletti, o que era para ser “investigativo” aproxima-se das “fofocas de um bairro privilegiado, que se divide entre problemas de arborização e a convivência com uma moradora estranha”.

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A prática do jornalismo no Afeganistão exige, agora, a imposição de autocensura, enquanto forma de protecção contra o regime Talibã. Quem o diz é um jornalista e advogado afegão, que, em entrevista ao “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria,  contou a actual realidade mediática  do seu país.

Por motivos de segurança, este profissional,  nascido na cidade de Ghazni, no sudoeste do Afeganistão, pediu que a sua identidade fosse omitida.

Conforme contou este jornalista ao "Observatório da Imprensa”, a liberdade de imprensa no Afeganistão começou a deteriorar-se no Verão de 2021, quando as tropas norte-americanas abandonaram o país e os talibãs regressaram ao poder.

“Lembro-me de, nessa época, debater o assunto com os meus colegas. Percebemos que poderíamos proteger-nos caso nos mantivéssemos acríticos, evitando cobrir determinados eventos, como os protestos anti-talibã”, recordou o profissional.

“Senti que só tinha duas escolhas: ficar no Afeganistão e praticar a autocensura, ou abandonar o país. Ou optava por um destes caminhos, ou seria morto nas mãos dos talibãs. Por isso, fui-me embora”.

Agora, garante o profissional, a imprensa nacional deixou de criticar o governo.

“O que aparece na imprensa nacional não reflecte totalmente a realidade da sociedade afegã visto que a informação não pode cruzar os limites estabelecidos pelos talibãs”, disse.


O que há de novo

A Cofina registou, no primeiro semestre de 2022, um lucro próximo dos 3,3 milhões de euros, o que traduz um incremento de 67,1% relativamente ao período homólogo de 2021.

De acordo com o Grupo, estas melhorias foram impulsionadas pelas receitas publicitárias, que registaram um crescimento de 22,3%, e que ajudaram a colmatar as quebras de 7,5% no segmento de “publishing”.

“Os resultados da Cofina confirmam o excelente desempenho dos nossos títulos e da nossa aposta na CMTV, num contexto muito desafiante, em particular devido à pressão que a inflação coloca em custos essenciais à nossa actividade, nomeadamente na área de imprensa, com o custo do papel, da eletricidade e dos combustíveis”, comentou Luís Santana, administrador executivo da Cofina.

Neste âmbito, Santana considerou que a cobertura da guerra da Ucrânia ajudou a consolidar a preferência dos portugueses pela CMTV, o que se reflectiu no “reforço” dos “anunciantes”.

Aliás, ao contrário da área de “publishing”, o segmento televisivo teve um crescimento de 19,7%

Feitas as contas, as receitas operacionais totais do Grupo ascenderam aos 37,6 milhões de euros, um crescimento de 5,9% relativamente ao primeiro semestre de 2021. Já do lado dos custos operacionais, que passaram dos 28,9 milhões para perto de 31 milhões de euros, o aumento foi de 7,1%.

Com estes resultados, a Cofina conseguiu uma ligeira melhoria da sua ‘performance’ financeira, fechando o primeiro semestre de 2022 com um EBITDA de 6 milhões e 612 mil euros (+0,3% do que no ano anterior).

Cumpridos os primeiros seis meses do ano, a Cofina conseguiu reduzir a sua dívida nominal líquida, que passou dos 38,1 milhões, para os 31,6 milhões de euros.

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No primeiro semestre de 2022, a Impresa teve uma evolução negativa do seu resultado líquido, encerrando o período com prejuízos a rondar os 2,2 milhões de euros.

Em comunicado, o Grupo justificou os resultados com o ataque informático, sofrido logo no arranque do ano, a par da guerra na Ucrânia e do efeito das pressões inflaccionistas sobre o negócio.

Agora, a Impresa espera que António Horta Osório, novo administrador não executivo do Grupo, em substituição de João Castro, ajude a inverter a tendência decrescente.

“O primeiro semestre de 2022 ficou marcado por eventos com um forte impacto negativo direto nos nossos resultados, como a guerra na Ucrânia e o aumento de custos com produção e energia”, justificou Francisco Pedro Balsemão, lembrando, ainda, que, neste período, o Grupo viu a sua actividade “condicionada por um violento e criminoso ataque informático”.

Como tal, o ligeiro incremento nas receitas publicitárias (cerca de 1,3%) foi insuficiente para colmatar as quebras registadas nos outros segmentos do negócio.

Na área de televisão, que representa a maior fatia dos rendimentos do Grupo, as receitas recuaram 3,7%. Já no segmento de “publishing”, a quebra foi de 5,5%, passando dos 11,2 milhões de euros para os 10,6 milhões.

A evolução negativa das contas da Impresa ficou, também, a dever-se a um aumento dos custos operacionais motivado, quer pelo impacto da inflação no preço das matérias-primas, com destaque para os custos do papel, quer pela necessidade de alocação de recursos para a cobertura da guerra na Ucrânia.

No que diz respeito ao endividamento, a Impresa chegou ao final do primeiro semestre de 2022 com uma dívida remunerada líquida de 140,2 milhões de euros, num aumento de 1,6 milhões de euros relativamente ao final do exercício de 2021.

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A rádio portuguesa registou, no primeiro semestre deste ano, um novo recorde de audiências, com mais de 7,2 milhões de portugueses a contribuírem para os números de consumo.

Este valor representa 84.4% do universo dos residentes no Continente, a partir dos 15 anos, de acordo com o Bareme Rádio da Marktest, que quantifica em 7 milhões e 227 mil pessoas o” reach” semanal de rádio no decurso dos primeiros seis meses de 2022.

Analisando o perfil desta audiência, “os indivíduos dos 35 aos 44 anos são os que possuem maior afinidade com o meio”, sendo que “os valores baixam gradualmente com o subir da idade”.

“As classes sociais também apresentam um comportamento heterogéneo, com os valores a baixar gradualmente de um máximo de 97.9% dos indivíduos da classe alta para um mínimo de 65.6% dos indivíduos da classe baixa”, acrescenta a Marktest, referindo ainda que, na análise entre géneros, o consumo surge mais equilibrado: 89.8% dos homens e 79.6% das mulheres.

No que diz respeito à distribuição geográfica da audiência, “as regiões também apresentam valores mais próximos entre si, sendo no entanto os residentes no Litoral Centro os que apresentam maior ‘reach’ semanal de rádio.

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A fusão entre a TF1 e a M6 foi considerada “desfavorável” pelo relatório da Autoridade da Concorrência francesa, que considerou que este negócio poderá resultar na criação de um “gigante da televisão”.

Conforme noticiou o “Monde”, o relatório apontou, em particular, para "problemas significativos de concorrência" na publicidade televisiva, apresentando, por outro lado, possíveis soluções para os problemas detectados.

Por sua vez, a TF1 e a M6 afirmaram que a implementação das sugestões da Autoridade da Concorrência faria com que o negócio se tornasse “pouco apelativo” para as partes envolvidas.

Assim, as TF1 e a M6 pediram àquele regulador que reconsiderasse as conclusões do seu relatório, tendo em conta que, com esta fusão, as empresas pretendem tornar-se competição directa de “gigantes do ‘streaming’”, tais como o Netflix.

As duas emissoras serão, entretanto, ouvidas pela Autoridade da Concorrência em Setembro.

As negociações entre a TF1 e a M6, recorde-se, começaram a ser debatidas em Maio de 2021.

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A empresa responsável pelo Facebook, a Meta, está a considerar a desactivação de medidas relacionadas com o combate à desinformação sobre a pandemia de covid-19. Ou seja, a rede social poderá deixar de apresentar “rótulos de informação falsa”.

De acordo com o “Guardian”, a decisão ainda não é oficial, e terá de ser analisada, primeiro, pelo Conselho de Supervisão da Meta.

No pedido submetido ao Conselho de Supervisão, a Meta referiu que a maior disponibilidade de orientações autorizadas sobre a pandemia reduz a probabilidade de a desinformação relacionada com o tema ser tomada como verdadeira.

No mesmo documento, argumenta-se que o desenvolvimento de vacinas e tratamentos terapêuticos fazem com que a covid-19 seja, agora, menos mortífera.

"A Meta continua empenhada em combater a desinformação e em fornecer notícias fiáveis", disse Nick Clegg, director de relações internacionais da empresa. "Contudo, perante a evolução da pandemia, estamos no momento certo para procurar contributos do Conselho de Supervisão sobre a implementação de novas medidas”.

Recorde-se que o Facebook começou a implementar políticas de “fact-checking” sobre a pandemia no início de 2020, sendo que, no final daquele ano, foram acrescentadas medidas mais concretas para lidar com notícias falsas sobre vacinas.

Porém, com os novos avanços de combate ao vírus, o Facebook está, agora, a procurar aconselhar-se junto do Conselho de Supervisão de forma a alterar as suas políticas.

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O “Jornal Económico” estabeleceu uma parceria com o BM&C News, um canal brasileiro de informação financeira. A partir de agora, estes “media” irão partilhar conteúdos, fazer produções conjuntas e, ainda, organizar eventos comuns.

“Esta parceria surge no âmbito do novo posicionamento do ‘JE’ que tem na lusofonia o seu público-alvo”, apontou Raul Bragança Neto, administrador da Media9Par.

Já Marianne Paim, directora de conteúdo digital da BM&C News, considerou que “a união entre os dois veículos é um marco importante para o universo económico lusófono”.

Além disso, a parceria agora anunciada com o BM&C News, que arrancou como um canal digital e pretende marcar presença na Pay TV, permitirá, segundo as empresas, “fornecer conteúdos de qualidade aos cidadãos, com uma perspectiva conjunta, em português, da actualidade global”.

Recorde-se que, recentemente, o “Jornal Económico” passou a integrar o universo do Grupo Media9Par, subsidiária do Emerald Group para a área da comunicação social.

À época, o director do título, Filipe Alves, referiu que a publicação passaria a assumir-se enquanto uma marca de informação dirigida a todo o espaço lusófono, “com uma oferta de conteúdos cada vez mais multiplataforma”.

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O New York Times” começou a fazer emissões de áudio ao vivo, através da Twitter Spaces, um novo espaço da rede social, que permite partilhar conteúdos de forma inovadora.

O jornal nova-iorquino aderiu a esta plataforma no início de Janeiro, mas só em 7 de Julho, quando Boris Johnson anunciou a sua demissão enquanto primeiro-ministro, é que o título teve a oportunidade de explorar todas as potencialidades da ferramenta.

De acordo com o “NYT”, a complexa situação política britânica fez com que muitos utilizadores do Twitter levantassem questões. Por isso mesmo, a equipa de áudio do jornal aproveitou esta situação para responder a questões ao vivo.

A experiência contou com a participação de Sarah Lyall –  uma correspondente do “New York Times”, especializada em política, e conhecida por “vigiar Boris Johnson” – que conduziu uma conversa sobre o tema, à semelhança do que acontece noutros programas de rádio.

O “NYT” já havia partilhado outros programas de áudio ao vivo, mas este contou com uma maior audiência. Além disso, a equipa ficou, particularmente, satisfeita com o resultado.

Como tal, a redacção deu um novo passo na exploração da informação no formato de  áudio ao vivo, uma iniciativa que começou em 2020, ano em que o ‘podcast’ ganhou um novo fôlego.
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O Grupo Les Echos-Le Parisien está a preparar-se para adquirir o instituto de pesquisas OpinionWay, como parte de uma estratégia de diversificação.

De acordo com o “Monde”, o OpinionWay já se havia aliado ao “Les Echos”, durante a cobertura noticiosa das eleições presidenciais. Caso o negócio avance, a OpinionWay deverá reforçar a “Echos Études”, dedicada a redigir relatórios sobre “marketing”.

Esta seria, assim, uma forma de oferecer serviços adicionais aos clientes da “Echos Études”, diversificando, e reforçando, as fontes de receita do Grupo.

Em 2021, a OpinionWay conseguiu um volume de negócios de 17,7 milhões de euros e um resultado operacional de 1,26 milhões de euros, segundo dados publicados no registo comercial.

Com estas negociações, o Grupo Les Echos-Le Parisien procura diversificar as suas áreas de actividade e atingir o equilíbrio financeiro. Esta estratégia começou a ser implementada nos últimos anos, com a aquisição do “site” Boursier.com e de 50% do capital dos canais Mezzo e Medici.

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