Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
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Pode o “Big Brother” vigiar-nos com os nossos próprios dispositivos?

A segurança digital é difícil e as nossas defesas são fracas. As fundações computorizadas das nossas sociedades modernas são frágeis. “Mesmo as ‘novas’ tecnologias são vulneráveis. Estamos a instalar microfones e câmaras de vigilância conectados com a Internet (por outras palavras, sempre ligados) nas nossas casas, nos nossos televisores, nos nossos ‘assistentes pessoais’ e nas nossas consolas de jogos.” É sabido, nos meios tecnológicos, que a câmara de um computador ou smartphone pode ser ligada à distância por qualquer atacante que tenha os recursos, o tempo e a motivação para o fazer. Esta reflexão é de Ed Geraghty, especialista em tecnologia e segurança na Privacy Internacional, uma ONG britânica de defesa da privacidade.

O artigo começa por recordar alguns dos ataques globais por vírus informáticos, como o HeartBleed, “com potencial de impacto sobre a grande maioria dos servidores web em todo o mundo, por muito actualizados e altamente seguros que os seus operadores procurem mantê-los”. (...) 

“A rápida divulgação de dispositivos pessoais nestes últimos anos (2,6 mil milhões de smartphones em 2015, estando previsto que serão mais de seis mil milhões em 2020) significa que a oportunidade para explorar vulnerabilidades também cresceu de modo dramático. E muitos destes telemóveis têm sistemas operativos e aplicações já desactualizados.” 

“Às vezes as actualizações não estão acessíveis porque os fabricantes se recusam a manter o produto por mais tempo, obrigando as pessoas a usar dispositivos inseguros ou a pagar outra vez pelo último aparelho incrivelmente caro.” (...) 

E há pouco empenho em garantir a segurança da “Internet das Coisas”, que projecta conectar com a Internet tudo, desde as lâmpadas, chaleiras e cobertores eléctricos até aos chuveiros e aos carros. 

“Ninguém está interessado em vigiar-me”  -  é o argumento de muitos de nós, quando consideramos excessivo e quase “paranóico” o colega do lado, que tem um auto-colante em cima da câmara do seu computador portátil. Mas o autor que citamos diz: 

“Somos sempre objecto de interesse para alguém. Uma coisa que sabemos é que está a crescer um mercado negro de ferramentas de uso fácil, que atacam sistemas para terem acesso às suas câmaras, e fotografias que são tiradas por elas, totalmente à revelia dos seus utentes. Imagens de natureza voyeur estão a ser tiradas por webcams em toda a parte, com websites totalmente dedicados à sua divulgação.” (...) 

“Portanto: pode uma agência do governo ligar, literalmente, qualquer câmara à sua escolha, sem o conhecimento do dono? Esta pergunta divide-se em três: há uma alta probabilidade de que essa agência tenha a capacidade de o fazer, será que tem o tempo para o fazer, e achamos nós que o governo tem essa motivação? Com muita frequência, a resposta a todas estas perguntas é: sim.” (...)

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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