Terça-feira, 7 de Julho, 2020
Media

O jornal em papel tem razões para continuar por cá...

O jornal impresso tem sobrevivido às previsões de extinção e, em determinadas áreas, continua a ser o formato preferido. “Provou ser mais resiliente do que se pensava”  - afirma Mark Beare, director da agência de marketing The Publishing Partnership, na Cidade do Cabo. “Acho que houve, há três ou quatro anos, uma ‘correcção exagerada’, em que se julgou que tudo tinha de ser digital e que o impresso não tinha hipótese de sobrevivência.”
A partir deste ponto, a jornalista Aisling McCarthy assina, em MediaUpdate, uma breve reflexão sobre “Quatro razões pelas quais o papel ainda por cá continua”.

A autora começa por dizer que as pessoas gostam da relação com o material impresso:

“Embora o digital pareça oferecer uma quantidade de benefícios, como o de ser imediatamente ajustável, de acesso livre e interactivo, o jornal impresso continua muito enraizado na memória colectiva dos consumidores. Isto significa que as pessoas continuam a ser atraídas, e desejam ler os media em papel, sejam eles jornais ou revistas, folhetos ou catálogos.” (...)

Citando novamente Mark Beare, “são mais acessíveis fisicamente”; são um meio “muito persuasivo, onde as pessoas tendem a ficar por mais tempo, fazendo dele uma fonte mais forte de mensagem”.

A segunda razão é o desenvolvimento desta: o jornal impresso estimula mais sentidos.

“Uma qualidade exclusiva do jornal em papel, e que o digital nunca terá, é o de ser tangível”. Os consumidores gostam de folhear uma revista, sentir o papel, distinguir a sua densidade e composição. Também o seu cheiro faz parte da experiência total da leitura em papel. 

“Informação complexa é mais bem absorvida quando lida no impresso, em vez de no digital, porque as pessoas precisam de se colocar no texto quando procuram ideias complexas.” (...) 

“Muitas vezes, quando se lê qualquer coisa de uma revista, ou de um livro, lembramo-nos do sítio exacto, na página física, onde estava quando a vimos  - se era a dois terços, ou a meio da página”  - diz Beare. 

Em terceiro lugar, há diferentes tipos de meios impressos  - jornais, revistas, folhetos -  cada um com a sua própria audiência e vocação. “As notícias online e os jornais impressos desempenham funções diferentes. As fontes online são usadas para nos manter actualizados com os títulos de última hora, enquanto os jornais são o espaço para a reportagem em profundidade, a sátira e a análise.” 

“As revistas continuam a vender  - embora muitas tenham uma combinação de presenças impressa e digital. As revistas impressas continuam a ser dominadas por conteúdos de entretenimento, e muitas vezes com a versão digital a conduzir as pessoas a comprarem a cópia impressa.” (...) 

Finalmente, o jornal impresso oferece uma coisa que o digital não tem: “uma experiência ininterrupta de leitura”  - e assim cativa os leitores. 

“Isto significa que não há distracções para o leitor que quer acabar o seu artigo. Quando começa a lê-lo, não há bocados de outras notícias, de vídeos automáticos ou de pop-ups a invadirem o foco do artigo.” 

“Significa que toda a atenção do leitor é orientada para aquele conteúdo específico, o que garante maior envolvimento com a marca, visto que o leitor vai sentir mais o seu impacto e recordá-lo a longo prazo.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, no NiemanLab. Ler também, em Le Monde, "La presse papier est une réalité durable..."

Connosco
Jornalismo no Brasil está numa encruzilhada com pandemia Ver galeria

A cobertura jornalística da pandemia, no Brasil, está a chegar a uma encruzilhada, já que se começa a testemunhar uma profunda alteração na relação entre os jornalistas e os cidadãos, afirmou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Castilho, na actual fase do combate ao covid-19, a preocupação com a forma de noticiar dados, factos e eventos sobre a pandemia é crucial para que o público participe da luta contra o vírus. Contudo, de nada adianta divulgar números, se os cidadãos não alterarem a sua atitude perante a evolução do vírus. 

Assim, os jornalistas deparam-se com o dilema de continuar a informar, imparcialmente, ou de se juntarem a uma “corrente de activismo”, que promove causas sem renegar os elementos que definem uma notícia, como a exactidão, relevância, pertinência, confiabilidade e transparência. 

Até porque, sem estes dados, a notícia não é confiável e pode induzir os leitores a tomar decisões de risco.

Segundo o autor, a opção pelo activismo decorre de uma ampla diversificação na ecologia informativa, provocada pela digitalização e pela internet. Com a massificação de notícias, o mais importante passou a ser a contextualização.


Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague