Sexta-feira, 20 de Setembro, 2019
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A notícia da morte do jornalismo é manifestamente exagerada...

“O jornalismo morreu!”  -  é a afirmação ouvida insistentemente, mas contestada pelo jornalista brasileiro Paulo Silvestre, consultor dos media e cultura digital, que afirma que “o jornalismo nunca esteve tão vivo”:  
“Para mim, a história da morte do jornalismo faz parte de uma tríade de bobagens que me incomodam há alguns anos. As outras duas são que as pessoas não lêem mais, e que não querem mais pagar por conteúdo.” A sua reflexão vem no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Para o autor, o facto é que “as pessoas nunca consumiram tanto conteúdo, inclusive jornalístico. E, apesar do avanço do vídeo digital, a maior parte de todo esse conteúdo chega de forma escrita. A responsável por isso é a combinação dos smartphones com as redes sociais, que começou a se desenhar há uns dez anos”. 

“O primeiro é um computador poderoso, permanentemente online, que carregamos em nosso bolso para onde formos. Já as segundas cumprem o papel de seleccionar e entregar o conteúdo de acordo com as nossas necessidades. Ou seja, as pessoas nem precisam ir até as notícias: elas vêm até ao público.” (...) 

E Paulo Silvestre adianta:

“O problema disso é que as pessoas consomem cada vez mais o que os algoritmos de relevância das redes sociais consideram interessante, o que não é necessariamente bom. Perde força a curadoria feita pelos editores, sendo substituída pelas curtidas dos nossos amigos, que ajudam o Facebook e afins a determinar o que deve ser promovido.” 

“Sem entrar no mérito de que isso aumenta enormemente o risco de deixarmos de consumir conteúdo que deveríamos, isso nos leva à terceira das bobagens acima, aquela que diz que as pessoas não querem mais pagar por conteúdo. Sim, as pessoas pagam por conteúdo, desde que faça sentido para elas!” (...) 

O autor cita depois o exemplos de duas primeiras páginas quase iguais, de dois jornais brasileiros de referência, para fazer a sua crítica ao tipo de jornalismo que praticam: 

“O facto de serem incrivelmente parecidas não é coincidência. Resulta do facto de que os veículos têm investido pouco em reportagem, que é a alma do bom jornalismo. Ao invés disso, vivem de denúncias, de ‘jornalismo palaciano’ (acompanhamento de acontecimentos de fontes oficiais), de denuncismo. Ou seja, uma mesmice crónica resultante de uma apuração rasa, feita por uma mão de obra cada vez menos qualificada e barata (os mais experientes  — e caros — foram quase todos demitidos nos últimos anos).” 

Por contraste, cita o exemplo de The Washington Post e a transformação que nele foi operada pelo novo proprietário, Jeff Bezos, que “aplicou ao jornalão duas de suas máximas mais conhecidas: ‘preste mais atenção em seus consumidores que em seus concorrentes’ e ‘se você dobra seus experimentos, você duplica sua inventividade’.” 

“Em outras palavras, foi necessário um mogul do e-commerce para meter o dedo na ferida do jornal e fazer as mudanças necessárias, inclusive correndo riscos. Tudo para se aproximar de seu cliente, tornar o seu produto mais relevante.” (...)

 

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa

 

Connosco
Jornalismo deve unir experiência à aptidão tecnológica dos jovens Ver galeria

Há muitos profissionais seniores  que foram afastados  das redacções nos últimos anos, mas os mais jovens, recém saídos das universidades, não foram também poupados.

Se  juntarmos a experiência dos antigos repórteres com a facilidade dos mais jovens no manejo das  novas tecnologias, teremos a receita ideal para assegurar a cobertura jornalística adequada a um preço baixo.

A crise de emprego exige organização, e  não se pode deixar escapar nenhuma oportunidade   oferecida   a quem queira  continuar na profissão,  como defende Carlos Wagner, no artigo publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o  CPI mantêm um acordo de parceria.
Segundo o autor, já não é possível encontrar um emprego fixo nas redacções dos grandes jornais, rádios ou televisões. Por isso,  exige-se aos mais jovens  que criem o seu próprio emprego.

Seis conselhos para abordar o jornalismo de soluções Ver galeria

Os editores  são essenciais para a orientação das redacções  no quadro de  um jornalismo de soluções. Podem influenciar a mentalidade dos jornalistas responsáveis, a ponto de mantê-los motivados e orientados para alcançar   objectivos comuns.

Num trabalho publicado pela Fundação Gabo,  elaborado com base na   Rede de Periodismo de Soluciones, são apresentadas seis directrizes, para acompanhar os jornalistas na transição.

O primeiro tópico, trata da escolha dos líderes nas redacções, onde é salientada a importância de existir uma figura forte que possa inspirar, mobilizar e manter o foco da equipa.

No segundo tópico, chama à atenção para a criação de novos hábitos de modo a não dar margem a desvios, mesmo perante a pressão de notícias de última hora.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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