null, 26 de Maio, 2019
Opinião

A credibilidade do jornalismo como “moeda de troca”

por Dinis de Abreu

Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado noutro espaço deste site.

A credibilidade é um bem difícil  de adquirir nos media , mas que se perde num instante,  se não houver o rigor e o amor à verdade, que deveriam ser, em permanência, a cartilha profissional de  qualquer jornalista.

Infelizmente, a realidade é outra,  com prejuízo da qualidade  do jornalismo que tem vindo a ser praticado.

A cedência do papel ao digital não é um fenómeno novo nem exclusivamente português. Sobejam os exemplos em outros países, da Europa aos Estados Unidos, de jornais consagrados com história, que estão a definhar, contabilizando perdas face à  diminuição das vendas  e à quebra no investimento publicitário.

Mas o que se observa, também,  é que não faltam os casos de diários que estão a contornar a crise, através de soluções ágeis, combinando as edições em papel e online com um jornalismo mais informado e explicativo, indo ao encontro de um público mais exigente.

A Imprensa, como acontece tantas vezes em Portugal, não pode limitar-se a ser um eco  daquilo que as televisões já trataram exaustivamente na véspera ou de que há abundante informação na Internet.

Falta ao  jornalismo, não raramente,  um genuíno espírito de  serviço público, sem perder de vista que a independência convive mal com os défices  de exploração e ainda menos com o umbigo de quem assina.

Depois, o jornalismo não poderá fica cativo das redes sociais, nem os jornalistas  agarrados obsessivamente à Internet, embora seja nesta que , a par de muito lixo, estão a despontar novos projectos, alguns deles com apreciável  qualidade.

São media independentes, exteriores às empresas editoriais clássicas, e que apostam na proximidade com os leitores  e no valor económico que representa a verdade.

É possível que o jornal em suporte de papel adquira, ainda  neste século, um estatuto de “produto gourmet”, reservado a nichos de mercado, que não se contentam com a “espuma dos dias”, precisando de quem os saiba motivar para a reflexão prospectiva.

O distanciamento assumido perante os poderes estabelecidos  contribuirá também para reforçar a autoridade e influência junto dos consumidores. E estes saberão recompensar essa aposta na liberdade descomprometida.

A imprensa portuguesa  em declínio, seja de âmbito nacional ou regional,não é apenas vítima da evolução tecnológica.Também é vítima do seu autismo e isolamento diante da realidade.

Houve tempo em que o leitor esperava pelo jornal. Esse tempo esgotou-se . Se o jornal não recuperar a confiança do leitor estará condenado. Tenha pergaminhos centenários. Ou seja um recém-chegado. A credibilidade do jornalismo é a chave que faz falta. E a verdadeira “moeda de troca”.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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