Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

A “tempestade perfeita” que ameaça os meios de comunicação

A convergência entre o domínio esmagador do Google e do Facebook sobre a publicidade digital, os bloqueadores de anúncios, a chegada de uma publicidade menos invasiva e a presente entronização dos dispositivos móveis está a reunir todos os elementos para uma espécie de “tempestade perfeita” no sector dos meios de comunicação, que podem ter pela frente uma devastadora nova vaga de crise. Devem os governos intervir, indo mesmo ao ponto de converter as grandes plataformas numa espécie de serviço público? Esta reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

O Google recolheu, em 2016, 90.300 milhões de dólares, essencialmente provenientes da publicidade digital. Segundo os peritos, este ano poderá ultrapassar os cem mil milhões, duplicando assim a sua receita em cinco anos. O Google tem um valor em bolsa de 581.000 milhões de dólares, e Facebook e Amazon aproximam-se já dos 400.000 milhões de capitalização.

Como recorda Miguel Ormaetxea: 

“Perante isto, e para ajudar as editoras, o Google dotou com 150 milhões de euros a sua Digital News Initiative. No dia 6 de Julho concordou em dar 21 milhões de euros a 107 projectos europeus. É de notar que a grande maioria deste dinheiro foi para editoras médias ou grandes, quando são as pequenas editoras digitais as que mais estão a sofrer, até ao ponto de poderem extinguir-se em massa, como os dinossauros. É curioso assinalar também que o Google financiou o projecto RADAR, um site de ‘jornalista-robot’ capaz de escrever 30 mil notícias por mês. É esta a ideia que tem o Google sobre o novo eco-sistema da Informação digital? 21 milhões de 90 mil de receita? Estão a gozar connosco?” (...) 

Cabe dizer, neste ponto, que o artigo que citamos faz uma espécie de “revisão da matéria dada” sobre factos muito recentes, dos quais temos deixado oportuna referência no site do CPI.

O mais recente de todos é a diligência conjunta dos grandes jornais de referência dos Estados Unidos, para imporem, por via legal, a capacidade de negociarem colectivamente, a nível da sua associação representativa, a News Media Alliance, contra a pressão do “duopólio digital” Google – Facebook. 

O Google disse em comunicado que pretende “ajudar as editoras a triunfarem na sua transição digital” mas Miguel Ormaetxea comenta:

“Não parece que esteja a consegui-lo. Para dar só um exemplo, o grupo de media que é hegemónico em Espanha, a PRISA, viu reduzirem-se as suas receitas 66% em menos de dez anos, e o EBITDA 74%, e ainda suporta uma dívida de 1.600 milhões de euros. A acção perdeu mais de 90% do seu valor. Não parece que o Google tenha ajudado muito a PRISA.” (...)

O autor fala ainda das várias alianças de jornais em curso, em diferentes países, para combaterem juntos o referido “duopólio”, e termina com uma referência à batalha pela posse dos dados sociodemográficos e de tendências de compra:

“A chave são os dados: aquelas editoras que têm apenas um endereço de e-mail dos seus assinantes têm muito pouco que possam fazer. E os reis dos dados são, de novo, Google, Facebook e Amazon. Está na hora de ir mais longe do que aplicar simples multas.”

 

 

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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The Children’s Media Conference
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