Terça-feira, 7 de Julho, 2020
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Magazines online norte-americanos experimentam versões em papel

“O texto impresso tem beleza. Não interrompe uma pessoa pelo notify, quando chega um e-mail de serviço, não pode ser enviado pelo twitter a meio de uma frase, e não vai apagar-se por falta de um carregador. Melhor do que isso, é finito.” Assim começa um trabalho publicado oportunamente na Columbia Journalism Review, onde se dá a boa notícia de que o jornalismo em papel não só não morreu, como está de volta.

O artigo, da jornalista e investigadora Chava Gourarie, trata principalmente do que se passa com as revistas de qualidade, muitas das quais tinham passado a sair online ou até deixado de ser publicadas. “Agora, vinte anos entrados na revolução digital, o texto impresso está como que de regresso. A Tablet, Politico e The Pitchfork Review estão entre as publicações digitais de sucesso que se arriscaram a vir para a impressão. Nautilus, Kinfolk e a California Sunday Magazine fizeram o seu lançamento em papel nos últimos anos, e as suas audiências são entusiásticas e estão a crescer.”

O caso mais recente é o da revista Tablet, apresentada como “um magazine digital para judeus curiosos (e os seus amigos), que anda por cá desde 2009 e lançou a sua primeira edição impressa em Novembro.” A chefe de redacção, Alana Newhouse, diz que determinados textos, incluindo a ficção e notícias e peças de cultura mais “profundas”, funcionam melhor em papel. “Eu acho que a Internet não ‘metaboliza’ adequadamente certas espécies de textos”  - acresenta.

“Alguns dos nossos melhores conteúdos merecem ficar por algum tempo na banca dos jornais, ou na mesa de café de uma pessoa”  - diz Mark Oppenheimer, o director da Tablet. “Uma peça capaz de alterar perspectivas vale mais para 10.000 leitores em texto impresso do que na forma de uma breve distracção para 100.000 online”  - diz ainda.

Samir Husni, um professor da Universidade do Mississippi conhecido na Net como Mr. Magazine, previu a recuperação do texto impresso e trata deste fenómeno, falando de mais de 200 magazines impressos, lançados em 2015. Ele diz que aqueles que deixaram o texto impresso, seduzidos pela promessa do digital, começam agora a ficar arrependidos: “O texto impresso é a esposa fiel. Noventa e cinco por cento do dinheiro está no impresso.”

Outra vantagem do impresso sobre a Web, diz Alana Newhouse, da Tablet, é que não tem de agradar a toda a gente. De facto, é melhor que não o faça. “Este magazine pode não ser para si”  - diz ela no seu editorial da primeira edição impressa. Em última instância, magazines com um conteúdo direccionado para leitores realmente interessados nele reforçam “um sentido forte de comunidade”.

O artigo de Chava Gourarie conclui: “Ironicamente, é a velha guarda que pensa que a mudança para a impressão é uma loucura. ‘Eles acham que é retrógrado’  - diz Alana Newhouse -  ‘Eu acho que é inovador’.” 

O artigo "Print is the new 'New Media'

Connosco
Jornalismo no Brasil está numa encruzilhada com pandemia Ver galeria

A cobertura jornalística da pandemia, no Brasil, está a chegar a uma encruzilhada, já que se começa a testemunhar uma profunda alteração na relação entre os jornalistas e os cidadãos, afirmou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Castilho, na actual fase do combate ao covid-19, a preocupação com a forma de noticiar dados, factos e eventos sobre a pandemia é crucial para que o público participe da luta contra o vírus. Contudo, de nada adianta divulgar números, se os cidadãos não alterarem a sua atitude perante a evolução do vírus. 

Assim, os jornalistas deparam-se com o dilema de continuar a informar, imparcialmente, ou de se juntarem a uma “corrente de activismo”, que promove causas sem renegar os elementos que definem uma notícia, como a exactidão, relevância, pertinência, confiabilidade e transparência. 

Até porque, sem estes dados, a notícia não é confiável e pode induzir os leitores a tomar decisões de risco.

Segundo o autor, a opção pelo activismo decorre de uma ampla diversificação na ecologia informativa, provocada pela digitalização e pela internet. Com a massificação de notícias, o mais importante passou a ser a contextualização.


Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague