Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

Jornalismo de investigação condicionado em tempos de crise

Em tempos de contenção de recursos e redução de meios humanos, o jornalismo de investigação é um dos primeiros sacrificados. “À medida que os empregos nos jornais desaparecem por todo o lado nos EUA  - e as comunidades locais ficam sem o seu serviço -  será que as empresas noticiosas vão continuar a reservar tempo para o tipo de reportagem de grande impacto que faz diferença?” A pergunta é de Benjamin Mullin, editor do poynter.org, que pôs a questão a dois jornalistas com provas dadas neste terreno difícil. 

O texto começa pelos números mais recentes: o New York Times revelou que a receita da publicidade impressa desceu 19% em relação ao ano passado;  Gannett, McClatchy e Tronc, todas reconhecem quebras na receita do impresso, enquanto o negócio se muda para os gigantes Facebook e Google;  e The Wall Street Journal, The Guardian, The New York Times e a Gannett  preparam mais reduções de pessoal.

Algumas frases das entrevistas com Mark Horvit, que deixou as funções de director executivo da IRE – Investigative Reporters and Editors, da Universidade do Missouri, e o seu sucessor no posto, Doug Haddix:

Mark Horvit começou na IRE em Janeiro de 2008, quando a crise apertava e os grupos de investigação eram desarticulados, havendo mesmo quem sugerisse, na Universidade, que fosse matéria de ensino como fazer blogs:

“Mas eu não fui dessa opinião. Pensei que devíamos redobrar no ensino de como se encontra a informação, como se ‘escava’ por ela. Precisamente porque as redacções estavam a perder a maioria dos seus repórteres experientes, por meio de demissões e rescisões, a necessidade de obter novos repórteres rapidamente, para este tipo de trabalho, era maior.” (…) 

A sua opinião é que, a partir de 2010, já se reconhecia que a indústria tinha ido longe demais nos cortes, e “começámos a ver um autêntico renascimento da reportagem de investigação”. 

Doug Haddix sublinha a diferença entre os grandes meios, nas maiores cidades, e os do interior: “essa é, para mim, uma área onde eu gostaria de ver como a IRE podia ajudar, nesses pequenos mercados”. (…) 

Horvit: “A questão é: de que modo vamos ser capazes de pagar, não só pela reportagem de investigação, mas por um jornalismo de qualidade? Estamos a falar de um jornalismo bom, de qualidade. Isso é um assunto mais vasto do que apenas a reportagem de investigação.” 

Haddix acredita no poder “de uma pessoa inteligente que saiba como usar as ferramentas e que seja persistente e não deixe cair. A nossa missão é criar mais David Fahrentholds [nome de um jornalista de investigação do Washington Post] pelo país, equipando as pessoas com as ferramentas, com o conhecimento e com a estratégia para ‘escavar’ nas histórias”.

 

Mais informação no artigo original, em pointer.org

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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