null, 5 de Dezembro, 2021
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O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Breves
Guia de Inteligência Artificial

A London School of Economics (LSE), que tem vindo a desenvolver investigações sobre o papel da Inteligência Artificial, publicou, recentemente, o “Starter Guide to Artificial Intelligence”, direccionado a jornalistas e a publicações que queiram aprender mais sobre este tipo de tecnologia.

Conforme apontou a LSE, este guia, que foi desenvolvido ao longo de três anos, explica como os profissionais dos “media” podem tirar partido das novas ferramentas tecnológicas, tendo em conta as normas éticas da profissão.

Esta publicação inclui, por exemplo, informações sobre como os jornalistas podem utilizar a IA para gerar artigos automáticos, realizar investigações, aproveitar conteúdos de arquivo, entender os interesses do público, etc.

Em cada um dos capítulos, o leitor é redireccionado para outros textos sobre os temas em questão, para que possa alargar o seu conhecimento e obter alguns exemplos de casos de sucesso.

European Press Prize

Estão abertas as candidaturas para o European Press Prize 2022, que visa distinguir o trabalho de jornalistas europeus, que colaborem com “media” ou “blogs” noticiosos.

Os profissionais interessados em candidatar-se para as categorias “Reportagens de Investigação”, “Reportagem de Interesse Público” e “Prémio de Inovação” deverão preencher, até 10 de Dezembro, um formulário no “site” do European Press Prize, anexando apenas um artigo.

Os candidatos ao “Prémio de Discurso Público” poderão, por sua vez, submeter até três peças.

Serão aceites textos redigidos em todos os idiomas. Contudo, se assim o preferirem, os jornalistas poderão enviar os seus artigos traduzidos para inglês.

“Podcast” da Prisa

O Grupo Prisa estreou, recentemente, um novo “podcast”, que reúne notícias sobre os acontecimentos que marcaram a actualidade americana e europeia.

Chama-se “El Weekly Global”, e disponibiliza um novo episódio todos os sábados.

Com este novo projecto, a Prisa pretende ajudar os seus ouvintes a manterem-se a par dos eventos políticos e sociais, expandindo os seus horizontes ao nível do consumo noticioso.

Conforme apontou a jornalista Diana Calderón, incumbida de apresentar “El Weekly Global”, este “podcast” irá, ainda, “fornecer informação de qualidade, que ajudará os cidadãos a compreenderem os eventos que, todas as semanas, modificam as sociedades em que vivemos”.

Da mesma forma, María Jesús Espinosa de los Monteros , directora geral da PRISA Audio, sublinha que “El Weekly Global” pretende “contar o que acontece neste mundo convulsionado e acelerado”.

Globo “abandona” Europa

A Rede Globo vai suspender as emissões da Globo Internacional em países europeus, a partir de 31 de Dezembro. Esta decisão não afecta, contudo, o mercado português, pelo que este canal continuará presente na “grelha” dos operadores de cabo.

Conforme indicou a emissora em comunicado, o principal objectivo desta medida é conseguir impulsionar as audiências da plataforma de “streaming” Globoplay, que passou a estar disponível em Outubro.

A par dos conteúdos “on demand”, a plataforma Globoplay disponibiliza, ainda, acesso a seis canais: TV Globo, Multishow, GloboNews, GNT, Premiere e Viva.

“La Vanguardia”

O jornal local “La Vanguardia” alcançou o patamar dos 100 mil subscritores, entre assinantes da edição impressa e do formato digital.

A publicação, editada em Barcelona e pertencente ao Grupo Godó, lançou o seu modelo de subscrição “online” há pouco mais de um ano, conquistando 60 mil assinantes durante este período.

Já a edição em papel conta com cerca de 40 mil subscritores.

Lançado em 1881, “La Vanguardia” é um dos nove jornais mais antigos de Espanha e, em 2020, contava com uma circulação diária de 84 mil exemplares, estabelecendo-se como o diário mais vendido na Catalunha.

Actualmente, os artigos do “La Vanguardia” são publicados em castelhano e em catalão.

Agenda
14
Dez
Congresso Claves 2022
10:00 @ Madrid
17
Jan
Técnicas Fotográficas
18:30 @ Cenjor
09
Fev
Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
31
Mar
Priorities for tackling fake news and improving media literacy
19:00 @ Conferencia "online" da Westminster Media Forum
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália
Connosco
Galeria

A presença de minorias étnicas no jornalismo no Brasil cresceu de 23% em 2012 para 30% em 2021, reflectindo a eficácia de projectos para alargar o acesso dos jovens ao ensino superior, apontou o estudo “Perfil dos Jornalistas Brasileiros”, que contou com a participação de mais de 7 mil profissionais.

Por outro lado, de acordo com o mesmo relatório, algumas das tendências do mercado brasileiro mantiveram-se, praticamente, inalteradas. A título de exemplo, tal como se registou em 2012, a maioria dos jornalistas são mulheres (58%), brancas (68%) e solteiras (53%).

No que diz respeito às faixas etárias, a presença de jovens ainda é muito significativa (30% têm entre 18 a 30 anos, enquanto outros 30%, têm entre 31 e 40 anos).

Ainda assim, registou-se um aumento do número de profissionais com mais de 41 anos.

Além disso, demonstra o relatório, o jornalismo continua a ser uma profissão mal remunerada, com cerca de 60% dos profissionais a receberem menos de 5,5 mil reais por mês (cerca de 860 euros). Aliás, apenas 12% dos entrevistados disseram receber mais do que 11 mil reais (cerca de 1721 euros).

Destaca-se, também, neste sentido, que os níveis de precariedade têm vindo a aumentar, uma vez que, actualmente, apenas 45,8% dos profissionais inquiridos disseram ter vínculos contratuais.

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As noções de neutralidade e de objectividade, que associamos à prática ética do jornalismo, podem estar afectar os níveis de confiança dos “media” e, consequentemente, a prejudicar os consumidores de notícias, considerou a jornalista Clarissa Peixoto num artigo publicado, originalmente, na revista “ObjETHOS”, e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, conforme apontou a autora, tal como acontece com qualquer outro cidadão, as opiniões dos jornalistas são influenciadas pelas suas vivências, pelos seus processos de socialização, e pelo local onde cresceram.

Por isso mesmo, é errado assumir que os jornalistas e os “media” conseguirão manter um discurso totalmente objectivo.

Além disso, a fim de informarem, eficazmente, os seus leitores, os profissionais do jornalismo devem assegurar-se de que conseguem fazer uma contextualização de todos os factos, o que exige, por vezes, que estes colaboradores façam uma reflexão sobre injustiças sociais que se verificaram no passado.

Ora, de acordo com Peixoto, este tipo de prática pode ser confundido com activismo, já que, quando se sente impelido a escrever ou a falar sobre uma determinada causa, o jornalista acabará por registar o seu cunho pessoal.

Ainda assim, defende Peixoto, os jornalistas devem falar sobre todo e qualquer assunto de interesse público, embora possam vir a ser criticados pelos seus leitores, por empresas , ou mesmo pelos governos.

Isto porque, apontou a autora, a qualidade do jornalismo depende, em grande parte, da pluralidade de perspectivas e realidades.

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Os consumidores de notícias retêm mais conhecimento quando lêem artigos através do computador, do que quando o fazem através do "smartphone", revelou um estudo da editora britânica Taylor, citado pelo “Laboratorio de Periodistas”

Conforme demonstrou o estudo, os participantes que foram expostos a notícias através do computador conseguiram reter mais 6% de informação e identificar mais 5% das peças jornalísticas do que os indivíduos que leram artigos no “smartphone”.

“Embora isto possa não parecer uma grande lacuna", dizem os autores, "devemos ter em conta que isto é o resultado de uma consulta a um pequeno ‘feed’ de notícias, num ambiente calmo e sem distrações. Por outro lado, nas suas rotinas diárias, as pessoas percorrem muito mais publicações e fazem-no, frequentemente, em ambientes caóticos, com ruído de fundo, rodeados de pessoas e de outras distracções”.

De acordo com os autores, estas conclusões podem ser justificadas com o facto de os “smartphones” terem ecrãs mais pequenos, fazendo com que os leitores passem mais tempo a perceber e menos tempo a processar.

Outra das razões apontadas é a possível relação entre as funções primárias de um dispositivo e a motivação para o processamento de mensagens.

 

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Algumas redacções locais australianas dispensaram jornalistas e encerraram operações apesar de terem recebido milhões de dólares em apoios do Estado, revelou o “Guardian Australia”.

Conforme recordou a mesma fonte, em Junho de 2020, o governo australiano anunciou a criação de um programa de apoio a jornais locais e regionais, como forma de colmatar as perdas registadas em contexto de pandemia.

À época, o ministro da Comunicação, Paul Fletcher, descreveu os “media” locais como “essenciais” para muitas cidades.

“O jornalismo de interesse público é essencial para manter as comunidades informadas”, disse Fletcher. "Iremos providenciar apoio contínuo às publicações locais e regionais, uma vez que estas são mais importantes do que nunca, numa altura em que as comunidades australianas precisam de consultar informação de confiança.

A investigação do “Guardian” concluiu que, em alguns dos casos, os jornais receberam menos do que o montante prometido, o que forçou algumas empresas a anunciarem cortes no orçamento.

Contudo, na maioria dos casos, o problema não foi a falta de financiamento, mas a falta de controlo governamental relativamente às empresas apoiadas.

Ou seja, o governo australiano não teve em conta a qualidade do jornalismo nas publicações locais, ou quaisquer outros pré-requisitos.

Além disso, muitos destes jornais receberam, imediatamente, 90% do montante que lhes era destinado, com apenas 10% do dinheiro a ser entregue conforme a sua “performance”.

Da mesma forma, o governo não implementou quaisquer medidas de prevenção, pelo que os jornais que receberam apoio financeiro não tinham qualquer razão que os impedisse de dispensar parte do  total de colaboradores.

 

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Os “sites” jornalísticos são, agora, uma componente essencial do consumo de informação em todo o mundo, permitindo que os cidadãos leiam notícias em qualquer lugar, e em qualquer altura, através dos seus dispositivos móveis.

Neste momento, a maior parte das empresas jornalísticas já disponibiliza a sua própria plataforma digital, com diversos artigos multiplataforma, que permitem criar uma relação de maior confiança com os seus leitores.

Perante este cenário, e com as bases já bem assentes, alguns destes títulos começaram a apostar na reestruturação dos “sites”, como forma de acompanhar as principais tendências mundiais, e continuar a satisfazer as necessidades dos seus consumidores.

Foi esse o caso do jornal digital equatoriano “GK” que, após uma análise aprofundada, concluiu que a sua plataforma precisava de algumas melhorias, como forma de facilitar a localização de notícias, e a leitura das mesmas.

Conforme apontou José María León , CEO da “GK” , em entrevista ao “Laboratorio de Periodismo”, o primeiro passo da reestruturação da plataforma passou pela definição de elementos gráficos “frescos, simples e intemporais”.

"A ‘GK’ precisava de uma actualização no ‘design’ da marca e do ‘site’, para se manter alinhada com o jornalismo que praticamos'' , explicou, por sua vez, Gabriela Valarezo, ex-directora de arte do título.

A alteração do “design” passou, ainda, por assegurar que todo o “site” se adaptava, eficazmente, aos dispositivos móveis.

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O mercado mediático encontra-se, agora, em constante mudança, com novas tendências a surgirem todos os dias, e com a precariedade a estabelecer-se como uma característica indissociável da profissão jornalística.

Perante este cenário, as escolas de jornalismo devem ajudar os seus alunos a adaptarem-se à nova realidade, o que passa pela introdução a noções básicas sobre o modelo de trabalho “freelancer”.

Quem o garante é Andy Hirschfeld que, num artigo publicado no “site” da International Journalists’ Network, recordou que, até 2027, prevê-se que, nos Estados Unidos, mais de metade dos profissionais dos “media” trabalhe em regime independente.

Assim, Hirschfeld considera essencial que os jovens profissionais aprendam a fazer um “pitch” sobre as suas reportagens, para que venham a ter uma maior probabilidade de colaborar com diversos títulos noticiosos.

Além disso, o autor defende que os jornalistas devem encarar o “freelancing” como um negócio, pelo que as escolas de comunicação deverão oferecer unidades curriculares sobre finanças.

Neste sentido, Hirschfeld defende que os estudantes deverão, igualmente, aprender a estabelecer a sua própria marca, especializando em determinadas editorias, para que possam destacar-se.


Isto inclui aprender a utilizar as redes sociais a fim de criar uma identidade profissional, e de publicitar o seu trabalho, bem como as suas capacidades jornalísticas.

Por fim, Hirschfeld destaca a necessidade de aprender a utilizar diferentes materiais de reportagem, já que, se trabalharem enquanto “freelancers”, estes jovens não terão assistência de outros colegas, ou formação no local de trabalho.

 

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A BBC atingiu, durante o período de 2020/21, o maior pico de audiência da sua história, de acordo com o relatório Global Audience Measure, que regista o número total de acessos aos diferentes serviços daquela emissora.

Conforme indica o estudo, no último ano, o operador público britânico conquistou uma média de 489 milhões de adultos por semana, o que representa aumento de mais de vinte milhões de leitores em relação a 2019/2020.

Assim, a BBC conseguiu duplicar a sua audiência semanal em apenas dez anos.

De acordo com o operador, o crescimento foi impulsionado pela aposta no Serviço Mundial de Idiomas, que permite a tradução de conteúdos fidedignos.

Outros dos factores a ter em conta incluem uma maior aposta em conteúdos digitais, e a criação de canais internacionais da BBC Studios.

“Estou muito feliz por saber que a BBC informa, educa e entretém mais pessoas do que nunca”, disse o director-geral do operador público britânico, Tim Davie. “O nosso alcance global continua a crescer e estamos quase a chegar aos 500 milhões de pessoas, um número que esperamos registar já no próximo ano”.

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Desde que os talibãs voltaram a assumir o governo afegão, em Julho deste ano, que os “media” nacionais deixaram de oferecer tanta variedade informativa, além de programas de entretenimento, que ajudavam os jornalistas a estabelecer uma boa relação com o seu público, denunciou Emma Graham-Harrison num artigo publicado no “Guardian”.

A título de exemplo, especificou Graham-Harrison, os meios de comunicação deixaram de ter permissão para emitir episódios de séries românticas, de realizar investigações noticiosas, ou de dar emprego a mulheres.

Desta forma, alguns destes “media”, como é o caso da Radio Sanga, que costumava ser uma das estações mais populares do Afeganistão, perderam a sua audiência

“Ainda temos algum conteúdo de entretenimento, mas não tenho a certeza se poderemos continuar a emiti-lo”, disse Agha Sher Munar, dono da rádio, que perdeu quase 80% dos seus 1.5 milhões de ouvintes e foi forçado a dispensar um terço do número total de jornalistas, incluindo as três mulheres que lá trabalhavam.

“Os talibãs pediram-nos que partilhassemos todos os nossos conteúdos antes de emiti-los, portanto, agora, limitamo-nos a repetir as notícias das estações oficiais”, disse aquele responsável.

O sector mediático do Afeganistão era tomado como um caso de sucesso, já que, durante a presença das tropas norte-americanas no território, registou progressos a nível da liberdade de imprensa.

Contudo, com o regresso dos talibãs, a indústria parece ter entrado em “queda livre”. Dezenas de jornalistas abandonaram o país, temendo perseguição, enquanto várias mulheres foram forçadas a deixar de exercer as suas funções.

O que há de novo

Os primeiros nove meses de 2021 foram penosos para os “media” tradicionais portugueses, uma vez que, durante este período, praticamente todas as publicações sofreram, na sua circulação impressa, recuos na ordem dos dois dígitos.

De acordo com o mais recente relatório da APCT, o semanário “Expresso” foi, por isso, o título com a quebra menos expressiva, ao recuar 2,6%, relativamente aos dados do período homólogo de 2020.

Além disso, na maioria dos casos, o crescimento do “online” não foi suficiente para colmatar as perdas em papel. Aliás, apenas o “Expresso” e o “Público” conseguiram receitas digitais suficientemente altas para alcançar uma evolução positiva da circulação paga.

No quadro geral, os números do relatório da APCT vêm confirmar que o mercado está ainda longe de recuperar dos danos infligidos pelo contexto pandémico.

O “Correio da Manhã”, o “Diário de Notícias”, o “Jornal de Notícias” e o “Público”, os quatro diários generalistas auditados, venderam, em média, e no seu conjunto, menos 14.142 exemplares por edição, o que representa uma queda na ordem dos 13,5%, relativamente à circulação impressa paga entre Janeiro e Setembro de 2020.

Quanto às “newsmagazines”, cuja liderança de circulação foi assumida pela “Visão”, as quebras rondam os 19,4%.
Já no âmbito digital, o “Expresso” reforçou o estatuto de líder, ao alcançar um circulação “online” paga de 48.114 assinantes, o que representa uma subida de 17,5% relativamente ao período homólogo do ano anterior.

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A diminuição da circulação e o aumento do custo do papel levaram o Grupo Canal +, que detém o jornal "CNews", a deixar de publicar a versão em papel daquele título, para se concentrar na Web e no canal de televisão.

“Esta manhã saiu o último número do jornal ‘CNews’”, anunciou Pauline Landais , jornalista daquele diário, através do Twitter. "O futuro agora está escrito na ‘web’" .

A crise da Covid-19, recorde-se, levou à interrupção, por vários meses, da circulação impressa do jornal ‘CNews’, um diário gratuito, distribuído nos transportes públicos de grandes áreas metropolitanas.

Desde então, a sua distribuição foi retomada, mas com "uma quebra muito significativa na sua circulação" , sendo publicado "aleatoriamente" alguns dias por semana.

Contudo, o “golpe decisivo” para o encerramento da edição impressa do “CNews” foi o aumento do custo do papel.

Conforme apontou o jornal “Le Monde”, esta decisão não terá qualquer consequência para os colaboradores da “CNews”, que continuarão a exercer as suas funções, ainda que no formato digital.

Em Outubro, o “CNews” contava, ainda, com uma distribuição média diária de 760 mil exemplares.

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O jornal britânico “The Independent" duplicou, este ano, o seu lucro operacional e conseguiu aumentar as receitas em 30%, de acordo com um artigo da “Press Gazette”.

Desta forma, o “Independent” conseguiu aumentar a margem de lucro, que começou a registar-se, consecutivamente, em 2016, ano em que este título encerrou a sua publicações em papel, passando a dedicar-se, exclusivamente ao “online”.

“Penso que isto são óptimas notícias, tendo em conta o investimento que temos feito neste negócio”, afirmou, em entrevista à “Press Gazette”, o director da publicação, Zach Leonard.

Leonard destacou, neste sentido, que a estratégia do título continua a mostrar-se eficaz, “apesar de um mercado imprevisível”, que foi afectado pela pandemia de covid-19.

Aquele responsável destacou, ainda, que a publicação tem “planos ambiciosos” ao nível das fontes de receita, que deverão passar por uma maior aposta em “e-commerce”.

Para já, a principal fonte de receita do jornal é a publicidade, representando 60% de toda a facturação. Além disso, cerca de 25% são provenientes das subscrições e 15% são resultado da prestação de serviços tecnológicos a outras publicações mediáticas.

Agora, com uma audiência mensal de quase 19 milhões, o "Independent” começou a planear a sua expansão para o mercado publicitário norte-americano.

 

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O empresário Jack Dorsey abandonou, com efeito imediato, a direcção-geral da rede social Twitter, e será, agora, substituído pelo gerente técnico do Grupo, Parag Agrawal.

"Decidi deixar o Twitter porque acho que a empresa está pronta para cortar o cordão com os seus fundadores", explicou, em comunicado, Jack Dorsey.

Nesta nova etapa do Twitter, o empresário planeia, da mesma forma, deixar, em 2022, o seu cargo no conselho de administração. Além disso, Dorsey não irá concorrer para um novo mandato na assembleia de accionistas do Grupo.

Enquanto um dos fundadores da rede social, Dorsey ajudou a definir a imagem de marca da plataforma, lançada em Março de 2006.

Numa primeira fase, Dorsey começou por assumir funções de director-geral do Twitter entre 2007 e 2008, tendo sido afastado pelo conselho de administração, que se disse insatisfeito com a sua gestão.

Mais tarde, em Outubro de 2015, voltou à direcção da rede social, acumulando funções com a gestão de outra das suas empresas, a Square.

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O Presidente da República defendeu, durante a apresentação do novo livro da jornalista Maria João Avillez, que “não há democracia forte sem liberdade de imprensa forte”, sustentando que “mais vale liberdade de imprensa a mais do que a menos”, sendo essa a diferença “entre a democracia e a ditadura”.

Neste contexto, Marcelo Rebelo de Sousa abordou um “estudo recente” — o Relatório Global sobre o Estado da Democracia — que indica tanto as “debilidades e as fragilidades” da democracia portuguesa, como as “desigualdades ou o funcionamento do sistema judicial”, assim como as suas “forças”, designadamente a “dos jornalistas e da sua luta pela liberdade de imprensa em Portugal“.

“Eu tenho repetido que, no quadro da Constituição e da lei, é sempre preferível haver liberdade de imprensa a mais do que a menos, é preferível pecar por excesso a pecar por defeito, porque essa é a diferença entre a democracia e a ditadura”, defendeu.

Entretanto, durante a sua intervenção na entrega dos Prémios Gazeta 2019/2020, o Chefe de Estado considerou essencial a realização do 5.º Congresso dos Jornalistas Portugueses, cuja última edição se concretizou há mais de quatro anos, entre 12 e 15 de janeiro de 2017.

“Pecar por defeito nestas circunstâncias”, prosseguiu, é “ir matando a comunicação social” em Portugal, considerou o Presidente da República.

Da mesma forma, o chefe de Estado criticou a precariedade que caracteriza a maioria das redacções portuguesas, e que é transversal.

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O Grupo Cofina confirmou que o jornalista Eduardo Dâmaso, até aqui director da “Sábado”, passará a director-geral adjunto da direcção geral editorial, estrutura que agrega o “Correio da Manhã”, a CMTV, bem como aquela "newsmagazine", e que tem como director-geral Carlos Rodrigues.

Fica, ainda, por revelar o profissional que ficará encarregue pela direcção da “newsmagazine” “Sábado”, embora seja quase certo que a jornalista Sandra Felgueiras assumirá essas funções.

A Cofina acredita que o novo modelo de direcção geral editorial permitirá “gerar conteúdos jornalísticos para as diversas plataformas, aumentando, também, a sua diversidade, incrementando a eficácia na gestão de meios da redacção, com melhoria da operação em todas as publicações e potenciar poupanças e sinergias, acrescentando linhas de reforço do rigor na gestão orçamental”.

Nesta estrutura renovada, Eduardo Dâmaso terá a seu cargo a articulação estratégica entre os meios, trabalhando com Carlos Rodrigues na concepção, criação e implementação “permanente de fluxos de notícias. Simultaneamente integrar-se-á, também, na estrutura de comando do ‘Correio da Manhã’”

Já Armando Esteves Pereira será o director geral adjunto desta nova estrutura, tendo como missão acompanhar a equipa gráfica, a revisão e a produção tipográfica da edição em papel.

O director-adjunto do CM, Alfredo Leite, continua, por sua vez, a ser responsável pela gestão editorial dos “sites”, “podendo assumir funções de chefia integrada sempre que a necessidade estratégica da direcção-geral o exija”.

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Em Setembro, o Presidente polaco declarou o estado de emergência na sua fronteira com a Bielorrússia. À época, as autoridades afirmaram que o decreto vinha responder à “crise de refugiados", proveniente do Médio Oriente e do Afeganistão, que pretendiam entrar na União Europeia.

Conforme apontou Jon Allsop num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”, desde então, os jornalistas polacos foram proibidos de reportar naquela zona fronteiriça.

Por outro lado, o governo bielorrusso, conhecido por limitar actividade dos “media”, passou a permitir a presença de canais internacionais no seu território, como forma de fazer valer a sua própria narrativa sobre este cenário.

Assim, afirmou o autor citando o jornalista da NPR Charles Maynes, a Bielorrússia tem conseguido espelhar a imagem de ser um país com maior respeito pelos Direitos Humanos, do que qualquer território pertencente à União Europeia.

Conforme recordou Allsop, desde a declaração do estado de emergência, os jornalistas polacos passaram a ser alvo de violência e de ameaças por parte das forças de segurança.

Além disso, o material de reportagem de alguns profissionais foi confiscado.

E, mesmo que reportem sobre os problemas fronteiriços numa área autorizada, os jornalistas polacos correm o risco de ser detidos e interrogados pelos agentes policiais.

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Uma loja de conveniência no Quebec comprou os direitos de reprodução de diversos títulos jornalísticos, permitindo que os seus clientes imprimam, instantaneamente, exemplares de uma vasta selecção de revistas e jornais.

A loja pertence à empresa de assinatura de revistas Press Commerce Corporation, que detém alguns pequenos negócios de retalho, e que decidiu equipar um destes estabelecimentos com um sistema de impressão “in loco”.

O sistema está em funcionamento desde este Verão, e permite que os seus clientes imprimam exemplares de mais de três mil jornais internacionais.

Assim, os visitantes da loja podem requisitar uma cópia do “Le Figaro”, “Liberation”, “Ouest France”, “Nice Matin”, “Haiti Liberté”, “Corriere della Sera" (Itália), “USA Today”,” Irish Independent”, “Le Temps” (Suíça) ou “El Whatan” (Argélia).

O preço dos jornais impressos varia entre 4,95 e 11,95 dólares canadianos (€ 3,6 e € 8,3 respectivamente), dependendo do número de páginas.

 

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