null, 21 de Abril, 2019
Media

"T-shirts" sobre "fake news" foram retiradas do Newseum

Newseum, o Museu do Jornalismo, na capital dos Estados Unidos, tinha à venda, na sua loja de recordações (além dos bonés com o slogan Make America Great Again), camisolas com a legenda estampada You are very fake news. Questionada sobre este facto, a directora de relações públicas da instituição respondeu que, “sendo uma organização não partidária, pessoas de diferentes pontos de vista sentem-se confortáveis quando visitam o Newseum, e uma das nossas qualidades é a de sermos defensores, não só de uma Imprensa livre, como de um discurso livre”. Mas um jornalista, membro da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, esteve no local, viu as t-shirts com a legenda sobre as fake news e comentou que “é muito inadequado vender este material contra a Imprensa num museu que celebra a nossa actividade”.
No sábado, 4 de Agosto, uma mensagem no site da instituição declarava que as referidas t-shirts deixavam de estar à venda e pedia desculpa pelo erro cometido.

Além de t-shirts sobre John Kennedy e Benjamim Franklin, os bonés com o slogan acima referido e as t-shirts sobre as fake news são as únicas peças de vestuário referentes a uma figura política específica na loja do Newseum, embora haja outros artigos de conteúdo político, na forma de pins de lapela e livros. Há uma t-shirt sobre os “factos alternativos” que os define como “afirmação falsa, produzida com o intuito deliberado de desinformar ou enganar”. 

O jornalista acima citado, que desejou permanecer anónimo, disse ainda que o Newseum não devia vender nenhuma espécie de mercadoria com conteúdo político, e que a camisola sobre as fake news “é um insulto aos jornalistas”. 

Conforme vem explícito no seu próprio site, a missão do Newseum é “aumentar a compreensão pública da importância de uma Imprensa livre e da Primeira Emenda”.


A mensagem do dia 4 acrescenta que "uma Imprensa livre é parte essencial da nossa democracia e os jornalistas não são o inimigo do povo". Mas mantêm-se à venda "slogans e imagens presidenciais, anteriores ou actuais, e produtos de todos os partidos políticos", em nome da "liberdade de expressão"  -  segundo o press release do Newseum.

 

Mais informação no artigo citado, em Poynter.org

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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