null, 16 de Dezembro, 2018
O Clube

Um site com vocação de futuro


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

Há um quase silêncio crepuscular à volta das profundas transformações que estão a mudar a paisagem mediática, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, como se os jornalistas  e os meios tivessem medo de debater o  futuro - ou o seu destino.

As redacções perdem regularmente efectivos, aumentando o número de jornalistas desempregados ou colocados numa situação de emprego precário. Mas não se vislumbra uma reacção ou um estremecimento  entre os profissionais em risco iminente. Ficam-se por atavismos paroquiais e por referendos de inspiração sindical, que nada adiantam, salvo para um conselho deontológico inexistente, preocupado apenas em fazer “prova de vida”.

Se descontarmos o último Congresso de Jornalistas - realizado após um longo interregno de vários anos -, o debate sobre os problemas do sector está ausente da iniciativa dos jornalistas e das empresas editoras - e mesmo das suas associações representativas. A quem duvidar recomenda-se a consulta dos respectivos sites,   elucidativa do vazio ou do marasmo em que se caiu.

Foi essa lacuna que este site do CPI procurou de algum modo contrariar. Para isso contámos, também, com  duas prestigiadas e preciosas parcerias -  o Observatório de Imprensa do Brasil e a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid, e dos seus Cuadernos de Periodismo.

O resultados desse esforço, não raramente solitário,  foi o aumento continuado de visitantes , do número de páginas consultadas e do tempo médio de permanência no site.

Pela análise do perfil dos frequentadores , observa-se que o site já extravasou há muito o universo de jornalistas portugueses e é seguido, também, fora das fronteiras físicas do País.

E esse é o desafio da Internet  e uma consoladora realidade que nos obriga a melhorar e a continuarmos atentos a tudo o que possa  modificar  a relação de confiança  entre produtores e receptores da informação.

O futuro constrói-se todos os dias. Infelizmente, não falta entre nós quem esteja agarrado ao passado,  como se tivesse futuro.     

Connosco
Jornalismo cobre e explora a violência sem cuidar da sua explicação Ver galeria

Em situações de grandes protestos públicos, a reportagem que descreve o confronto físico entre manifestantes e forças policiais não pode, nem deve, ocultá-lo  - mas a fixação nas imagens de violência é uma tentação redutora. “Cobrindo protestos, aqui ou alhures, manifestações europeias, tupiniquins ou árabes, o jornalismo parece focar na violência. Sempre.” A reflexão é da jornalista Juliana Rosas, doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora do ObjEthos:

“Seja uma notícia sobre um buraco na rua ou em grandes manifestações, o jornalismo (o mainstream brasileiro e internacional, com algumas excepções) parece cobrir somente o resultado da acção, no máximo a acção em si.” (...)

“Onde foi parar o entendimento de que o jornalismo deve prover explicações? Que deve dar o contexto? Fornecer informação de qualidade? Se manifestações de rua são semelhantes, onde está a novidade em dizer que manifestantes franceses entram em confronto com a polícia? Entraram por quê? Como? Quais as consequências?”

O texto, publicado originalmente no ObjEthos  - Observatório da Ética Jornalística, é aqui reproduzido do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.
Repórter de origem sudanesa fala (e pratica) jornalismo de alto risco Ver galeria

A jornalista sudanesa Nima Elbagir, já detentora de vários grandes prémios pelas suas reportagens de guerra e em zonas de grande risco, voltou a ser famosa há um ano, quando filmou uma venda de escravos (migrantes sub-saarianos) perto de Tripoli, na Líbia. Falou deste e de outros episódios em Paris, no contexto de uma jornada de debates sobre as mulheres africanas, organizada por Le Monde Afrique.

Sobre o sangue-frio com que realizou o documentário, afirma:

“No momento, pensei como jornalista. Não queria que as minhas emoções tomassem a dianteira. Não era eu que estava a ser vendida. Eu tinha um avião nessa mesma tarde, para voltar para casa.”

A verdade é que, se fosse descoberta, teria perdido o voo e, provavelmente, a vida. Nascida em Khartoum, exilada aos três anos, educada na London School of Economics, tornou-se correspondente internacional para a CNN em Londres e desde há uma década que acumula prémios pela coragem e sentido de humanidade dos seus trabalhos.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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