Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Regulação da Imprensa gera polémica no Reino Unido

O uso incorrecto da liberdade de expressão pode causar grandes danos aos cidadãos, como é patente nos casos de difamação e violação de privacidade. Por outro lado, uma regulação da Imprensa mal avaliada nos seus termos pode ser prejudicial a todos os envolvidos. Este debate sobre um possível conflito de valores está de novo aberto no Reino Unido, onde vai ser implementada, por lei, uma instância intermédia que pode substituir os tribunais em casos de queixa contra órgãos de comunicação. Vários jornais de referência e a associação Repórteres sem Fronteiras estão contra.

Os jornais The Guardian, Financial Times, Independent, Evening Standard e a ONG Repórteres sem Fronteiras, entre outros, estão unidos contra esta lei, que “obriga os órgãos que se recusarem a juntar-se ao novo organismo de regulação a pagar todas as despesas de processos judiciais, independentemente da decisão do caso ser contra ou a seu favor”  - segundo notícia do DN – Media, que citamos.

Num artigo que toma posição contra a medida agora em fase de implementação, The Guardian afirma: 
"Aquilo a que chegámos é uma forma de regulação da Imprensa  - tornada possível por uma peça medieval de absurdo constitucional, a Royal Charter -  que consiste em pequenas cenouras e grandes cacetes. (...)  Os que se recusam a aderir a [este] sistema de regulação ficariam sujeitos a uma forma de justiça anti-natural: os jornais não-cooperantes enfrentam o pagamento das custas dos processos de ambos os lados, mesmo nos casos que ganhem. Isto teria um efeito profundamente restritivo sobre o jornalismo de investigação e contribuiria para tornar inimputáveis os ricos e os poderosos. Os editores seriam obrigados a pensar muito antes de confrontarem alguém com bolsos muito fundos..." (...)

Este jornal dá, no entanto, voz a defensores da nova instituição reguladora, como o actor Hugh Grant, e noticia a realização, por iniciativa do London Press Club, de um debate sobre esta questão, agendado para 13 de Fevereiro; antes disso, a 26 de Janeiro, haverá outro painel sobre um tema mais urgente:  "Trump, Brexit... a verdade, a confiança e os meios de comunicação".

Mais informação no DN – Media e em The Guardian

 

 

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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