Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Facebook como quiosque digital que só vende primeiras páginas

Ainda não resolvemos o problema da passagem do jornal impresso ao "nativo digital" e já se discute a sobrevivência deste enquanto possuidor de identidade própria. Não é só a questão de saber de onde vêm as receitas: dentro de muito pouco tempo, diz um jornalista francês interessado por este tema, os sites de informação podem cair todos dentro do Facebook. E o que ele propõe, no fundo, é uma sobrevivência por adaptação: se o Facebook só vende capas apelativas, então cada "conteúdo" que queira captar alguma atenção tem de ser redigido como uma primeira página irrecusável  -  ou desaparecer no torvelinho.

O artigo de Raphael Cosimano, que aqui citamos de LesEchos.fr, começa pelo futuro próximo, faltam só quatro anos: em 2020 já não teremos de entrar na rede pelos nossos navegadores habituais, vamos direitos ao Facebook, porque Mark Zuckerberg ganhou a sua aposta de engolir quase toda a Internet. 

Isto significa que, daqui para a frente, os meios de informação e os criadores de conteúdos deixam de ter sites independentes e só existem nas redes sociais, sobretudo no Facebook. E se assim é, então "os media do futuro serão, de facto, apátridas; já não terão um país (o seu website), mas apenas uma pequena embaixada (a sua página no Facebook), dificilmente distinguível das outras".

E significa outra coisa mais grave: que eles só existem pelo que publicam, que vai sendo "recompensado ou condenado" ao longo do dia: "Uma pessoa pode lembrar-se, talvez, dos três últimos vídeos que lhe chamaram a atenção no Facebook. Mas não forçosamente da sua origem."

Diz então o autor :

"O próximo desaparecimento dos websites vai dar novas responsabilidades (ou obrigações) aos criadores de conteúdos. Com efeito, cada uma das suas peças publicadas definirá totalmente a identidade do meio. Vai ser preciso distinguir-se em muito pouco espaço, em poucos caracteres, poucas ideias e respeitando o formato da plataforma escolhida." 

"Do mesmo modo que uma canção que queira passar na rádio tem, absolutamente, de propor um refrão nos 30 primeiros segundos, um vídeo no Facebook tem, forçosamente, de encontrar maneira de impedir que o utente faça scroll nos primeiros cinco segundos. A forma vai gerar o fundo." 

Assustador ? Será possível fazer jornalismo sério neste formato ? E Shakespeare, aceitaria isto ?

Raphael Cosimano, que dirige a redacção de uma newsletter para o life-style de jovens casais que queiram ser informados das melhores opções para passar noites agradaváveis em Paris, não nos pede reflexões tão elevadas. 

"Um meio que deseje encontrar sucesso deverá, então, pôr muita concentração em cada uma das suas intervenções. (…) Num newsfeed que decide da vida ou da morte de um post em poucas horas, cada uma das entradas publicadas por um meio de comunicação deve ser pensada como a primeira página de um jornal de grande tiragem." 

Trata-se então de ter sucesso em fixar a preciosa atenção de quem faz deslizar, com um dedo, um caudal de notícias concorrentes:

"Uma página clássica de Facebook produzirá umas quinze 'capas' por dia, e o Facebook será, mais do que nunca, aquilo que no fundo sempre foi: um quiosque digital de jornais, que só vende primeiras páginas."

 

Mais informação no artigo original, em LesEchos.fr

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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