Terça-feira, 24 de Novembro, 2020
Media

Jornais digitais europeus ganham terreno onde os meios tradicionais são fracos

Os novos jornais europeus já nascidos em suporte digital são mais bem sucedidos em países onde os media tradicionais são fracos, e muitos foram fundados, em primeiro lugar, com o objectivo de produzir jornalismo de qualidade ou de impacto social. Estes dados são de um estudo elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism sobre doze exemplos de meios digitais em quatro países europeus  - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

O estudo original revela que, ao contrário do que se passa nos EUA, os digital-born europeus estão mais próximos dos meios tradicionais, na sua motivação fundadora. “São habitualmente lançados e desenvolvidos por jornalistas, frequentemente com experiência sénior de trabalho já feito em jornais tradicionais. Produzir um jornalismo de qualidade, ou ter impacto social, parecem ser as suas primeiras ambições, mais do que as de divulgar  inovação digital ou construir novos projectos mediáticos lucrativos.” 

Estes novos media tornam-se mais proeminentes na Espanha e em França, com um jornalismo tradicional relativamente mais fraco, ao contrário da Alemanha e do Reino Unido, onde os jornais tradicionais continuam fortes. “Os novos projectos jornalísticos parecem ter encontrado mais sucesso nos locais onde os antigos são fracos, em vez de ser onde os meios digitais já são mais amplamente utilizados, ou onde o mercado da publicidade online está mais desenvolvido”. 

Embora tenham as suas diferenças, os meios digitais europeus continuam a ser semelhantes aos impressos tradicionais. “É feito algum jornalismo interessante, mas os assuntos cobertos não são necessariamente mais inovadores que os dos principais meios tradicionais, em termos dos seus modelos de financiamento, estratégias de distribuição ou prioridades editoriais”. 

“Em termos de financiamento, o mercado publicitário online continua difícil para todos os produtores de conteúdos, e o progresso na aquisição de assinantes é gradual. Em consequência disto, os meios nativos digitais estão a tentar muitas das mesmas vias  - vídeo, conteúdos patrocinados, várias formas de pagamento e diversificação comercial -  seguidas pelos seus concorrentes tradicionais.” 

A análise do Observatório Europeu do Jornalismo procurou ver estas questões mais de perto, chegando à conclusão de que “o modelo de financiamento pelos anúncios é prevalecente entre os mais antigos meios digitais, que apontam para uma audiência larga, enquanto os mais novos têm geralmente optado por um modelo sustentado por assinaturas ou doações, e procuram antes servir nichos de mercado”. (...) 

“Mesmo as maiores empresas entre as estudadas não pretendem replicar toda a gama de conteúdos dos jornais impressos. Enquanto os casos mais salientes, em França e na Espanha, se aproximam mais de perto de um jornal online, continuam selectivos a respeito do âmbito da sua cobertura.” 

Nas listas de meios digitais abrangidos por este estudo, há um que aparece nos quatro países: o Huffington Post, em todas as suas línguas. Para além disso, a França tem Les Jours e Mediapart; a Espanha tem El Confidencial e El Español; a Alemanha tem Correctiv e Krautreporter; e o Reino Unido tem The Bureau of Investigative Journalism e The Canary.

 

Mais informação no artigo do European Journalism Observatory e o trabalho original, no Reuters Institute

Connosco
Jornalistas franceses contra restrições à liberdade de imprensa Ver galeria

Um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A nota surge em resposta ao novo "esquema nacional de aplicação da lei", que considera que os jornalistas devem ter “um lugar especial nas manifestações” e que devem recolher-se após ordem policial.

“O desejo expresso de assegurar a protecção dos jornalistas é equivalente a supervisionar e controlar o seu trabalho”, pode ler-se na missiva, publicada no jornal “Monde”. “Isto é particularmente preocupante no contexto da proposta de lei sobre ‘segurança global’, que prevê restrições à divulgação de imagens das autoridades”.

“Os jornalistas não deveriam ter que deslocar-se à sede da Polícia para cobrir uma manifestação. Não é necessária acreditação para trabalhar livremente na via pública”.

“Por este motivo, recusar-nos-emos a conceder acreditação aos nossos jornalistas para cobrir manifestações”.

Jornalismo de serviços para ajudar a preencher o tempo livre Ver galeria

Perante a pandemia, algumas empresas de "media" norte-americanas lançaram iniciativas de “jornalismo de serviços”, de forma a ajudarem os leitores a melhorar o seu estilo de vida, e a manterem as rotinas, mesmo que em confinamento, notou o “site” da CNN.

Estes projectos incluem, por exemplo, guias diários, “podcasts” semanais e artigos de “lifestyle”.

Uma das iniciativas mais populares é a do “Washington Post”, que lançou a "Voraciously: Baking Basics”, uma “newsletter” que ensina os leitores a confeccionarem doçaria, em casa.

Além disso, a "What Day Is It? -- uma outra “newsletter” do WP, que começou a ser enviada em Setembro do ano passado -- registou um crescimento substancial na sua base de subscritores, já que ajuda os cidadãos a manterem-se activos.

“Algum do fluxo de audiência, que registámos durante a pandemia, corresponde a cidadãos que querem manter-se informados sobre algo que lhes tem vindo a condicionar o dia-a-dia. Estamos a tentar enviar-lhes conteúdos que ajudem à resolução de problemas”, afirmou Tessa Muggeridge, responsável pela subscrições do WP, em declarações à CNN.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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