Terça-feira, 11 de Agosto, 2020
Mundo

Para a RSF-Espanha a Turquia converteu-se no "maior cárcere para jornalistas"

O ano de 2016 foi mau para a liberdade de Informação e, se teve menos jornalistas mortos do que o de 2015, foi porque, em determinadas zonas de conflito armado, “os jornalistas, praticamente, já não vão ao terreno”. A Turquia mantém o seu lugar de “principal protagonista do retrocesso da liberdade de Informação no mundo”, mas este mesmo retrocesso está agora a aumentar em países europeus com regimes democráticos. São estes os dados do novo Relatório Anual, referido a 2016, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras e apresentado em Madrid.

O documento trata da situação numa centena de países e aponta, em números gerais, que foram assassinados 75 jornalistas (menos 26% do que no ano anterior), foram encarcerados 349 e  continuavam sequestrados 52, no final do ano. 

Malén Aznárez, presidente dos Repórteres sem Fronteiras – Espanha, afirmou que se apresentam tempos difíceis para a profissão, mais ainda “quando se fala continuamente da ‘pós-verdade’, quando havia que falar da mentira, e quando nos querem impor falsas realidades à força de autoritarismo e, por vezes, de abuso arrogante [bullying] do poder”.  

Na sua apresentação do Relatório, Malén Aznárez chamou a atenção para sinais de um retrocesso geral mesmo em países democráticos, o qual, “embora não sendo tão grave como quando há assassínios, é muito perigoso”. 

Referiu-se concretamente à aprovação de “medidas legislativas contra o terrorismo que trouxeram importantes retrocesos em matéria de liberdade de Informação, e que põem em risco o jornalismo de investigação, a confidencialidade das fontes e a privacidade das comunicações”. Citou, neste ponto, os casos da Grã-Bretanha e da Espanha, e de outras medidas de vigilância ou assédio dos media na Alemanha, França, Itália, Polónia e Rússia. 

Na Turquia, o ano de 2016 foi repleto de “repleto de prisões e detenções de jornalistas, encerramento de meios de comunicação, condenações abusivas, exílio de jornalistas, despedimentos maciços, censura e leis repressivas”.

“A Turquia converteu-se no maior cárcere do mundo para os jornalistas” – acrescentou. 

Palo quarto ano consecutivo, a Síria continua a ser “o país mais perigoso do mundo para exercer o jornalismo”, com 26 profissionais presos e 19 assassinados, tanto pelos terroristas do Estado Islâmico como pelo regime de Bashar Al-Assad. 

Malén Aznárez referiu-se também à situação vivida na América Latina, destacando o caso das Honduras, onde nos últimos cinco anos foram assassinados 60 jornalistas, e o do México, “um país teóricamente em paz, mas o mais letal da América Latina para a Informação e para os jornalistas”.

 

A reportagem no site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e onde se inclui o link para o Relatório dos RSF – Espanha

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena