Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

França prepara reforma da distribuição de Imprensa em papel

O mercado de venda ao público, em França, dos jornais e revistas em papel, pode ser submetido a uma reforma radical, incluindo a revogação da lei que rege o sector desde o final da II Guerra e a passagem para uma nova autoridade de regulação.
Estas propostas fazem parte de um relatório que Marc Schwartz, conselheiro do Tribunal de Contas, entregou à Ministra da Cultura, Françoise Nyssen. O objectivo é reanimar o referido mercado de venda por exemplar, nos quiosques públicos, que se encontra em declínio estrutural desde há uma quinzena de anos, por efeito da expansão da Internet.

“É preciso travar imediatamente o enfraquecimento da rede e dotá-la de um quadro legislativo mais adequado”  - afirma Schwartz -  com a preocupação de “conciliar o pluralismo, a diversidade e a eficácia económica.” 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, o relatório é radical nas suas propostas: 

“Basicamente, ele verifica uma grande inflação do número de títulos distribuídos, uma espécie de ‘engarrafamento’ nas extremidades, que prejudica a atractividade dos postos de venda e contribui para acelelerar a descida estrutural das vendas de jornais e revistas em papel. Os clientes afastam-se, e é necessário fazê-los voltar.” (...) 

Menos títulos poderiam beneficiar a logística  - “apenas os títulos de informação política e generalista (nomeadamente todos os diários e as news magazines) e uma lista exacta de títulos definidos por critérios a determinar de modo mais restrito do que agora. Haveria, assim, perdedores que não poderiam beneficiar, no futuro, de um ‘direito de acesso garantido’.” (...) 

“Restringindo, por um lado, as condições de admissão a ser distribuído, e devolvendo, pelo outro, mais poder aos vendedores de jornais, que poderiam escolher os títulos e as quantidades entregues, e instalar-se mais livremente, a futura lei estaria em condições de dar um novo sopro a um sector em grande dificuldade.” (...) 

“Este relatório, para cuja elaboração os autores consultaram 70 actores de toda a cadeia do sector (autoridades reguladoras, serviços de mensagem, editores, depositários, retalhistas, sindicatos) contém um ante-projecto de lei que poderá ser discutido no Parlamento na próxima sessão.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, em Le Figaro.  Mais informação em Le Monde.

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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