Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
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Pode o “Big Brother” vigiar-nos com os nossos próprios dispositivos?

A segurança digital é difícil e as nossas defesas são fracas. As fundações computorizadas das nossas sociedades modernas são frágeis. “Mesmo as ‘novas’ tecnologias são vulneráveis. Estamos a instalar microfones e câmaras de vigilância conectados com a Internet (por outras palavras, sempre ligados) nas nossas casas, nos nossos televisores, nos nossos ‘assistentes pessoais’ e nas nossas consolas de jogos.” É sabido, nos meios tecnológicos, que a câmara de um computador ou smartphone pode ser ligada à distância por qualquer atacante que tenha os recursos, o tempo e a motivação para o fazer. Esta reflexão é de Ed Geraghty, especialista em tecnologia e segurança na Privacy Internacional, uma ONG britânica de defesa da privacidade.

O artigo começa por recordar alguns dos ataques globais por vírus informáticos, como o HeartBleed, “com potencial de impacto sobre a grande maioria dos servidores web em todo o mundo, por muito actualizados e altamente seguros que os seus operadores procurem mantê-los”. (...) 

“A rápida divulgação de dispositivos pessoais nestes últimos anos (2,6 mil milhões de smartphones em 2015, estando previsto que serão mais de seis mil milhões em 2020) significa que a oportunidade para explorar vulnerabilidades também cresceu de modo dramático. E muitos destes telemóveis têm sistemas operativos e aplicações já desactualizados.” 

“Às vezes as actualizações não estão acessíveis porque os fabricantes se recusam a manter o produto por mais tempo, obrigando as pessoas a usar dispositivos inseguros ou a pagar outra vez pelo último aparelho incrivelmente caro.” (...) 

E há pouco empenho em garantir a segurança da “Internet das Coisas”, que projecta conectar com a Internet tudo, desde as lâmpadas, chaleiras e cobertores eléctricos até aos chuveiros e aos carros. 

“Ninguém está interessado em vigiar-me”  -  é o argumento de muitos de nós, quando consideramos excessivo e quase “paranóico” o colega do lado, que tem um auto-colante em cima da câmara do seu computador portátil. Mas o autor que citamos diz: 

“Somos sempre objecto de interesse para alguém. Uma coisa que sabemos é que está a crescer um mercado negro de ferramentas de uso fácil, que atacam sistemas para terem acesso às suas câmaras, e fotografias que são tiradas por elas, totalmente à revelia dos seus utentes. Imagens de natureza voyeur estão a ser tiradas por webcams em toda a parte, com websites totalmente dedicados à sua divulgação.” (...) 

“Portanto: pode uma agência do governo ligar, literalmente, qualquer câmara à sua escolha, sem o conhecimento do dono? Esta pergunta divide-se em três: há uma alta probabilidade de que essa agência tenha a capacidade de o fazer, será que tem o tempo para o fazer, e achamos nós que o governo tem essa motivação? Com muita frequência, a resposta a todas estas perguntas é: sim.” (...)

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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