Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Jornalismo brasileiro aposta na transparência para 2017

Se 2016 foi o ano da “pós-verdade”, 2017 será o ano da transparência para o jornalismo brasileiro. “Mais do que uma previsão, trata-se de uma necessidade para os profissionais e publicações que desejam reafirmar um contrato de confiança com o público.” É nestes termos que Moreno Cruz Osório apresenta, na sua própria contribuição para a recolha de depoimentos do NiemanLab, uma colecção semelhante realizada entre jornalistas brasileiros.

“A boa notícia  - conta o autor, docente de Jornalismo na Universidade Católica do Rio Grande do Sul -  é que há lugar para restaurar as nossas relações com os leitores, espectadores, ouvintes e utentes da Internet, e a forma de o fazer é sermos honestos e prestarmos atenção ao público.”

Esta é, como explica a seguir, uma das lições que se aprendem das 13 contribuições elaboradas para o projecto “O Jornalismo no Brasil em 2017”, uma iniciativa conjunta do Farol Jornalismo, que se dedica a investigar tendências no jornalismo, e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. 

Como introdução ao tema, Moreno Cruz Osório conta aos seus leitores do NiemanLab que, durante o ano de 2016, na sequência da crise política que levou à impugnação da Presidente Dilma Rousseff, o número de partilhas, no Facebook, de notícias falsas a respeito da Lava-Jato, foi maior que o de partilhas de notícias verdadeiras. 

Passando a apresentar alguns dos 13 artigos de “O Jornalismo no Brasil em 2017”, começa por sublinhar a importância atribuída às disciplinas de fact-checking, mencionando os artigos de Tai Nalon, directora de Aos Fatos, uma iniciativa pioneira neste terreno, no Brasil, e de Rogerio Christofoletti, coordenador do Observatório da Ética Jornalística ObjETHOS

Pedro Burgos, membro do grupo The Marshall Project, reflecte sobre a situação da Imprensa nos EUA, apontando que, “além do aumento nas assinaturas que meios tradicionais, como The New York Times, tiveram depois das eleições presidenciais, as iniciativas não-lucrativas estão a receber mais investimento”. 

Estes e os restantes depoimentos incluídos em “O Jornalismo no Brasil em 2017” podem ser aqui consultados, endereço que Moreno Cruz Osório deixa também, logo no primeiro parágrafo, aos leitores que tomem contacto com este estudo pela leitura do seu texto no NiemanLab.  

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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