Sábado, 15 de Agosto, 2020
Media

Director do "Washington Post" defende ser necessário "abraçar a mudança"

Martin Baron, director do Washington Post, falou, em Madrid, sobre os meios de comunicação tradicionais, a transição tecnológica e os grandes desafios que se colocam ao jornalismo neste momento. É necessário “abraçar a mudança”  – afirmou - sabendo, no entanto, que “todas as ferramentas tecnológicas do mundo não podem substituir o bom jornalismo”. Sobre a presente conjuntura política, depois das eleições nos EUA, disse que os jornalistas precisam de coragem, que a verdade é o maior desafio que o jornalismo enfrenta, acima do económico ou do tecnológico, e que “é necessário que existam meios que apostem na verdade”.

Martin Baron foi o convidado da quinta edição de “Conversaciones con”, realizada na Fundação Rafael del Pino, em Madrid. Segundo a síntese publicada pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, o jornalista norte-americano  - tornado famoso pelo papel que teve como editor do Boston Globe, apoiando a equipa de investigação Spotlight -  declarou que Donald Trump representa um desafio difícil para o jornalismo e que teremos de estar vigilantes para não começarmos a perder direitos e liberdades adquiridas. Como afirmou, “não há democracia forte sem uma Imprensa livre e independente”.

  

Sobre as mudanças trazidas pela revolução digital, reconhece que elas “ameaçam a sobrevivência dos meios tradicionais”, mas que vão continuar a dar-se, e com maior velocidade, pelo que é necessário aceitá-las e investir nelas. Declarou que “as redes sociais são vitais” e que os jornalistas deverão “escutar mais e melhor”, e ir aonde estão as pessoas, para lhes fazer chegar a Informação.

 

Martin Baron entrou em diversos pontos concretos, afirmando que “temos de criar novos projectos tecnológicos, que funcionem com os leitores e os anunciantes”, e que serão necessárias alianças “com empresas tecnológicas como o Facebook, Snapchat ou outras que apareçam”.

 

Sobre a questão da verdade, afirmou que nos EUA “apenas 32% da população acredita que a informação publicada pelos media é verdadeira; e, no caso dos Republicanos, este número cai para os 14% depois das últimas eleições presidenciais”.

 

 Concluindo, declarou que não se pode permitir “que a mentira se imponha acima dos factos” e que os jornalistas não devem cair na auto-censura “por medo ao poder”, mas “continuar contando a verdade”.

 

  

O artigo no site da APM e o vídeo da conferência de Martin Baron

 

 

 

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena