Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

"T-shirts" sobre "fake news" foram retiradas do Newseum

Newseum, o Museu do Jornalismo, na capital dos Estados Unidos, tinha à venda, na sua loja de recordações (além dos bonés com o slogan Make America Great Again), camisolas com a legenda estampada You are very fake news. Questionada sobre este facto, a directora de relações públicas da instituição respondeu que, “sendo uma organização não partidária, pessoas de diferentes pontos de vista sentem-se confortáveis quando visitam o Newseum, e uma das nossas qualidades é a de sermos defensores, não só de uma Imprensa livre, como de um discurso livre”. Mas um jornalista, membro da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, esteve no local, viu as t-shirts com a legenda sobre as fake news e comentou que “é muito inadequado vender este material contra a Imprensa num museu que celebra a nossa actividade”.
No sábado, 4 de Agosto, uma mensagem no site da instituição declarava que as referidas t-shirts deixavam de estar à venda e pedia desculpa pelo erro cometido.

Além de t-shirts sobre John Kennedy e Benjamim Franklin, os bonés com o slogan acima referido e as t-shirts sobre as fake news são as únicas peças de vestuário referentes a uma figura política específica na loja do Newseum, embora haja outros artigos de conteúdo político, na forma de pins de lapela e livros. Há uma t-shirt sobre os “factos alternativos” que os define como “afirmação falsa, produzida com o intuito deliberado de desinformar ou enganar”. 

O jornalista acima citado, que desejou permanecer anónimo, disse ainda que o Newseum não devia vender nenhuma espécie de mercadoria com conteúdo político, e que a camisola sobre as fake news “é um insulto aos jornalistas”. 

Conforme vem explícito no seu próprio site, a missão do Newseum é “aumentar a compreensão pública da importância de uma Imprensa livre e da Primeira Emenda”.


A mensagem do dia 4 acrescenta que "uma Imprensa livre é parte essencial da nossa democracia e os jornalistas não são o inimigo do povo". Mas mantêm-se à venda "slogans e imagens presidenciais, anteriores ou actuais, e produtos de todos os partidos políticos", em nome da "liberdade de expressão"  -  segundo o press release do Newseum.

 

Mais informação no artigo citado, em Poynter.org

Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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