Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Estudo

Estudo do OberCom aponta para 2024 o "fim apocalíptico” da Imprensa escrita em Portugal

Agrava-se o decréscimo no volume de exemplares distribuídos de títulos da Imprensa escrita, com quedas da circulação numa taxa de variação anual global negativa de 12,2 entre os anos de 2015 e 2016. Também o volume de tiragens decresceu numa taxa de -11,6% entre os referidos dois anos. “As pessoas estão efectivamente a consultar/ler menos jornais no seu formato impresso.” Estes números são alguns dos “principais resultados a reter” do Estudo “A Imprensa em Portugal: desempenho e indicadores de gestão (2008-2016)”, divulgado pelo OberCom – Observatório da Comunicação. A manterem-se estas tendências, 2024 poderia ser o ano da confirmação do “fim apocalíptico da Imprensa escrita”. 

O mesmo estudo reconhece, logo no incício dos “principais resultados a reter”, que estes são “talvez os mais negativos desde o início destes relatórios”.  

“A grande maioria das publicações analisadas atinge o seu valor máximo de circulação impressa paga em 2008, no primeiro ano de leitura, com excepção para o Correio da Manhã (2010), jornal i (2009 – quando entrou em circulação), revista Sábado (2009), Diário Económico (2010) e Jornal de Negócios (2009). Contudo, os menores valores de circulação impressa paga registados são obtidos para o último ano de análise (2016), o que mostra que o sector nunca esteve tão frágil em termos de vendas.” (…)  

Se estas tendências se mantiverem, falta pouco para o fim. Como reconhece o texto, “fazendo uma projecção de acordo com as tendências de queda para o volume de circulação impressa paga e tiragens, registadas a partir de 2011, e se essa tendência consubstanciada em taxas de variação se mantivesse constante, então o volume de circulação impressa paga atingiria o valor 0 em 2024 e o número de tiragens seria igualmente 0 em 2026”.  

A intensificação da produção e consumo da informação em formato digital, na última década em análise, “parece ditar um progressivo declínio da informação impressa”:  

“Como nos recorda Steen Steensen, ‘o primeiro contacto com a notícia ocorre hoje mais nas redes socias, do que via distribuidores tradicionais’.”  

E o primeiro gráfico incluído no estudo, da evolução da circulação impressa paga (soma das assinaturas + vendas + vendas em bloco), revela uma linha descendente contínua, em que os valores em 2016 (457133) são praticamente metade dos de 2008 (817853).  (págs. 12 e 18)

A nota final usa termos fortes para uma previsão em que as tendências verificadas até agora continuem:  

“2024 é o ano em que, como referido nas primeiras páginas deste relatório, o valor de circulação impressa paga dos jornais em Portugal, assumindo que a tendência de queda registada entre 2011 e 2016 seja constante, seria igual a zero. Mesmo que este ano seja meramente indicativo do quão avançada é a tendência de queda de venda dos jornais, marcando uma espécie de horizonte demasiado próximo para o fim da Imprensa escrita (7 anos de distância), a verdade é que este poderia ser o ano da derradeira confirmação do fim apocalíptico da Imprensa escrita, tal como vem sendo anunciado desde os primeiros anos do início do milénio.”   
(pág. 50 do referido relatório)

O relatório do OberCom, na íntegra, em PDF

 

 

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia