Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

“Sinal vermelho” ao Jornalismo nas despedidas de 2016

Ficar contente só porque 2016 chega ao fim, não parece uma boa forma de fazer o balanço do ano. Mas se a sua própria duração “chegou a virar motivo de ironia nas redes sociais”, como diz o texto, é porque alguma coisa não correu bem.

O autor do artigo que citamos fala dos “meses conturbados em qualquer área que se queira abordar: política, futebol, religião e, por que não, a imprensa tupiniquim”. E arruma-os, basicamente, por uma sequência de três realidades.

No primeiro trimestre, “o espanto com a onda crescente de demissões, fechamento de redações inteiras e as notas de empresas de media decretando falência”. Logo a seguir, a solidariedade entre colegas de profissão é dividida em “trincheiras ideológicas” pela evolução da crise política brasileira e, “a essa altura, poucos veiculavam informações… o que valia era a opinião na era dos espectáculos”.

A reflexão do autor demora-se então nesse período em que os media e as redes sociais são “acusados de tomarem partido” e julgados sem serem sequer ouvidos: “De repente, manifestações contra a Imprensa partiam dos próprios profissionais que já tinham abdicado de apenas fazer críticas construtivas. Aqueles que transmitiam passaram a ser notícia também.”

E Leonardo Rodrigues, o autor que aqui citamos, conclui com esta reflexão melancólica:

“Se começamos o ano lamentando a perda de emprego de colegas, terminamos lamentando a falta de credibilidade. O alerta aos profissionais, em Janeiro, pode terminar com sinal vermelho ao Jornalismo.”

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
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