Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
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Quando o jornalismo é relutante a corrigir os seus próprios erros

Informar com rigor e corrigir eventuais inexactidões são princípios básicos de um jornalismo de qualidade. Deles decorre o direito de resposta de qualquer pessoa que se considere atingida por esses erros de informação. Estas normas estão regulamentadas em qualquer país democrático, mas a sua aplicação nem sempre funciona bem. Na hora de as cumprir, muitos meios de comunicação “arrastam os pés” e fazem o mínimo para asumir que erraram. Esta reflexão é o tema de um trabalho publicado na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O texto, da autoria de Milagros Pérez Oliva, jornalista e docente de Ciências da Comunicação, começa pela constatação deste problema, que não é só espanhol, como nos será fácil reconhecer:

“A resistência dos meios a corrigir erros e inexactidões é generalizada. Poucas vezes rectificam e, quando o fazem, costuma ser tarde e de modo dissimulado. Embora o direito de resposta e de rectificação esteja na lei e nos diferentes códigos de auto-regulação em vigor, na prática poucas vezes o podem exercer os que são afectados por informações erróneas, imprecisas ou desvirtuadas. E a tendência que se observa, com as mudanças trazidas pela revolução digital ao eco-sistema mediático, não é para melhor, mas para pior.” 

A autora concentra-se, no final do seu trabalho, nas características do jornalismo digital, especialmente a sua instantaneidade, e o que significa para a questão do erro e da rectificação: 

“Agora não é preciso esperar que a pessoa afectada por um erro ou informação incorrecta exerça uma acção de rectificação. A sanção chega imediatamente, na forma de descrédito do jornalista que teve o deslize. A desqualificação é automática e os jornalistas que exercem a profissão de forma pouco escrupulosa podem comprovar agora como é amargo o remédio que deram a tomar aos outros, durante tanto tempo, impunemente.” (…) 

Mas chama também a atenção para os casos em que jornalistas que não erraram, mas afrontaram interesses ilícitos, podem ser vítimas, nas redes sociais, de campanhas de desprestígio contra as quais não têm instrumentos de defesa. 

Por outro lado, dada a natureza da Internet, mesmo que tenha havido erro e rectificação em devido tempo, a versão incorrecta ganha “vida própria” e continua a ser encontrada por leitores que não acompanharam todo o proceso. “O direito ao esquecimento é um conceito que está a fazer caminho, mas a sua regulação está ainda longe de ser satisfatória.” 

Milagros Pérez Oliva descreve ainda uma evolução, nas relações entre jornalismo e poder, que não se limita ao seu país:

“A batalha partidária pelo controlo das instituições, que temos observado em Espanha nestes últimos anos, estende-se agora a uma batalha para controlar os meios de comunicação. Em primeiro lugar os de natureza pública, sujeitos a um regime de dependência governamental que os põe ao serviço do partido que governa, mas também, e cada vez mais, aos de natureza privada, por meio de mecanismos indirectos de pressão.” 

O seu longo trabalho detém-se, com abundância de exemplos, sobre o modo como a legislação espanhola é aplicada nos casos de rectificação de notícias, de garantia da presunção de inocência, das instâncias de auto-regulação e dos provedores do leitor. 

E conclui:

“Já o tenho dito noutras ocasiões: se não formos capazes de nos regular a nós próprios e garantir a fiabilidade que a sociedade reclama de nós, teremos que defrontar uma exigência social de regulação exterior; o que seria uma catástrofe, porque, postos a regular e a limitar a liberdade de Imprensa, sabemos como se começa, mas não sabemos onde e quando acaba.” 


O texto de Milagros Pérez Oliva, na íntegra, no site da APM

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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