Terça-feira, 11 de Maio, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Breves
Faculdades de Jornalismo na UE

A Comissão Europeia abriu as candidaturas para que Universidades de jornalismo se candidatem a uma subvenção de um milhão de euros, com o objectivo de aprofundar os conhecimentos sobre a Europa e reduzir a desinformação da UE.

A política de coesão desenvolvida pela União Europeia, dirigida aos estudantes de jornalismo, procura aumentar o número de jornalistas especializados em assuntos da UE e contribuir para a cobertura informada das políticas e iniciativas europeias.

“Esta iniciativa irá permitir aos futuros jornalistas conhecer a União Europeia e compreender melhor a forma como a UE está a apoiar o desenvolvimento das suas regiões e municípios. A Comissão está empenhada em incentivar a formação, a investigação e a reflexão sobre as bases da União, o trabalho em curso e o seu futuro”, declarou Elisa Ferreira, Comissária responsável pela Coesão e Reformas.

As Instituições de Ensino Superior interessadas deverão apresentar a sua candidatura até 24 de Agosto.

Programa de cultura pop

 A “Sapo Mag” vai lançar um novo programa mensal sobre “cultura pop”, com a apresentação de Inês Gens Mendes e Tiago David.

O formato, que contará com um novo episódio na primeira quinta-feira de cada mês, resulta de uma parceria entre o Sapo e a Comic Con Portugal. Assim, o “magazine” será emitido tanto no “site” da Sapo Mag, como nas plataformas digitais do evento.

“Com este novo programa, os espectadores vão ficar a par das principais novidades da cultura pop, acompanhar as estreias de filmes em sala ou em ‘streaming’, e saber tudo sobre as séries que estão a dar que falar”, antecipou, em comunicado, o agregador de notícias e conteúdos da Altice, acrescentando que “cada episódio contará, ainda, com uma entrevista a um ou mais convidados especiais e uma viagem ao passado onde será recordada uma memória de um filme ou de uma série”.

Time Out Cascais

Já está “online” o “site” “Time Out Cascais”, promovido pela “Time Out” e pelo Turismo de Cascais.

Disponível em português e inglês, o “site” ajuda a planear uma visita ao município, além de apresentar as novidades, os segredos e os eventos que marcam a agenda.

É, ainda, possível consultar informações sobre praias, parques e jardins, museus, restaurantes, lojas ou realizar uma experiência multimédia, desenvolvida em parceria com o Turismo de Cascais.

O “site” fica inserido na plataforma global da “Time Out”, prometendo “ser um meio com alcance internacional, para promover o melhor da vila mais bonita do mundo”.

Júlio Magalhães na rádio

 O jornalista Júlio Magalhães é a mais recente contratação da Rádio Observador, passando a reforçar a equipa das Manhãs 360º, na companhia de Carla Jorge de Carvalho, Maria João Simões e Paulo Ferreira.

O jornalista apresentará, igualmente, o programa semanal “O Norte de Júlio Magalhães”, um espaço de entrevistas a personalidades da região.

Ao longo do seu percurso profissional, Júlio Magalhães passou pelo “Comércio do Porto”, Rádio Nova, RTP, TVI e Porto Canal, que dirigiu entre 2012 e Janeiro deste ano.

 

Jornalismo Cultural

O Ministério da Cultura Espanhol convocou o Prémio de Jornalismo Cultural 2021. O galardão tem como objectivo reconhecer o percurso profissional de um jornalista que se dedique à informação cultural.

As candidaturas poderão ser apresentadas por entidades culturais ou profissionais que, pela sua natureza, finalidades ou conteúdos, se relacionem com o mundo do jornalismo cultural.

Assim, poderão candidatar-se profissionais portugueses que colaborem com a imprensa cultural espanhola.

O profissional galardoado receberá um prémio pecuniário de 20 mil euros.

Agenda
18
Mai
Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
10:00 @ Universidade Complutense de Madrid
18
Mai
19
Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund
17
Jun
4th International Conference Stereo & Immersive Media 2021
09:30 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Connosco
Galeria

O “Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário. Como tal, o jornal britânico publicou uma edição especial, dando destaque a artigos sobre a importância da liberdade de imprensa, bem como a cartas enviadas por editores da imprensa internacional.

Contudo, por esta ocasião, o “Guardian” quis, ainda, reconhecer as suas falhas ao longo dos anos, assinalando-as como momentos de aprendizagem.

Neste sentido, o “Guardian” começou por recordar que dedicou apenas algumas linhas ao naufrágio do Titanic em 1912; publicou artigos com base em descobertas científicas mal fundamentadas; além de ter anunciado, na década de 1970, a chegada de uma “era do gelo”.

No entanto, conforme referiu o jornal, os seus maiores erros foram cometidos na coluna editorial, já que é nesta secção que as publicações assinalam o principal assunto do dia e “onde os erros ficam marcados para a posteridade”.

Neste âmbito, o “Guardian” recordou que, no final da década de 1860, defendeu a criação de uma Confederação no Sul dos Estados Unidos, criticando, por isso, a presidência de Abraham Lincoln.

Conforme assinalou o jornal, para o “Guardian” daquela época, “Lincoln era uma fraude que tratava a emancipação dos escravos como algo negociável, que isso era um obstáculo da união dos EUA”.

Além disso, num editorial publicado após o assassinato daquele Presidente norte-americano, o jornal referiu-se às suas políticas como “uma série de actos abomináveis contra toda a verdadeira noção de direito constitucional e de liberdade humana”.

Galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

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Com a crise pandémica, muitos jornais foram obrigados a fechar as portas e a dispensar colaboradores.

No caso dos Estados Unidos, as publicações locais foram as principais vítimas, por continuarem dependentes do modelo tradicional de negócio, assente em receitas publicitárias.

Contudo, graças à consciencialização para a importância das notícias comunitárias, começaram a surgir algumas notícias animadoras, segundo afirmou Kristen Hare num artigo publicado no “site” do Instituto Poynter.

Hare começa por destacar o caso do Grupo Colorado Sun, que, com o apoio do National Trust for Local New, adquiriu 24 semanários locais no Estado do Colorado.

Além disso, segundo recordou a autora, o American Journalism Project (AJP) vai lançar uma segunda edição de apoios financeiros para jornais locais.

“Acreditamos que existem boas oportunidades na criação de um ecossistema local e jornalismo cívico, que reforce a democracia dos Estados Unidos”, pode ler-se no “site” do AJP.

No total, o AJP vai apoiar quatro jornais comunitários, distribuindo mais de três milhões de euros, por um período de três anos.

Da mesma forma, a LION Publisher anunciou a selecção de dez projectos jornalísticos para a integração da Google News Initiative Startups Lab.

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Em 1991, a Radio Liberty obteve a sua licença de emissão em Moscovo, passando a estabelecer uma ponte entre a Rússia e os Estados Unidos. Agora, 30 anos após a sua fundação, o Kremlin está perto de encerrar esta organização noticiosa.

De acordo com “ The Guardian”, a rádio foi, agora, instada a liquidar multas no valor 2.4 milhões de dólares. Caso contrário, a empresa corre o risco de enfrentar restrições à sua actividade, incluindo rusgas policiais às instalações.

A Radio Liberty garantiu, no entanto, que não irá pagar as multas, já que estas foram aplicadas após a empresa ter recusado registar-se enquanto “órgão estrangeiro”.

“O regulador quer que deixemos de ter presença física no país, ou neutralizar-nos, de forma a que deixemos de ter interacção com a nossa audiência”, afirmou Jamie Fly, director da estação.

Nos últimos anos, a Radio Liberty tem vindo a reforçar as suas operações na Rússia, ao investir em “media” digitais e ao criar a sua própria rede de jornalistas “freelancer”, para garantir a cobertura noticiosa de várias zonas do país.

“Deixámos claro à nossa equipa de Moscovo que queremos manter a redacção aberta, que estamos a lutar para o garantir”, afirmou Fly. “Se as autoridades russas acham que vamos sair sem nos forçarem, que vamos deixar o país sem mais nem menos, estão muito enganados. Vamos ficar em Moscovo”.

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Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgaram, no dia 20 de Abril, o seu “ranking” mundial de Liberdade de Imprensa, relativo ao ano de 2020.

A ONG (Organização Não Governamental) publica esta lista desde 2002 e a avaliação analisa factores como pluralismo, independência, ambiente, autocensura, questões jurídicas, transparência e qualidade das infraestruturas de apoio à produção de informações.

A metodologia é baseada em questionários preenchidos por profissionais da área em diversos países e classifica o ambiente jornalístico enquanto “bom”, “relativamente bom”, “sensível”, “difícil” e “grave”.

Segundo afirmou Lucas Souza Dorta num artigo publicado no “Observatório da Imprensa” -- associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- o relatório deste ano permite-nos, assim, chegar a algumas conclusões sobre o panorama jornalístico no Brasil.

Souza Dorta começa por assinalar que o Brasil caiu mais quatro posições e agora está em 111º, ficando numa “situação difícil”, e entrando na “zona vermelha” pela primeira vez.

De acordo com os RSF, esta classificação prende-se com as restrições impostas ao trabalho da imprensa, bem como os ataques do Executivo aos profissionais dos “media”.

Além disso, segundo recordou o autor, muitos profissionais são mortos após a cobertura de casos de corrupção e de crime organizado.

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Dezenas de jornalistas afegãos estão a viver em casas de abrigo, enquanto outros pediram asilo a países vizinhos, perante a actual vaga de ameaças contra profissionais dos “media”, alertou o jornal “Guardian”.

De acordo com a publicação britânica, só no ano passado, 132 jornalistas disseram ter recebido ameaças directas, um aumento de 26% face a 2019. Além disso, um relatório das Nações Unidas reportou o assassinato de 30 profissionais dos “media” desde 2018.

O Afghan Journalists Safety Committee (AJSC) -- uma rede nacional dedicada a criar um ambiente seguro para colaboradores dos “media”-- acredita que a liberdade de imprensa continuará a deteriorar-se no país.

“Os jornalistas estão na linha da frente da violência no Afeganistão”, afirmou o responsável pela associação, Najib Sharifi. “Com o aumento dos homicídios , muitos profissionais começaram a praticar autocensura. O número de mulheres jornalistas já está a diminuir, com um decréscimo de 18% nos últimos seis meses”.

Fatima Ahmadi (que pediu que a sua verdadeira identidade não fosse revelada), uma jornalista de 27 anos, foi levada para a província de Ghazni, após descobrir que estava na lista de “alvos a abater” dos Talibãs locais.
Em entrevista para o “Guardian”, Ahmadi disse ter começado a receber ameaças em 2019, sublinhando que o número de mensagens e chamadas telefónicas aumentou desde o ano passado.

 

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As ameaças à liberdade de imprensa aumentaram 40% em 2020, nos 47 países do Conselho da Europa, com o registo de 201 casos graves, de acordo com o mais recente relatório da Plataforma para a Protecção do Jornalismo e Segurança dos Jornalistas.

Este documento, que analisa as ameaças sérias à liberdade de imprensa, relatou 24 assassinatos de jornalistas sem julgamento, bem como numerosos constrangimentos criados pelo Estado a ‘media’ independentes, assédio judicial, pressão política e vigilância de jornalistas.

Os alertas de casos mais frequentes, recebidos pela Plataforma para a Proteção do Jornalismo e Segurança dos Jornalistas, dizem respeito a ataques à integridade física (24%), assédio e intimidação (24%) e, ainda, detenção de jornalistas (16%).

Perante este cenário, num comunicado divulgado no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se celebra em 3 de Maio, a secretária-geral do Conselho da Europa, Marija Buric, apelou aos governos europeus que demonstrassem vontade política para proteger os jornalistas, bem como a imprensa independente.

"A liberdade dos ‘media’ é um pilar essencial das nossas democracias, que é, muitas vezes, tomado por garantido. O respeito pela liberdade dos ‘media’ está em declínio em muitos países. Nos últimos anos, assistimos a um aumento do número de casos de violência e intimidação contra jornalistas", denunciou Buric.

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A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou, recentemente, o “White Paper on Global Journalism”, que reflecte sobre os atentados contra a imprensa, registados nos últimos 30 anos.

Da mesma forma, o “White Paper on Global Journalism”, dá conta das principais evoluções tecnológicas nos “media”, dedicando, igualmente, dois capítulos aos efeitos da pandemia de covid-19 na imprensa.

O relatório começa por recordar, que, desde 1990, foram assassinados, pelo menos, 2658 jornalistas.

Mais de 50% destes profissionais foram mortos nos dez países mais perigosos para a prática jornalística: Iraque (339 jornalistas assassinados), México (175), Filipinas (159), Paquistão (138), Índia (116), Rússia (110), Argélia (106), Síria (96), Somália (93) e Afeganistão (93).

Em alguns casos, estes números são um reflexo de conflitos internacionais e guerras civis, demonstrando, ainda, que a violência contra jornalistas se tem mantido constante em alguns países.

Os anos mais "sangrentos" para a imprensa foram 2006 e 2007, com 155 e 135 homicídios, respectivamente.

De acordo com o relatório, a maioria dos jornalistas é assassinada por exercer a liberdade de imprensa e reportar sobre casos de violência e corrupção. Noutros casos, como no “Charlie Hebdo”, os homicídios foram justificados com extremismo religioso.

Estes incidentes têm, ainda, consequências indirectas, como o afastamento de profissionais, que temem possíveis repercussões da sua actividade profissional.

Além disso, os atentados contra jornalistas continuam a ser considerados como “crimes de baixo risco”, já que a maioria dos responsáveis nunca é responsabilizada.

Em 2020, registou-se um ligeiro decréscimo do nível de violência contra os profissionais dos “media”, com 42 homicídios de jornalistas, menos sete do que no ano anterior.

O que há de novo

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, escreveu um “post” no Twitter, entretanto apagado, em que classificou o programa da RTP 'Sexta às 9', conduzido por Sandra Felgueiras como "estrume" e "coisa asquerosa".

Respondendo a um outro utilizador da rede social que escreveu: "Todas as semanas abro uma garrafinha do @Joaogalamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido", o socialista escreveu: "Lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada 'um programa de informação'. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito."

Este comentário surgiu ligado ao “link” do último episódio emitido pela estação pública sobre o “resort” Zmar e as condições dos imigrantes que trabalham nas explorações agrícolas no Alentejo.

A direcção de Informação da RTP repudiou, entretanto, as declarações do secretário de Estado Adjunto e da Energia.

"As palavras que proferiu atentam contra o bom nome da RTP e da sua jornalista Sandra Felgueiras e desrespeitam a liberdade de Informação", referiu a direção da RTP, numa mensagem publicada no Facebook do programa.

A direcção de Informação do canal público considerou, ainda, que "vindas da parte de um membro do governo" as declarações "assumem particular gravidade. Mas nem por isso condicionarão o trabalho dos jornalistas da RTP".

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Os dois jornalistas que foram vigiados pela PSP por ordem do Ministério Público (MP) foram acusados de violação do segredo de Justiça.

Agora, Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, terá de responder a três crimes de violação do segredo de justiça, enquanto Henrique Machado, editor de Justiça da TVI, terá de responder a um.

Por outro lado, o MP acusou Pedro Miguel Fonseca, coordenador da PJ, de três crimes semelhantes, bem como de um crime de abuso de poder e de um crime de falsidade de testemunho, perícia, interpretação ou tradução.

Recorde-se que, em Janeiro deste ano, ficou a saber-se que a procuradora Andrea Marques pediu à PSP que vigiasse os jornalistas durante dois meses, com recurso a registo fotográfico, para apurar as suas fontes.

O objectivo era identificar os responsáveis por fugas de informação relacionadas com o caso E-toupeira, sobre uma alegada rede que permitia ao Benfica aceder a processos judiciais do seu interesse.

A vigilância, que decorreu entre Abril e Maio de 2018, gerou polémica entre os profissionais dos “media”, com o Sindicato dos Jornalistas a considerar que este incidente constituiu “uma clara violação do sigilo profissional e da protecção das fontes”.

Neste âmbito, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) referiu-se, por sua vez, a um “ostensivo olvidar de direitos fundamentais de jornalistas”.

Da mesma forma, os jornalistas visados manifestaram intenção de avançar com um processo contra o Estado por abuso de poder do MP.

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Os colaboradores da revista “The Washingtonian” cumpriram um dia de greve, após a CEO do título, Cathy Merrill, ter redigido um artigo de opinião sobre os “perigos do teletrabalho”.

Nesta peça, que foi partilhada na secção de opinião do “Washington Post” (WP), Merrill começou por afirmar que “enquanto CEO”, queria que os seus colaboradores percebessem “os riscos de não voltarem a trabalhar na redacção”.

“Se os empregados não participam em trabalhos extra, a gestão sente-se tentada em alterar o estatuto do trabalhador. Em vez de receberem um salário fixo, estes colaboradores recebem, apenas, por aquilo que fazem”.

“Embora voltar à redacção possa gerar alguma ansiedade e algum medo, tem a vantagem de dar segurança aos profissionais”, continuou aquela responsável. “Recordem-se de algo que todos os gestores sabem: as pessoas mais difíceis de dispensar são aquelas que conhecemos”.

Os profissionais do “Washingtonian” consideraram que este artigo constituia uma ameaça, e decidiram, assim, suspender a publicação de artigos “online” durante um dia.

“Senti-me humilhada”, declarou a assistente de edição fotográfica do título, Lauren Bulbin, em declarações ao “WP”. “Todas as pessoas que conheço leram aquele texto de opinião e falaram comigo sobre isso. Profissionais que respeito no sector dos ‘media’ ficaram chocados por saber que trabalho neste ambiente”.

Perante esta situação, cerca de uma dezena de colaboradores partilharam a sua indignação através das redes sociais.

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O operador público italiano, Rai, está a ser criticado por movimentos activistas, por emitir conteúdos de índole alegadamente racista e homofóbica.

“A situação é muito pior do que aquilo que imaginamos”, afirmou Alessia Reyna, fundadora da associação D.E.I Futuro Antirazzista, em declarações ao “Guardian”.

“Enquanto emissora pública, a Rai deveria representar uma instituição, com a capacidade de informar e promover uma cultura de entretenimento, de forma plural e inclusiva”, disse.

A associação pediu, entretanto, que o operador emitisse um pedido de desculpas pelos seus conteúdos ofensivos.

“Pedimos à Rai que eliminasse os episódios em causa, mas eles responderam-nos que era tudo uma sátira”, afirmou Reyna. “A intenção da emissora é defender que, hoje em dia, existe demasiada ‘preocupação com aquilo que é politicamente correcto’ e que, por isso, vão ‘ dizer todas as palavras proibidas’” .

Em entrevista para a Associated Press, o director da Rai para as Causas Sociais, Giovanni Parapini, disse que não iria aceitar as críticas, já que isso significaria “que a emissora não fez nada nos últimos anos integração”.

 

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O Grupo Global Media comunicou aos colaboradores que já não vai recorrer ao Regime de Apoio à Retoma Progressiva da Actividade, medida que tinha sido anunciada em 21 de Abril.

A decisão foi confirmada ao jornal “Expresso” por Helena Ferro de Gouveia, directora de comunicação do Grupo Bel, também liderado por Marco Galinha.

“As direcções dos meios explicaram aos jornalistas o motivo da não adesão e prende-se com os resultados da operação”, avançou a responsável. “Não vamos recorrer aos planos de apoio, uma vez que já não é necessário”.

“Houve uma alteração da situação ao nível dos resultados e das vendas. Os primeiros três meses do ano não foram fáceis, mas agora a situação está a melhorar”, disse, ainda, ao semanário da Impresa.

A redução dos horários de trabalho, com cortes nos ordenados iguais ou superiores a dois mil euros, entraria em vigor em meados de Maio e duraria até Setembro.

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A Lapanews, editora responsável pelo semanário “Novo”, voltou a mudar de accionistas e de administração, segundo noticiou o “site” “Meios e Publicidade”.

Esta empresa, que foi constituída em 2020, tendo como sócios Rui Teixeira Santos e João Botelho, lançou, em Abril deste ano, o semanário “Novo”.

Quando o jornal chegou às bancas, apresentava a estrutura accionista na ficha técnica, com os fundadores Rui Teixeira Santos e João Botelho sem a maioria do capital. À época, a Abstract Sky detinha 47 por cento do capital da Lapanews, Rui Teixeira Santos 22 por cento, João Botelho outros 22 por cento e a Lion Rock Investiment 6 por cento.

No primeiro número do “Novo”, a administração da Lapanews apresentava-se com João Botelho como presidente, acompanhado pelos administradores Francisco Oom Pimenta Peres (accionista de referência da Lion Rock Investment) e Miguel Côrte Real (accionista de referência da Abstract Sky).

Menos de um mês após o lançamento do “Novo”, a Lapanews surgiu, entretanto, com uma nova estrutura accionista já sem a presença de Rui Teixeira Santos e de João Botelho.

Conforme indicou a “Meios e Publicidade”, o “site” do semanário dá conta que a Lapanews tem, agora, como accionistas a Abstract Sky, com 73 por cento do capital, e a Lion Rock Investment com os restantes 27 por cento. Com esta nova estrutura, Francisco Oom Pimenta Peres passou a ocupar a presidência do conselho de administração e Miguel Côrte Real a presidência da comissão executiva.

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O “Monde” voltou a responder às questões dos seus leitores, através de um “chat” criado para estabelecer contacto entre a redacção e os consumidores do jornal.

Na segunda edição dessa iniciativa, que decorreu na primeira terça-feira de Maio, o vice-director do Departamento de Relação com os Leitores, Gilles van Kote, esclareceu dúvidas sobre o capital do Grupo Le Monde, sobre o modelo editorial do jornal e eventos promovidos pela publicação.

Kote começou por responder a uma questão sobre os accionistas do Grupo Le Monde, clarificando que “os proprietários da empresa não receberam quaisquer dividendos desde a aquisição do capital em 2010”, o que não deverá mudar nos próximos anos.

De acordo com aquele responsável, os lucros são utilizados para “financiar novos projetos editoriais para os títulos do Grupo”.

Kote confirmou, da mesma forma, que Jules Niel passará a integrar o conselho de administração do Fundo para a Independência da Imprensa, “para o qual serão transferidas em breve as participações do pai [Xavier Niel] em vários Grupos de imprensa, incluindo o Grupo Le Monde”.

O mesmo responsável respondeu, igualmente, a um comentário sobre a linha editorial do “Monde”, publicado por um leitor “desapontado com a fragilidade das notícias de índole internacional”.

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O “Guardian” vai deixar de publicar as caricaturas do “cartoonista” Steve Bell na sua edição de segunda-feira, devido a cortes no orçamento.

Segundo recordou a “Press Gazette”, Bell, cujo contrato de "freelancer" deveria ser renovado em Maio deste ano, assinou, nos últimos 40 anos, mais de 8300 colunas “If”, bem como 4600 “cartoons” editoriais.

Apesar da suspensão da sua coluna semanal, o “cartoonista” continuará, no entanto, a enviar algumas caricaturas para a primeira página.

“Os ‘cartoons’ são algo fantástico”, afirmou Bell em entrevista para a “Press Gazette”. “Podemos fazer tudo o que quisermos, podemos ir a sítios onde outros ‘media’ não ousam ir, e fazer coisas que outros ‘media’ não podem fazer”.

“Podemos fazer coisas de maior profundidade, podemos ser mais engraçados, mais rudes, esconder pormenores. Mas as coisas mudaram”, continuou Bell. “O ‘Guardian’ ficou mais cuidadoso e, recentemente, outros ‘cartoons’ desapareceram por diferentes razões, já que ninguém pode transgredir certos aspectos”.

“As minhas caricaturas são, provavelmente, demasiado vulgares para o regime actual”.

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