Quarta-feira, 5 de Agosto, 2020
Media

Notícias "à la carte" como terapêutica para a saturação informativa

Parar de ler notícias é recomendado por psicólogos que estudam os efeitos negativos para a saúde causados pelas más notícias. Mas as empresas noticiosas funcionam no pressuposto de que toda a gente precisa de ser constantemente informada. Uma espécie de solução intermédia seria fazer pausas voluntárias de noticiário, e voltar com um plano de consumo bem estruturado. E, claro, já há jornalistas a pensar nisso.

É este o tema de uma reflexão feita pela jornalista norte-americana Melody Kramer, no Poynter.org, que começa por dizer que, desde as eleições presidenciais nos EUA, muitas pessoas que conhece “fizeram uma pausa de notícias, das redes sociais ou uma combinação das duas coisas”. 

Uma sugestão que adianta seria um website onde o utente pudesse dizer durante quanto tempo desejava ficar sem notícias, e que tipo de noticiário gostaria de encontrar no regresso. Isto podia funcionar, diz a autora, por meio de newsletters onde ficasse claro que queria tirar uma “folga” de tantos dias, ou semanas, ou meses, e depois disso ser actualizado com que frequência. 

Melody Kramer adianta o nome de Aram Zucker-Scharff, do Salon Media Group, que já está a trabalhar nesta ideia, incluindo a possibilidade de tocar na tecla pause em determinado tópico, para continuar, por exemplo, a “seguir as notícias desportivas enquanto faz um intervalo de política”. 

“Devíamos tornar fácil às pessoas fazerem um regresso lento ao noticiário, sem terem de agarrar tudo imediatamente”  -  diz ainda, sugerindo rubricas como o “Explique-me como se eu tivesse cinco anos”, do Reddit

“E se as pessoas não quiserem noticiário, que mais lhes podemos dar?” Neste ponto, Melody Kramer sugere coisas como clubes de leitura de livros, por exemplo. Mas é quando a questão se põe à própria classe que produz as notícias, os jornalistas, que as coisas parecem menos simples. 

“Se você trabalha no noticiário, evidentemente, nem sempre é possível desligar-se.” E remete então para outros artigos publicados por si, sobre como ter esse cuidado consigo mesmo e de que modo os jornalistas tratam as suas férias: “Divirta-se (se tiver tempo)!” 


O artigo original, no Poynter.org, onde colhemos também a imagem incluída

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena