Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

Perspectivas para o jornal impresso na próxima década

Os editores dos jornais impressos “carregam agora uma mochila de duas décadas de aventura digital, e estão a dois anos de chegar à barreira que o mundo tecnológico marcou como o necessário antes e depois  - 2020”. Muitos dos editores, “animados pela controvérsia das fake news”, admitem que o futuro ainda pode estar “cheio de oportunidades, mesmo para o papel”. A revista mensal Editor & Publisher reuniu um grupo de editores dos EUA para que, à luz do relatório publicado em 2017 por The New York Times, no qual explicava os seus próprios planos para 2020, estes dissessem agora de sua justiça. Os editores consultados não trazem uma proposta muito diferente, “mas o que contam é revelador”. É esta a reflexão inicial de um texto publicado em Media-tics, sobre a próxima década da Imprensa.

“Se há uma palavra que todos eles repetem, é ‘qualidade’. E uma das razões está no modelo de negócio que reune consenso como possível salvador desta indústria: as assinaturas pagas. Não estão a inventar a roda, porque toda a vida se pagou para ler jornais e só nas últimas duas décadas é que se divulgou de graça um produto que custa tanto a fazer.” 

“O êxito dos nossos jornais vai depender de como fizermos bem o nosso compromisso de proporcionar conteúdo ‘imprescindível’ aos nossos leitores”  - explica Mark Adams, o director executivo do Adams Publishing Group

“Também significa investir constantemente na nossa redacção e na tecnologia, de modo a que as pessoas estejam dispostas a pagar por conteúdo de alta qualidade, único, abundante e criador de hábitos”  - acrescenta. (...) 

“Entre as receitas para encarar com êxito a próxima década, os editores consultados, para além da qualidade, citam conceitos como a aposta na tecnologia, sem deixar de lado o negócio em papel, a melhoria do tratamento multi-plataforma dos conteúdos e a reafirmação do jornalismo local como ferramenta para criar envolvimento com os leitores.” (...) 

A má experiência tida com as redes sociais, que trazem no mesmo saco tanto os que fazem jornalismo como os que o torpedeiam com mentiras, leva agora os editores a preferirem outras formas de contacto directo com os leitores. 

“As newsletters são um formato que está no auge em quase todos os grandes editores, que o exploram pela facilidade do seu funcionamento e pelos resultados positivos que geralmente trazem. Chegar directamente à porta de entrada do correio electrónico dos leitores é o mais parecido com aparecer no seu mural de Facebook ou na sua timeline do Twitter, com a diferença de que, com uma newsletter, quem dispõe do utente e dos dados de navegação é o meio de comunicação.” (...) 

“Nesta demanda da emancipação dos media também se inclui reverter algumas das medidas tomadas durante a crise económica: é necessário recuperar as redacções, voltar a apostar em jornalistas bem formados, investir na produção de conteúdos de qualidade que façam a diferença e retomar o controlo de áreas de negócio que foram deixadas nas mãos de terceiros para poupar despesa.” 

“Algumas funções da nossa operação diária foram subcontratadas”  - reconhece Nadie McBride, presidente e editora do Norwich Bulletin. “Vejo nisto uma debilidade” – adverte. (...)

 

O artigo citado, na íntegra, em Media-tics,  e a notícia da Editor & Publisher, cuja imagem aqui incluimos.

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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