Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
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Organização recupera “Histórias Proibidas” de jornalistas assassinados

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Richard Laurent trabalhava numa porta ao lado do Charlie Hebdo e foi a primeira pessoa a entrar, logo a seguir ao atentado terrorista que vitimou doze jornalistas, em 2015. A experiência foi traumática, mas também o motivou no sentido de um comprometimento em relação ao trabalho dos jornalistas que são mortos. Com dois outros repórteres franceses, Jules Giraudat e Rémi Labed, lançou o projecto em Setembro de 2017. 

Segundo o texto da International Journalists’ Network, que aqui citamos, “a missão de Forbidden Stories vai em três direcções: chamar a atenção para os trabalhos de jornalistas que são presos ou mortos, por meio de pequenos vídeos; proteger os documentos e as fontes de jornalistas de investigação que estão a trabalhar em temas delicados: e produzir investigações próprias, colaborativas, de longa duração  - a primeira das quais é este Projecto Daphne”. 

Já existem, no site de Forbidden Stories, três pequenos vídeos sobre o trabalho de jornalistas mexicanos mortos em 2017.

Jornalistas que tenham motivo para recearem pela sua segurança, ou estejam preocupados quanto à capacidade de completarem a sua investigação, têm modos de enviar as suas mensagens e material para a Forbidden Stories, usando circuitos encriptados. 

Os trabalhos do Projecto Daphne já estão a ser publicados em Le Monde, The Times of Malta, The Guardian e outros jornais.

“Estou muito impressionado pelo empenhamento e a qualidade do trabalho de todos os parceiros envolvidos” – afirma Laurent Richard. “Temos mesmo de acreditar neste modo de derrotar a censura.”  

 

 

O artigo citado, na International Journalists’ Network,  e mais informação no Observador  e em The Guardian.
O site de Forbidden Stories.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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