null, 19 de Agosto, 2018
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A notícia que todos leram mas não foi escrita por ninguém...

Antes da Internet, quem quisesse informar-se tinha de fazer um esforço de busca  -  ir a um quiosque comprar o jornal, ligar o rádio ou a televisão. “Agora é a informação que nos procura, mesmo que não queiramos.” Por meio de avisos e notificações, “os conteúdos lutam por captar a nossa atenção” em todo o lado. Ainda podemos desligar os aparelhos mas, “no futuro, nem sequer haverá essa escapatória”. Estaremos sempre rodeados de ecrãs, que “virão ao nosso encontro a cada passo”. Todos os aparelhos estarão interligados. É nestes termos que está a ser imaginada a “Internet das coisas” e o seu efeito sobre a informação e o jornalismo. A reflexão é de Ramón Salaverría, docente na Universidade de Navarra.

O texto deste autor, publicado em Cuadernos de Periodistas nº 35, da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  começa por um exemplo significativo, o da “primeira notícia que, tendo sido escrita por um robot, conseguiu situar-se como informação principal do site de um grande jornal, o Los Angeles Times”. 

Em 14 de Março de 2014, a rede de sismógrafos da Califórnia registou um tremor que, pela sua intensidade, teve magnitude suficiente para desencadear um aviso automático, que foi recebido por muitos órgãos de informação. Mas, “às seis da manhã, com as redacções praticamente vazias, eram poucos os meios capazes de fazerem eco da notícia”. 

À excepção do Times, que já tinha um sistema de redacção automática de notícias mediante uma aplicação algorítmica  - aquilo a que chamamos um robot... “Como os robots não se importam de acordar cedo, o do Times recebeu o aviso e compôs uma nota curta, de 102 palavras”, que começava assim: 

“Um terramoto de magnitude 4,7 foi registado hoje, segunda de manhã, a cinco milhas de Westwood, Califórnia, segundo o Serviço Geológico dos EUA. O abalo ocorreu às 6h.25, a uma profundidade de cinco milhas.” (...) 

Esta informação apareceu de imediato na Net e, naturalmente, os primeiros interessados em saber mais eram os residentes do distrito de Westwood, que começaram a teclar em todas as direcções. Como a nota de Los Angeles Times era a única àquela hora, recebeu tantas visitas e partilhas que teve efeito de bola de neve: o sistema de gestão de conteúdos do jornal, programado para dar mais destaque às notícias com mais visitas, puxou-a para o primeiro lugar. Como conta Ramón Salaverría: 

“Tinha acontecido o inédito  -  uma informação que não tinha sido noticiada por ‘ninguém’, nem escrita por ‘ninguém’, nem publicada por ‘ninguém’, era a notícia que estava a ser lida por ‘toda a gente’.” (...) 

E este efeito de sermos “encontrados” pela notícia automática passa-se cada vez mais nos dispositivos móveis. Segundo o mais recente relatório Digital News Report – España 2017, coordenado pela Universidade de Navarra, “em conjunto, os telemóveis e tablets (com 47%) ultrapassaram pela primeira vez, em 2017, o computador (com 46%) como dispositivo principal no acesso às notícias.” 

E, como explica a seguir, esta “não é a estação de chegada” porque, a seguir aos dispositivos móveis, vem aí a Internet das Coisas, em que quase todos os aparelhos estarão interligados e terão, além da sua função original, a possibilidade de serem “receptores e fontes de informação”  -  além de a registarem de modo continuo. “Estaremos permanentemente monitorizados.” (...) 

“Num simpósio organizado no Rio de Janeiro pela Universidade de Harvard, em Novembro de 2017, peritos dos cinco continentes estiveram de acordo em assinalar o sector dos media e do jornalismo como um dos que, com a educação, a saúde e os negócios, será mais transformado por estas tecnologias nos próximos anos.” (...) 

O que se segue, no trabalho que citamos, é um desenvolvimento de previsão de coisas possíveis, nem todas boas, nem todas más  -  quase todas já em começo de realização.

 

O texto na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Senado rejeita por unanimidade hostilidade de Trump aos Media Ver galeria

O Presidente Donald Trump respondeu da forma habitual, pelo Twitter, aos 350 meios noticiosos que publicaram, no dia 16 de Agosto, editoriais simultâneos denunciando os seus ataques à Imprensa. Segundo afirmou, usando frequentemente texto em maiúsculas, "OS MEDIA DAS NOTÍCIAS FALSAS SÃO O PARTIDO DA OPOSIÇÃO. É muito mau para o nosso grande país ... MAS ESTAMOS A GANHAR".

No entanto, o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade uma resolução que afirma o seu apoio a uma Imprensa livre, acrescentando que “a Imprensa não é o inimigo do povo”.
A mesma resolução  - que aqui citamos de The Guardian -  reafirma “o papel vital e indispensável, desempenhado pela Imprensa livre, para informar o eleitorado, descobrir a verdade, agir como contenção do inerente poder do governo, promover o diálogo e debate nacional e desenvolver de outros modos as mais básicas e estimadas normas e liberdades democráticas dos Estados Unidos”.

Observatório disponibiliza arquivo de crítica dos Media no Brasil Ver galeria

O Observatório da Imprensa do Brasil reuniu, ao longo dos seus 22 anos de crítica dos media  - a partir do gesto inaugural do jornalista Alberto Dines, em parceria com o então reitor da Unicamp Carlos Vogt -  um acervo documental de grande valor. Textos relevantes do mesmo foram escolhidos e compilados no “Observatório da Imprensa – Uma antologia de crítica de media no Brasil de 1996 a 2018”, organizada pelos jornalistas Pedro Varoni e Lucy Oliveira e publicada em formato e-book pela Editora Casa da Árvore.

Esse material constitui um documento de pesquisa para todos os interessados nas regularidades e mutações das relações entre jornalismo e poder no período que vai dos últimos anos do século passado até perto do fim da segunda década do século XXI. As suas 373 páginas estão acessíveis a visualização online, aqui, logo a seguir ao texto de apresentação elaborado pela equipa que celebra a milésima edição do Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
Trump contra o jornalismo
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Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
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