Quarta-feira, 27 de Janeiro, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Breves
"Birdwatch" e a desinformação

A rede social Twitter lançou um novo projecto contra a desinformação “online”. Chama-se “Birdwatch” e vai permitir a utilizadores seleccionados que classifiquem determinadas informações como falsas.

Para já, o “Birdwatch” está a ser testado nos Estados Unidos, e espera conseguir, nesta primeira fase, entre mil e dez mil participantes.

Durante os primeiros meses, o “Birdwatch” vai estar disponível numa secção especial, mas, em breve, deverá ser apresentado aos restantes utilizadores, garantiu o vice-director de produto da rede social, Keith Coleman.

“Sabemos que há diversos obstáculos à construção de uma plataforma comunitária -- temos que a tornar resistente a tentativas de manipulação e garantir que não é controlada por um determinado grupo”, disse.

Ainda assim, Coleman acredita que “vale a pena testar o novo modelo”.

Jornais em casa

Perante o novo período de confinamento, a distribuidora Vasp recordou que os cidadãos podem receber os seus jornais preferidos na residência.

Para tal, basta que os leitores se inscrevam na plataforma “Jornal em Casa”, lançada em Maio, que pretende  ajudar os pontos de venda tradicionais a sustentar e a desenvolver o seu negócio.

Em comunicado, a Vasp recordou que “nesta plataforma digital, os leitores identificam o ponto de venda de imprensa mais próximo das suas habitações, com serviço de entrega ao domicílio, e solicitam a entrega das suas publicações favoritas no conforto do seu lar, de forma cómoda e segura”.

“Milhares de portugueses já se renderam ao Jornal em Casa e, em função do contexto actual e das novas medidas de confinamento que entraram em vigor no passado dia 15 de Janeiro, acreditamos que muitos mais vão aderir durante as próximas semanas”.


Morreu Duarte Ramos

Faleceu aos 87 anos o antigo jornalista, Artur Duarte Ramos, que esteve na génese da revista “Música & Som”.

Nascido em Coruche, em 1934, Duarte Ramos começou por trabalhar no “Diário Popular” e na publicação “TeleSemana”.

Mais tarde, na década de 1970, fundou, juntamente com Francisco Pinto Balsemão, a revista “Música & Som”, especializada em música.

Nessa publicação -- que chegou a dirigir -- colaboraram nomes como Jaime Fernandes, Ana Rocha, João David Nunes, António Sérgio, Nuno Infante do Carmo, Bernardo Brito e Cunha, Raul Vaz Bernardo e João Gobern.

Duarte Ramos fez ainda parte do Conselho de Imprensa, nos anos de 1980, ao lado de Agustina Bessa-Luís, José Manuel Barroso, António Cardoso Pinto e Miguel Reis.

“Visão” focada no ambiente

A “Visão” lançou, recentemente, um caderno mensal focado no ambiente, intitulado "Visão Verde”. Este suplemento -- coordenado pelo jornalista Luís Ribeiro -- está, também, disponível em versão digital.

“A nossa aposta para 2021 vai ser toda à volta do ambiente. Novo caderno, novo canal, ‘newsletter’, conversas e ‘podcast’, e muito mais que ainda não posso revelar”, disse, em entrevista à “Meios e Publicidade”, Mafalda Anjos, directora da “newsmagazine”

“O facto de esta ser uma causa nossa há muitos anos, e de termos jornalistas especializados na área, dá-nos credibilidade, e isso é importante”, concluiu.


RDP África chega ao Porto

O secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media anunciou que o governo atribuiu a frequência 91,5 MHz à RDP África, que vai passar a estar disponível na zona do Porto.

A frequência estava livre “há muito tempo”, disse Nuno Artur Silva, que falava na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação. “Pareceu-nos uma excelente oportunidade de fazer chegar o canal RDP África ao Norte, utilizando esta frequência”.

Até aqui, o sinal da RDP África chegava, em Portugal, a Lisboa, Coimbra e Faro. Além disso, a estação tem várias frequências em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe.

 

Agenda
27
Jan
Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
01
Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
Connosco
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O ano passado foi desastroso para a liberdade de imprensa no Brasil, frisou um relatório da organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF).

De acordo com o estudo, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, bem como três dos seus filhos, que actuam na área da política, foram responsáveis por 469 ataques contra jornalistas, número que corresponde a 85% do total registado no país.

O maior número de ataques partiu do deputado federal Eduardo Bolsonaro, com 208 infracções, seguido do chefe de Estado (103), do vereador Carlos Bolsonaro (89) e do senador Flávio Bolsonaro (69).

Ademais, 11 dos 22 ministros de Bolsonaro criticaram a imprensa em 2020. Damares Alves, chefe da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, foi a principal “agressora” (19 ataques), seguindo-se-lhe o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub (17).

O relatório dos Repórteres Sem Fronteiras observou, da mesma forma, que as redes sociais foram as plataformas preferidas para a ofensiva realizada.

De acordo com a organização, a hostilidade do “sistema Bolsonaro” reflecte “como o Presidente, a sua família e os seus partidários refinaram, no último ano, um sistema focado na descredibilização da imprensa e no silenciamento de jornalistas críticos e independentes, considerados inimigos do Estado“.

 

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Com o agravamento dos ataques aos profissionais de “media”, as redacções estão a alterar algumas das suas directivas éticas, para garantir a segurança dos seus colaboradores, notou Kelly McBride num artigo publicado no “site” do Instituto Poynter.

De acordo com a autora, as redacções recomendam, agora, que os jornalistas evitem utilizar indumentárias que os identifiquem enquanto colaboradores do sector mediático. O mesmo se aplica a veículos e material de reportagem, que não devem incluir logotipos das empresas de comunicação.

Neste sentido, as redacções alertam que pedir entrevistas pode ser arriscado, especialmente durante a cobertura de manifestações.

Assim, nestas circunstâncias, os profissionais devem estar sempre acompanhados, e observar os comportamentos dos cidadãos que pretendem entrevistar, evitando aqueles que mostrem sinais de antipatia perante os “media”.

Por outro lado, os jornalistas devem ter as respectivas credenciais, para mostrarem às autoridades, caso necessário.

Os fotojornalistas devem evitar, igualmente, situações de risco. Assim, sugere-se que estes profissionais captem imagens a partir de edifícios ou com uma câmara aérea. Se não houver essa possibilidade, o material de reportagem deve ser discreto.

O Instituto Poynter ressalva, ainda, que os jornalistas “freelancer” são o principal “grupo de risco”. Por isso, é recomendável que façam a cobertura de manifestações acompanhados por outros colegas de profissão.

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Os directores de informação de todos os principais “media” nacionais subscreveram um documento conjunto, em que criticaram a vigilância policial exercida sobre jornalistas.

Num documento onde se invocaram os artigos da Constituição que protegem a Liberdade de Imprensa, assim como as leis que a tutelam e o Estatuto do Jornalista, os responsáveis editoriais insurgiram-se contra o comportamento de magistrados do Ministério Público, que não passou pelo crivo de qualquer magistrado judicial.
O documento foi enviado ao Presidente da República, presidente da Assembleia da República, assim como aos presidentes da 1ª Comissão da AR e aos diferentes Grupos Parlamentares, presidentes do Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal de Justiça e Conselho Superior da Magistratura, além da Procuradora-Geral da República, Provedora de Justiça e Bastonário da Ordem dos Advogados.

O texto integral subscrito pelos directores de informação é do seguinte teor:


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As “teorias da conspiração” não são um fenómeno recente. Aliás, a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assinada no século XVIII, baseou-se numa história conspirativa, sobre as “práticas tiranas” do Rei da Grã-Bretanha.

É preciso notar, porém, que, hoje em dia, estas teorias são disseminadas a uma velocidade muito superior, devido às redes sociais, onde circulam e são partilhadas por milhares de utilizadores.

Ainda assim, apesar dos vários séculos de diferença -- e de uma revolução tecnológica pelo meio -- há fenómenos que se mantêm inalterados, sugere um estudo do “Nieman Lab”.

A saber: as teorias da conspiração satisfazem necessidades psicológicas e emocionais dos humanos, tornando-se quase impossíveis de erradicar.

De acordo com a investigação do “Nieman Lab”, este tópico começou a ser investigado, há apenas uma década, na Universidade de Miami.

De forma a registarem a incidência das “teorias da conspiração”, os investigadores começaram a analisar as histórias publicadas nos jornais norte-americanos.

Os especialistas concluíram que estas histórias são comuns aos dois lados do espectro político nos EUA : tanto democratas como republicanos têm por hábito partilhar histórias facciosas sobre os “adversários”.

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Dinis de Abreu

A acta fundacional do CPI - Clube Português de Imprensa foi assinada a 17 de dezembro de 1980. Entre os fundadores, contam-se personalidades incontornáveis do jornalismo e da sociedade portuguesa, desde Norberto Lopes e Raul Rego, a Francisco Pinto Balsemão ou ao actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 

O Clube nasceu para agregar jornalistas e outros profissionais do sector , além de gestores de empresas de media, algo em que foi absolutamente inovador,  numa época em  que uns e outros se olhavam com desconfiança, mal cicatrizadas ainda as feridas abertas pelo processo revolucionário, surgido em 25 de Abril de  1974.

O Clube nasceu, ainda, para contrariar uma certa apatia associativa, e fomentar o debate e a reflexão sobre os problemas que então, como hoje, se colocavam e colocam aos jornalistas e ao jornalismo.

A década de 80, que acolheu o CPI, foi prodigiosa. Num relance, e sem preocupações  cronológicas, assinalam-se   acontecimentos tão marcantes como  o tratado de adesão à CEE, a queda do Muro de Berlim, o desastre de Camarate ( que vitimou Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e cujo mistério persiste até hoje, sobre se foi atentado ou acidente), a declaração conjunta  para a devolução de Macau à China, ou, ainda, o grande  incêndio no Chiado, a chegada da televisão a cores ou a vitória de Carlos Lopes na maratona olímpica de Los Angeles. 

Foi também nesta década, mais precisamente em 1985, que o Clube lançou os seus prémios de jornalismo em várias modalidades, num modelo de que foi pioneiro em Portugal. 


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Francisco Pinto Balsemão

Comemorar 40 anos da fundação do Clube Português de Imprensa traz-nos à memória o grupo de fundadores, entre os quais me conto, e a saudade pelos que partiram.
É, de qualquer modo, importante comemorar e congratularmo-nos pelo que de bom se fez e continua a fazer. Desde logo, conferindo a justeza das ações desenvolvidas com o objetivo estatutário de “promover a defesa do papel da imprensa, escrita e falada, na sociedade portuguesa”, o que efetivamente se cumpriu e continua a cumprir nas múltiplas iniciativas, das quais relevo o lançamento dos Prémios de Jornalismo, bem como a participação no Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em parceria com o Centro Nacional de Cultura, assim como encontros, jantares-debate, conferências onde se reflete sobre o país, e especialmente, os media e jornalismo.
Há 40 anos, davam-se os primeiros passos no que viria a ser a explosão das novas tecnologias; hoje, “a defesa da imprensa escrita e falada”, espalha-se por uma imensidão de campos de batalha onde os verdadeiros meios de Comunicação Social se confrontam com os falsos meios que proliferam na net ou suportados em grandes plataformas, enquanto os jornalistas profissionais se debatem com as fake news e as enxurradas de lixo que os falsos jornalistas fazem correr nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, os editores assistem indefesos ao esbulho dos seus conteúdos por piratas organizados em grandes redes e/ou algumas plataformas poderosas, cuja riqueza acumulada as parece tornar imunes perante a Justiça.

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Graça Franco

Passaram 40 anos e o que levou à formação do Clube de Imprensa mantém-se estranhamente actual. O sector que ansiava pela possibilidade de uma auto-regulação eficaz continua a identificar o problema, da sua falta, como uma das maiores falhas impeditivas da melhoria da qualidade da liberdade de expressão e pluralismo e das respectivas consequências sobre a qualidade da democracia. O regime que à data da fundação dava ainda os seus primeiros passos, minados pelo fantasma de 48 anos de tentativas de manipulação, silenciamento e censura.

Além do Sindicato dos Jornalistas cuja carga ideológica era, ao tempo, incrivelmente limitadora surgiam, no terreno, vários grupos de jornalistas preocupados em impor novas estruturas de debate, designadamente,  sobre os temas que envolviam a independência do jornalismo, dos poderes políticos e económicos, a qualidade, e a necessidade de públicos e privados acabarem a prestar verdadeiro serviço público. Isenção, objectividade, crise financeira deram mote a múltiplas tertúlias de incrível valor para a melhoria da vida democrática e combate ao corporativismo instalado.

Nessa altura eu estava a dar os primeiros passos no jornalismo, mas partilhava com os mais velhos essas preocupações. Fui assim desafiada pelos vários grupos e tornei-me sócia fundadora do Clube de Imprensa e do Clube de Jornalistas, nascidos praticamente ao mesmo tempo, e uns anos mais tarde do próprio Observatório de Imprensa. Sendo instituições, todas elas de utilidade pública, o Clube Português de Imprensa acabou por se distinguir pela positiva como plataforma aberta aos que não sendo jornalistas pertenciam a órgãos de gestão ou propriedade de jornais. 


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José Eduardo Moniz

Quarenta anos passaram, mas a essência do Jornalismo mantém-se. A busca da verdade e a obrigação de a divulgar constituem coordenadas elementares de uma actividade que é seguramente das mais nobres que existem.

Pode ter evoluído a forma de transmitir o que a realidade mostra, ou o que sobre ela se desvenda, mas aqueles que são os pressupostos do Jornalismo sério e independente permanecem insusceptíveis de qualquer discussão. 

Mais do que nunca, com a massificação da Informação que os meios digitais introduziram, a necessidade de um olhar atento, frontal, fiscalizador e sem medo da denúncia impõe-se. 

A separação do trigo e do joio, da Notícia e da propaganda, da verdade e da mentira, do que é real e do que se inventa nunca se revelou tão essencial e tão desesperadamente importante.

O Clube de Imprensa nasceu era eu um jovem jornalista a dar os primeiros passos em Televisão, depois de vários anos a trabalhar no Diario Popular. A intenção principal era (e é) prestigiar o Jornalismo e os que o exercem.

Tive o privilégio de trabalhar numa Redacção onde conviviam alguns dos melhores jornalistas de que Portugal dispunha, na altura, e que, já antes do 25 de Abril, constituía alfobre de gente corajosa na diferença, sem medo na escrita e atrevida no habilidoso desafio de ludibriar a censura.


O que há de novo

No últimos mês, a plataforma de mensagens WhatsApp perdeu um milhão de utilizadores, devido à actualização dos seus termos de utilização e mudança.

Isto fez com que outras “apps” de mensagens instantâneas conquistassem mais cidadãos, como foi o caso do Telegram e da Signal.

Agora, o WhatsApp, que era a oitava aplicação mais descarregada no Reino Unido, passou para o 23.º lugar no “ranking”. Em contraste, a Signal -- que, em Dezembro, não chegava ao “top mil” -- alcançou, em Janeiro, o primeiro lugar.

De acordo com o jornal britânico “Guardian”, esta mudança foi motivada por “fake news” partilhadas nas redes sociais, onde se afirmava que o Whatsapp iria começar a partilhar os dados dos utilizadores com o Facebook.

Entretanto, Niamh Sweeney, responsável pelas políticas públicas do WhatsApp, esclareceu que a alteração dos termos de utilização passa, na verdade, por adicionar novas ferramentas no âmbito empresarial , bem como “clarificar e tornar mais transparentes” as directivas anteriores.

Ironicamente, as plataformas que conquistaram novos utilizadores têm uma política de privacidade menos robusta.

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A Google ameaçou suspender o seu motor de busca na Austrália e o Facebook considerou banir as notícias do seu “feed” para todos os utilizadores australianos, caso o governo avance com a legislação que obriga as gigantes tecnológicas a pagar pelo conteúdo noticioso que disponibilizam.

De acordo com o jornal britânico “Guardian”, a proposta de lei ainda está a ser discutida em Parlamento, mas tem como objectivo obrigar as duas plataformas digitais a negociar com as empresas de “media” para determinar um valor a ser pago pelas notícias.

Em comunicado, a Google esclareceu que não seria viável manter o seu motor de busca Google Search na Austrália caso a legislação seja aprovada. Ao Senado australiano, a directora administrativa da Google naquele país, Mel Silva, disse que esta legislação era insustentável e que criaria um “precedente perigoso”, que obrigaria ao pagamento de “links” na internet.

“O princípio das hiperligações sem restrições entre ‘sites’ é fundamental para a pesquisa. Com o risco operacional e financeiro incontrolável que significaria a aprovação desta legislação, não teríamos outra hipótese senão fazer com que o motor de busca da Google ficasse indisponível na Austrália”, defendeu.
Também os representantes do Facebook contestaram o projecto-lei. Josh Machin, chefe das políticas públicas do Facebook na Austrália, disse que, se a legislação for implementada, o Facebook iria impedir empresas e utilizadores de partilharem notícias naquela rede social.

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O “New York Times” dispensou a editora Lauren Wolfe, na sequência da publicação de um “tweet” considerado tendencioso, sobre o Presidente norte-americano, Joe Biden.

De acordo com o “Guardian”, em causa está a reacção daquela jornalista à chegada de Biden à Base Aérea Andrews.

Na rede social Twitter, aquela profissional disse ter ficado “arrepiada” com o evento e classificou, ainda, Donald Trump como "infantil''.

O comentário foi, rapidamente, criticado por alguns cidadãos , que classificaram o “post” como uma prática de “jornalismo tendencioso”.

Em declarações à imprensa internacional o “New York Times” recusou-se a adiantar pormenores, por questões de privacidade, mas assegurou que a decisão não foi “motivada por apenas um ‘tweet’”.

Além disso, o “NYT” referiu que Wolfe não estava nos quadros da empresa.
Ainda assim, a união de trabalhadores do jornal vai, agora, proceder à realização de um inquérito, para investigar a situação.

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Vítima de covid-19, faleceu o apresentador norte-americano Larry King, uma das figuras mais populares da televisão e da rádio do século XX. Tinha 87 anos.

Nascido em 1933, King estreou-se como locutor em 1957, na estação de rádio WAHR-AM, em Miami.

Começou a fazer-se notar, rapidamente, e a ter programas de maior destaque. Ainda na rádio, em 1978, iniciou o primeiro programa de âmbito nacional com a participação dos ouvintes através do telefone.

King não se considerava jornalista, apesar de ter chegado a apresentar noticiários.

A estreia na CNN, através de um convite que lhe foi dirigido pelo fundador, Ted Turner, deu-se a 1 de Junho de 1985. Manteve durante 25 anos, naquele canal, um dos mais populares programas de entrevistas em todo o mundo, Larry King Live.

A capacidade de ouvir com atenção o que lhe diziam os entrevistados, a rapidez de raciocínio e a presença imponente da sua voz valeram-lhe momentos confessionais e revelações em directo.

Bob Woodward e Dan Rather, Frank Sinatra, Madonna, Tina Turner, Michael Jackson e Prince, Edward Norton, Susan Sarandon, Clint Eastwood e Marlon Brando, Mike Tyson, Joan Rivers e Buzz Aldrin fizeram parte da quase interminável lista de entrevistados de Larry King, onde se incluíram ainda todos os Presidentes americanos desde Richard Nixon.

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O projecto de jornalismo “Afirmativo” foi lançado em Novembro e irá deixar de partilhar novos conteúdos em Fevereiro. O “Afirmativo” trata-se, assim, de um iniciativa de “jornalismo pop-up”, uma corrente que começa a ganhar algum destaque um pouco por todo o mundo.

Em entrevista à “Meios e Publicidade”, o jornalista responsável pelo projecto, Bruno Horta, disse que o objectivo passa por, durante um curto espaço de tempo, noticiar as crises provocadas pela segunda vaga da pandemia junto de minorias.

Por ser uma iniciativa de curta duração, Bruno Horta diz não ter estabelecido um objectivo para o número de visitas. Isto porque, de acordo com o jornalista, os projectos “online” “precisam de tempo para consolidar e fidelizar visitantes e uma vez que se trata de um projecto temporário, estou ciente desde o início de que não terei tempo suficiente para que tal aconteça”.
Assim, o “Afirmativo” funcionará, sobretudo, como “um registo histórico em tempo-real, que fique e seja consultável nos próximos anos, pelo que a audiência actual é menos relevante”.

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A Yumpu News -- que, até agora, estava, apenas, disponível na Alemanha e na Áustria -- chegou ao mercado inglês como a mais recente plataforma de “streaming” para “publishers” de revistas.

Em comunicado, a Yumpu News revelou que já assinou contrato com 95% das publicações britânicas.

Esta nova oferta deverá captar o interesse dos consumidores de “media”, já que oferece acesso a todos os conteúdos da plataforma em troca de 7,99 libras/mês.

Além disso, a empresa tem uma política de receitas, particularmente, aliciante para os “publishers”.

As remunerações são distribuídas consoante o consumo de cada utilizador, cabendo 70% da receita às revistas que integram a plataforma.

“Tentamos desenvolver um sistema justo. Os ‘publishers’ conseguem ver quem leu as suas revistas, durante quanto tempo, qual a sua localização. Isto ajuda-os a perceber de que forma o seu produto é recebido pelo mercado”, disse Mark Barnes, responsável pelo lançamento da Yumpu News no Reino Unido.

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A “Rolling Stone” está a pedir dois mil dólares a “líderes destemidos”, em troca da oportunidade de escreverem para a revista.

De acordo com a imprensa internacional, o convite foi enviado, por e-mail, a um número restrito de pessoas. Na missiva, propunha-se que integrassem uma “comunidade de inovadores, influentes e ‘tastemakers’, intitulada “Culture Council”.

“Ter o nosso trabalho publicado distingue-nos enquanto visionários, líderes e uma voz poderosa na indústria dos ‘media’. Não és um escritor? Não tem problema. Temos uma equipa editorial que te ajudará no processo de escrita e de publicação”, pode ler-se no “site” do “Culture Council”.

Em troca de dois mil dólares, os membros do “Culture Council” ganham, ainda, direito a uma lista de contactos e “impacto”.

As personalidades que receberam o convite integram as indústrias da comida, música, entretenimento e canábis.

Um porta-voz da Penske Media Corporation, empresa detentora da revista, anunciou, entretanto, que estes conteúdos não serão publicados na “Rolling Stone”, já que esta prática violaria as regras editoriais da revista.

 

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A Radio France lançou uma iniciativa de apoio aos músicos franceses, ao transmitir, em simultâneo, seis horas de música ao vivo, em cinco estações do Grupo.

Inicialmente, a Radio France tinha planeado um concerto virtual, que reunia artistas confinados. Por fim, optou por convidar os músicos a tocarem, ao vivo, no edifício-sede do Grupo, a Casa da Rádio e da Música.

"Mais do que nunca, continuaremos a apoiar o sector musical . Esta nova iniciativa é uma forma sem precedentes de expressar este apoio à cena musical francesa", disse Sibyle Veil, Presidente e CEO da Rádio França, à Agence France-Presse.

A noite foi organizada em duas partes. A “cena musical francesa” esteve em destaque até às duas da manhã, com dezenas de artistas jovens.

Depois, das duas às três, houve uma sessão de “clubbing”, com o objectivo de apoiar a música electrónica, que ficou afectada com o encerramento das discotecas.


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