Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Magnata da Imprensa nos EUA defende "integridade jornalística"

O multimilionário Patrick Soon-Shiong, que investiu 500 milhões de dólares na compra de Los Angeles Times, The San Diego Union-Tribune e o jornal californiano Hoy (de língua espanhola), afirma que tem o propósito de os projectar para um impacto nacional e mesmo mundial. Parece pedir muito a três meios de comunicação regionais, ainda por cima saídos da tutela de outro Estado: o dono anterior era o grupo Tronc, de Chicago. Mas Soon Shiong (médico sul-africano de origem chinesa, hoje também cidadão dos EUA), com experiência de homem de negócios noutros ramos, garante ser capaz de conciliar o seu respeito pela identidade dos jornais  - sobretudo Los Angeles Times – para o conduzir ao patamar de concorrente directo de The New York Times e The Washington Post.

“Sou muito competitivo”  - afirma. -  “E seremos competitivos com The New York Times e The Washington Post. Evidentemente, neste momento estamos um ou dois anos atrás deles. Mas não vai levar muito tempo, espero bem, a sermos tão competitivos e reconhecidos, já não só como um jornal regional mas sim um jornal nacional e, desejavelmente, internacional.” (...) 

O projecto parece atrevido, mas, para Soon-Shiong, ultrapassar o domínio da costa Leste não é só uma ambição no terreno da indústria da Imprensa, mas uma espécia de vocação da Califórnia: 

“Penso que nós [o LA Times] somos realmente  - podemos ser e devemos ser -  a voz da Califórnia, a voz da [costa] Oeste e, finalmente, a voz da nação. Acho que não há lugar como a Califórnia  -  se olharem só para Los Angeles, por exemplo, podia ser a capital desportiva da nação, com dois clubes de baseball, dois de futebol [americano] e dois de futebol [soccer, no original]. É a capital da nação em termos do entretenimento, e depois há a inovação... À medida que cresce a oportunidade, eu penso que nós somos unicamente Californianos e unicamente West Coast.” (...) 

Em entrevista à NPR – National Public Radio, aqui citada de Media-tics, Soon-Shiong declara que ainda põe a hipótese de comprar os restantes activos do grupo Tronc, incluindo o Chicago Tribune, The Baltimore Sun, The New York Daily News e outros meios regionais. “Disse ainda que primeiro quer deslindar muitas das apregoadas iniciativas digitais do grupo Tronc e fazer novos investimentos prometedores, em vez dos cortes constantes a que o jornal da costa Oeste foi submetido pelos seus anteriores proprietários.” (...) 

Segundo informação datada de Janeiro de 2017  - e mencionada nesta entrevista -  Soon-Shiong ainda teve contactos com a Administração Trump sobre a possibilidade de ocupar um lugar na área da saúde pública, mas isso não sucedeu. Já o tinha feito junto da anterior, a de Barack Obama e Joe Biden, tendo feito parte de um painel de consultores do vice-Presidente.

É citada uma declaração sua de 2014, segundo a qual “os fundamentos e intenção do Affordable Care Act (de Obama) são louváveis, mas o modo como está a ser posto em prática é  desastroso”. 

A distância que marca em relação à política de Trump para os media é mais clara. Segundo afirma, ao adquirir estes jornais deseja que “o leitor acredite que o que está a ser relatado como notícia é verdadeiro”: 

“Acho realmente que as fake news são o cancro dos nossos tempos, e a ideia do que são é, tristemente, que há o lado bom da tecnologia e o seu lado escuro. Com as redes sociais, a capacidade de espalhar informação ou desinformação é muito perigosa.” 

“A força de organizações como o LA Times, The New York Times, The Washington Post, é esta integridade jornalística e força jornalística, certo? Penso que o poder da reportagem de investigação deve ser capacitado para que tenhamos verdade, tanto para falar ao poder, como também em termos de inspiração e daquilo a que chamo falar em nome do povo.” 

“É parte desta actividade e do papel dos jornais. É parte da liberdade da democracia, e da liberdade de Imprensa, garantir que a verdade seja conhecida. Tendo dito isto, é também importante que sejamos conhecidos pelo equilíbrio, significando que não deve haver uma ‘agenda’ [parcialidade] num ou noutro sentido, para além de uma perspectiva de a reportagem ser completamente verdadeira e com a máxima integridade. E sem qualquer interferência dos proprietários  - completa independência da integridade jornalística.” (...) 

A terminar a entrevista, afirma Soon-Shiong: 

“Não desejo ter qualquer papel ou influência sobre qualquer coisa que escrevam a meu respeito... E aceito isso completamente. Convido todos os jornalistas a escreverem o que desejarem sobre nós, seja bom ou mau. A única coisa que peço, seja a meu respeito ou de qualquer outra pessoa, é que sejam correctos, o que significa que escrevam informação honesta e verdadeira.” (...)

 

O artigo de Media-tics e a entrevista na íntegra, na National Public Radio.

Mais informação sobre os novos magnatas da Imprensa nos EUA e o artigo de J. Botelho Tomé sobre Patrick Soon-Shiong

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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