null, 21 de Abril, 2019
Media

Magnata da Imprensa nos EUA defende "integridade jornalística"

O multimilionário Patrick Soon-Shiong, que investiu 500 milhões de dólares na compra de Los Angeles Times, The San Diego Union-Tribune e o jornal californiano Hoy (de língua espanhola), afirma que tem o propósito de os projectar para um impacto nacional e mesmo mundial. Parece pedir muito a três meios de comunicação regionais, ainda por cima saídos da tutela de outro Estado: o dono anterior era o grupo Tronc, de Chicago. Mas Soon Shiong (médico sul-africano de origem chinesa, hoje também cidadão dos EUA), com experiência de homem de negócios noutros ramos, garante ser capaz de conciliar o seu respeito pela identidade dos jornais  - sobretudo Los Angeles Times – para o conduzir ao patamar de concorrente directo de The New York Times e The Washington Post.

“Sou muito competitivo”  - afirma. -  “E seremos competitivos com The New York Times e The Washington Post. Evidentemente, neste momento estamos um ou dois anos atrás deles. Mas não vai levar muito tempo, espero bem, a sermos tão competitivos e reconhecidos, já não só como um jornal regional mas sim um jornal nacional e, desejavelmente, internacional.” (...) 

O projecto parece atrevido, mas, para Soon-Shiong, ultrapassar o domínio da costa Leste não é só uma ambição no terreno da indústria da Imprensa, mas uma espécia de vocação da Califórnia: 

“Penso que nós [o LA Times] somos realmente  - podemos ser e devemos ser -  a voz da Califórnia, a voz da [costa] Oeste e, finalmente, a voz da nação. Acho que não há lugar como a Califórnia  -  se olharem só para Los Angeles, por exemplo, podia ser a capital desportiva da nação, com dois clubes de baseball, dois de futebol [americano] e dois de futebol [soccer, no original]. É a capital da nação em termos do entretenimento, e depois há a inovação... À medida que cresce a oportunidade, eu penso que nós somos unicamente Californianos e unicamente West Coast.” (...) 

Em entrevista à NPR – National Public Radio, aqui citada de Media-tics, Soon-Shiong declara que ainda põe a hipótese de comprar os restantes activos do grupo Tronc, incluindo o Chicago Tribune, The Baltimore Sun, The New York Daily News e outros meios regionais. “Disse ainda que primeiro quer deslindar muitas das apregoadas iniciativas digitais do grupo Tronc e fazer novos investimentos prometedores, em vez dos cortes constantes a que o jornal da costa Oeste foi submetido pelos seus anteriores proprietários.” (...) 

Segundo informação datada de Janeiro de 2017  - e mencionada nesta entrevista -  Soon-Shiong ainda teve contactos com a Administração Trump sobre a possibilidade de ocupar um lugar na área da saúde pública, mas isso não sucedeu. Já o tinha feito junto da anterior, a de Barack Obama e Joe Biden, tendo feito parte de um painel de consultores do vice-Presidente.

É citada uma declaração sua de 2014, segundo a qual “os fundamentos e intenção do Affordable Care Act (de Obama) são louváveis, mas o modo como está a ser posto em prática é  desastroso”. 

A distância que marca em relação à política de Trump para os media é mais clara. Segundo afirma, ao adquirir estes jornais deseja que “o leitor acredite que o que está a ser relatado como notícia é verdadeiro”: 

“Acho realmente que as fake news são o cancro dos nossos tempos, e a ideia do que são é, tristemente, que há o lado bom da tecnologia e o seu lado escuro. Com as redes sociais, a capacidade de espalhar informação ou desinformação é muito perigosa.” 

“A força de organizações como o LA Times, The New York Times, The Washington Post, é esta integridade jornalística e força jornalística, certo? Penso que o poder da reportagem de investigação deve ser capacitado para que tenhamos verdade, tanto para falar ao poder, como também em termos de inspiração e daquilo a que chamo falar em nome do povo.” 

“É parte desta actividade e do papel dos jornais. É parte da liberdade da democracia, e da liberdade de Imprensa, garantir que a verdade seja conhecida. Tendo dito isto, é também importante que sejamos conhecidos pelo equilíbrio, significando que não deve haver uma ‘agenda’ [parcialidade] num ou noutro sentido, para além de uma perspectiva de a reportagem ser completamente verdadeira e com a máxima integridade. E sem qualquer interferência dos proprietários  - completa independência da integridade jornalística.” (...) 

A terminar a entrevista, afirma Soon-Shiong: 

“Não desejo ter qualquer papel ou influência sobre qualquer coisa que escrevam a meu respeito... E aceito isso completamente. Convido todos os jornalistas a escreverem o que desejarem sobre nós, seja bom ou mau. A única coisa que peço, seja a meu respeito ou de qualquer outra pessoa, é que sejam correctos, o que significa que escrevam informação honesta e verdadeira.” (...)

 

O artigo de Media-tics e a entrevista na íntegra, na National Public Radio.

Mais informação sobre os novos magnatas da Imprensa nos EUA e o artigo de J. Botelho Tomé sobre Patrick Soon-Shiong

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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