Sexta-feira, 20 de Setembro, 2019
Opinião

A credibilidade do jornalismo como “moeda de troca”

por Dinis de Abreu

Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado noutro espaço deste site.

A credibilidade é um bem difícil  de adquirir nos media , mas que se perde num instante,  se não houver o rigor e o amor à verdade, que deveriam ser, em permanência, a cartilha profissional de  qualquer jornalista.

Infelizmente, a realidade é outra,  com prejuízo da qualidade  do jornalismo que tem vindo a ser praticado.

A cedência do papel ao digital não é um fenómeno novo nem exclusivamente português. Sobejam os exemplos em outros países, da Europa aos Estados Unidos, de jornais consagrados com história, que estão a definhar, contabilizando perdas face à  diminuição das vendas  e à quebra no investimento publicitário.

Mas o que se observa, também,  é que não faltam os casos de diários que estão a contornar a crise, através de soluções ágeis, combinando as edições em papel e online com um jornalismo mais informado e explicativo, indo ao encontro de um público mais exigente.

A Imprensa, como acontece tantas vezes em Portugal, não pode limitar-se a ser um eco  daquilo que as televisões já trataram exaustivamente na véspera ou de que há abundante informação na Internet.

Falta ao  jornalismo, não raramente,  um genuíno espírito de  serviço público, sem perder de vista que a independência convive mal com os défices  de exploração e ainda menos com o umbigo de quem assina.

Depois, o jornalismo não poderá fica cativo das redes sociais, nem os jornalistas  agarrados obsessivamente à Internet, embora seja nesta que , a par de muito lixo, estão a despontar novos projectos, alguns deles com apreciável  qualidade.

São media independentes, exteriores às empresas editoriais clássicas, e que apostam na proximidade com os leitores  e no valor económico que representa a verdade.

É possível que o jornal em suporte de papel adquira, ainda  neste século, um estatuto de “produto gourmet”, reservado a nichos de mercado, que não se contentam com a “espuma dos dias”, precisando de quem os saiba motivar para a reflexão prospectiva.

O distanciamento assumido perante os poderes estabelecidos  contribuirá também para reforçar a autoridade e influência junto dos consumidores. E estes saberão recompensar essa aposta na liberdade descomprometida.

A imprensa portuguesa  em declínio, seja de âmbito nacional ou regional,não é apenas vítima da evolução tecnológica.Também é vítima do seu autismo e isolamento diante da realidade.

Houve tempo em que o leitor esperava pelo jornal. Esse tempo esgotou-se . Se o jornal não recuperar a confiança do leitor estará condenado. Tenha pergaminhos centenários. Ou seja um recém-chegado. A credibilidade do jornalismo é a chave que faz falta. E a verdadeira “moeda de troca”.

Connosco
Jornalismo deve unir experiência à aptidão tecnológica dos jovens Ver galeria

Há muitos profissionais seniores  que foram afastados  das redacções nos últimos anos, mas os mais jovens, recém saídos das universidades, não foram também poupados.

Se  juntarmos a experiência dos antigos repórteres com a facilidade dos mais jovens no manejo das  novas tecnologias, teremos a receita ideal para assegurar a cobertura jornalística adequada a um preço baixo.

A crise de emprego exige organização, e  não se pode deixar escapar nenhuma oportunidade   oferecida   a quem queira  continuar na profissão,  como defende Carlos Wagner, no artigo publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o  CPI mantêm um acordo de parceria.
Segundo o autor, já não é possível encontrar um emprego fixo nas redacções dos grandes jornais, rádios ou televisões. Por isso,  exige-se aos mais jovens  que criem o seu próprio emprego.

Seis conselhos para abordar o jornalismo de soluções Ver galeria

Os editores  são essenciais para a orientação das redacções  no quadro de  um jornalismo de soluções. Podem influenciar a mentalidade dos jornalistas responsáveis, a ponto de mantê-los motivados e orientados para alcançar   objectivos comuns.

Num trabalho publicado pela Fundação Gabo,  elaborado com base na   Rede de Periodismo de Soluciones, são apresentadas seis directrizes, para acompanhar os jornalistas na transição.

O primeiro tópico, trata da escolha dos líderes nas redacções, onde é salientada a importância de existir uma figura forte que possa inspirar, mobilizar e manter o foco da equipa.

No segundo tópico, chama à atenção para a criação de novos hábitos de modo a não dar margem a desvios, mesmo perante a pressão de notícias de última hora.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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