null, 21 de Abril, 2019
Media

Reflexão pessimista sobre o estado da Imprensa em França

É desejável que partilhemos bons votos na passagem do Ano Novo. Talvez nem sempre seja possível. Num texto intitulado "Crítica dos media, vinte anos depois", o jornalista Pierre Rimbert faz uma reflexão muito pessimista sobre o estado actual de vários dos mais famosos jornais de referência na Imprensa francesa: "Em roda livre  - afirma -  os dirigentes dos media e os seus accionistas continuam a mutilar a Informação até ao ponto de tornarem o jornalismo detestável."

O seu trabalho faz parte de uma recolha dos principais artigos publicados ao longo do ano, no site de Le Monde Diplomatique, sobre os meios de comunicação  -  recolha esta divulgada, por sua vez, pelo Acrimed, o Observatório dos Media em França. 

Os vinte anos a que se refere Pierre Rimbert começam com o lançamento da editora Liber – Raisons d’agir, pelo sociólogo Pierre Bourdieu, onde dois dos primeiros títulos publicados "analisavam os efeitos deletérios de um jornalismo de mercado corroído pelas conivências, o conformismo e a precariedade; o seu sucesso implantou no debate de ideias em França uma crítica radical dos media cultivada de longa data nas colunas do Monde Diplomatique; suscitou o furor das chefias editoriais e a simpatia dos trocistas". 

Vinte anos depois, segundo o autor, os piores presságios foram confirmados pelos factos. Pierre Rimbert descreve o despedimento da jornalista Aude Lancelin, que foi directora-adjunta de L’Obs (o antigo Nouvel Observateur) e que divulga o mesmo diagnóstico pessimista no seu livro Le Monde libre, onde afirma: "Sob este jugo mortífero, a Imprensa iria tornar-se, um dia, o único negócio a extinguir-se por se ter obstinadamente recusado a dar aos seus leitores aquilo que eles tinham desejo de adquirir." 

Este primeiro exemplo é seguido por outros, com referência a outras obras criticando a mesma "deriva de direita" da Imprensa francesa, como o livro Main basse sur l’information, cujo autor, Laurent Mauduit, descreve a "submissão" dos grandes meios a um punhado de oligarcas multimédia. 

A terminar, Pierre Rimbert afirma :

"Le Londe ocupava uma posição central e estruturante no seio do campo jornalístico francês. Se deslizasse para a direita, o centro de gravidade editorial iria mover-se com ele. A paisagem em ruínas descrita por Aude Lancelin e Laurent Mauduit é também consequência deste deslizamento."

 

O texto original, em Le Monde Diplomatique

 

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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