Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

França prepara reforma da distribuição de Imprensa em papel

O mercado de venda ao público, em França, dos jornais e revistas em papel, pode ser submetido a uma reforma radical, incluindo a revogação da lei que rege o sector desde o final da II Guerra e a passagem para uma nova autoridade de regulação.
Estas propostas fazem parte de um relatório que Marc Schwartz, conselheiro do Tribunal de Contas, entregou à Ministra da Cultura, Françoise Nyssen. O objectivo é reanimar o referido mercado de venda por exemplar, nos quiosques públicos, que se encontra em declínio estrutural desde há uma quinzena de anos, por efeito da expansão da Internet.

“É preciso travar imediatamente o enfraquecimento da rede e dotá-la de um quadro legislativo mais adequado”  - afirma Schwartz -  com a preocupação de “conciliar o pluralismo, a diversidade e a eficácia económica.” 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, o relatório é radical nas suas propostas: 

“Basicamente, ele verifica uma grande inflação do número de títulos distribuídos, uma espécie de ‘engarrafamento’ nas extremidades, que prejudica a atractividade dos postos de venda e contribui para acelelerar a descida estrutural das vendas de jornais e revistas em papel. Os clientes afastam-se, e é necessário fazê-los voltar.” (...) 

Menos títulos poderiam beneficiar a logística  - “apenas os títulos de informação política e generalista (nomeadamente todos os diários e as news magazines) e uma lista exacta de títulos definidos por critérios a determinar de modo mais restrito do que agora. Haveria, assim, perdedores que não poderiam beneficiar, no futuro, de um ‘direito de acesso garantido’.” (...) 

“Restringindo, por um lado, as condições de admissão a ser distribuído, e devolvendo, pelo outro, mais poder aos vendedores de jornais, que poderiam escolher os títulos e as quantidades entregues, e instalar-se mais livremente, a futura lei estaria em condições de dar um novo sopro a um sector em grande dificuldade.” (...) 

“Este relatório, para cuja elaboração os autores consultaram 70 actores de toda a cadeia do sector (autoridades reguladoras, serviços de mensagem, editores, depositários, retalhistas, sindicatos) contém um ante-projecto de lei que poderá ser discutido no Parlamento na próxima sessão.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra, em Le Figaro.  Mais informação em Le Monde.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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