Sexta-feira, 20 de Setembro, 2019
Media

O jornal em papel tem razões para continuar por cá...

O jornal impresso tem sobrevivido às previsões de extinção e, em determinadas áreas, continua a ser o formato preferido. “Provou ser mais resiliente do que se pensava”  - afirma Mark Beare, director da agência de marketing The Publishing Partnership, na Cidade do Cabo. “Acho que houve, há três ou quatro anos, uma ‘correcção exagerada’, em que se julgou que tudo tinha de ser digital e que o impresso não tinha hipótese de sobrevivência.”
A partir deste ponto, a jornalista Aisling McCarthy assina, em MediaUpdate, uma breve reflexão sobre “Quatro razões pelas quais o papel ainda por cá continua”.

A autora começa por dizer que as pessoas gostam da relação com o material impresso:

“Embora o digital pareça oferecer uma quantidade de benefícios, como o de ser imediatamente ajustável, de acesso livre e interactivo, o jornal impresso continua muito enraizado na memória colectiva dos consumidores. Isto significa que as pessoas continuam a ser atraídas, e desejam ler os media em papel, sejam eles jornais ou revistas, folhetos ou catálogos.” (...)

Citando novamente Mark Beare, “são mais acessíveis fisicamente”; são um meio “muito persuasivo, onde as pessoas tendem a ficar por mais tempo, fazendo dele uma fonte mais forte de mensagem”.

A segunda razão é o desenvolvimento desta: o jornal impresso estimula mais sentidos.

“Uma qualidade exclusiva do jornal em papel, e que o digital nunca terá, é o de ser tangível”. Os consumidores gostam de folhear uma revista, sentir o papel, distinguir a sua densidade e composição. Também o seu cheiro faz parte da experiência total da leitura em papel. 

“Informação complexa é mais bem absorvida quando lida no impresso, em vez de no digital, porque as pessoas precisam de se colocar no texto quando procuram ideias complexas.” (...) 

“Muitas vezes, quando se lê qualquer coisa de uma revista, ou de um livro, lembramo-nos do sítio exacto, na página física, onde estava quando a vimos  - se era a dois terços, ou a meio da página”  - diz Beare. 

Em terceiro lugar, há diferentes tipos de meios impressos  - jornais, revistas, folhetos -  cada um com a sua própria audiência e vocação. “As notícias online e os jornais impressos desempenham funções diferentes. As fontes online são usadas para nos manter actualizados com os títulos de última hora, enquanto os jornais são o espaço para a reportagem em profundidade, a sátira e a análise.” 

“As revistas continuam a vender  - embora muitas tenham uma combinação de presenças impressa e digital. As revistas impressas continuam a ser dominadas por conteúdos de entretenimento, e muitas vezes com a versão digital a conduzir as pessoas a comprarem a cópia impressa.” (...) 

Finalmente, o jornal impresso oferece uma coisa que o digital não tem: “uma experiência ininterrupta de leitura”  - e assim cativa os leitores. 

“Isto significa que não há distracções para o leitor que quer acabar o seu artigo. Quando começa a lê-lo, não há bocados de outras notícias, de vídeos automáticos ou de pop-ups a invadirem o foco do artigo.” 

“Significa que toda a atenção do leitor é orientada para aquele conteúdo específico, o que garante maior envolvimento com a marca, visto que o leitor vai sentir mais o seu impacto e recordá-lo a longo prazo.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, no NiemanLab. Ler também, em Le Monde, "La presse papier est une réalité durable..."

Connosco
Jornalismo deve unir experiência à aptidão tecnológica dos jovens Ver galeria

Há muitos profissionais seniores  que foram afastados  das redacções nos últimos anos, mas os mais jovens, recém saídos das universidades, não foram também poupados.

Se  juntarmos a experiência dos antigos repórteres com a facilidade dos mais jovens no manejo das  novas tecnologias, teremos a receita ideal para assegurar a cobertura jornalística adequada a um preço baixo.

A crise de emprego exige organização, e  não se pode deixar escapar nenhuma oportunidade   oferecida   a quem queira  continuar na profissão,  como defende Carlos Wagner, no artigo publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o  CPI mantêm um acordo de parceria.
Segundo o autor, já não é possível encontrar um emprego fixo nas redacções dos grandes jornais, rádios ou televisões. Por isso,  exige-se aos mais jovens  que criem o seu próprio emprego.

Seis conselhos para abordar o jornalismo de soluções Ver galeria

Os editores  são essenciais para a orientação das redacções  no quadro de  um jornalismo de soluções. Podem influenciar a mentalidade dos jornalistas responsáveis, a ponto de mantê-los motivados e orientados para alcançar   objectivos comuns.

Num trabalho publicado pela Fundação Gabo,  elaborado com base na   Rede de Periodismo de Soluciones, são apresentadas seis directrizes, para acompanhar os jornalistas na transição.

O primeiro tópico, trata da escolha dos líderes nas redacções, onde é salientada a importância de existir uma figura forte que possa inspirar, mobilizar e manter o foco da equipa.

No segundo tópico, chama à atenção para a criação de novos hábitos de modo a não dar margem a desvios, mesmo perante a pressão de notícias de última hora.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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