Quinta-feira, 11 de Agosto, 2022
Jantares-debate

Nuno Crato defendeu em palestra a exigência como grande lição do Ensino

No mais recente jantar-debate do ciclo sobre o tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”  - realizado numa parceria do CPI – Clube Português de Imprensa com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário -  Nuno Crato afirmou que, “das poucas coisas que se sabem sobre Educação e desenvolvimento da Economia, há um factor decisivo para o progresso das nações, e esse factor é a Educação dos jovens, é a formação da força de trabalho”. O seu apelo final é que se mantenha o nível de exigência de metas e programas, de avaliação dos resultados obtidos e de autonomia das escolas para se organizarem neste sentido.

Nuno Crato começou pelo reconhecimento de que Portugal “melhorou significativamente nas últimas décadas”, e que isso foi reconhecido pelos instrumentos internacionais de medida:

 

“Tenho imenso gosto em poder dizer-vos que em 2015, na altura em que saíram os resultados do inquérito PISA, que se dirige a todos os alunos de 15 anos e, ainda em 2015, os resultados do inquérito TIMSS, que se dirige, na parte que subscrevemos, aos alunos do 4º ano de escolaridade, nós obtivémos, em ambos os casos, os nossos melhores resultados de sempre.”

 

“Devemos estar orgulhosos disso. Todos aqueles que contribuíram para a Educação, seja como pais, como alunos, como professores, sobretudo os professores, ou como ministros da Educação, todos nós portugueses devemos estar orgulhosos de termos chegado a estes lugares.”

 

Sublinhou especialmente que, no TIMSS, “os nossos alunos ultrapassaram os finlandeses, que é algo que quem está ligado à Educação não acreditaria, alguma vez, que fosse possível…”

 

Também na avaliação do PISA, “o que se passou foi que nós, pela primeira vez desde sempre, ultrapassámos a média da OCDE”.

 

Nuno Crato citou ainda outros dados sobre o progresso do Ensino em Portugal, nos últimos anos, nas áreas do abandono escolar precoce, das taxas de retenção e outras. E acrescentou:

 

“Outra coisa que se torna muito clara dos estudos da economia da Educação é o seguinte: Não basta pôr as crianças na escola. O que de facto conta é o que aprenderam enquanto estiveram na escola. (...)  Quando falamos da escolaridade versus desenvolvimento económico, não vemos relação nenhuma. Mas quando falamos dos resultados em conhecimento, medidos por todos esses estudos internacionais, nós vemos uma relação muito directa entre o que os jovens sabem e como a população se desenvolve, como o país se desenvolve.”

 

O orador defendeu como factores de progresso, entre outros, o facto de se ter passado a fazer a divulgação dos resultados das escolas, permitindo a comparação entre elas, os exames e aferições em matérias em que não eram realizados e o estabelecimento dos sete anos de Inglês obrigatórios.

 

Como síntese dos elementos fundamentais para conseguir que o sistema funcione, na Educação, defendeu que haja “programas e metas exigentes”, e que nesses programas estejam estabelecidas prioridades.

 

“Se há coisas que nós sabemos fazer, que é ter bons programas de Matemática e de Português, bons programas de História, Geografia e Ciências, bons programas de Inglês, ensinar os nossos jovens a saber isso, avaliar, estimulá-los, se nós sabemos fazer isso, o resto vem por acréscimo.”

 

A concluir, afirmou:

 

“Eu diria que a grande lição destes anos, e não são os últimos quatro ou cinco, são os últimos vinte anos, é: Caminho de maior exigência, caminho de maior avaliação, sempre focar nos resultados, para saber onde se chega, e o resto soma-se.”

 

Connosco
A era digital e as alterações do conceito de jornalista Ver galeria

Com as vagas de desinformação que começaram a circular “online” nos últimos anos, passou a ser necessário partilhar, com eficácia e clareza, as definições de “notícia” e de “jornalista”, para que o público consiga acompanhar as profundas transformações do mundo mediático,  considerou Sabine Righetti num artigo publicado no“Observatório da Imprensa, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, explicou a autora, se, há dez anos, a produção noticiosa era um papel exclusivo do jornalista, que colaborava com títulos informativos, actualmente, qualquer um pode escrever um artigo, partilhando-o através das redes sociais.

Ou seja, hoje em dia, é preciso ressalvar que nem todo o utilizador da internet que partilha uma peça, de cariz informativo, pode ser considerado um jornalista. E que, por outro lado, nem todo o cidadão com actividade declarada como jornalística cumpre as normas deontológicas, confundindo-se, por vezes, com um activista.

Portanto, considera Righetti, há,  agora, uma hibridização do conceito.

Por isso mesmo, definir quem é, ou não, um jornalista, é uma tarefa cada vez mais difícil de concretizar, explicou a autora. Isto porque, já nem os documentos legais são considerados válidos, perante o panorama actual.

Neste âmbito,  Righetti recorda que, no Brasil, conceito de jornalismo foi definido  por um decreto, de Março de 1979, que instituiu que a profissão de jornalista compreendia actividades como “redacção, condensação, titulação, interpretação, correcção ou coordenação de informação a ser divulgada” ou “comentário ou crónica, a serem partilhados através de quaisquer veículos de comunicação”.

Além disso, naquela época, a “empresa jornalística” era um elemento central da actividade. O jornalismo, então, era tudo aquilo feito nos  “media” formais. 

E mais: o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a legislação, exigia o registo prévio no Ministério do Trabalho, mediante a apresentação do comprovativo de nacionalidade brasileira, do  diploma de curso superior de jornalismo e da carteira de trabalho.

Em  2009, relembra a autora, o STF (Supremo Tribunal Federal) retirou a exigência do diploma para o exercício da profissão. Ainda assim, as empresas de jornalismo contratavam, na sua maioria, colaboradores especializados para fazer jornalismo.

Só que o jornalismo, continua Righetti, cada vez mais, começou a sair das “empresas jornalísticas” e ganhou outros espaços que a legislação das décadas de 1960 e 1970 jamais poderia ter previsto.


Os leitores de imprensa e o que procuram nos títulos informativos Ver galeria

Os leitores de notícias podem dividir-se em seis categorias, dependendo das suas necessidades e interesses, concluiu um relatório do “Financial Times”, citado pelo"Laboratório de Periodismo”,  cujas conclusões podem ajudar outros “media” a reter subscritores.

De acordo com o estudo, por norma, os cidadãos consultam os títulos informativos com um de seis objectivos: manterem-se actualizados, alargarem a sua contextualização sobre o mundo que os rodeia; educarem-se sobre um determinado tópico ou personalidade; divertirem-se através de artigos lúdicos ou actividades didácticas; inspirarem-se ao lerem histórias sobre alguém que superou adversidades; e seguirem as tendências do mundo ‘online’.

Assim, a fim de terem sucesso junto do público, explica o documento, os jornais devem identificar a categoria com a qual a maioria dos seus leitores se identifica, para que possam continuar a captar o seu interesse, gerando um maior número de subscrições e, consequentemente, mais receitas.

O “Financial Times” realizou esta experiência junto de três editoras distintas, ajudando-as a compreender aquilo que poderiam fazer para optimizar a interacção com o público.

A editora 1, por exemplo, concluiu que 40% dos artigos que produzia eram da categoria “actualize-me”, mas que estes geravam, apenas, 13% de visualizações de página. Por outro lado, os artigos da categoria “entretenimento” representavam 19% do total de artigos publicados, mas, geravam 43% das interacções.


O Clube



Este espaço do Clube Português de Imprensa vai fechar para férias durante o mês de Agosto.
É uma opção adoptada desde o lançamento do site em Novembro de 2016.
Recorde-se que o site se divide em três grandes áreas de conteúdos, com uma coluna de opinião a cargo de jornalistas e investigadores das Ciências de Comunicação, resumos informativos e propostas de reflexão sobre as grandes questões que se colocam hoje na paisagem mediática e à função jornalística.
O site do CPI conta, ainda, com as parcerias do Observatório de Imprensa do Brasil e da Asociacion de la Prensa de Madrid, dos quais publica regularmente trabalhos de análise em diferentes perspectivas, desde a ética profissional aos efeitos das mudanças tecnológicas.
O CPI, associação reconhecida de Utilidade Pública fundada em Dezembro de 1980, integra o Prémio Helena Vaz da Silva, instituído conjuntamente com o CNC-Centro Nacional de Cultura e Europa Nostra, e lançou em 2017 o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o Jornal Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares.
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, cuja atribuição foi interrompida devido à pandemia, destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, "em suporte papel ou digital", de acordo com o regulamento.

Ao concluir mais um ciclo de actividade do Clube e do site em particular, é muito gratificante saber que, apesar dos sobressaltos e das incertezas que afectam os media, o número de frequentadores habituais deste espaço tem vindo sempre a aumentar e a consolidar-se, designadamente, na sua visibilidade internacional, medida pela Google Analytics.

Aos associados, amigos e visitantes deste site o CPI deseja boas férias! E até Setembro.


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