Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

A revolução do digital e os seus efeitos no modo de fazer jornalismo

O efeito da revolução digital sobre os meios de comunicação está em andamento, não estacionou, e todas as conclusões parecem provisórias. Estamos sempre a avaliar o que é bom e o que correu mal, e não temos soluções evidentes. Enrique Dans, professor de Inovação na IE Business School de Madrid, deu à media-tics uma extensa entrevista onde muitas perguntas difíceis recebem algumas respostas desagradáveis. É matéria para nos obrigar a pensar.

As primeiras questões são provocantes, e Enrique Dans retribui no mesmo registo, afirmando que não há alternativa. Concretamente, interpelado a respeito de um estudo feito na Universidade do Texas, dizendo que a transformação digital dos media pode ter sido um grande erro, responde que não, que “a transformação digital não tem alternativa, e se não fores tu a transformar-te, alguém vai fazê-lo e roubar-te directamente”. 

Interrogado sobre se o erro foi o de dar de graça, pela Internet, aquilo que se pagava no papel, diz que não, que “se não o tivessem posto grátis, aparecia outro que o daria grátis”...

“O problema não é que a transformação tenha sido um erro, o problema é que foi mal feita. Foi liderada, em muitos casos, pelas mesmas pessoas que lideravam o negócio do papel, e que tentaram continuar a fazer o mesmo.” 

Indo directamente à questão do sustento do jornalismo, Enrique Dans afirma:

“A questão é que, se pretendes que o teu produto tenha um preço parecido com o que tinha no papel, quando o levas para a rede, desenvolver o hábito de as pessoas passarem a comprar por uma coisa que não é física e que, além disso, com dois clics do ‘rato’ encontram quinze alternativas diferentes para obter a mesma informação, ou melhor, é muito complicado. (...)  Eu creio que o problema do jornalismo é não ter claro qual é a sua proposta de valor. Se a proposta é ‘eu dou-te informação’, já há muita gente que dá informação, até o Twitter dá informação, e eles não são jornalistas nem têm preparação para tal. Se não te adaptas ao que eu quero como informação, não és diferencial e portanto não podes cobrar.” 

O tom é este. Especialista em sistemas e tecnologias de Informação, Enrique Dans não está a chocar-nos de propósito, mas a explicar os caminhos que lhe parecem indicados para encontrar soluções e fazer bem o que temos estado a fazer por caminhos equivocados. Sabendo que o seu ponto de partida é o da superioridade natural, e a partir de agora indiscutível, da Informação digital. 

É assim que trata da questão da publicidade, da forma de tornar rentáveis os conteúdos, da relação desigual entre as grandes plataformas (como Facebook e Google) e os meios de Informação ‘clássicos’, e de que modo nações, como a Irlanda, a Coreia do Sul e a Espanha, têm respostas diferentes a estes problemas. Por último, das questões realmente causadoras de ansiedade  -  machine learning e o futuro do emprego.

 

Este esboço de síntese não dispensa a leitura da entrevista na íntegra, no site media-tics.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Social Media Day: Halifax
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Google Analytics para Jornalistas
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Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido