Quarta-feira, 17 de Outubro, 2018
Media

Magnata da Imprensa nos EUA defende "integridade jornalística"

O multimilionário Patrick Soon-Shiong, que investiu 500 milhões de dólares na compra de Los Angeles Times, The San Diego Union-Tribune e o jornal californiano Hoy (de língua espanhola), afirma que tem o propósito de os projectar para um impacto nacional e mesmo mundial. Parece pedir muito a três meios de comunicação regionais, ainda por cima saídos da tutela de outro Estado: o dono anterior era o grupo Tronc, de Chicago. Mas Soon Shiong (médico sul-africano de origem chinesa, hoje também cidadão dos EUA), com experiência de homem de negócios noutros ramos, garante ser capaz de conciliar o seu respeito pela identidade dos jornais  - sobretudo Los Angeles Times – para o conduzir ao patamar de concorrente directo de The New York Times e The Washington Post.

“Sou muito competitivo”  - afirma. -  “E seremos competitivos com The New York Times e The Washington Post. Evidentemente, neste momento estamos um ou dois anos atrás deles. Mas não vai levar muito tempo, espero bem, a sermos tão competitivos e reconhecidos, já não só como um jornal regional mas sim um jornal nacional e, desejavelmente, internacional.” (...) 

O projecto parece atrevido, mas, para Soon-Shiong, ultrapassar o domínio da costa Leste não é só uma ambição no terreno da indústria da Imprensa, mas uma espécia de vocação da Califórnia: 

“Penso que nós [o LA Times] somos realmente  - podemos ser e devemos ser -  a voz da Califórnia, a voz da [costa] Oeste e, finalmente, a voz da nação. Acho que não há lugar como a Califórnia  -  se olharem só para Los Angeles, por exemplo, podia ser a capital desportiva da nação, com dois clubes de baseball, dois de futebol [americano] e dois de futebol [soccer, no original]. É a capital da nação em termos do entretenimento, e depois há a inovação... À medida que cresce a oportunidade, eu penso que nós somos unicamente Californianos e unicamente West Coast.” (...) 

Em entrevista à NPR – National Public Radio, aqui citada de Media-tics, Soon-Shiong declara que ainda põe a hipótese de comprar os restantes activos do grupo Tronc, incluindo o Chicago Tribune, The Baltimore Sun, The New York Daily News e outros meios regionais. “Disse ainda que primeiro quer deslindar muitas das apregoadas iniciativas digitais do grupo Tronc e fazer novos investimentos prometedores, em vez dos cortes constantes a que o jornal da costa Oeste foi submetido pelos seus anteriores proprietários.” (...) 

Segundo informação datada de Janeiro de 2017  - e mencionada nesta entrevista -  Soon-Shiong ainda teve contactos com a Administração Trump sobre a possibilidade de ocupar um lugar na área da saúde pública, mas isso não sucedeu. Já o tinha feito junto da anterior, a de Barack Obama e Joe Biden, tendo feito parte de um painel de consultores do vice-Presidente.

É citada uma declaração sua de 2014, segundo a qual “os fundamentos e intenção do Affordable Care Act (de Obama) são louváveis, mas o modo como está a ser posto em prática é  desastroso”. 

A distância que marca em relação à política de Trump para os media é mais clara. Segundo afirma, ao adquirir estes jornais deseja que “o leitor acredite que o que está a ser relatado como notícia é verdadeiro”: 

“Acho realmente que as fake news são o cancro dos nossos tempos, e a ideia do que são é, tristemente, que há o lado bom da tecnologia e o seu lado escuro. Com as redes sociais, a capacidade de espalhar informação ou desinformação é muito perigosa.” 

“A força de organizações como o LA Times, The New York Times, The Washington Post, é esta integridade jornalística e força jornalística, certo? Penso que o poder da reportagem de investigação deve ser capacitado para que tenhamos verdade, tanto para falar ao poder, como também em termos de inspiração e daquilo a que chamo falar em nome do povo.” 

“É parte desta actividade e do papel dos jornais. É parte da liberdade da democracia, e da liberdade de Imprensa, garantir que a verdade seja conhecida. Tendo dito isto, é também importante que sejamos conhecidos pelo equilíbrio, significando que não deve haver uma ‘agenda’ [parcialidade] num ou noutro sentido, para além de uma perspectiva de a reportagem ser completamente verdadeira e com a máxima integridade. E sem qualquer interferência dos proprietários  - completa independência da integridade jornalística.” (...) 

A terminar a entrevista, afirma Soon-Shiong: 

“Não desejo ter qualquer papel ou influência sobre qualquer coisa que escrevam a meu respeito... E aceito isso completamente. Convido todos os jornalistas a escreverem o que desejarem sobre nós, seja bom ou mau. A única coisa que peço, seja a meu respeito ou de qualquer outra pessoa, é que sejam correctos, o que significa que escrevam informação honesta e verdadeira.” (...)

 

O artigo de Media-tics e a entrevista na íntegra, na National Public Radio.

Mais informação sobre os novos magnatas da Imprensa nos EUA e o artigo de J. Botelho Tomé sobre Patrick Soon-Shiong

Connosco
Jornalistas e “bloggers”: as diferenças que contam Ver galeria

Podem os blogs ser considerados meios de comunicação? E os que escrevem neles regularmente, com propósito informativo, podem ser chamados jornalistas? Em última instância: até que ponto são, realmente, diferentes uns dos outros?

Entre todas as questões colocadas ao jornalismo pela Internet, e dada a crescente popularidade das redes sociais, estas foram consideradas suficientemente importantes para merecerem uma observação mais rigorosa. Dois investigadores da Universidade de Ciências Aplicadas Ostfalia, na Alemanha, fizeram um inquérito junto de 936 jornalistas profissionais e de 463 bloggers fazendo trabalho noticioso, incluindo ainda 156 utentes da Net.

As diferenças entre uns e outros ficaram mais claras, mas as semelhanças também. E ficou a conclusão de que os bloggers não são, no futuro próximo, verdadeiramente rivais dos jornalistas  - a não ser em determinados campos de reportagem, como a moda, viagens, ou a tecnologia.

Comprova faz “verificação de factos” entre os Media brasileiros Ver galeria

Designa-se Projecto Comprova e é o mais recente site de verificação de factos no Brasil, tendo recebido acima de 47 mil pedidos de verificação desde o seu lançamento, em Agosto. Na primeira semana esclareceu seis histórias, número que subiu para seis histórias por dia, à medida que se aproximava a última semana antes da primeira volta das presidenciais. Alessandra Monnerat, que trabalha no Estadão Verifica, a equipa com a mesma função n’O Estado de São Paulo, admite que vai subir ainda muito mais até à segunda volta, em 28 de Outubro.

O Comprova, que serve uma aliança de 24 redacções brasileiras, é acompanhado neste esforço por outras associações que já estavam no terreno, como a Pública, a Agência Lupa e Aos Fatos. Estas duas últimas desmascararam um vídeo divulgado pela InfoWars (dos EUA), que mostrava uma máquina de voto electrónico, no Brasil, lançando automaticamente votos do candidato de esquerda, de cada vez que o botão era premido. A informação é da Columbia Journalism Review e do Instituto Poynter.
O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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