Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Notícias "à la carte" como terapêutica para a saturação informativa

Parar de ler notícias é recomendado por psicólogos que estudam os efeitos negativos para a saúde causados pelas más notícias. Mas as empresas noticiosas funcionam no pressuposto de que toda a gente precisa de ser constantemente informada. Uma espécie de solução intermédia seria fazer pausas voluntárias de noticiário, e voltar com um plano de consumo bem estruturado. E, claro, já há jornalistas a pensar nisso.

É este o tema de uma reflexão feita pela jornalista norte-americana Melody Kramer, no Poynter.org, que começa por dizer que, desde as eleições presidenciais nos EUA, muitas pessoas que conhece “fizeram uma pausa de notícias, das redes sociais ou uma combinação das duas coisas”. 

Uma sugestão que adianta seria um website onde o utente pudesse dizer durante quanto tempo desejava ficar sem notícias, e que tipo de noticiário gostaria de encontrar no regresso. Isto podia funcionar, diz a autora, por meio de newsletters onde ficasse claro que queria tirar uma “folga” de tantos dias, ou semanas, ou meses, e depois disso ser actualizado com que frequência. 

Melody Kramer adianta o nome de Aram Zucker-Scharff, do Salon Media Group, que já está a trabalhar nesta ideia, incluindo a possibilidade de tocar na tecla pause em determinado tópico, para continuar, por exemplo, a “seguir as notícias desportivas enquanto faz um intervalo de política”. 

“Devíamos tornar fácil às pessoas fazerem um regresso lento ao noticiário, sem terem de agarrar tudo imediatamente”  -  diz ainda, sugerindo rubricas como o “Explique-me como se eu tivesse cinco anos”, do Reddit

“E se as pessoas não quiserem noticiário, que mais lhes podemos dar?” Neste ponto, Melody Kramer sugere coisas como clubes de leitura de livros, por exemplo. Mas é quando a questão se põe à própria classe que produz as notícias, os jornalistas, que as coisas parecem menos simples. 

“Se você trabalha no noticiário, evidentemente, nem sempre é possível desligar-se.” E remete então para outros artigos publicados por si, sobre como ter esse cuidado consigo mesmo e de que modo os jornalistas tratam as suas férias: “Divirta-se (se tiver tempo)!” 


O artigo original, no Poynter.org, onde colhemos também a imagem incluída

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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