null, 21 de Abril, 2019
Media

Jornalista eritreu distinguido pela UNESCO detido sem julgamento há quase 16 anos

O jornalista Dawit Isaak continua preso no seu país natal, a Eritreia, sem culpa formada, sem julgamento e, segundo a pouca informação disponível, sujeito a longos períodos de confinamento em cela solitária, sem luz. O facto de ter sido distinguido com o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa da UNESCO – Guillermo Cano 2017 deu novo estímulo às campanhas mundiais pela sua libertação mas, até agora, sem resultados. Está nestas condições desde 2001. 

Nascido em 27 de Outubro de 1964, nos primeiros anos da Guerra de Independência da Eritreia, que durou 30 anos (de Setembro de 1961 a Maio de 1991), Dawit Isaak cresceu em Asmara. Quando tinha 20 e poucos anos, a luta entre a Frente de Libertação Popular da Eritreia e o exército etíope intensificou-se e a União Soviética retirou o seu apoio ao governo da Etiópia. Em 1987, fugiu do país para a Suécia. 

Segundo a sua biografia, contada por Nathalie Rothschild no Correio da UNESCO, que aqui citamos, “em 1993, um ano após obter a cidadania sueca, Dawit Isaak voltou para uma Eritreia recém independente, onde se casou e teve três filhos”. (…)

No final dos anos 1990, ao abrigo de uma nova lei que autorizava a propriedade privada de meios de comunicação impressos, “tornou-se cofundador do primeiro jornal independente da Eritreia, o Setit, batizado com o nome do único rio eritreu que corre o ano todo”. 

Mas houve novos conflitos entre a Etiópia e a Eritreia, a situação piorou e, em 2001, depois de o Setit ter publicado uma carta aberta dirigida ao Presidente da Eritreia, todos os jornais independentes foram proibidos e 11 dos signatários da carta (que incluíam políticos de alto escalão) e dez jornalistas, incluindo Dawitt Isaak, foram presos. Estas prisões ocorreram poucas semanas depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos. 

O evento Sit with Dawit (Sente-se com Dawit) foi lançado em 2016 pela campanha Free Dawit (Libertem Dawit), para o envolvimento no apoio à causa de Dawit Isaak. Réplicas da cela de Dawit foram instaladas em vários locais, onde as pessoas podem passar 15 minutos sentadas sozinhas na escuridão – para reflectir sobre como devem ser os quase 16 anos de confinamento solitário de Dawit e demonstrar solidariedade para com ele. Esta fotografia foi tirada numa das principais praças de Estocolmo. 


O artigo citado, na pág. 53 do Correio da UNESCO, e a notícia do Prémio Mundial de Liberdade da Imprensa Unesco - Guillermo Cano 2017

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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