null, 26 de Maio, 2019
Media

Governo turco exerce controlo completo sobre 90% dos Media

Confirma-se a aquisição, pelo milionário Erdogan Demirören  -  próximo do Presidente Recep Erdogan -  da holding Dogan, o maior grupo de Imprensa na Turquia e o único que ainda não estava sob a alçada do governo. A partir de agora, “90% dos media do país estão nas mãos do executivo”  - afirma a jornalista Ayrsenur Arslan, antiga colaboradora. O representante dos Repórteres sem Fronteiras na Turquia, Erol Önderoglu, define o que está a acontecer como “a morte do pluralismo e do jornalismo independente no seio da grande Imprensa na Turquia”.
“Na aproximação das eleições gerais de 2019, o poder do governo sobre os media é agora completo. Enquanto uma repressão sem precedentes se abate sobre a sociedade civil e a oposição, só resta um punhado de jornais de fraca tiragem para fazer ouvir algo que não seja a propaganda oficial”  - afirmou ainda Önderoglu. 

Segundo Le Monde, “no seguimento de negociações discretas, o grupo Demirören, presente na energia, na construção e no turismo, adquiriu por 1,1 biliões de dólares (890 milhões de euros) os diários Hürriyet, Posta e Fanatik, bem como a agência de Imprensa Dogan e as cadeias de televisão KanalD e CNN-Türk; de acordo com o site de informação T24, para consumar a aquisição, a holding de Demirören beneficiou de um crédito proveniente de um consórcio bancário, incluindo a empresa pública Ziraat Bank”.

 

Depois de ter dominado a cena mediática turca durante 40 anos, o milionário Aydin Dogan, fundador do grupo com o seu nome, despediu-se no dia 22 de Março. 

“Tenho 81 anos. Neste ponto decidi, por mim próprio, cessar a minha actividade nos media”  - declarou num discurso de adeus aos seus empregados. Ao insistir na natureza voluntária da venda, o magnata contava, visivelmente, silenciar os boatos segundo os quais teria finalmente cedido os seus activos por pressão do governo.”

 

Do outro lado, o Cumhüriyet, “um jornal de centro-esquerda, considerado de referência, viu o seu director e metade dos seus jornalistas serem presos e acusados ao abrigo do estado de emergência e de uma lei contra o terrorismo que a União Europeia e outras entidades dizem não cumprir os requisitos do Estado de direito”. 

“Juntamente com outros jornais de esquerda, como o Evrensel e o BirGun, não chegam a vender 45 mil exemplares diariamente”  - disse à Deutsche Welle Christian Mihr, também dos RSF

Segundo o Público, que aqui citamos, “após a venda, 21 dos 29 diários turcos serão controlados por empresas que apoiam Erdogan”. 

“O grupo Dogan foi multado em 2,5 mil milhões de dólares (2,03 mil milhões de euros) em 2009 por não ter pago impostos – algo que foi visto na altura como uma tentativa de forçar o grupo a calar críticas a Erdogan.” 

O seu proprietário, Aydin Dogan, “foi na altura obrigado a vender os jornais Milliyet e Vatan à Demirören – uma holding que tem como principais interesses a energia, a construção e o turismo. Os dois jornais tornaram-se fervorosos apoiantes de Erdogan depois de terem sido vendidos”.  

Mais informação em  The Guardian  e Repórteres sem Fronteiras

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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