Sábado, 15 de Agosto, 2020
Estudo

Mitos e realidades sobre as sondagens de opinião em política

As sondagens políticas prevêem de facto o sentido do voto futuro? Ou tentam interpretá-lo e às vezes enganam-se completamente? Ou tentam manipulá-lo e às vezes até conseguem? Há mais perguntas possíveis e, no meio de tudo, há "falsos debates" sobre as sondagens. Para ajudar a esclarecer estas questões, Acrimed, o Observatório dos Media em França, voltou a publicar um estudo com dez anos mas ainda com capacidade de nos fazer pensar, à luz de tudo o que tem sucedido. É seu autor o sociólogo Patrick Champagne, autor de Faire l’opinion : le nouveau jeu politique.

Aquilo que Patrick Champagne, ele mesmo um dos fundadores do Acrimed, procurava esclarecer no trabalho que publicou no respectivo site, em 2006, parte da relação ambígua que tanto jornalistas como responsáveis políticos mantêm com as sondagens: por um lado não conseguem passar sem elas, mas pelo outro "fingem uma certa distância" e vão dizendo que as sondagens são apenas "um elemento entre outros nas campanhas eleitorais e nas tomadas de decisão política". 

O que o autor procura, neste estudo, é explicar que uma crítica séria das sondagens, para ser eficaz, "não deve apenas revelar os seus limites de um ponto de vista científico, mas igualmente dar conta das razões sociológicas do encantamento muito mágico e irracional que elas suscitam". 

Quanto aos próprios especialistas na realização das sondagens, e aos politólogos que as interpretam, a sua primeira observação, defensiva, é que a sondagem não é mais do que uma espécie instantâneo fotográfico de qualquer coisa mal definida, que pode ser uma relação política de forças ou um estado da "opinião pública". 

Aquilo que Patrick Champagne lamenta é que os frequentes erros de análise, em vez de conduzirem a uma maior prudência na avaliação dos resultados pruduzidos por estes inquéritos, mal sejam tidos em conta pelos meios políticos e jornalísticos e que "em cada nova eleição já toda a gente aparentemente se tenha esquecido de tirar lições do que se tinha passado uns anos antes, nas eleições anteriores". 

Entrando na matéria, o autor chama depois a atenção para os diversos tipos de sondagens praticadas, para os diversos tipos de perguntas incluídas, bem como para o momento em que são feitas  - se é na véspera ou seis meses antes de um acto eleitoral, ou até antes de estar a campanha no terreno, por exemplo. Demora-se neste ponto sensível da "intenção de voto" e da sua possibilidade de mudança, recorrendo a exemplos da realidade francesa daquele tempo concreto, com Chirac, Jospin, Sarkozy e depois "o fenómeno Ségolèle Royal". 

Lamenta também que os media se sirvam muitas vezes das sondagens para "encenarem a competição política como uma corrida desportiva, da qual possam depois comentar as mínimas peripécias e mudanças de posição (mesmo que não tenham significado estatístico)". E esclarece que, "vários meses antes de um acto eleitoral, não é ainda a hora da escolha para os cidadãos comuns" e que as intenções de voto "podem modificar-se durante e pela campanha eleitoral". Mas os media "gostam muito dos confrontos binários, simples, conduzidos por ‘celebridades’" [no original personnalités ‘people’]… 

Em última instância, os técnicos que as fazem "justificam as sondagens pré-eleitorais afirmando que permitem aos franceses designarem eles mesmos, democraticamente, os seus candidatos". Mas, como conclui Patrick Champagne : 

"A tecnologia das sondagens não vai, contrariamente ao que afirmam os seus responsáveis, no sentido de ‘mais democracia’: antes de se interrogarem sobre se tal candidato tem boas hipóteses de ser eleito, seria talvez bom saber primeiro para fazer o quê." (…) E recomenda a lógica inversa, a de se construir, em primeiro lugar, "um verdadeiro projecto de sociedade, reunindo, para o elaborar, militantes, peritos, especialistas, e depois, mas só depois, ver quem pode, em cada partido, defendê-lo perante os cidadãos com algumas hipóteses de sucesso". 


O estudo de Patrick Champagne, na íntegra, no Acrimed

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena