Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Jornalismo é uma profissão desejada por muitos mas marcada por incertezas e riscos

O que leva tantos jovens a desejarem o jornalismo? E o que os espera à saída do curso? Segundo o Relatório Anual da Profissão do Jornalismo em 2016, apresentado pela Asociación de la Prensa de Madrid, há 7.890 jornalistas registados em situação de desemprego, o que representa um aumento de 78% em relação a 2008, quando começou a grande crise. No entanto, as faculdades espanholas continuam a produzir 6.000 licenciados por ano  -  dez vezes mais do que o mercado consegue absorver.

Estes números, e a situação que descrevem, são reflectidos por Miguel Ormaetxea em artigo publicado na Media-tics, e o que ele conta é que o quadro real, visto de perto, é ainda pior. 

Mais de 55% dos jornalistas que trabalham têm uma jornada laboral de cerca de 45 horas semanais, e 40% dos que têm contrato ganham, ou menos de 600 euros, ou um máximo de 1.500 por mês. Entre os que trabalham de modo independente [autónomos, no relatório], 35% declaram que, ou não recebem nada, ou então alguma importância até um máximo de 1.000 euros por mês. 

“Se fizermos um cálculo sobre as 180 horas por mês da franja maioritária dos jornalistas que têm trabalho, podemos deduzir que recebem cerca de 5,5 euros por cada hora de trabalho  - mais ou menos metade do que cobram as empregadas de trabalho doméstico.” 

O texto de Miguel Ormaetxea incide sobretudo nas condições laborais, comparando a situação espanhola com a de outros países europeus, como a Alemanha e o Reino Unido, por exemplo, que também não é famosa: 

“Estes dados têm origem, em grande parte, na desastrosa situação dos meios de comunicação tradicionais. Basta um dado: segundo a Infoadex, os diários receberam, em 2007, um investimento publicitário de 2.027 milhões de euros. No ano passado esta importância reduziu-se a 658 milhões, e ainda não bateu no fundo.”  

“A difusão dos diários espanhóis, em 2007, estava em 4,3 milhões de exemplares, e agora está perto dos dois milhões de exemplares por dia, o que nos coloca no penúltimo lugar dentro da União Europeia.”

A última reflexão de autor é sobre os riscos de vida que o jornalismo implica cada vez mais, citando agora os números mais recentes de Repórteres sem Fronteiras  - que apresentamos noutro local deste site. Interroga-se Miguel Ormaetxea: “Por que será que os aspirantes a jornalistas continuam a encher as aulas?”

 

 

Mais informação no artigo citado, cuja imagem incluímos, e a reportagem da APM na apresentação do relatório, onde se explica também o modo de o obter

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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The Children’s Media Conference
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