Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

Quando os jornalistas são convidados para trabalhar de borla ...

Há jornalistas a trabalharem cada vez mais por cada vez menos remuneração, já sabíamos. Também os há a fazerem estágios não remunerados, em princípio de carreira. É grave e muito incorrecto, em ambos os casos. Mas ser formalmente convidado para escrever de borla já é desplante. É sobre a sua própria experiência neste terreno que escreve, com toda a informação que recolheu e todo o sarcasmo de que é capaz, um jornalista profissional dos EUA.

Thomas Vinciguerra, formado na escola de Jornalismo da Columbia University, conta que um dia foi abordado por um outro jornalista, “ostensivamente profissional”, para colaborar como freelance no seu novo site de investigação. Mas quando lhe perguntou por pagamento, o outro começou com uma conversa sobre as importantes pessoas que trabalhavam para ele, vindas de todos os lados, que o site inevitavelmente ia crescer, e que talvez um dia  - sem promessas -  ele poderia dar-lhe uns trocos.

 

Levou uns dias a pensar no assunto e acabou por lhe responder que não estava interessado. Mas hoje, pensando no assunto, acha que a resposta devia antes ter sido resumida em duas palavras que na língua inglesa têm apenas uma sílaba  - que ficam aqui à escolha dos que conhecem o calão local...

 

O desenvolvimento do artigo vai buscar algumas citações de outros autores que pensaram no assunto. Disse Harlan Ellison, escritor de ficção científica: “Eu fico furioso com isto, porque somos sabotados por todos os amadores. São os amadores que tornam as coisas difíceis para os profissionais.”

 

Disse David Wallis, jornalista e fundador da Featurewell.com, que defende os autores e promove a publicação do seu trabalho:

 

“Existe um prossuposto errado, segundo o qual escrever de graça conduz a mais visibilidade. Mas tente usar esse argumento com o seu canalizador: ‘Veja como vai ganhar visibilidade se me consertar esta canalização de graça.’ Você ainda leva com a canalização na cabeça.”

 

Ele admite alguma excepção, quando se está no começo e se tem necessidade de assentar: “Mas na minha opinião quem o faz está a desvalorizar-se a si próprio e ao seu trabalho. Temos de ter muito cuidado com isso de sermos explorados.”

 

O problema é que hoje, na era da escrita digital, tudo ficou mais complicado. “Toda a gente tem um blog”  - contou uma escritora com obra reconhecida -. “Nós somos completamente substituíveis.”

 

Há finalmente o modelo de pagamento por visitas à página online. David Wallis é desconfiado a respeito desta solução, embora reconheça que em alguns casos compensa. Conta que ele próprio escreveu um artigo anti-Trump para um site de esquerda que usava este modo de pagamento, pelos clicks registados. “Passados uns meses, o editor disse-lhe que eu tinha ganho 69 cêntimos... mas que, evidentemente, era provável que viesse mais. ‘Mande-me um dólar, e ficamos quites’, disse-lhe eu. Umas semanas mais tarde recebi um cheque assinado com essa importância. Acho que foi uma vitória.”

O artigo de Thomas Vinciguerra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a ilustração incluída

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia