Sexta-feira, 6 de Dezembro, 2019
Media

Milionários dos EUA compram jornais com destinos diferentes

Um livro recente, “The Return of the Moguls”, faz uma reflexão oportuna sobre a tendência, nos EUA, no sentido da aquisição de jornais em dificuldades por magnatas com fortuna feita noutras áreas que não a da Imprensa. O autor, Dan Kennedy, partiu para esta obra da observação do que ocorreu numa semana de Agosto de 2013, quando se soube que o financeiro bilionário John Henry (principal detentor do clube Boston Red Sox) estava em processo de compra de The Boston Globe;  que Jeff Bezos, fundador e dono da Amazon, estava a comprar The Washington Post à família Graham;  e, last but not the least, que o jovem empresário Aaron Kushner, que no ano anterior tinha adquirido The Orange County Register, estava a esforçar-se por revigorar a sua edição impressa. O livro faz a leitura comparada dos resultados diferentes destes empreendimentos de três “muito diferentes” proprietários ricos de jornais. Um artigo de J. Botelho Tomé, no site do CPI, conta também estas histórias e refere outros casos semelhantes.

“Nem sempre basta o dinheiro para salvar uma empresa à deriva. Os multimilionários John Henry, Jeff Bezos e Aaron Kushner conseguiram dar um importante impulso económico a três meios de comunicação, mas a sua capacidade de gestão foi o que marcou o rumo destas empresas.” 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “num dos momentos mais críticos em toda a história da Imprensa, os multimilionários levantavam-se como os salvadores da indústria”. (...)

Num artigo de apresentação do seu próprio livro, Dan Kennedy, docente de Jornalismo na Northeastern University em Boston, conta que “todos três apareceram durante os últimos suspiros da era do jornalismo digital grátis”: 

“Durante mais de duas décadas, os empresários dos jornais tinham mantido a esperança de conseguirem fazer a transição para a Internet fornecendo um jornalismo de acesso livre, pago pela publicidade”. 

“Mas em 2013 estava a tornar-se claro que talvez isso nunca viesse a acontecer. A visão de uma abundância de recursos proveniente de publicidade multimédia para os jornais digitais tinha dado lugar à realidade da Craigslist, Google e Facebook.” (...) 

A experiência de Aaron Kushner parece ter sido a mais ambiciosa, à partida, e foi também a que teve uma queda mais brusca. Nos meses seguintes à aquisição de The Orange County Register ele chegou quase a duplicar o número dos jornalistas e expandiu-se, a nível local, com o lançamento de The Long Beach Register e The Los Angeles Register, além de comprar também The Press Enterprise of Riverside

Como resume Media-tics, “os novos diários não funcionaram bem e acabou por fechá-los, enquanto The Orange County Register teve várias vagas de despedimentos; em 2015, Kushner acabou por renunciar às suas funções executivas na Freedom Communications”. Foi criticado por muitos, mas John Tamny, na Forbes, cumprimenta-o por ter tentado e reconhece que “o fracasso traz consigo informação”  - um aviso que pode ser útil a outros. 

Segundo Dan Kennedy, ainda é cedo para fazer o veredicto da experiência de John Henry como proprietário de The Boston Globe. Nem tudo tem corrido bem mas, sendo o diário generalista que cobra mais por uma assinatura digital (30 dólares por mês), está a passar de mais dos 100 mil leitores fiéis nesta primeira metade do ano. 

“Se o jornalismo sustentado pelos leitores é o futuro do negócio dos jornais, então talvez The Globe esteja no caminho da sustentabilidade.” (...) 

Na expressão de Media-tics, Jeff Bezos “é o grande vencedor deste triunvirato”. Isto deve-se, segundo Dan Kennedy, à localização do Post na capital da nação, que Bezos soube aproveitar fazendo dele um jornal digital que concorre directamente com The New York Times, às sinergias com a Amazon e ao facto de ter herdado, com a redacção, uma “talentosa equipa de tecnologia” à qual deu todos os recurso de que precisava. 

O artigo de Media-tics, que cita o de Dan Kennedy em Poynter.org  - cuja imagem, dos três "magnatas", aqui incluímos

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
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Dia nacional da imprensa - 1º Dia
15:30 @ Auditório ISCAC Coimbra Business School
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Dia nacional da imprensa
09:30 @ Auditório ISCAC Coimbra Business School
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Colóquio - A Batalha: 100 anos
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31
Dez