Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

O jornal em papel tem razões para continuar por cá...

O jornal impresso tem sobrevivido às previsões de extinção e, em determinadas áreas, continua a ser o formato preferido. “Provou ser mais resiliente do que se pensava”  - afirma Mark Beare, director da agência de marketing The Publishing Partnership, na Cidade do Cabo. “Acho que houve, há três ou quatro anos, uma ‘correcção exagerada’, em que se julgou que tudo tinha de ser digital e que o impresso não tinha hipótese de sobrevivência.”
A partir deste ponto, a jornalista Aisling McCarthy assina, em MediaUpdate, uma breve reflexão sobre “Quatro razões pelas quais o papel ainda por cá continua”.

A autora começa por dizer que as pessoas gostam da relação com o material impresso:

“Embora o digital pareça oferecer uma quantidade de benefícios, como o de ser imediatamente ajustável, de acesso livre e interactivo, o jornal impresso continua muito enraizado na memória colectiva dos consumidores. Isto significa que as pessoas continuam a ser atraídas, e desejam ler os media em papel, sejam eles jornais ou revistas, folhetos ou catálogos.” (...)

Citando novamente Mark Beare, “são mais acessíveis fisicamente”; são um meio “muito persuasivo, onde as pessoas tendem a ficar por mais tempo, fazendo dele uma fonte mais forte de mensagem”.

A segunda razão é o desenvolvimento desta: o jornal impresso estimula mais sentidos.

“Uma qualidade exclusiva do jornal em papel, e que o digital nunca terá, é o de ser tangível”. Os consumidores gostam de folhear uma revista, sentir o papel, distinguir a sua densidade e composição. Também o seu cheiro faz parte da experiência total da leitura em papel. 

“Informação complexa é mais bem absorvida quando lida no impresso, em vez de no digital, porque as pessoas precisam de se colocar no texto quando procuram ideias complexas.” (...) 

“Muitas vezes, quando se lê qualquer coisa de uma revista, ou de um livro, lembramo-nos do sítio exacto, na página física, onde estava quando a vimos  - se era a dois terços, ou a meio da página”  - diz Beare. 

Em terceiro lugar, há diferentes tipos de meios impressos  - jornais, revistas, folhetos -  cada um com a sua própria audiência e vocação. “As notícias online e os jornais impressos desempenham funções diferentes. As fontes online são usadas para nos manter actualizados com os títulos de última hora, enquanto os jornais são o espaço para a reportagem em profundidade, a sátira e a análise.” 

“As revistas continuam a vender  - embora muitas tenham uma combinação de presenças impressa e digital. As revistas impressas continuam a ser dominadas por conteúdos de entretenimento, e muitas vezes com a versão digital a conduzir as pessoas a comprarem a cópia impressa.” (...) 

Finalmente, o jornal impresso oferece uma coisa que o digital não tem: “uma experiência ininterrupta de leitura”  - e assim cativa os leitores. 

“Isto significa que não há distracções para o leitor que quer acabar o seu artigo. Quando começa a lê-lo, não há bocados de outras notícias, de vídeos automáticos ou de pop-ups a invadirem o foco do artigo.” 

“Significa que toda a atenção do leitor é orientada para aquele conteúdo específico, o que garante maior envolvimento com a marca, visto que o leitor vai sentir mais o seu impacto e recordá-lo a longo prazo.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, no NiemanLab. Ler também, em Le Monde, "La presse papier est une réalité durable..."

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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