Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

Jornais digitais europeus ganham terreno onde os meios tradicionais são fracos

Os novos jornais europeus já nascidos em suporte digital são mais bem sucedidos em países onde os media tradicionais são fracos, e muitos foram fundados, em primeiro lugar, com o objectivo de produzir jornalismo de qualidade ou de impacto social. Estes dados são de um estudo elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism sobre doze exemplos de meios digitais em quatro países europeus  - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

O estudo original revela que, ao contrário do que se passa nos EUA, os digital-born europeus estão mais próximos dos meios tradicionais, na sua motivação fundadora. “São habitualmente lançados e desenvolvidos por jornalistas, frequentemente com experiência sénior de trabalho já feito em jornais tradicionais. Produzir um jornalismo de qualidade, ou ter impacto social, parecem ser as suas primeiras ambições, mais do que as de divulgar  inovação digital ou construir novos projectos mediáticos lucrativos.” 

Estes novos media tornam-se mais proeminentes na Espanha e em França, com um jornalismo tradicional relativamente mais fraco, ao contrário da Alemanha e do Reino Unido, onde os jornais tradicionais continuam fortes. “Os novos projectos jornalísticos parecem ter encontrado mais sucesso nos locais onde os antigos são fracos, em vez de ser onde os meios digitais já são mais amplamente utilizados, ou onde o mercado da publicidade online está mais desenvolvido”. 

Embora tenham as suas diferenças, os meios digitais europeus continuam a ser semelhantes aos impressos tradicionais. “É feito algum jornalismo interessante, mas os assuntos cobertos não são necessariamente mais inovadores que os dos principais meios tradicionais, em termos dos seus modelos de financiamento, estratégias de distribuição ou prioridades editoriais”. 

“Em termos de financiamento, o mercado publicitário online continua difícil para todos os produtores de conteúdos, e o progresso na aquisição de assinantes é gradual. Em consequência disto, os meios nativos digitais estão a tentar muitas das mesmas vias  - vídeo, conteúdos patrocinados, várias formas de pagamento e diversificação comercial -  seguidas pelos seus concorrentes tradicionais.” 

A análise do Observatório Europeu do Jornalismo procurou ver estas questões mais de perto, chegando à conclusão de que “o modelo de financiamento pelos anúncios é prevalecente entre os mais antigos meios digitais, que apontam para uma audiência larga, enquanto os mais novos têm geralmente optado por um modelo sustentado por assinaturas ou doações, e procuram antes servir nichos de mercado”. (...) 

“Mesmo as maiores empresas entre as estudadas não pretendem replicar toda a gama de conteúdos dos jornais impressos. Enquanto os casos mais salientes, em França e na Espanha, se aproximam mais de perto de um jornal online, continuam selectivos a respeito do âmbito da sua cobertura.” 

Nas listas de meios digitais abrangidos por este estudo, há um que aparece nos quatro países: o Huffington Post, em todas as suas línguas. Para além disso, a França tem Les Jours e Mediapart; a Espanha tem El Confidencial e El Español; a Alemanha tem Correctiv e Krautreporter; e o Reino Unido tem The Bureau of Investigative Journalism e The Canary.

 

Mais informação no artigo do European Journalism Observatory e o trabalho original, no Reuters Institute

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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