Sexta-feira, 20 de Abril, 2018
Opinião

A credibilidade do jornalismo como “moeda de troca”

por Dinis de Abreu

Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado noutro espaço deste site.

A credibilidade é um bem difícil  de adquirir nos media , mas que se perde num instante,  se não houver o rigor e o amor à verdade, que deveriam ser, em permanência, a cartilha profissional de  qualquer jornalista.

Infelizmente, a realidade é outra,  com prejuízo da qualidade  do jornalismo que tem vindo a ser praticado.

A cedência do papel ao digital não é um fenómeno novo nem exclusivamente português. Sobejam os exemplos em outros países, da Europa aos Estados Unidos, de jornais consagrados com história, que estão a definhar, contabilizando perdas face à  diminuição das vendas  e à quebra no investimento publicitário.

Mas o que se observa, também,  é que não faltam os casos de diários que estão a contornar a crise, através de soluções ágeis, combinando as edições em papel e online com um jornalismo mais informado e explicativo, indo ao encontro de um público mais exigente.

A Imprensa, como acontece tantas vezes em Portugal, não pode limitar-se a ser um eco  daquilo que as televisões já trataram exaustivamente na véspera ou de que há abundante informação na Internet.

Falta ao  jornalismo, não raramente,  um genuíno espírito de  serviço público, sem perder de vista que a independência convive mal com os défices  de exploração e ainda menos com o umbigo de quem assina.

Depois, o jornalismo não poderá fica cativo das redes sociais, nem os jornalistas  agarrados obsessivamente à Internet, embora seja nesta que , a par de muito lixo, estão a despontar novos projectos, alguns deles com apreciável  qualidade.

São media independentes, exteriores às empresas editoriais clássicas, e que apostam na proximidade com os leitores  e no valor económico que representa a verdade.

É possível que o jornal em suporte de papel adquira, ainda  neste século, um estatuto de “produto gourmet”, reservado a nichos de mercado, que não se contentam com a “espuma dos dias”, precisando de quem os saiba motivar para a reflexão prospectiva.

O distanciamento assumido perante os poderes estabelecidos  contribuirá também para reforçar a autoridade e influência junto dos consumidores. E estes saberão recompensar essa aposta na liberdade descomprometida.

A imprensa portuguesa  em declínio, seja de âmbito nacional ou regional,não é apenas vítima da evolução tecnológica.Também é vítima do seu autismo e isolamento diante da realidade.

Houve tempo em que o leitor esperava pelo jornal. Esse tempo esgotou-se . Se o jornal não recuperar a confiança do leitor estará condenado. Tenha pergaminhos centenários. Ou seja um recém-chegado. A credibilidade do jornalismo é a chave que faz falta. E a verdadeira “moeda de troca”.

Connosco
Organização recupera “Histórias Proibidas” de jornalistas assassinados Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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