Terça-feira, 11 de Agosto, 2020
Media

Reflexão pessimista sobre o estado da Imprensa em França

É desejável que partilhemos bons votos na passagem do Ano Novo. Talvez nem sempre seja possível. Num texto intitulado "Crítica dos media, vinte anos depois", o jornalista Pierre Rimbert faz uma reflexão muito pessimista sobre o estado actual de vários dos mais famosos jornais de referência na Imprensa francesa: "Em roda livre  - afirma -  os dirigentes dos media e os seus accionistas continuam a mutilar a Informação até ao ponto de tornarem o jornalismo detestável."

O seu trabalho faz parte de uma recolha dos principais artigos publicados ao longo do ano, no site de Le Monde Diplomatique, sobre os meios de comunicação  -  recolha esta divulgada, por sua vez, pelo Acrimed, o Observatório dos Media em França. 

Os vinte anos a que se refere Pierre Rimbert começam com o lançamento da editora Liber – Raisons d’agir, pelo sociólogo Pierre Bourdieu, onde dois dos primeiros títulos publicados "analisavam os efeitos deletérios de um jornalismo de mercado corroído pelas conivências, o conformismo e a precariedade; o seu sucesso implantou no debate de ideias em França uma crítica radical dos media cultivada de longa data nas colunas do Monde Diplomatique; suscitou o furor das chefias editoriais e a simpatia dos trocistas". 

Vinte anos depois, segundo o autor, os piores presságios foram confirmados pelos factos. Pierre Rimbert descreve o despedimento da jornalista Aude Lancelin, que foi directora-adjunta de L’Obs (o antigo Nouvel Observateur) e que divulga o mesmo diagnóstico pessimista no seu livro Le Monde libre, onde afirma: "Sob este jugo mortífero, a Imprensa iria tornar-se, um dia, o único negócio a extinguir-se por se ter obstinadamente recusado a dar aos seus leitores aquilo que eles tinham desejo de adquirir." 

Este primeiro exemplo é seguido por outros, com referência a outras obras criticando a mesma "deriva de direita" da Imprensa francesa, como o livro Main basse sur l’information, cujo autor, Laurent Mauduit, descreve a "submissão" dos grandes meios a um punhado de oligarcas multimédia. 

A terminar, Pierre Rimbert afirma :

"Le Londe ocupava uma posição central e estruturante no seio do campo jornalístico francês. Se deslizasse para a direita, o centro de gravidade editorial iria mover-se com ele. A paisagem em ruínas descrita por Aude Lancelin e Laurent Mauduit é também consequência deste deslizamento."

 

O texto original, em Le Monde Diplomatique

 

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena