null, 20 de Outubro, 2019
Media

Governo turco exerce controlo completo sobre 90% dos Media

Confirma-se a aquisição, pelo milionário Erdogan Demirören  -  próximo do Presidente Recep Erdogan -  da holding Dogan, o maior grupo de Imprensa na Turquia e o único que ainda não estava sob a alçada do governo. A partir de agora, “90% dos media do país estão nas mãos do executivo”  - afirma a jornalista Ayrsenur Arslan, antiga colaboradora. O representante dos Repórteres sem Fronteiras na Turquia, Erol Önderoglu, define o que está a acontecer como “a morte do pluralismo e do jornalismo independente no seio da grande Imprensa na Turquia”.
“Na aproximação das eleições gerais de 2019, o poder do governo sobre os media é agora completo. Enquanto uma repressão sem precedentes se abate sobre a sociedade civil e a oposição, só resta um punhado de jornais de fraca tiragem para fazer ouvir algo que não seja a propaganda oficial”  - afirmou ainda Önderoglu. 

Segundo Le Monde, “no seguimento de negociações discretas, o grupo Demirören, presente na energia, na construção e no turismo, adquiriu por 1,1 biliões de dólares (890 milhões de euros) os diários Hürriyet, Posta e Fanatik, bem como a agência de Imprensa Dogan e as cadeias de televisão KanalD e CNN-Türk; de acordo com o site de informação T24, para consumar a aquisição, a holding de Demirören beneficiou de um crédito proveniente de um consórcio bancário, incluindo a empresa pública Ziraat Bank”.

 

Depois de ter dominado a cena mediática turca durante 40 anos, o milionário Aydin Dogan, fundador do grupo com o seu nome, despediu-se no dia 22 de Março. 

“Tenho 81 anos. Neste ponto decidi, por mim próprio, cessar a minha actividade nos media”  - declarou num discurso de adeus aos seus empregados. Ao insistir na natureza voluntária da venda, o magnata contava, visivelmente, silenciar os boatos segundo os quais teria finalmente cedido os seus activos por pressão do governo.”

 

Do outro lado, o Cumhüriyet, “um jornal de centro-esquerda, considerado de referência, viu o seu director e metade dos seus jornalistas serem presos e acusados ao abrigo do estado de emergência e de uma lei contra o terrorismo que a União Europeia e outras entidades dizem não cumprir os requisitos do Estado de direito”. 

“Juntamente com outros jornais de esquerda, como o Evrensel e o BirGun, não chegam a vender 45 mil exemplares diariamente”  - disse à Deutsche Welle Christian Mihr, também dos RSF

Segundo o Público, que aqui citamos, “após a venda, 21 dos 29 diários turcos serão controlados por empresas que apoiam Erdogan”. 

“O grupo Dogan foi multado em 2,5 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em 2009 por não ter pago impostos – algo que foi visto na altura como uma tentativa de forçar o grupo a calar críticas a Erdogan.” 

O seu proprietário, Aydin Dogan, “foi na altura obrigado a vender os jornais Milliyet e Vatan à Demirören – uma holding que tem como principais interesses a energia, a construção e o turismo. Os dois jornais tornaram-se fervorosos apoiantes de Erdogan depois de terem sido vendidos”.  

Mais informação em  The Guardian  e Repórteres sem Fronteiras

Connosco
Mudança de algoritmo no “Facebook” afecta imprensa “millennial” Ver galeria

Entre 2006 e 2016, os meios de comunicação, como a imprensa, a rádio e a televisão, perderam público com menos de 35 anos.

A imprensa perdeu 59% dos seus leitores nessa faixa etária.

Segundo o relatório DigitalNewsReport.es, publicado pela Universidade de Navarra, em 2018, os millennials espanhóis consumiam notícias online a partir de três fontes principais: televisão, sites ou aplicações de jornais e redes sociais ou blogs.

O facto de um terço da informação recebida por estes jovens ter origem em redes sociais afecta o circuito de informação.

Ao analisar os seus hábitos de consumo identificaram-se dois fenómenos específicos: que os millennials consomem notícias de forma “acidental”ou indirecta e que partilham mais conteúdos do que publicam.

Devido a essas novas tendências no consumo, surgiram vários medias direccionados para os millennials.

Inicialmente, esses meiosalcançaram milhões de visualizações, mas, em 2016, o Facebook alterou o seu algoritmo e muitas dessas organizações perderam a visibilidade e acabaram por fechar.

O jornalista Francisco Rouco analisou essas alterações, e o seu impacto, num artigo publicado no siteCuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Comunidade jornalística favorece a rede social “Twitter” Ver galeria

O Twitter é uma plataforma bastante utilizada na comunidade jornalística.

Segundo um estudo do Pew Research Center, 71% dos utilizadores dessa rede usam-na para se manterem a par das notícias, o que faz com que seja a plataforma que atrai as pessoas mais interessadas nesse tipo de conteúdos.

Apesar de parecer uma plataforma com números positivos para a imprensa, os media utilizam-na, maioritariamente, para gerar tráfico nos seus sites, em vez de recorrerem a uma estratégia para comunicar conteúdos próprios e personalizados para essa rede.

O impacto do Twitter no tráfego dos sites é bastante reduzido, representando apenas cerca de 3% do tráfego total.

Mas isso significa que os media devem circunscrever os esforços e os recursos dedicados à plataforma ou devem adaptar a sua comunicação?

Com base no Relatório de Impacto e Conteúdos de imprensa no Twitter durante 2018, Francesc Pujol realizou uma análise centrada na presença dos media espanhóis nessa rede, que procurará esclarecer o impacto da mesma.

O artigo foi publicado no siteCuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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Nov
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19
Nov
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Nov