Sábado, 26 de Maio, 2018
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O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Um conselho inútil
Manuel Falcão
Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do conselho de administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão. O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior governo, que foi a criação do Conselho Geral Independente...
Jornalistas assassinados na UE
Francisco Sarsfield Cabral
A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
Breves
Carta de protesto dos trabalhadores da Lusa

Uma carta dos trabalhadores da Agência Lusa foi entregue ao ministro da tutela na qual se chama a atenção para as "necessidades prementes e urgentes da Agência, sujeita a asfixia financeira e refém de cativações burocráticas". O documento assinala que "a contínua saída – e sucessivamente adiada substituição, por atraso na resposta da tutela – de jornalistas do quadro, bem como de correspondentes das redes nacional e internacional, tem impacto na gestão diária e no funcionamento global da agência". Na opinião dos signatários da missiva, "o contrato de serviço público não está a ser cumprido como podia, e devia, caso o investimento na Agência fosse outro."

“O Bairro dos jornais”

Um novo livro da autoria de Paulo Martins aborda a concentração da imprensa no Bairro Alto, durante mais de 150 anos. Intitulado "O Bairro dos Jornais", o autor não perde de vista a evolução histórica e conta episódios relevantes de uma zona por onde passaram quase 600 publicações. A obra foi apresentada por Mário Zambujal, tendo prefácio de  Appio Sottomayor

Santander capital de mulheres jornalistas

A conferencia internacional de género promovida pela FIP - Federación Internacional de Periodistas vai transformar Santander na capital mundial das mulheres jornalistas.

A sessão de abertura, a 25, contará com a presença de Pilar López Díaz, jornalista e especialista em género, e no encerramento será entregue o III Premio Concha Espina, atribuído a Daniel Plaza Rubio, por uma reportagem televisiva.

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“Não leiam apenas o The New York Times”, podia ler-se num anúncio publicado na edição impressa do diário norte-americano, que recomendava aos seus leitores vários outros títulos, no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinalou no passado dia 3 de Maio. Este  esforço conjunto reuniu 36 marcas de media de todo o mundo . A campanha reuniu marcas como The Wall Street Journal, The Guardian, Financial Times, The Atlantic, The Economist, CNN ou BBC, que se juntaram à UNESCO para defender a imprensa e o consumo de informação a partir de vários pontos de vista, quebrando o circuito fechado em favor da pluralidade de opiniões. “Leia mais. Oiça mais. Compreenda mais. Tudo começa com uma imprensa livre”,é a sua assinatura.

RTP Play quer ser Netflix português

O novo projecto estratégico da RTP para os próximos três anos aposta na inovação dos conteúdos do Grupo de rádio e televisão públicas e tenciona colocar o digital como base do serviço. Uma das iniciativas previstas é a transformação da RTP Play, a plataforma de conteúdos do Grupo, numa espécie de Netflix ou Foxplay, com o objectivo de “fazer chegar os conteúdos RTP a públicos que preferem outras formas de consumo que não o linear”.

Agenda
30
Mai
The GEN Summit 2018
19:00 @ Pátio da Galé, Lisboa
01
Jun
MEDIAMIXX 2018
09:00 @ Thessaloniki, Grécia
04
Jun
Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa
05
Jun
Midem
09:00 @ Cannes, França
06
Jun
Connosco
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A opinião pública é hoje atingida pelo “maior caudal informativo da História”, mas esta informação chega aos cidadãos “cheia de verdades e mentiras, de realidade e ficção, de razões e emoções, muitas vezes parcial e sem contexto”. Um relativismo crescente provoca “que se confunda o verosímil com o verdadeiro, sem qualquer verificação”; e “dilui as fronteiras entre a verdade e a mentira, reduzindo a zero o valor moral da primeira e a recusa da segunda”.

Por estes motivos, “o jornalismo do futuro, sem o qual não podemos imaginar uma sociedade aberta com cidadãos livres, enfrenta agora o desafio de restaurar o valor e o mérito da verdade”. É esta a reflexão estruturante de um trabalho do jornalista Fernando González Urbaneja, na 35ª edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

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Alberto Dines, sem cujo trabalho pioneiro de crítica dos media no Brasil não existiria o Observatório da Imprensa, dedicou grande parte dos seus 60 anos nesta profissão a criar “condições e oportunidades para se fazer jornalismo com método e para se reflectir o jornalismo com método”. Como disse ele mesmo, no princípio deste século, “as grandes empresas de media brasileiras não querem que o seu poder seja enfrentado por um contrapoder, mesmo que social ou público”. Agora que nos deixou, a sua obra é reconhecida pelos seus pares, que, como Carlos Castilho, apontam que “a observação crítica da Imprensa viria a transformar-se numa necessidade inadiável e insubstituível na era das fake news”. Numerosos testemunhos, reunidos pela equipa do site sob o título “Maestro das redacções”, tomam o espaço principal do Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, celebrado precisamente com Alberto Dines.

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Um jornalista que se tornou médico  - dez anos depois de começar a ver o descalabro na sua primeira profissão -  está em condições de comparar os dois períodos de treinamento e acesso, e descobre o que tiveram de comum. “Nunca pensei que teria de fazer ‘internato de especialidade’ duas vezes, muito menos em campos tão diferentes, mas sou levado a pensar que o primeiro, em jornalismo, de certo modo preparou-me para o outro, que veio mais tarde.” E o que é semelhante são as longas horas de trabalho (que chegaram às 80 por semana, no hospital), muita pressão, salários curtos e a necessidade de actualização e estudo constante.

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“A informação não cai do céu”  - dizem os dois jornalistas co-autores do livro “Les plaisirs du journalisme”, publicado em França em Janeiro de 2017. “Nada substitui o trabalho de investigação e de caça das informações, que é um dos prazeres do ofício.”
Por este lado, o jornalismo pode ser uma forma de “artesanato”. E faz parte dele o recurso a informadores, como os que “assumiram riscos para informar Le Canard Enchaîné, para o colocar numa pista ou fazer-lhe chegar um documento”. Claude Angeli, que foi chefe de redacção do famoso semanário satírico, de 1983 a 2012, e Pierre-Édouard Deldique, jornalista da RFI – Radio France Internationale, assinam este trabalho que descreve como prazer aquilo a que só se chega como muito esforço, muitas vezes risco e a colaboração de cidadãos dispostos a exercer o seu “direito de aviso”.

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Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

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Na Europa Ocidental, o modo como as pessoas consideram os meios de comunicação é mais marcado pelo facto de terem ou não tendências populistas do que por serem mais de direita ou de esquerda  -  segundo um recente estudo de opinião conduzido pelo Pew Research Center em oito países: Dinamarca, França, Itália, Alemanha, Holanda, Espanha, Suécia e Reino Unido. Em todos eles, uma atitude populista coincide com menor grau de confiança nos media, sobretudo nas grandes questões da imigração, da economia e do crime. De modo geral, esta confiança é mais baixa na Espanha, França, Reino Unido e Itália, onde apenas um quarto de "populistas" manifesta confiança nos media. Por contraste, os que não têm essa atitude são mais inclinados (de 8% a 31%) a ter alguma confiança nos media, em todos os países estudados.

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A União Europeia decidiu reforçar o direito à privacidade dos utentes da comunicação digital. “A partir de agora, qualquer empresa que recolha dados pessoais terá de obter o consentimento explícito do utente para tratar essa informação”. Ora, os media “também vão ter de adoptar as medidas necessárias para cumprir a lei, se não quiserem enfrentar multas milionárias”. O que significa que terão de se acautelar, se não querem “sofrer um castigo que se pode revelar fatal para as suas já maltratadas economias”.

É esta a reflexão inicial de um texto de Media-tics, que faz a síntese do debate em curso sobre os possíveis efeitos secundários de uma regulação pensada para defesa dos cidadãos contra o mau uso da informação que seja recolhida sobre eles próprios.

O que há de novo

Passando a estar em vigor, a partir de 25 de Maio, no espaço da União Europeia, o Regulamento Geral de Protecção de Dados, e não existindo ainda uma lei nacional que enquadre a sua aplicação, várias organizações ligadas ao jornalismo, reunidas na Casa da Imprensa a 23 de Maio, tomaram uma posição conjunta “apelando à rápida criação de um regulamento nacional que exclua a actividade jornalística das regras que são impostas às empresas comerciais”. O texto adoptado, que a seguir publicamos na íntegra, afirma que, para além da incerteza legal da situação, “no caso dos media pode conduzir a uma verdadeira ameaça à liberdade de Imprensa”.
O CPI - Clube Português de Imprensa, embora não tendo participado presencialmente na reunião em causa, associa-se aos pressupostos contidos na declaração conjunta.

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Especialistas de várias disciplinas, reunidos no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) de França, exprimem as suas dúvidas sobre a viabilidade da lei contra as “falsas notícias”, cujo projecto começou a ser debatido na Assembleia. As reservas que colocam referem-se tanto à sua legitimidade, como à sua eficácia ou ainda a eventuais resultados contraproducentes.  A chamada “Lei de fiabilidade e de confiança na informação”, prometida pelo Presidente Emmanuel Macron no princípio de 2018, foi desde o início objecto de um debate polémico, que se encontra agora no seu terreno parlamentar.

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Os meios de comunicação britânicos na Rússia, assim como o canal de televisão RT (do seu primeiro nome Russia Today) no Reino Unido, podem tornar-se as próximas vítimas colaterais da polémica decorrente do caso Skripal. Na sequência da decisão pelo Ofcom, o organismo britânico regulador das comunicações, de abrir três novas investigações sobre a objectividade das reportagens da RT, o Kremlin anunciou que vai também vigiar a produção dos media do Reino Unido que trabalham na Rússia.

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O Diário de Noticias, jornal centenário, está a prestes a desaparecer como quotidiano, passando a semanário aos domingos, a partir de Junho próximo, a confirmarem-se os rumores de que se fez eco o site electrónico Meios & Publicidade.

A hipótese estava há muito a ser considerada, em desespero de causa, atendendo  à irrisória circulação em papel, que desceu para um mínimo histórico de 6280 exemplares por dia, segundo dados recentes da APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens.


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O jornalista angolano Rafael Marques foi distinguido pelo Instituto Internacional da Imprensa (IPI) com o prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa de 2018, este ano na sua 70ª edição.

“Sinto-me honrado, porque este prémio vem num momento em que estou a ser julgado por expor corrupção de altas instâncias, enquanto o Presidente Lourenço afirma estar a lutar contra isso. No entanto, é inadequado receber um prémio internacional por fazer o trabalho básico de expor os males do meu próprio país, a fim de corrigi-los para o bem comum”  - afirmou Rafael Marques, em comunicado.

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O jornal desportivo “Marca”, um dos mais lidos em Espanha, vai comemorar oitenta anos no próximo dia 21 de Dezembro, estando já em curso um vasto programa comemorativo de que se faz eco a revista “Periodistas” editada pela FAPE.

Fundada em San Sebastian por iniciativa de Manuel Fernández Cuesta, desejoso de fazer uma revista desportiva num tempo pouco propício a desportos, a “Marca” nasceu como semanário gráfico, quando faltavam quatro meses para o desfecho da guerra civil, e mudou-se um ano depois para Madrid, ali mantendo a sua sede.

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Está disponível, em formato digital, o manual intitulado “Ética Jornalística na Era Digital”, que reune em 32 páginas uma reflexão sobre algumas das questões mais actuais neste terreno, como as da “pós-verdade”, da instantaneidade do noticiário, da verdade numa era de violência, da investigação no jornalismo, da independência editorial, dos modelos de negócio nas empresas de media e do conceito de ética jornalística no presente. São seus autores Luis Manuel Botello, do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) e Javier Darío Restrepo, da Fundación Gabriel García Marquez.

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O Grupo Le Monde volta a organizar, de 13 a 15 de Julho, o Festival Internacional de Jornalismo, no mesmo local idílico de Couthures-sur-Garone. Esta terceira edição vai proporcionar encontros, testemunhos, debates, projecções, gastronomia, idas e concertos. E, como em qualquer festival que se preza, o mais difícil será o embaraço da escolha entre realizações que decorrem em simultâneo.
Desde Janeiro que uma comissão editorial de 18 jornalistas do Courrier International, do Huffington Post, de Le Monde, de L’Obs e Télérama, mas também de outros meios fora do Grupo Le Monde, se ocupou da coordenação de “um programa denso e atractivo em torno de sete temas”.

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