Terça-feira, 7 de Abril, 2020
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O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até...
Breves
"Sites" noticiosos progridem

 As visitas dos espanhóis a “sites” e “apps” de informação registaram, em Março, um crescimento exponencial, segundo um relatório da empresa Comscore.

Os cidadãos espanhóis passaram, em Março, 158% mais tempo a ler notícias “online”, do que em Janeiro. Da mesma forma, o interesse pelos “media”, em geral, aumentou 87%, e a popularidade das redes sociais cresceu 48%.

Em termos gerais, o aumento da procura de informação digital em Espanha é semelhante ao de Itália.

“Le Canard Enchaîne”

O jornal satírico “Le Canard Enchaîne” está, agora, disponível em versão digital, pela primeira vez desde a sua criação, em 1915. O objectivo é chegar aos leitores, mesmo em período de confinamento. 

"Devido ao contexto excepcional que atravessamos, estamos a disponibilizar, temporariamente, a consulta online do número 5185", revelou o “site” do jornal satírico.

A edição digital é menos extensa do que a original, sendo composta por quatro páginas, em vez das habituais oito. O preço foi, igualmente, reduzido, em 20 cêntimos. A sua leitura é, porém, gratuita para os assinantes do título. 

“Playboy” América

Após sessenta e seis anos de edição ininterrupta, a versão americana da “Playboy” passará a ser publicada, exclusivamente, em formato digital, devido à pandemia de Covid-19.

"O vírus obrigou-nos a acelerar um debate que já tinha sido iniciado”, admitiu o CEO da Playboy, Ben Kohn. As quebras nas receitas e na circulação não são, contudo, uma novidade. Em 2016, a revista deixou de ser impressa mensalmente, passando a chegar às bancas a cada três meses. Além disso, em 2019, o valor da subscrição “online” foi inflaccionado em 30%. 

Lançada em Dezembro de 1953, com Marilyn Monroe na capa, a revista erótica atingiu o seu pico de circulação em 1972, com cerca de nove milhões de cópias vendidas em todo o mundo.  Chegou, mesmo, a estar disponível uma versão em Braille. 

Canais desportivos

Na Grã-Bretanha, os torneios de futebol foram suspensos até 30 de Abril, mas é provável que as medidas de contingência se prolonguem. Caso a situação se mantenha até ao início da próxima época, o prejuízo total dos canais desportivos deverá rondar os mil milhões de libras. 

Canais como a Sky News e a BT deixaram de cobrar aos principais investidores comerciais e as plataformas “on demand” foram suspensas, visto que não há eventos a transmitir ou para comentar. 

Além da suspensão das principais fontes de rendimento, aqueles canais desportivos terão de pagar, ainda em meados deste ano, os direitos de transmissão dos jogos da “Premier League”, o que terá efeitos nefastos nos seus fundos de maneio.

Tráfego noticioso

Nas últimas duas semanas, o número de visitas a “sites” de informação registou um crescimento de 78% em termos de “pageviews”, coincidindo com a pandemia do Covid-19, segundo dados disponibilizados pela Marketest.

Nas últimas duas semanas registou-se, também, um crescimento significativo em “sites” de serviços, como supermercados e comida “take-away” (mais 23%).

As principal quebra nos “sites” auditados verificou-se nos segmentos de desporto (menos 31%) e de “lifestyle”  (menos 23%).

No conjunto total de “sites”, e comparativamente à média registada em 2020, registou-se um crescimento de 21 % nos “pageviews”, na semana de 9 a 15 de Março, e de 18% na semana de 16 a 22 de Março.

Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
Connosco
Galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

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A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

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O novo coronavírus vai influenciar todos os sectores das nossas vidas, e da sociedade, nos quais se incluem os “media”. Mesmo no melhor dos cenários, haverá grandes perturbações em muitos países durante meses, com severas consequências económicas e sociais, relembrou o director do Reuters Institute, Rasmus Nielsen.

Nas últimas semanas, tanto os “sites” noticiosos como os telejornais foram seguidos de perto, com atenção crescente do público, procurando compreender a pandemia. Ainda assim, muitos “media” independentes e locais estão em risco.


Alguns especialistas já descreveram o provável impacto nos “media” como um "evento de extinção", uma generalizada e rápida diminuição da “biodiversidade” informativa, mas Nielsen considera que o maior problema a enfrentar será o desemprego, que enfraquecerá muitas redacções.

A curto prazo, a pandemia terá efeitos negativos na imprensa, particularmente, devido às receitas publicitárias, que estão a descer violentamente. Alguns editores locais dizem que estão a perder 50% dos lucros publicitários, enquanto títulos nacionais dizem ter prejuízos na ordem dos 30%. 

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As crises, independentemente de sua génese ou da sua natureza, trazem prejuízos e oportunidades. Em período de pandemia de Covid-19, se, por um lado, se estabeleceram sinergias entre os jornalistas, por outro, os “media” são ainda movidos por estereótipos que colocam os profissionais em risco, considerou Fernando Moreira, num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”.

De acordo com Moreira, o principal estereótipo, ainda em vigor, é o de que o lugar dos repórteres deve ser na rua, mesmo quando as mudanças tecnológicas trouxeram uma nova “interface” ao mundo, tornando desnecessária a exposição dos profissionais ao risco de contágio.

De acordo com o autor, há situações em que as reportagens presenciais são essenciais, como uma conferência de imprensa com o Presidente da República, ainda que, mesmo esses eventos já  possam realizar-se de forma remota.

Para o trabalho rotineiro, contudo, estar na rua não parece razoável. Até porque a redução de equipas de reportagem no exterior contribuiría para o esforço colectivo de contenção da pandemia. 

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Perante a pandemia do Covid-19, a imprensa faz-nos chegar  notícias em “cascata”, análises e actualizações. Para o efeito, um exército de jornalistas tem trabalhado, incansavelmente, nas redacções e fora delas, expondo-se ao risco de contaminação.

As práticas de reportagem estão, contudo, a mudar de modo a garantir uma maior segurança aos profissionais de comunicação, equipas e entrevistados, recordam Germana Barata e Letícia Pereira num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) entendeu publicar uma série de orientações para empresas, profissionais e sindicatos de jornalistas, para procurar garantir a segurança desses profissionais, promovendo medidas como a manutenção de salários e a suspensão de conferências de imprensa presenciais.
A título de exemplo, Juliana de Paula, repórter da VTV, continua a trabalhar no exterior, mas adoptou diversas medidas de precaução, que se repetem com outras emissoras: higienizar as mãos com gel, antes e depois das entrevistas; usar dois microfones (para o repórter e o entrevistado); manter distância de segurança recomendada de 1,5 a 2 metros do entrevistado. Juliana refere que a desinfecção de microfones e equipamentos tem sido feita com álcool etílico e “spray”, antes e depois das entrevistas.

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É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

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A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

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O número de pessoas infectadas pelo coronavírus, na China, poderia ter sido reduzido em 86% se as primeiras medidas de contingência, instituídas a 20 de Janeiro, tivessem sido implementadas duas semanas antes, segundo um estudo da Universidade de Southampton.

Da mesma forma, o vírus não teria originado uma pandemia caso os “media” chineses não fossem alvo de censura, apontam os RSF -- Repórteres sem Fronteiras, 

De acordo com uma investigação dos RSF, os primeiros alertas sobre os possíveis impactos do coronavírus foram divulgados a 18 de Outubro. Se a liberdade de imprensa fosse uma realidade na China, os “media” poderiam ter divulgado junto da comunidade internacional os primeiros dados conhecidos sobre o Covid-19 e as suas características de propagação.

Da mesma forma, os agentes de autoridade poderiam ter divulgado, também,  elementos sobre a rápida disseminação do vírus em Wuhan, evitando o turismo naquela área. 

O que há de novo

O jornal “A Bola”, diário desportivo que se distinguiu pela sua forte circulação, está a experimentar, também, dificuldades, decorrentes da crise originada pelo coronavírus. 

Assim, “A Bola”, vai avançar para um “lay-off” de 50 profissionais, incluindo jornalistas, gráficos e administrativos.

O director do jornal, Victor Serpa, considera que a situação actual da imprensa desportiva atingiu o ponto de “calamidade pública”. 

O jornal, como outros títulos da imprensa desportiva, enfrenta uma situação dilemática, provocada, desde logo, pela suspensão das competições, em particular o futebol.

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A pandemia do novo coronavírus está a afectar todos os sectores da sociedade e os “media” estão a atravessar um período particularmente penoso, devido às quebras no investimento publicitário e à suspensão de outras fontes de receita.

Assim, muitos títulos e emissoras portuguesas enviaram pedidos de ajuda ao governo e aos leitores. O jornal “Eco” juntou-se, agora, a esse apelo colectivo.

“No Eco, o acesso às notícias (ainda) é livre, mas não é gratuito. Tem custos elevados, e exige investimento”, salientou António Costa, “publisher” do “site” de informação económica, numa “newsletter”. “Vamos precisar de si, caro leitor, para garantir que o Eco é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão”.

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No Reino Unido, a indústria “tablóide” está a ressentir-se dos efeitos da pandemia do Covid-19 nos “media”. Devido à quebra nas receitas publicitárias, o Grupo detentor do “Daily Mirror”, do “Daily Express” e do “Daily Star” viu-se forçado a suspender o contrato com mais de mil colaboradores, nos quais se incluem editores “senior”.

O Grupo, que emprega 4700 pessoas, suspendeu, igualmente, os “bónus” salariais e “cortou”, em 10%, o salário do “staff” que ainda se encontra activo.  Além disso, a administração solicitou debate para adiar os pagamentos do fundo de pensões. 

O regime prevê, ainda, que o pessoal com salários superiores a 40 mil libras esterlinas aceite uma redução salarial gradual, que varia entre 1% e 26%

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Nos Estados Unidos, muitas crianças encontram-se confinadas em casa, sem acesso a recursos escolares, visto que nem todas as escolas apostaram no desenvolvimento de ferramentas digitais de ensino. 

Perante este panorama, o “New York Times” decidiu oferecer assinaturas a todos os alunos e professores do ensino secundário, para que os estudantes continuem a informar-se sobre a realidade mundial, sem precisar de sair casa. 

"De 6 de Abril a 6 de Julho, alunos e professores poderão aceder online ao jornalismo do Times", afirmou Mark Thompson, CEO do jornal, em comunicado. "Isto significa que, mesmo enquanto estudam à distância, os alunos terão na ponta dos dedos um jornalismo profundo e especializado -- desde questões internacionais às artes e cultura, passando pela ciência, política e muito mais".

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Nos Estados Unidos a divulgação de dados sobre o novo coronavírus está a ser limitada, e a imprensa encontra dificuldade em aceder a informação relevante, segundo um artigo de David Cullier, publicado no “NiemenLab”.

De uma forma geral, a comunicação entre os jornalistas e as autoridades sanitárias está limitada e a entrada nos hospitais, ao serviço do tratamento do vírus, foi proibida. 

Algumas instituições de ensino superior estão, mesmo, a filtrar informação sobre o novo coronavírus, alegando medidas de protecção anti-terrorista. O mesmo acontece nos Estados do Texas e da Flórida. Sob o mesmo pretexto, o FBI está a recusar pormenores na sua informação “online”. Os cidadãos que tiverem questões a colocar deverão fazê-lo por correio, de forma a evitar a intercepção de dados. 

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Perante a declaração do estado de emergência, o SJ -- Sindicato dos Jornalistas disse considerar urgente a criação de “medidas de apoio, quer ao nível do Governo, quer das autarquias”, para garantir a sobrevivência de jornais e rádios locais, que têm enviado “relatos angustiantes do que está a acontecer na imprensa regional”.

De acordo com um comunicado do SJ, a declaração do estado de emergência acelerou a queda da maioria dos jornais locais e regionais, que vivem, há muitos anos, “no fio da navalha”. 

Contudo, não está, apenas, em causa um problema laboral, mas, igualmente, um entrave à liberdade de informação, visto que “a maioria dos assinantes da imprensa local e regional cabe na população envelhecida de cada região, que assim ficará ainda mais isolada da realidade que a circunda”.

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Perante a situação de incerteza que o mundo atravessa, tem-se vindo a registar um interesse crescente pelo consumo de informação. Os “sites” noticiosos atingiram resultados sem precedentes, a nível de tráfego, tal como as rádios e televisões, cujas audiências aumentaram exponencialmente.

Em Portugal, essa tendência espoletou a proliferação de edições piratas de jornais e revistas na “web”. Numa clara violação da lei dos direitos de autor, essa divulgação tem sido feita, principalmente, através das redes sociais, num atentado grave contra o trabalho dos jornalistas e contra a sustentabilidade das empresas de “media”. 

Sendo a pirataria uma ameaça à imprensa livre, vinte directores de publicações portuguesas juntaram-se, numa iniciativa inédita, para redigir uma carta de apelo ao sentido cívico dos leitores de jornais, e convidar todos os consumidores de informação a evitarem o uso abusivo dessas notícias.

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A Plataforma de Media Privados pediu, ao Governo, a implementação de 13 medidas de apoio aos “media”,  face à crise provocada pelo Covid-19. O documento divide-se em quatro acções de largo espectro e nove diligências específicas.

“Na fase que Portugal atravessa, a indústria dos media é vital para o equilíbrio social e político do País. O papel referencial dos media na informação e no entretenimento (indispensável ao equilíbrio emocional dos cidadãos) faz deste sector um dos prioritários na actual conjuntura”, pode ler-se na carta enviada ao ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital e ao Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

“Por isso, os impactos agudos da crise Covid-19 sobre as receitas das empresas de media e as extraordinárias dificuldades que atravessam em toda a sua cadeia de valor impõem a adopção de medidas específicas de mitigação”, continua o documento.

O caderno de medidas, desenvolvido pela Plataforma de Media Privados, apresenta, assim,  um “quadro de acção específico para os media”, que visa “contribuir para a formatação de uma matriz geral de emergência aplicável a todo o tecido empresarial”.

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