Terça-feira, 5 de Julho, 2022
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O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
Convivi com Mário Mesquita no Diário de Notícias, a partir de janeiro de 1976, quando ambos aceitámos o desafio de Vítor Cunha Rego para reabrir o jornal e enfrentar a profunda crise em que este tinha mergulhado, sob a anterior direcção liderada por José Saramago e Luís de Barros, afectos ao Partido Comunista.Com o desfecho do movimento do 25 de novembro e o fim do PREC, a publicação do jornal fora suspensa, para ser...
Mário Mesquita não era um amigo. Era muito mais. Estava naquela plataforma superior onde se instalam certos espíritos de que bebemos as palavras antes de bebermos o café acidental que nos reúne. Mário Mesquita era muito amigo de alguns amigos meus e isso tornava-o uma figura esfíngica que, embora pudesse encontrar-se em fato de banho a desfiar uma dourada, tinha a capacidade permanente de conectar o Tico e o Teco (os dois únicos...
Em memória do jornalista Mário Mesquita
Francisco Sarsfield Cabral
Fui surpreendido e chocado pela notícia da morte de Mário Mesquita. Não era próximo dele e por isso ignorava se o atormentava alguma doença.Mário Mesquita foi mais tempo académico, como professor e teórico de jornalismo (publicou oito livros sobre jornalismo) do que jornalista. Numa entrevista a Ana Sá Lopes e Nuno Ferreira Santos, em 24 de agosto do ano passado, Mário Mesquita ironizou sobre ser quase sempre considerado como...
O meu amigo Mário Mesquita
José Manuel Barroso
Não sabia que ele estava doente. A última vez que nos encontrámos foi por acaso, no abrandar da pandemia. Tinha ido comer um gelado, com meu neto, na Versalhes, e ele estava lá, na gulodice também, com um amigo comum. Foi há um ano atrás. “É pá, temos de ir almoçar um dia!” E trocámos números de telemóvel. O costume... Quis que o meu neto o conhecesse - “vou apresentar-te um amigo do...
Conhecemo-nos num fim de tarde cinzento, estava o DN suspenso, na sequência do 25 de Novembro de 1975. Victor Cunha Rego e Mário Mesquita, indigitados para a direção, chamaram-me para darem conta do seu projecto para o futuro do jornal. Era um jovem, ouvi-os quase deslumbrado, havia outra linguagem, objectivos, um rumo no sentido por mim tido como certo, mas aquilo que me impressionou foi constatar que o futuro director-adjunto era quase tão jovem como eu...
Breves
“Peneda-Gerês Mag”

Chegou às bancas a "Peneda-Gerês Mag", uma revista trimestral bilingue (português e inglês), dedicada à riqueza ambiental, biodiversidade, turismo e história geológica do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A primeira edição da revista, com uma tiragem de 1700 exemplares, já está à venda, por 4.99 euros, em lojas de turismo e postos de abastecimento.
A edição está a cargo da Words & Company.

CEO da Media Capital

O empresário Pedro Morais Leitão está de regresso à Media Capital, preparando-se para assumir o cargo de CEO, em substituição de Luís Cunha Velho.

De acordo com a “Meios e Publicidade”, esta decisão foi, entretanto, oficializada junto da CMVM.

Pedro Morais Leitão regressa, assim, a uma empresa que já conhece, e onde desempenhou funções de administrador da Media Capital Multimédia, além de ter coordenado o lançamento do portal IOL.

Este empresário substitui, agora, Luís Cunha Velho, que se encontrava no cargo de forma “transitória”, desde Novembro de 2020, de modo a assegurar “tempo para que a nova estrutura accionista procedesse à escolha de uma solução de gestão executiva definitiva”.

Provedora do Ouvinte

 A jornalista Graça Franco, Provedora do Ouvinte da RTP, apresentou a renúncia ao seu mandato “por razões de natureza pessoal inadiáveis”, segundo um comunicado da operadora pública.

A RTP adianta que irá, agora, iniciar o processo de selecção de um novo provedor do ouvinte, que será apresentado ao Conselho de Opinião para se pronunciar, com carácter vinculativo, sobre o nome proposto pela administração da empresa.

Graça Franco,  que integra os corpos sociais do CPI, como presidente da assembleia geral, foi directora de informação da Renascença entre 2009 e 2020.

 

“Solo en El Español”

O jornal “El Español” criou um novo espaço na sua “homepage”, onde reúne, agora, as suas melhores análises, peças exclusivas, e formatos inovadores.

Chama-se “Solo en El Español” e inclui “a Carta do Director, as melhores colunas de opinião, artigos políticos e judiciais, bem como Grandes Reportagens”, de acordo com uma nota daquele título.

Neste momento, as histórias e os artigos de análise sobre a guerra da Ucrânia têm estado em destaque, assim como peças acerca das eleições andaluzas.
Quanto aos formatos inovadores, o “Solo en El Español” vai acolher, em breve, “podcasts” de análise económica e política.

“Time Out” Londres

 A “Time Out” de Londres publicou, recentemente, a sua última versão em papel. A partir de agora, a revista de cultura e “lifestyle” só estará disponível “online”, à semelhança do que já acontece com outras versões.

No entanto, serão asseguradas algumas “edições especiais” no formato tradicional.

Agora, além de poderem consultar os conteúdos no “site” da revista, os leitores terão, ainda, a possibilidade de receber uma “newsletter” diária, com destaques sobre a vida cultural e social londrina.

Esta decisão surge após vários anos de declínio da circulação impressa.

Agenda
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason
10
Jul
European Conference of Science Journalism 2022
10:00 @ Leiden, Países Baixos
12
Jul
Literacia Digital em acção contra a “desinfodemia”
19:00 @ Conferência "Online" do Cenjor
Connosco
Galeria

O jornalista António de la Cruz, de 47 anos, e a sua filha, de 23 anos, foram assassinados ao sair de sua casa em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, no México. Somam-se, agora, doze homicídios de profissionais dos “media” mexicanos desde o início do ano.

O “Expreso”, órgão de comunicação onde o jornalista trabalhava, é alvo de constantes ataques e ameaças. A título de exemplo, em 2012, uma organização criminosa fez explodir um carro bomba junto às portas da sede daquele jornal.

Várias figuras políticas reagiram, entretanto, à morte deste profissional.

Foi esse o caso do governador de Tamaulipas, Francisco García Cabeza de Vaca, que lamentou o desaparecimento do jornalista e afirmou, no Twitter, ter “pedido à Procuradoria Geral do Estado o compromisso de esclarecer os factos”, para que o crime não permanecesse “impune”.

A Procuradoria, por sua vez, afirmou que será destacada, para o caso, uma equipa especializada em crimes contra a liberdade de expressão.

Perante a actual vaga de violência contra jornalistas, a União Nacional de Editores de Imprensa mexicana (SNRP) acusou o governo de não combater, eficazmente, “a delinquência e o crime”, que prejudicam “ o Estado de Direito, a aplicação das leis e toda a Constituição”.
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) reiterou, entretanto, a sua preocupação com “a alarmante onda de violência contra os colaboradores da imprensa”, que está a transformar o México “num dos países mais perigosos para o exercício da profissão”.
O México encontra-se em 127º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.

Galeria


O “Washington Post” está a oferecer planos de subscrição anuais de 50 euros, para os próximos 50 anos. Ou seja, os novos assinantes têm oportunidade de pagar uma taxa anual fixa, pelo serviço noticioso digital, até 2072.

Conforme apontou Joshua Benton num artigo publicado no “Nieman Lab”, apesar de ser impossível adivinhar como estará o mundo daqui a 50 anos, esta é uma estratégia de “marketing”, que espelha o “WP” enquanto uma instituição jornalística.

Até porque, segundo recordou Benton, o “WP” celebrou, agora, os 50 anos da divulgação do “caso Watergate”. Logo, esta oferta de subscrição vem oferecer mais meio século de jornalismo de investigação e de confiança.

Isto ajuda, também, a marcar a diferença entre o “Washington Post”, que consegue assegurar o seu funcionamento, e os muitos títulos que foram forçados a fechar as portas no decorrer das últimas décadas.

Portanto, explicou Benton, através deste pacote de assinatura, o “Washington Post” quer, igualmente, passar uma ideia de robustez, tanto do seu trabalho jornalístico, como do seu modelo de negócio.

Além disso, esta estratégia ajuda a garantir uma base de subscritores fixos, e a diminuir a taxa de cancelamento, que, actualmente, ronda os 0,85% semanais.

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Perante a vaga de desinformação que, nos últimos anos, “invadiu” o espaço “online” , a Comissão Europeia aprovou um Novo Código, que visa combater as notícias falsas e promover a informação fidedigna “online”.
Além disso, através deste novo documento, a Comissão Europeia pretende que a verificação de factos passe a ser considerada como um mecanismo para a garantia dos Direitos Fundamentais dos cidadãos da União Europeia.
Em comunicado, a Comissão Europeia explicou, ainda, que estas novas directivas pretendem promover uma abordagem de colaboração e de entreajuda entre os Estados Membros.
No entanto, o compromisso para com este novo Código é totalmente voluntário, pelo que os países podem recusar-se a cumprir as novas directivas. Por outro lado, os que escolherem adoptá-las, deverão fazê-lo de forma independente, e auto-regulada.
A Comissão Europeia convidou, também, as grandes empresas tecnológicas, as redes sociais, e os “fact-checkers” a acolherem este novo Código, reconhecendo a necessidade de promover sinergias entre os governos e as iniciativas privadas.
Ao todo, o novo código propõe a adopção de 44 compromissos sobre a regulação do espaço digital, que se fazem acompanhar por uma lista de procedimentos próprios.

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A desinformação é, neste momento, a maior preocupação dos jornalistas, revelou um estudo da Cision, que se baseou em inquéritos realizados junto de 3890 profissionais dos “media”, de 17 mercados.

Especificamente, 32% dos jornalistas entrevistados indicaram que o maior desafio para o jornalismo nos últimos 12 meses tem sido manter a credibilidade como fonte confiável de notícias / combater acusações de “fake news”.

Em segundo lugar, com 16%, encontra-se a falta de pessoal e recursos.

Já a diminuição das receitas e da circulação – que foi apontada como a principal preocupação entre os jornalistas, no estudo de 2021, da mesma empresa – desceu para terceiro lugar.

Seguiram-se-lhe as redes sociais e pessoas influentes que contornam os ‘media’ tradicionais ( apontadas por 14% dos profissionais), as fronteiras entre o jornalismo e a publicidade (10%), e os ataques à liberdade de imprensa (8%).

O relatório indica, ainda, que cerca de 57% dos jornalistas inquiridos acreditam que o público tem vindo a perder confiança no trabalho desenvolvido por empresas noticiosas.

Além disso, 59% dos colaboradores dos “media” alteram o seu trabalho consoante as métricas dos “sites” jornalísticos.

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A jornalista Maria Ressa, vencedora do Prémio Nobel da Paz 2021, anunciou que o governo filipino havia ordenado o encerramento do seu projecto noticioso, o jornal independente “Rappler”.

Durante a sua participação na East-West Center's International Media Conference, Ressa afirmou, no entanto, que o “Rappler” iria lutar contra a decisão do governo.

“Não vamos fechar”, disse Ressa. “Nós podemos apelar da decisão e é isso que faremos, até porque os procedimentos do governo foram muito irregulares”.

Em 2021, Maria Ressa foi laureada com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o jornalista russo Dmitry Muratov, "pelos esforços para preservar a liberdade de expressão".

Enquanto jornalista nas Filipinas, Ressa tem vindo a denunciar as restrições aos “media” independentes, alertando para os ataques directos do Presidente, Rodrigo Duterte.

Numa entrevista à “Columbia Journalism Review”, realizada em 2019, Ressa explicou que as campanhas de Duterte visam reforçar o seu poder, e descredibilizar o trabalho dos jornalistas, bem como os relatórios publicados pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos.

“O Presidente ataca os jornalistas de forma directa”, explicou Ressa. “A primeira vítima foi o ‘Philippine Daily Inquirer’, o maior jornal filipino publicado em inglês. Depois, Duterte foi atrás da ABS-CBN, o mais importante conglomerado de ‘media’ nacional”.
“O ‘Rappler’ foi o terceiro alvo”, continuou Ressa. “Duterte declarou que o nosso jornal era ‘controlado por norte-americanos’. Isto é mentira, até porque os nossos principais accionistas são filipinos. Após este incidente, escrevi nas redes sociais que o Presidente se tinha enganado. Uma semana depois, comecei a ser perseguida pelas autoridades”.

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Aproveitar algumas das tecnologias emergentes pode ser crucial para o futuro da indústria dos “media”, alavancando soluções para problemas que ainda marcam o sector.

Esta foi a conclusão de um estudo “ Innovation in Media 2022/23 World Report”, da empresa Twipe, que sugeriu a implementação de novas ferramentas e formatos pelas redacções contemporâneas, de forma a garantir a sua sustentabilidade.

O relatório começa por destacar a implementação de Inteligência Artificial, uma vez que esta tecnologia permite acelerar certos processos. Isto inclui o envio de “newsletters” personalizadas para subscritores, e a publicação de artigos simples, tais como peças meteorológicas, ou textos sobre o resultado de encontros desportivos.

As ferramentas de IA servem, assim, para libertar os jornalistas de tarefas rotineiras, para que possam dedicar-se a artigos de maior relevância pública, ou reportagens em profundidade.

O estudo sugere, também, que os jornais encontrem soluções para a publicidade digital, de forma a reforçar as suas receitas.

Isto é, numa altura em que as “cookies” – pequenos blocos de “software”, que influenciam o mundo da publicidade– estão a desaparecer, as editoras devem criar o seu próprio banco de dados, que lhes permita conhecer as preferências dos leitores, e adaptar os anúncios presentes no seu “site”.

O relatório propõe, também, ferramentas para o desenvolvimento de “podcasts” e “newsletters”, dois formatos que se tornaram populares nos últimos anos.

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O “Los Angeles Times” tem uma equipa dedicada à análise das redes sociais, e ao desenvolvimento de novas fórmulas para a apresentação do conteúdo jornalístico, com o objectivo de atrair uma audiência mais jovem.

Conforme indicou Sarah Scire num artigo do “Nieman Lab”, ao contrário do que acontece noutros jornais, a equipa do “LA Times” – intitulada “404” – não procura divulgar o conteúdo jornalístico publicado no jornal, mas, antes, inventar, continuamente, novos tipos de conteúdo experimental.

Isto é: a prioridade da “404” passa por garantir que os internautas queiram visitar as redes sociais do “LA Times”. As visitas ao “site” do jornal, e a leitura dos artigos jornalísticos, ficam em segundo plano.

A líder da equipa, Angie Jamie, explicou que a grande aposta da “404” é o TikTok. No entanto, também existe espaço para outros formatos visuais, tais como “memes”, ilustrações, e artes gráficas.

Com isto, a “404” quer desenvolver projectos “frescos e inovadores”, que ajudem os jovens a aproximarem-se, novamente, de espaços informativos, ainda que o façam através das plataformas digitais.

“Neste momento, o espaço digital está repleto de conteúdos ‘vazios’ e de desinformação. Muitos consumidores estão cansados deste ecossistema”, disse Jamie. “Portanto, nós queremos ser uma alternativa acessível. Procuramos contar histórias a uma audiência que continua a desejar manter-se informada”.


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Perante a crise dos formatos tradicionais do jornalismo, a melhor forma de reformular os “media” e de conquistar as audiências é experimentar com novas ferramentas e conteúdos.

Quem o diz é o jornalista e escritor Jorge Carrión que, durante a sua participação na  Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, falou sobre estratégias para a renovação do jornalismo cultural, com base na sua experiência pessoal, e nas fórmulas que utiliza no seu “podcast”, “Solaris”.

Conforme indicou o“site”da Fundação Gabo, Carrión começou por sugerir que os jornalistas culturais recorressem a estratégias artísticas e artesanais para contarem as suas histórias. 

“Nunca esqueçamos a opção do desenho ou a opção clássica do jornalismo, a escrita à mão, porque a velocidade da escrita no computador pode ser inimiga do tipo de literatura que se quer escrever”, indicou aquele profissional.

Carrión recordou, neste contexto, o trabalho do jornalista Édgar Álvarez, que faz animações analógicas, com plasticina, para explicar fenómenos sociais e culturais.

Aquele jornalista afirmou, ainda, que o jornalismo pode ser feito “ao vivo”, através de teatro artesanal ou de documentários performativos.

“Hoje em dia, além de estarem a recuperar o desenho, muitos profissionais estão a recorrer ao teatro documental para contar histórias. Esta é uma das tendências extraordinárias da não ficção”, disse.

Carrión destacou, também, as valências das novas tecnologias. Neste âmbito, o jornalista sugeriu que os profissionais dos “media” recorressem às redes sociais para falar sobre fenómenos relevantes, de forma sintetizada.


O que há de novo

Mais de nove em cada dez jornalistas norte-americanos (94%) utilizam as redes sociais enquanto ferramenta de trabalho, sendo o Twitter a mais popular, de acordo com um relatório do Pew Research Center.

Conforme indica o documento, o Twitter é utilizado por 69% dos jornalistas nos Estados Unidos, enquanto o Facebook é a segunda rede social mais popular, com 52% dos colaboradores dos “media” a considerarem-na útil para o desempenho das suas funções.

Por outro lado, o Instagram, o Linkedin, e o YouTube têm taxas de utilização consideravelmente reduzidas juntos dos profissionais dos “media”, fixando-se, respectivamente, nos 19%, 17% e 14%.

A nível demográfico, o Twitter é, particularmente, popular junto dos jornalistas mais jovens, entre os 18 e os 29 anos. Já as taxas de utilização do LinkedIn e do Youtube sobem no caso dos colaboradores com mais de 50 anos.

Por outro lado, o público prefere o Facebook e o Youtube para o consumo noticioso, com o Twitter a ser referido por, apenas, 13% da população adulta norte-americana, apesar da sua popularidade junto dos jornalistas.

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O jornal “El Mundo” anunciou a reestruturação da sua equipa de administração, um mês após Joaquín Manso ter assumido a direcção do título.

Agora, Vicente Ruiz ocupou o cargo de vice-director, estando, também, responsável pela estratégia e inovação do título, enquanto Roberto Benito assumiu a direcção de informação.

Há, também, novos nomes à frente das editorias de Economia, Finanças, Opinião, Internacional, Finanças e Política. As áreas de “design” e impressão sofreram, igualmente, alterações na estrutura directiva.

Joaquín Manso nomeou, ainda, uma directora para a áreas das redes sociais, que deverá ajudar o “El Mundo” a alcançar uma audiência mais jovem, e a acompanhar as novas tendências de consumo.

“Esta estratégia consolida a renovação das gerações”, explicou a equipa em comunicado, salientando o seu compromisso com os “leitores das camadas mais jovens”.

Ainda assim, o “El Mundo” quer manter uma ligação com o passado, contando com a ajuda de profissionais mais experientes.

O “El Mundo” é, actualmente, o terceiro jornal mais lido em Espanha, com uma circulação impressa de 248.463 exemplares – segundo dados da Oficina de Justificación de la Difusión (OJD) – e mais de um milhão de leitores diários no digital – de acordo com relatórios do Estudio General de Medios (EGM).

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A mais recente edição dos “Cuadernos de Periodistas” – editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria – reflecte, em profundidade, sobre a cobertura noticiosa da invasão da Ucrânia.

O 44.º número dos “Cuadernos de Periodistas” inclui, como tal, um artigo da jornalista Pilar Bernal, vice-presidente dos Repórteres sem Fronteiras, sobre as melhores práticas jornalísticas dos correspondentes de guerra.

Outra das peças em destaque, da jornalista “freelancer” Mónica G. Prieto, relata as histórias de correspondentes internacionais na Ucrânia, e alerta para a falta de apoios, de material de segurança, e de remuneração justa.

Já Julio Montes, director do “site” Maldita.es, reflectiu sobre a disseminação de “fake news” acerca do conflito armado.

“Esta é a primeira guerra em que as mentiras nos chegam de forma directa”, escreveu Montes. “Conquistar a opinião pública tornou-se um objectivo primordial, tanto para a Rússia, como para a Ucrânia. O imediatismo tornou-se mais importante, e obrigou-nos a mostrar ao espectador aquilo que está a acontecer, em cada momento”.

Perante este cenário, Montes considera que os jornalistas devem tentar arranjar soluções.

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A ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) alertou que existe, no sector português da rádio, “um padrão de desenvolvimento a duas velocidades”, nomeadamente quando se compara a realidade das grandes estações com a das estações locais.

Por isso mesmo, a entidade reguladora considera que há uma distribuição assimétrica da disponibilidade de acesso a este meio nas várias regiões do país, “comparando os maiores centros populacionais com zonas mais interiorizadas, despovoadas e envelhecidas”.

O estudo “Rádio em Portugal. Uma década de intervenção regulatória” revela essas mesmas assimetrias, ao mostrar que os distritos de Lisboa, Porto e Aveiro concentram 25% dos serviços de programas locais, enquanto 23% dos concelhos do portugueses não dispõem de qualquer rádio licenciada.

Neste contexto, a ERC considerou pertinente “proceder-se a uma avaliação prospectiva e estratégica da reorganização da paisagem radiofónica nacional”.

Da mesma forma, a ERC defendeu a valorização das “estruturas de menor dimensão, na medida em que cumprem um serviço público tangível e insubstituível, através de mecanismos que assegurem as condições para o exercício da sua atividade, como apoios públicos adequados, garantindo ao mesmo tempo uma maior transparência do sector”.

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Os colaboradores da France Télévisions votaram uma moção de censura contra o seu director de informação, Laurent Guimier, que poderá, agora, ser afastado.

Conforme apontou o “Monde”, a moção de censura foi aprovada por 83% dos colaboradores da France 2 e da France 3, e por 93% da redacção da Franceinfo.

De acordo com a mesma fonte, o conflito entre Laurent Guimier e os jornalistas do operador público tornou-se latente após a não renovação do contrato de cinco repórteres, num momento em que as redacções estão com falta de colaboradores.

Além disso, os jornalistas também criticaram a decisão da France Télévisions de emitir reportagens antigas, em detrimento da produção de novas histórias.

Houve, ainda, polémica interna por Guimier não ter tido uma posição mais influente no decorrer das campanhas presidenciais, após Emmanuel Macron e Marine Le Pen terem recusado entrevistas à France 2.

“Há algum tempo que as relações entre a equipa editorial e Laurent Guimier estão tremidas", disse um membro da Sociedade de Jornalistas à Agence France-Presse.

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A revista feminista “Ms Magazine” celebrou, recentemente, 50 anos de circulação, com uma edição dedicada aos direitos das mulheres nos Estados Unidos.

Criada em 1972 por Gloria Steinem, esta publicação começou por ser questionada pelos profissionais da indústria, que consideravam que a revista não teria audiência, junto das mulheres norte-americanas.

Ainda assim, Steinem avançou com o projecto e, para primeira página, escolheu, para representar a mulher daquela década, uma imagem de Kali, uma deusa hindu, com cada uma das suas oito mãos a segurar num objecto associado à “engenharia doméstica”.

E, apesar das reservas levantadas, a “Ms Magazine” vendeu 250 mil exemplares em oito dias. 

Um dos artigos dessa primeira edição, – “The Housewife’s Moment of Truth”, ou o “Momento da Verdade da Mulher Doméstica”, em português –,  da autoria de Jane O’Reilly, foi, particularmente, bem recebido pelas leitoras.

“Ainda há mulheres a lerem esse artigo, e a agradecerem-me por o ter escrito”, disse O’Reilly em entrevista ao New York Times”.
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Mais de 360 jornais norte-americanos fecharam portas desde 2019, de acordo com o estudo The State of Local News 2022, coordenado pela professora universitária Penny Abernathy, sobre notícias locais nos Estados Unidos.

Como tal, soma-se um total de 2500 títulos locais encerrados desde 2004, o que resultou, consequentemente, no surgimento de “desertos noticiosos”: zonas cujos habitantes não têm acesso a informações especializadas sobre as suas comunidades.

Em média, nos últimos 18 anos, desapareceram dois jornais comunitários por dia.

O estudo indica , ainda, que algumas publicações  locais deixaram de publicar edições diárias em papel, optando por uma maior aposta no digital. Aliás, fala-se, agora, de "jornais fantasma”, em referência aos títulos que chegam às bancas, apenas, em ocasiões especiais.

Isto resultou, também, numa diminuição abrupta (60%) do número de jornalistas que colabora com redacções locais. Neste momento, apenas 29 mil profissionais trabalham nestas empresas, o que compara com os 75 mil registados em 2006.

Por outro lado, o crescimento das notícias locais “online” pode sinalizar a sobrevivência da indústria. No entanto, por norma, estas redacções não empregam mais do que seis jornalistas.

Por isso mesmo, o relatório alerta para a necessidade de desenvolver novos modelos de negócio que impulsionem as notícias locais na era digital, e combatam os “desertos noticiosos” nos EUA.


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O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas anunciou que “viu com perplexidade” a cobertura mediática do caso “Jéssica”, a menina de três anos, de Setúbal, que morreu no dia 20 de Junho.

De acordo com o CD, algumas reportagens violaram o “o ponto 8 do Código Deontológico”, que estabelece que “o jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, menores”, quer estes sejam “fontes”, “testemunhas”, “vítimas” ou “autores de actos que a lei qualifica como crime”.

Perante este cenário, o CD lamentou que “os jornalistas e os ‘media’” se tenham deixado contaminar por “acontecimentos dramáticos”, “caindo em tratamentos informativos exaustivos que não preservam a identidade e a privacidade dos cidadãos e não atenderam às condições de serenidade, liberdade, dignidade e responsabilidade das pessoas envolvidas”.

Entretanto, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) confirmou “a recepção de participações” sobre a cobertura televisiva da morte da criança, que se encontram, agora, em apreciação.

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