Terça-feira, 27 de Julho, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.  Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Breves
“Workshop” de análise de dados

 Cerca de 400 jornalistas de 58 países participaram no "workshop" "Hands-on Data Journalism: Techniques of Analysis and Visualization”, promovido pelo Knight Center e leccionado por John Keefe, responsável pelos gráficos climáticos da CNN.

Através deste curso -- que decorreu entre 31 de Maio e 27 de Junho -- os participantes adquiriram competências a nível da análise de informação gráfica, e foram incentivados a criar as suas próprias bases de dados.

Os alunos destacaram o “ambiente confortável” e “encorajador” proporcionado por John Keefe, que, ao longo do “workshop”, “trabalhou para desmistificar conceitos complexos”, para que fossem “compreendidos por todos os presentes”.

Os interessados podem, agora, aceder a alguns dos recursos leccionados neste “workshop”, consultando a plataforma do Knight Center.

Violência contra jornalistas

O canal de notícias francês BFMTV vai apresentar uma queixa contra os cidadãos que ameaçaram os seus colaboradores, durante uma manifestação em Paris.

De acordo com a jornalista Aurélie Casse, dois dos profissionais foram, mesmo, alvo de tentativa de agressões físicas. “Este é um comportamento inaceitável, que a redacção da BFMTV condena e que irá ser alvo de uma denúncia”, acrescentou.

O repórter Igor Sahiri acrescentou, por sua vez, que a violência física foi evitada graças a dois agentes de segurança do canal. “Felizmente, nenhum dos nossos jornalistas foi agredido. Por outro lado, fomos alvo de uma corrente de ódio. Basicamente, estão a culpar-nos por narrarmos os factos”.

Esta é a segunda vez que a equipa da BFMTV é alvo de insultos durante a cobertura de manifestações. O primeiro incidente, recordou o jornal “Le Figaro”, ocorreu durante o movimento dos “coletes amarelos”, no final de 2018.

Prémio de Jornalismo Móvel

A Agência EFE e a Universidade Aberta da Catalunha (UOC) convocaram a II edição do Prémio Internacional de Jornalismo Móvel EFE-UOC.

Nesta segunda edição, os organizadores do concurso procuram “trabalhos jornalísticos realizados através de dispositivos móveis", que reflictam o equilíbrio entre tecnologia e comércio.
O prémio é composto por três categorias distintas : estudante --para maiores de 18 anos, que estejam a tirar uma licenciatura, pós-graduação ou mestrado na área da comunicação--; profissional -- para jornalistas que tenham publicado artigos de jornalismo móvel nos últimos 18 meses; e Prémio Vueling -- da categoria especial de Jornalismo de Viagem Móvel.
Os vencedores nas categorias estudante e profissional receberão mil euros, além de um vale de 500 euros para bilhetes de avião. O vencedor do Prémio Vueling receberá, por sua vez, 1500 euros em milhas aéreas.
Podem candidatar-se, até 8 de Setembro, estudantes portugueses que estejam a concluir o curso em Espanha, ou profissionais que colaborem com “media” espanhóis.

Prisma Media e “Télé Z”

 A Prisma Media iniciou negociações exclusivas para adquirir 100% do capital do Grupo Édition Presse Magazine 2000, que detém a revista “Télé Z”.

No ano passado, a “Télé Z “ teve uma circulação média de 787.741 exemplares, de acordo com os dados do ACPM-OJD.

A aquisição da revista representa, assim, uma boa oportunidade de negócio para a Prisma Media, que tem vindo a apostar em títulos de nicho, focados no mundo televisivo.

 

"Streaming" da CNN

A CNN vai lançar um serviço de “streaming”, o CNN+, que promete 8 a 12 horas diárias de programação ao vivo, a par de produções originais de não-ficção.

De acordo com aquela organização noticiosa, a plataforma deverá estar disponível já no primeiro trimestre do próximo ano.

No que diz respeito aos conteúdos, Andrew Morse, chief digital officer da CNN Worldwide, e apontado à liderança do serviço de “streaming” da estação, antecipou apenas que “o CNN+ será construído sobre uma base de reportagem e narrativa de classe mundial, com o compromisso de alcançar a audiência onde quer que esteja”.

“Este é o lançamento mais importante da CNN desde que Ted Turner lançou a network em Junho de 1980”, resumiu o mesmo responsável.

A CNN, recorde-se, vai passar a contar com operação no mercado português a partir do final deste ano, já que a TVI24 vai dar lugar à CNN Portugal no último trimestre de 2021. À frente do canal ficará Nuno Santos.

Agenda
23
Ago
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
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O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

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As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

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Há cerca de 12 anos, Rupert Murdoch entrou num conflito directo com a Google, com o objectivo de fazer com que a empresa norte-americana pagasse pelos conteúdos noticiosos que agregava nas suas plataformas, recordou Nemesio Rodríguez num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Rodríguez, esta “cruzada” durou até ao presente ano, quando o governo australiano implementou uma nova lei, que obriga as empresas tecnológicas a dividirem as receitas com as empresas de “media”, consoante os artigos partilhados nas suas plataformas agregadoras de notícias.

Em primeira instância, isto veio agravar a animosidade entre o governo e as tecnológicas: o Facebook, por exemplo, bloqueou o acesso dos utilizadores australianos a todos os conteúdos noticiosos da plataforma.

Contudo, perante as crescentes críticas da comunidade internacional, o Facebook e a Google cederam, anunciando um investimento de mil milhões de dólares em projectos de jornalismo.

Além disso, a Google revelou que iria apostar no licenciamento de conteúdos noticiosos internacionais, estabelecendo acordos privados com empresas de “media”, que passariam a partilhar os seus artigos na Google News Showcase.

Conforme recordou o autor, esta nova proposta atraiu diversos editores, já que a iniciativa parecia uma opção viável para solucionar os problemas financeiros dos jornais “online”.

Entre os signatários estava o grupo alemão “Spiegel”, cujo CEO, Stefan Ottliz, não escondeu a satisfação com o novo acordo: “Com o Google News Showcase e a nova integração de conteúdo editorial, a Google mostra que quer apoiar o jornalismo de qualidade”.

No entanto, o entusiasmo não foi partilhado pelo Conselho de Editores Europeus, que criticou a falta de transparência do novo projecto da Google.

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Um relatório do Center for Countering Digital Hate, publicado em meados de Julho, concluiu que a maioria da desinformação sobre a vacinação contra a covid-19 tem origem em apenas 12 personalidades “online”, que contam com um total de 59 milhões de seguidores nas redes sociais, e que contribuem para diminuição do ritmo da inoculação nos Estados Unidos.

Quando confrontado com este cenário, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, propôs uma solução, aparentemente, fácil e eficaz: impôr às redes sociais que eliminassem as contas identificadas, como forma de conter a circulação de “teorias da conspiração”, e proteger a saúde de todos os cidadãos.

Contudo, segundo apontou Mathew Ingram num texto publicado na “Columbia Journalism Review”, embora bem intencionada, a proposta de Biden é demasiado simplista para resolver algo tão complexo como a desinformação sobre a covid-19.

Ingram recordou, neste âmbito, que as redes sociais não são as únicas responsáveis pela partilha de “fake news”, já que alguns “media”, e até mesmo membros do Congresso dos EUA, começaram a partilhar informações falsas e conspiratórias sobre as vacinas contra a covid-19.

Além disso, apontou o autor, o Facebook não controla os conteúdos publicados, podendo, apenas, eliminar aqueles que foram considerados “falsos”, ou prejudiciais para a saúde pública.

Neste âmbito, surge, ainda, outro problema: as informações que foram, em primeira instância, consideradas falsas pela generalidade da comunidade científica, começam, agora, a levantar algumas questões.

A título de exemplo, em Março de 2020, havia um consenso quase geral sobre a impossibilidade de o novo coronavírus ter sido fabricado num laboratório. Contudo, neste momento, esta e outras hipóteses estão a ser equacionadas.

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A polícia de Hong Kong anunciou a detenção de mais um ex-editor do jornal pró-democracia “Apple Daily”, obrigado a encerrar em Junho, por publicar artigos que, alegadamente, violavam a Lei de Segurança Nacional.

Em comunicado, a polícia disse que o antigo editor, de 51 anos, foi detido por “conluio com forças estrangeiras”. De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), que citou a fonte policial, trata-se de Lam Man-chung, responsável pela última edição do diário.

Lam é o nono funcionário do jornal a ser detido desde Junho, ao abrigo da Lei da Segurança Nacional.

Conhecido por publicar artigos críticos do governo chinês e do poder executivo local, o “Apple Daily” foi obrigado a fechar as portas em 24 de Junho, depois da detenção de vários colaboradores e do congelamento dos activos do jornal.

Além disso, o proprietário do diário, o magnata dos “media” Jimmy Lai, está a cumprir uma pena de vários meses de prisão pela participação em manifestações pró-democracia, além de enfrentar acusações de “conluio com forças estrangeiras”.

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O operador público de Hong Kong, RTHK, proibiu os seus colaboradores de se referirem à líder de Twaian, Tsai Ing-wen, como “Presidente”, e ao seu executivo como “governo”.

Segundo apontou a agência Lusa, citada pelo jornal digital “Observador”, a decisão surge num contexto de restrições à imprensa de Hong Kong, e de transformação da RTHK, que começa a aproximar-se dos “media” oficiais chineses.

Numa nota enviada a todos os colaboradores, a administração da RTHK especificou as novas instruções editoriais relativas a Taiwan, que Pequim reclama como seu território, apesar de funcionar como uma entidade política soberana.

O memorando clarifica, assim, que os funcionários estão, agora, proibidos de utilizar expressões “inadequadas”, como “Presidente de Taiwan” ou “Governo de Taiwan”.

Esta medida do operador público junta-se, agora, a outras acções restritivas da liberdade de imprensa, que tem vindo a deteriorar-se nos últimos dois anos.

Aliás, a líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, é, agora, considerada como “predadora da liberdade de imprensa”, pela organização Repórteres sem Fronteiras.

 

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O futuro do jornalismo está a ser questionado por diversos especialistas em “media”, que se têm mostrado preocupados com a distribuição do investimento publicitário em espaços “online”, apontou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Segundo recordou o autor, este tema esteve em voga no início do ano, quando a Austrália passou a exigir que as grandes empresas tecnológicas, como a Google e o Facebook, pagassem aos “media” pela utilização dos seus conteúdos em plataformas agregadoras.

Isto fez com que o Facebook suspendesse, temporariamente, o acesso dos utilizadores australianos a conteúdos noticiosos, o que resultou numa polémica internacional, com vários governos a criticarem a empresa por não abdicar do seu monopólio informativo.

Assim, tanto a Google como o Facebook, prometeram investir mil milhões de dólares em projectos de formação de jornalistas.

Embora esta medida possa parecer um bom indício, Castilho recorda que este tipo de acções servem, sobretudo, para silenciar críticas, e restaurar o bom nomes das empresas.

Assim, mantém-se o mistério sobre o futuro do jornalismo tradicional que, nos últimos anos, assistiu ao encerramento de várias redacções e, consequentemente, à dispensa de milhares de profissionais dos “media”.

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Com a pandemia e consequentes medidas de confinamento, perderam-se alguns rituais do consumo noticioso, entre os quais, a visita aos quiosques de jornais aos fins de semana, recordou Carlos Wagner num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Segundo apontou Wagner, esta era uma prática comum entre repórteres da “velha guarda”, que gostavam de conversar com o dono do quiosque, questioná-lo sobre os interesses dos fregueses, e sobre as manchetes que mais chamam a atenção do público.

Agora, com o avançar da vacinação da população brasileira, estes profissionais estão a regressar às suas antigas rotinas, a debater novas temáticas com os vendedores de jornais, afirmou o autor.

Desta forma, os jornalistas estão a recordar a importância de bem informar o público, de assumir os erros, e de ter em conta a opinião dos leitores quanto ao trabalho dos “media”.

De acordo com Wagner, este regresso aos valores tradicionais é especialmente importante no actual panorama, marcado pela desinformação que circula nas redes sociais, pela propaganda política que se faz passar por informação objectiva, e pela descredibilização do jornalismo fidedigno.

 

O que há de novo

A empresa de auditoria PwC publicou o seu mais recente relatório com previsões sobre o futuro dos “media”, indicando que, nos próximos quatro anos, o número de jornais impressos continuará a decrescer, e que a publicidade digital se tornará ainda mais relevante.

Neste âmbito, a PwC apontou, ainda, que 24% de todo o mercado publicitário passará a ser controlado pelos jornais de “legado”, como o “New York Times”.

O relatório aponta, da mesma forma, que a Google e o Facebook continuarão a dificultar o acesso dos jornais “online” ao investimento de publicidade na internet.

Isto resultará, de acordo com a PwC, em maiores preocupações a nível de regulação do mercado e, também, da competição.

O relatório sugere, igualmente, que este cenário será impulsionado pela utilização do telemóvel para o consumo de notícias, já que se prevêem, nos próximos anos, avanços substanciais a nível da velocidade da internet móvel.

Além disso, a PwC dá destaque ao crescimento dos novos formatos mediáticos, como os “podcasts”, cujas receitas globais deverão aumentar 8,9% até 2025.

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O Ministério Público Financeiro francês (PNF) abriu, em Abril, uma investigação judicial por suspeita de compra de votos, abuso de activos corporativos, contas imprecisas e informações falsas ou enganosas, num caso sobre uma possível relação ilegal estabelecida entre o Grupo Lagardère no fundo Amber Capital, revelou o jornal “Le Monde”.

A abertura desta investigação judicial levou à nomeação de um juiz de instrução, acrescenta o mesmo jornal, que não cita nenhuma fonte, mas especifica que o Ministério Público das Finanças nacionais decidiu aceitar uma denúncia apresentada, em Fevereiro.

Em causa está a alteração da estrutura accionista do Grupo Lagardère, que, no final de Abril, chegou a um acordo para evitar o seu desmantelamento nos próximos cinco anos.

Com este acordo, a parceria entre Arnaud Lagardère e Bernard Arnault desapareceu, o que contribuiu para o equilíbrio na estrutura accionista de “peso”, composta pela Vivendi que detém 26% das acções, o fundo Amber Capital que detém 20% e o Qatar que detém 13%.

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A rede social Tumblr -- conhecida por ser a maior plataforma de “microblogs” do mundo -- deverá lançar planos de subscrição já em Outubro, para que os seus utilizadores possam apoiar o trabalho dos criadores de conteúdos, noticiou o “Wall Street Journal”.

De acordo com o mesmo jornal, os editores dos “microblogs” poderão passar a cobrar um montante mensal -- entre 3,99 € e 9,99 € -- aos seus subscritores, para garantirem a rentabilidade do seu processo criativo. O Tumblr ficará com 5% das receitas totais.

O Tumblr espera que este recurso ajude a reter utilizadores da geração Z -- nascidos entre 1996 e 2010 -- e a garantir a sustentabilidade financeira da plataforma, que se popularizou no final dos anos 2000.

Esta nova aposta tem vindo, contudo, a levantar diversas questões, já que o mercado dos “media” e do entretenimento começa a caracterizar-se pelo número excessivo de ofertas de “streaming” e “on demand”.

Além disso, segundo recordou o “Laboratorio de Periodistas”, o número de pessoas que subscrevem conteúdos informativos permanece baixo, de acordo com o mais recente Digital News Report, do Reuters Institute for the Study of Journalism.

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Uma investigação promovida pela Amnistia Internacional revelou, recentemente, que vários governos haviam utilizado ferramentas de “spyware” da empresa NSO Group, para obter informações privadas e profissionais sobre cerca de 180 jornalistas.

As conclusões foram retiradas através de uma “lista de possíveis alvos”, que incluía o nome de diversos profissionais dos “media”, além de vários políticos e activistas. Ademais, a Amnistia Internacional detectou “spyware” nos telemóveis de 15 dos jornalistas listados.

Um dos profissionais presentes na lista é Bradley Hope, um jornalista de investigação, que ficou conhecido pelas suas reportagens sobre os Emirados Árabes Unidos (EAU), e que terá sido vigiado em 2018. Contudo, Hope muda, constantemente, de dispositivo móvel, pelo que não foi possível confirmar a presença de “spyware”.

Em entrevista para o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), Hope esclareceu que esta não foi a primeira vez que foi alvo de vigilância governamental, já que as suas reportagens contém dados incómodos para muitas entidades.

“Eu estava a participar em algumas reportagens consideradas “problemáticas” em Abu Dhabi. Escrevemos uma série de artigos sobre um caso mediático nos EAU, o que poderá ter incomodado muitas pessoas”.

Contudo, Hope disse ter ficado surpreendido perante a possível intercepção do seu dispositivo móvel, já que estava a realizar a maioria das investigações a partir do Reino Unido.

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A vice-presidente da Comissão Europeia para os Valores e Transparência, Vera Jourova, mostrou-se preocupada com o caso da ordem dada por uma procuradora do Ministério Público para a vigilância da PSP a dois jornalistas: Carlos Rodrigues Lima da “Sábado”, e Henrique Machado da TVI.

Jourova considerou que os "casos de ameaças e limitações às actividades profissionais dos jornalistas", são uma preocupação da Comissão, acrescentando ser "inaceitável" a vigilância a que alguns "foram sujeitos".

Já o comissário europeu Didier Reynders, afirmou-se preocupado “com este tipo de situação”, mas recusou-se a prestar mais declarações sobre o assunto, já que “a Comissão não comenta casos que estão sob investigação”.

Estas e outras observações constam do capítulo dedicado a Portugal no relatório anual de 2021 sobre o Estado de direito na União Europeia, elaborado pela Comissão Europeia, que avalia os desenvolvimentos ocorridos desde Setembro do ano passado, aprofundando a análise das questões identificadas no relatório anterior (o primeiro de sempre produzido pelo executivo comunitário).

Neste sentido, o relatório aponta, igualmente, que "a eficiência do sistema judicial português continua a ser um desafio".

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A Media Capital reduziu os prejuízos para 8,5 milhões de euros no primeiro semestre, "melhorando de forma expressiva" face ao resultado líquido negativo de igual período de 2020, divulgou a titular da TVI, citada pelo jornal “Expresso”.

Além disso, entre Janeiro e Junho, os rendimentos operacionais ascenderam a 72,8 milhões de euros, "o que representa um crescimento de 32%" face ao período homólogo do ano passado.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) do Grupo, ajustado de gastos com provisões e reestruturações, atingiu os dois milhões de euros negativos, uma melhoria face aos 9,9 milhões de euros negativos um ano antes.

Já os rendimentos operacionais de publicidade do Grupo ascenderam a 49,9 milhões de euros no primeiro semestre, um crescimento homólogo de 34%.

"Este crescimento é suportado não só pela recuperação do mercado publicitário, mas, igualmente, pela forte dinâmica de recuperação das audiências por parte da televisão", referiu, em comunicado, a Media Capital.

"Os valores de investimento publicitário nos mercados de televisão em sinal aberto, cabo e digital apresentam uma tendência de convergência para os valores pré-pandemia, sendo que no caso do digital a tendência é até de superação", adianta, apontando que, "no caso do mercado das rádios, assiste-se a uma maior resistência da retoma nos valores de investimento, que continuam consideravelmente inferiores aos pré-pandémicos".

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Em Junho deste ano, a televisão britânica passou a contar com um novo canal de informação, que se propôs a desafiar a linha editorial da BBC, e inovar os espaços de opinião dos “media”: o GB News.

Esta nova oferta foi comparada, desde cedo, à Fox News, que se distingue, nos Estados Unidos, pela sua linha editorial disruptiva, que vai ao encontro de ideologias conservadoras, e que procura desafiar o “status quo” nacional.

Desta forma, o lançamento da GB News foi recebido por um considerável número de telespectadores, atraídos pelas novas ofertas noticiosas, e pela promessa de uma conduta “politicamente incorrecta”.

Contudo, as boas audiências foram “sol de pouca dura”, já que as primeiras emissões do canal foram marcadas por erros amadores, como falhas de áudio, má iluminação de estúdio, e filmagens instáveis.

Além disso, alguns dos colaboradores do canal foram recebidos com animosidade, e tiveram dificuldade em definir a sua própria conduta e linha discursiva.

Ainda assim, o canal considerou que estes incidentes foram, apenas, contratempos, e dedicou-se a encontrar substitutos, entre os quais Nigel Farage -- um dos principais responsáveis pelo Brexit, que ficou conhecido nos Estados Unidos por participar na campanha eleitoral de Donald Trump.

No entanto, esta nova aposta parece ter agravado os problemas existentes, já que, de acordo com Allsop, partes do discurso de Farage vieram contradizer uma das principais premissas do canal: o discurso livre e “politicamente incorrecto”.

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As autoridades bielorrussas realizaram buscas num jornal independente em Maladzyechna e detiveram três profissionais, denunciou a Associação de Jornalistas da Bielorrússia.

De acordo com aquela associação, as buscas aconteceram na redação do “Regionalnaya Gazeta”, em Maladzyechna, a 80 quilómetros da capital, Minsk, e foram detidos o editor Alyaksandr Mantsevich e os jornalistas Zoya Khrutskaya e Nasta Utkina.

“Com esta série de buscas e detenções, as autoridades transformaram a vida dos jornalistas independentes da Bielorrússia num inferno”, afirmou Andrei Bastunets, um dos responsáveis da associação, recordando que, nos últimos dez dias, foram detidos 32 jornalistas e feitas 64 buscas em organizações noticiosas.

Estas acções restritivas surgem dois meses após as autoridades bielorrussas terem interceptado o voo FR4978, de Atenas para Vilnius, onde seguia o jornalista Roman Protasevich.

Esta acção tem vindo a ser repudiada por diversos governos, que pediram explicações sobre o sucedido e acusaram a Bielorrússia de violar os Direitos Humanos.

De acordo com a Freedom House, a Bielorrússia é um país não livre, onde o governo controla os “media” e regula todo o espaço “online”.

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