Quarta-feira, 25 de Dezembro, 2019
Media

O jornal em papel tem razões para continuar por cá...

O jornal impresso tem sobrevivido às previsões de extinção e, em determinadas áreas, continua a ser o formato preferido. “Provou ser mais resiliente do que se pensava”  - afirma Mark Beare, director da agência de marketing The Publishing Partnership, na Cidade do Cabo. “Acho que houve, há três ou quatro anos, uma ‘correcção exagerada’, em que se julgou que tudo tinha de ser digital e que o impresso não tinha hipótese de sobrevivência.”
A partir deste ponto, a jornalista Aisling McCarthy assina, em MediaUpdate, uma breve reflexão sobre “Quatro razões pelas quais o papel ainda por cá continua”.

A autora começa por dizer que as pessoas gostam da relação com o material impresso:

“Embora o digital pareça oferecer uma quantidade de benefícios, como o de ser imediatamente ajustável, de acesso livre e interactivo, o jornal impresso continua muito enraizado na memória colectiva dos consumidores. Isto significa que as pessoas continuam a ser atraídas, e desejam ler os media em papel, sejam eles jornais ou revistas, folhetos ou catálogos.” (...)

Citando novamente Mark Beare, “são mais acessíveis fisicamente”; são um meio “muito persuasivo, onde as pessoas tendem a ficar por mais tempo, fazendo dele uma fonte mais forte de mensagem”.

A segunda razão é o desenvolvimento desta: o jornal impresso estimula mais sentidos.

“Uma qualidade exclusiva do jornal em papel, e que o digital nunca terá, é o de ser tangível”. Os consumidores gostam de folhear uma revista, sentir o papel, distinguir a sua densidade e composição. Também o seu cheiro faz parte da experiência total da leitura em papel. 

“Informação complexa é mais bem absorvida quando lida no impresso, em vez de no digital, porque as pessoas precisam de se colocar no texto quando procuram ideias complexas.” (...) 

“Muitas vezes, quando se lê qualquer coisa de uma revista, ou de um livro, lembramo-nos do sítio exacto, na página física, onde estava quando a vimos  - se era a dois terços, ou a meio da página”  - diz Beare. 

Em terceiro lugar, há diferentes tipos de meios impressos  - jornais, revistas, folhetos -  cada um com a sua própria audiência e vocação. “As notícias online e os jornais impressos desempenham funções diferentes. As fontes online são usadas para nos manter actualizados com os títulos de última hora, enquanto os jornais são o espaço para a reportagem em profundidade, a sátira e a análise.” 

“As revistas continuam a vender  - embora muitas tenham uma combinação de presenças impressa e digital. As revistas impressas continuam a ser dominadas por conteúdos de entretenimento, e muitas vezes com a versão digital a conduzir as pessoas a comprarem a cópia impressa.” (...) 

Finalmente, o jornal impresso oferece uma coisa que o digital não tem: “uma experiência ininterrupta de leitura”  - e assim cativa os leitores. 

“Isto significa que não há distracções para o leitor que quer acabar o seu artigo. Quando começa a lê-lo, não há bocados de outras notícias, de vídeos automáticos ou de pop-ups a invadirem o foco do artigo.” 

“Significa que toda a atenção do leitor é orientada para aquele conteúdo específico, o que garante maior envolvimento com a marca, visto que o leitor vai sentir mais o seu impacto e recordá-lo a longo prazo.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, no NiemanLab. Ler também, em Le Monde, "La presse papier est une réalité durable..."

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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