Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Relatório confirma agravamento das restrições aos jornalistas na China

O trabalho de um jornalista estrangeiro na China é “uma permanente corrida de obstáculos”. Em Dezembro, o Foreign Correspondents’ Club of China, “uma organização de tipo anglo-saxónico que representa os grandes media ocidentais”, publicou o seu relatório anual referente a 2017. Este documento, intitulado “Acesso Interdito  - vigilância, assédio e intimidação na deterioração das condições de reportagem na China”, descreve uma série de episódios que confirmam o agravamento de limitações que já vinham do passado recente, mas parecem estar a intensificar-se.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, há as ameaças veladas de não-renovação do visto de residência anual e pressões no momento de a requerer, “com o responsável pelo nosso dossier lembrando-nos, com um prazer maldoso, depois de ter visto o nosso computador, onde estávamos em tal dia a determinada hora”. 

“Ou as convocatórias, decerto amigáveis, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, por motivo de artigos que desagradam ou que ‘chocam’  - como aconteceu recentemente aos nossos colegas do Monde Afrique sobre as escutas efectuadas pelas [autoridades de] Pequim na sede da União Africana.” 

“E há, por vezes, o telefonema do intérprete da Segurança do Estado   - o serviço chinês de contra-espiongagem -  para ‘beber um chá’ (ou uma cerveja) perto da nossa casa. Os oficiais são amáveis e nunca sabemos exactamente onde querem chegar.” (...) 

Notícia do Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong diz que o relatório revela um aumento significativo no número dos correspondentes estrangeiros que acham que o seu trabalho se tornou mais difícil, “com pressão crescente das autoridades para bloquear a reportagem em áreas que consideram sensíveis, como Xinjiang, a fronteira com a Coreia do Norte e zonas industriais”. 

O inquérito que está na base do relatório foi respondido por 117 dos 218 correspondentes membros. São seis as principais conclusões:

  1. – Um número de 40% declara que as condições pioraram em 2017, comparado com os 29% do relatório de 2016.
  2. – As condições são mais difíceis em determinadas áreas, especialmente em Xinjiang, a região chinesa mais ocidental. 73% dos que lá foram contam que as autoridades e agentes de segurança lhes disseram que fazer reportagem era proibido ou restringido, comparado com 42% em 2016.
  3. – Cerca de 15% encontraram dificuldades no processo de renovação, quando tinham sido 6% no ano anterior.
  4. – Os correspondentes declaram níveis maIs elevados de preocupação quanto a vigilância e invasão de privacidade.
  5. – Cerca de metade diz que experimentou “interferência, assédio e violência física”, mais ou menos do mesmo modo que em 2016.
  6. – As fontes de informação na China continuam a sofrer consequências negativas por interagirem com jornalistas estrangeiros. 26% dos correspondentes contam que as suas fontes foram molestadas, detidas ou chamadas a interrogatório, à semelhança do ocorrido em 2016.

 

Mais informação em Le Monde  e no Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong. O relatório na íntegra, em PDF

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Social Media Day: Halifax
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The Children’s Media Conference
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