Quinta-feira, 27 de Fevereiro, 2020
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Magazines online norte-americanos experimentam versões em papel

“O texto impresso tem beleza. Não interrompe uma pessoa pelo notify, quando chega um e-mail de serviço, não pode ser enviado pelo twitter a meio de uma frase, e não vai apagar-se por falta de um carregador. Melhor do que isso, é finito.” Assim começa um trabalho publicado oportunamente na Columbia Journalism Review, onde se dá a boa notícia de que o jornalismo em papel não só não morreu, como está de volta.

O artigo, da jornalista e investigadora Chava Gourarie, trata principalmente do que se passa com as revistas de qualidade, muitas das quais tinham passado a sair online ou até deixado de ser publicadas. “Agora, vinte anos entrados na revolução digital, o texto impresso está como que de regresso. A Tablet, Politico e The Pitchfork Review estão entre as publicações digitais de sucesso que se arriscaram a vir para a impressão. Nautilus, Kinfolk e a California Sunday Magazine fizeram o seu lançamento em papel nos últimos anos, e as suas audiências são entusiásticas e estão a crescer.”

O caso mais recente é o da revista Tablet, apresentada como “um magazine digital para judeus curiosos (e os seus amigos), que anda por cá desde 2009 e lançou a sua primeira edição impressa em Novembro.” A chefe de redacção, Alana Newhouse, diz que determinados textos, incluindo a ficção e notícias e peças de cultura mais “profundas”, funcionam melhor em papel. “Eu acho que a Internet não ‘metaboliza’ adequadamente certas espécies de textos”  - acresenta.

“Alguns dos nossos melhores conteúdos merecem ficar por algum tempo na banca dos jornais, ou na mesa de café de uma pessoa”  - diz Mark Oppenheimer, o director da Tablet. “Uma peça capaz de alterar perspectivas vale mais para 10.000 leitores em texto impresso do que na forma de uma breve distracção para 100.000 online”  - diz ainda.

Samir Husni, um professor da Universidade do Mississippi conhecido na Net como Mr. Magazine, previu a recuperação do texto impresso e trata deste fenómeno, falando de mais de 200 magazines impressos, lançados em 2015. Ele diz que aqueles que deixaram o texto impresso, seduzidos pela promessa do digital, começam agora a ficar arrependidos: “O texto impresso é a esposa fiel. Noventa e cinco por cento do dinheiro está no impresso.”

Outra vantagem do impresso sobre a Web, diz Alana Newhouse, da Tablet, é que não tem de agradar a toda a gente. De facto, é melhor que não o faça. “Este magazine pode não ser para si”  - diz ela no seu editorial da primeira edição impressa. Em última instância, magazines com um conteúdo direccionado para leitores realmente interessados nele reforçam “um sentido forte de comunidade”.

O artigo de Chava Gourarie conclui: “Ironicamente, é a velha guarda que pensa que a mudança para a impressão é uma loucura. ‘Eles acham que é retrógrado’  - diz Alana Newhouse -  ‘Eu acho que é inovador’.” 

O artigo "Print is the new 'New Media'

Connosco
"Boston Globe" aceitou alargar licença familiar para jornalistas Ver galeria

O mundo profissional está mais competitivo e, não poucas vezes, coloca barreiras àqueles que pretendam conjugar a vida familiar com a profissional. A licenças de maternidade e paternidade são reduzidas e os profissionais vêem-se, por vezes, obrigados a abdicar da carreira para poderem acompanhar o crescimento dos filhos.

Este panorama não é estranho aos jornalistas dos “Boston Globe” que, durante dois anos, lutaram para que a licença paga se estendesse além das seis semanas. Depois, à semelhança do que acontece em muitos outros grupos de imprensa, a licença não era aplicada de forma igualitária entre pais, mães e parentes adoptivos. 

O projecto arrancou no Verão de 2017, quando um grupo de jornalistas começou a procurar aliados. No início do Outono desse ano, o “Comité da Licença”, já tinha contactado 300 funcionários do Grupo detentor do “Boston”.

Plataforma promove "relação analógica" com os leitores Ver galeria

O livro “1984”, de George Orwell, foi publicado em 1949, mas está mais actual do que nunca. A ideia de que um “big brother” nos vigia é, agora, muito real, com plataformas “online” a desenvolverem algoritmos intrusivos, que recolhem dados sobre as preferências dos leitores, sem o seu consentimento.  


Foi com o ideal da privacidade em mente que os jornalistas Julia Angwin e Jeff Larson criaram a “Markup”, uma redacção sem fins lucrativos que investiga o uso da tecnologia para promover mudanças na sociedade.


No seu estatuto editorial, a publicação comprometeu-se a lutar pela privacidade aos leitores, garantido uma recolha mínima de informações pessoais, que serão mantidas em sigilo. As investigações dependem, de igual forma, de doações de informação, que permitem construir bases de dados de forma ética. O “Markup” quer, acima de tudo, criar uma relação “analógica” com os seus visitantes, numa época em que o contacto entre repórteres e leitores se estabelece digitalmente.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...