Sábado, 18 de Janeiro, 2020
<
>
O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


ver mais >
Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
Breves
Jornalistas despedidos

A FAPE - Federação de Associações de Jornalistas de Espanha -,  lamenta os despedimentos colectivos efectuados nas redacções dos jornais “Las Provincias” e “Informacion”, que afectaram dezenas de jornalistas, tanto em Valência como em Alicante, respectivamente. A FAPE está solidária com todos os lesados e alerta para a crise que continua a afectar o sector. 


“Guardian Media Group”

Annette Thomas foi indigitada chefe executiva do Guardian Media Group, empresa responsável pelos jornais “The Guardian” e “The Observer”. 

Thomas iniciou  carreira como editora de um jornal científico e já  dirigiu a Macmillan Science and Education, uma das maiores editoras de artigos especializados do mundo. Deverá assumir funções em Março.


Prémios Ortega y Gasset

O jornal espanhol “El País” anunciou a 37ª edição dos prémios Ortega y Gasset de jornalismo, com o objectivo de distinguir os melhores trabalhos publicados em 2019, em diferentes modalidades.

Estão previstas as categorias “Premio Ortega y Gasset” para a melhor história de investigação jornalística, para a melhor cobertura multimédia e para a melhor fotografia. Previsto também um prémio carreira.

O prazo do concurso termina a 8 de Março. Cada prémio tem o valor de 15 mil euros

“Observador” em “dark mode”

O jornal electrónico “Observador” vai disponibilizar o seu site uma nova funcionalidade, numa versão dark mode que permite mudar o site para uma tonalidade mais escura. O Observador tem o seu site disponível, a partir desta semana, numa versão dark mode, funcionalidade que permite mudar o site para uma tonalidade mais escura. Este “modo escuro”, que substitui a habitual versão com fundo branco e mancha de texto a preto por uma configuração visual mais escura, permite, não só poupar bateria, mas também uma leitura mais confortável, nomeadamente em ambientes com pouca luminosidade, minimizando o cansaço ocular.

Expresso em “podcast”

As próximas edições da “Revista do Expresso” vão estar disponíveis através das plataformas Soundcloud, iTunes e Spotify.

O semanário da Impresa estreia, assim, um novo formato, que disponibilizará crónicas e textos também em áudio a par das edições impressa e digital, que poderão igualmente ser acedidas através do site da publicação.

O novo formato vai ser testado em podcast em 11 e 18 de janeiro, contendo artigos de opinião de José Tolentino Mendonça, Clara Ferreira Alves, Pedro Mexia, Cristina Ferreira, Bruno Vieira Amaral, Comendador Marques de Correia e João Vieira Pereira, lidos pelos próprios autores.

 

Connosco
Galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

Galeria

Os jornalistas de investigação podem estar a viver alguns dos maiores desafios de sempre, perante regimes autoritários que despontam um pouco por todo o mundo e líderes políticos propensos manipularem os “media” para controlar a sociedade.

Além disso, a imprensa atravessa, também, uma crise de sustentabilidade, o que põe em risco a sobrevivência de muitos “media e o emprego de numerosos repórteres.

A GIJN, Global Investigative Journalism Network, inquiriu junto de alguns proeminentes  jornalistas de investigação sobre quais eram as suas expectativas para 2020, tendo em conta todas os entraves à liberdade de expressão.

Para a maioria dos jornalistas entrevistados é indispensável que haja colaboração entre os diferentes “media”. Jennifer LaFleur afirma, mesmo, que a colaboração foi o elemento-chave para concretizar algumas das investigações mais coesas dos últimos anos. 


Galeria

Um estudo realizado pelo Reuters Institute, prevê que, em 2020, as assinaturas dos leitores sejam a principal fonte de lucro dos jornais e que os “podcasts” constituirão a principal aposta para atrair público.

Jornais espanhóis como o “El Mundo” já começaram a cobrar por conteúdo “premium” e o jornal “El País” vai aplicar o modelo no início deste ano. Este último já começou a pedir aos leitores que leiam, gratuitamente, artigos de opinião ou reportagens especiais, para os preparar para a mudança. 

As opções de pagamento estão em plena evolução e vão estender-se a outros espaços como Hong Kong e Argentina. Esta nova aposta replica aquilo que já foi feito nos Estados Unidos e no Norte da Europa, que se concentram, incansavelmente, em manter os leitores  felizes e começam a registar um aumento dos lucros do negócio. É, porém, pouco provável que o pagamento dos leitores funcione para todos, exigindo um compromisso duradouro.


Galeria

Os jornais deixaram de estar devidamente enraizados no seu lugar, os jornalistas não interagem com a comunidade e as comunidades de leitores estão a desintegrar-se. Uma nova tendência mediática está, contudo, a aproximar, novamente, os jornalistas das audiências. 

A imprensa de alguns países - como a Finlândia, Espanha e França -, está a começar a apostar num formato de "notícias ao vivo", onde os jornalistas estão, literalmente, em cima do palco e conversam com o público sobre as suas histórias, reportagens e vivências, o que está a ajudar o jornalismo a combater a crise de credibilidade. 

O público está pronto a conhecer a pesquisa preliminar dos jornalistas, que se mostram dispostos a partilhar os desenvolvimentos das suas histórias. Ouvir os jornalistas em “carne e osso” humaniza tanto as histórias quanto os escritores e levanta o véu sobre as práticas da redacção. Os participantes dos eventos ficam satisfeitos por terem a oportunidade de fazer perguntas, participar numa discussão e potencialmente influenciar a estratégia editorial.

Em Helsínquia, por exemplo, a “performance” do principal jornal diário está, habitualmente, esgotada. Em Madrid, o "Diário Vivo" oferece "uma noite única em que os jornalistas contam histórias verdadeiras, íntimas e universais pela primeira vez". O público compromete-se a não gravar o evento e, na Finlândia, reúne-se com os jornalistas para "tomar um copo", depois de saírem de cena.


Galeria

Os agregadores de notícias indianos têm registado um enorme sucesso, com um auditório alargado a recorrer a essas aplicações, embora isso não signifique que as plataformas sejam sustentáveis.

A publicidade digital não tem sido suficiente para cobrir os custos de manutenção de alguns agregadores e falta um modelo de negócio que permita alcançar lucro. Muitas empresas chegam mesmo a dispensar as equipas de especialistas e de vendas, pois a rentabilidade ainda está por obter.

A título de exemplo, o “DailyHunt” e o “Inshorts”, dois dos maiores agregadores de notícias da Índia, têm tido um processo de financiamento lento, apesar de o número de “downloads” ser elevado. Os custos de aquisição pelos subscritores são dispendiosos e, embora o número de anunciantes seja crescente, esse aumento não se tem sido suficientemente eficaz.


Galeria

O modelo de receitas da indústria jornalística  está a mudar.. Se os jornais costumavam lucrar com publicidade e assinaturas, agora sobrevivem , em não poucos casos, com a ajuda de fundações que se interessam pelo  jornalismo.

Esta nova forma de apoio pode garantir a diversidade da imprensa, mas levanta questões éticas, visto que, para manterem o financiamento, os jornais devem sujeitar-se a escrever sobre temas  do interesse dos investidores. Não há almoços grátis…

Os jornalistas perdem a liberdade de escolha e passam a desempenhar funções normalmente atribuídas a agentes de publicidade ou de relações públicas.

O Columbia Journalism Review analisou um estudo publicado na revista  académica “Media and Communication “ e fez o levantamento de entrevistas a jornalistas e a fundações para tentar apurar a influência exercida no conteúdo noticioso, e as diferentes percepções dos agentes. 


Galeria

Pelo menos três “pivots” da televisão pública iraniana, IRIB, apresentaram a demissão. As renúncias das apresentadoras são consequência de uma crise de confiança que se  está a alastrar pelo país, depois de o governo ter negado o envolvimento na queda do avião ucraniano, a 8 de Janeiro.

A “epidemia” está mesmo a “contagiar” agências noticiosas mais ligadas ao regime, que começam, progressivamente, a fazer cobertura de protestos que denunciam as mentiras “oficiais” do governo.

A Associação de Jornalistas Iranianos considera que a publicação de informações falsas pela televisão estatal teve um grande impacto na opinião pública e afectou, mais do que nunca, a posição dos “media” do país. Este incidente - afirma em comunicado - mostrou aos cidadãos que não podem confiar nos dados oficiais e aos jornalistas que devem tentar preencher, ao máximo, as lacunas da desinformação.


O que há de novo

Os ataques contra a imprensa chilena continuam. A 13 de janeiro, um grupo de homens encapuçados invadiu a sede do jornal  “El Mercurio” , danificou vários departamentos, roubou equipamentos da redacção e ateou fogo em partes do edifício.

Durante o atentado, cerca de 20 colaboradores tiveram que se proteger e tentar apagar os fogos, segundo relatos da imprensa. O ataque durou cerca de 15 minutos.

O director do jornal, Carlos Rodríguez, acredita que o atentado foi planeado e os jornalistas teme que seja a linha editorial cobnservadora que estará na origem da violência. Com quase 193 anos, “El Mercurio” é o jornal mais antigo e um dos mais importantes do Chile. O diário assume uma linha política de direita tradicional.


Galeria

Os jornalistas libaneses que cobrem os protestos civis em Beirute estão a ser alvo de violência física e verbal. As manifestações começaram, em Outubro do ano passado, contra o lento crescimento económico e contra a alegada corrupção política. 

Os jornalistas são rotulados como “facciosos” - tanto por manifestantes como pela polícia - e estão a ser pressionados a deixar os postos de trabalho, devido a divergências sobre a cobertura mediática.

O Líbano ficou conhecido por ser um dos poucos países do Médio Oriente que favorecia a liberdade de expressão, mas o trabalho dos repórteres está a ser posto em causa, agora que os profissionais são também molestados nos confrontos entre a polícia e os manifestantes.  Os “media” que, alegadamente, apoiam os protestos são aqueles que mais repercussões sofrem, como é o caso da MTV. 


Galeria

O governo turco é um dos que mais persegue e prende jornalistas. Para além de correrem o risco de serem detidos, os jornalistas lidam com interferências diárias das forças policiais, que os impedem de cobrir determinados eventos e lhes confiscam o material de reportagem.

As detenções são realizadas, normalmente, na sequência da publicação de trabalhos e aos jornalistas não é apresentada nenhuma razão ou justificação.  Os profissionais são acusados, não poucas vezes, de fazerem propaganda para organizações ilegais ou terroristas. 

O CPJ - Comité Para Protecção dos Jornalistas -, falou com seis jornalistas turcos que relataram as suas experiências e confirmaram que são alvo de constantes intimações e actos violentos. 


Galeria

A segurança pessoal esteve no fim da lista de prioridades dos jornalistas que cobriram os acontecimentos durante o ataque do 11 de setembro de 2001. Os repórteres ficaram, no entanto, expostos ao ar contaminado pela combustão de 91 mil litros de combustível de avião e 10 milhões de toneladas de materiais de construção. 

Na sequência do atentado, foi revelado que o local esteve exposto a toxinas cancerígenas. Adicionalmente, quem esteve no local acusou sintomas de rinossinusite crónica, doença de refluxo gastroesofágico, asma, além de cancro.

Em Julho do ano passado, foi criado o Fundo de Indemnização de Vítimas. Esse fundo visa apoiar aqueles que enfrentam problemas de saúde devido a essa exposição.

O advogado Michael Barach representa 55 jornalistas vítimas de doenças relacionadas com o 11 de Setembro. Em entrevista ao CPJ - Comité para a Protecção de Jornalistas -, declarou que estes profissionais têm, porém, alguma relutância em aceitar tratamentos e dinheiro.


Galeria

Os “podcasts” estão a atrair audiências cada vez maiores. Estes programas abordam uma enorme variedade de temas e podem ser consumidos em qualquer altura e em qualquer lugar, o que os torna particularmente atraentes para uma geração que se encontra em constante movimento.  

Este formato surge como uma alternativa independente aos consagrados programas de debate desportivo e serve de rampa de lançamento para novos profissionais. É fácil de gravar e os custos reduzidos da produção são particularmente aliciantes para os jovens que querem vingar no jornalismo desportivo. 

A plataforma de “podcasts” brasileira Central 3 é um bom exemplo de sucesso. O projecto, que começou com apenas dois programas, produz, actualmente, 25  “podcasts” que se destacam pela variedade de assuntos que abordam. Os programas primam, principalmente, pela inovação da cobertura desportiva, tentando fugir ao formato de debate que, normalmente, se vê em televisão.

Galeria

O Grupo Webedia anunciou a criação de uma nova plataforma de "streaming", o “LeLive”, que abraça uma nova geração de talentos, criadores e animadores, seguida pelos mais novos.

Segundo a empresa, o "LeLive" pretende corresponder às expectativas de entretenimento dos jovens entre os 15 e os 35 anos que consomem, predominantemente, conteúdos mediáticos digitais. Para o efeito, a plataforma desenvolveu três pontos-chave: multi-acessibilidade de conteúdo, uma “grelha” de agendamento,  e uma forte dimensão comunitária. 


Galeria

O mercado de "streaming" já tem múltiplas plataformas com a Netflix, HBO, Amazon Prime Video, Disney+, StarzPlay, AppleTV+, Rakuten TV a figurarem em primeiro plano. Os investidores, contudo, parecem não considerar o negócio saturado e promoveram o aparecimento de uma nova aplicação de televisão paga, o "Quibi".

O "Quibi"  promete ser a combinação perfeita entre Hollywood e tecnologia. O conteúdo da  plataforma não excede os 10 minutos e contará com produções de realizadores como Guillermo del Toro e Steven Spielberg. Prevista uma série de terror que só pode ser vista a partir do pôr-do-sol, com a particularidade da  aplicação ir mesmo verificar o fuso horário em que o utilizador se encontra. 


Galeria

Foi publicado recentemente o último estudo de meios, elaborado pela APCT, relativo a 2019, que confirma a quebra de circulação dos três diários generalistas, cujas vendas são auditadas por aquela associação.

O "Correio da Manhã", o "Jornal de Notícias" e o "Público" venderam, em 2019, menos exemplares do que no ano anterior, o que se traduxiu, em conjunto, numa diminuição, da ordem dos 11.028 exemplares por edição.

A liderança de vendas continua a pertencer ao jornal do Grupo Cofina, que registou uma média de 73.787 exemplares por edição entre Janeiro e Outubro do ano passado.

O líder dos semanários foi o "Expresso", que, ainda assim, registou uma quebra de 7% face a 2018.

A tendência estendeu-se às “newsmagazines”, como a "Visão" e a "Sábado".

Galeria
ver mais >