Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Jornal católico americano faz apelo à responsabilidade dos Media

O diário norte-americano National Catholic Reporter escolheu para tema do seu editorial de fim de ano a questão da falsidade e da necessidade de assumirmos o controlo daquilo que nos chega pelos visores “do crescente número de aparelhos que consultamos constantemente”. Depois de um balanço do que aconteceu na campanha eleitoral, da responsabilidade dos media e da Internet, e avaliando a dificuldade de fazer esse controlo sem cairmos na tentação da censura, o texto conclui: “A verdade pode ser complexa e, por vezes, difícil de encontrar. Mas não é falsa.”

O editorial faz um retrato sombrio do ambiente neste país “agora perigosamente dividido”:

“Uma campanha negativa chegou até níveis sem precedentes. Donald Trump é o Presidente-eleito porque foi desde o início um tão ofensivo fanfarrão e provocador que os padrões normais da decência política  - mesmo que sejam sempre forçados numa campanha presidencial -  foram incapazes de o conter ou de o submeter a qualquer grau de responsabilidade.”  (...) 

“Um segundo fanfarrão [bully, no original] entrou na arena política dos EUA com toda a força durante a campanha de 2016: a Internet, como transporte de mentiras indiferenciadas, exageros e notícias falsas. O ciberespaço, esse novo elemento da nossa experiência política, ameaça o equilíbrio da República para além do mandato de um único presidente. Se os factos já não importam, se aquilo que um candidato diz não importa, e se não se pode separar a ficção da realidade, então ficamos livres para nos entregarmos à fantasia, por muito cínica ou sinistra que seja.” (...) 

O único ponto positivo em tudo isto, segundo o editorial do NCR, é que “as pessoas estão talvez mais conscientes do que nunca de que a sociedade civil e as instituições democráticas são muito mais frágeis do que imaginavam. Fomos alertados para o facto de que a democracia está sob ameaça quando as diferenças de rendimento são enormes e a oportunidade para a mobilidade social se torna impossivelmente estreita para demasiadas pessoas.” 

O artigo dedica parte importante do seu desenvolvimento ao exame da responsabilidade dos próprios media, citando um estudo do Shorenstein Center on Media, Politics and Public Policy, de Harvard, que aponta para o facto de os jornalistas terem passado anos a dizer à sua audiência “que os dirigentes políticos não são de confiança e que o governo é incapaz”; depois, quando tratam da sociedade, “focam-se nos problemas e não nas histórias de sucesso”. Cria-se então um fundo de “raiva pública, percepção equivocada e ansiedade”, que fica ao dispor de quem saiba dirigi-lo contra os governantes. 

Mais grave do que isso é a proliferação dos sites que se intitulam noticiosos, dos bloggers, geradores de notícias falsas e “agregadores” de todas as espécies, que tornam muito mais difícil qualquer esforço de auto-correcção. 

“O problema com os media, hoje, é que, com sites que precisam de preencher o seu tempo de antena 24 horas por dia, e com o lixo produzido no ‘éter’ tornado indistinguível, para os que não tenham capacidade de discernimento, do material com valor, ficamos em risco de ser submergidos por tudo o que é repugnante e desnecessário.” 

O apelo final é no sentido de nos educarmos a nós próprios a avaliar o que vemos e a determinar o que é de facto credível:

“A verdade pode ser complexa e, por vezes, difícil de encontrar. Mas não é falsa.”

 

 

O editorial na íntegra e, ainda em tempo, uma reportagem do NCR, do dia seguinte às eleições, com informação sobre o sentido do “voto religioso”  - dos eleitores pertencentes às maiores confissões nos EUA. Fotos do CNSCatholic News Service

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Social Media Day: Halifax
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22
Jun
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
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Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido