Quinta-feira, 27 de Fevereiro, 2020
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Debate sobre Direitos de Autor continua até voto final em Janeiro

O texto da proposta de Directiva sobre Direitos de Autor, agora aprovado pelo Parlamento Europeu por 438 votos a favor, 226 contra e 39 abstenções, vai continuar a ser discutido e voltará ao plenário em Janeiro. O processo que o trouxe até aqui foi cheio de polémicas, que estão longe de ficar apaziguadas. Os protagonistas interessados mantêm-se em posições de conflito e são, basicamente, as plataformas tecnológicas, sobretudo dos EUA, as indústrias de conteúdos, na Europa, e os grupos de utilizadores e activistas “que defendem a maximização das liberdades individuais na Internet”.

As questões mais debatidas, nem sempre com conhecimento exacto de causa, são as tratadas nos artigos 13 (“filtros de conteúdos”) e 11 (sobre as “taxas” pelos links), que foram retocados para passarem neste texto final.

Segundo a reportagem do Público de domingo, 23 de Setembro, “os representantes dos autores congratularam-se com uma vitória sobre as grandes plataformas de Internet e vêem assim mais próxima a possibilidade de cobrar a empresas como o Google e o YouTube”. 

“Por seu lado, as multinacionais, para as quais a directiva implicará mais responsabilidades e custos, dizem que os legisladores europeus estão a criar uma Internet menos livre. São queixas que surgem numa altura em que a União tem apertado a malha regulatória, com multas pesadas por questões de concorrência.” 

“Por fim, uma grande facção de críticos protesta contra o que considera ser uma limitação da liberdade dos utilizadores em prol das indústrias de conteúdos. Entre estes, estão académicos, figuras de peso na história da Internet e vários políticos, de que um dos rostos mais visíveis é Júlia Reda, eurodeputada do Partido Pirata Alemão.” 

As questões de fundo são as da responsabilidade pelo tráfego que passa na Internet, do justo destino das receitas geradas pelas plataformas e da própria viabilidade (ou utilização contraproducente) das tecnologias sugeridas para filtragem de conteúdos ilícitos. 

Há nesta matéria debates que ficam desactualizados à medida que a própria Internet se desenvolve, e perigos que só se tornam visíveis quando já parecem incontroláveis. 

A respeito da chamada “taxa pelos links”, Patrícia Akester, da sociedade Sérvulo, especialista em direitos de autor, afirma que a versão agora aprovada do artigo 11 “não afecta os utilizadores”:

“No meio de tudo isto, já temos uma coisa que se chama direito de autor. Há muitas regras instituídas que separam o que é protegido do que não é. O que o Parlamento fez foi colocar alguns esclarecimentos. Mas há coisas que nunca serão uma violação de direitos de autor.” (...)

 

 

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Connosco
"Boston Globe" aceitou alargar licença familiar para jornalistas Ver galeria

O mundo profissional está mais competitivo e, não poucas vezes, coloca barreiras àqueles que pretendam conjugar a vida familiar com a profissional. A licenças de maternidade e paternidade são reduzidas e os profissionais vêem-se, por vezes, obrigados a abdicar da carreira para poderem acompanhar o crescimento dos filhos.

Este panorama não é estranho aos jornalistas dos “Boston Globe” que, durante dois anos, lutaram para que a licença paga se estendesse além das seis semanas. Depois, à semelhança do que acontece em muitos outros grupos de imprensa, a licença não era aplicada de forma igualitária entre pais, mães e parentes adoptivos. 

O projecto arrancou no Verão de 2017, quando um grupo de jornalistas começou a procurar aliados. No início do Outono desse ano, o “Comité da Licença”, já tinha contactado 300 funcionários do Grupo detentor do “Boston”.

Plataforma promove "relação analógica" com os leitores Ver galeria

O livro “1984”, de George Orwell, foi publicado em 1949, mas está mais actual do que nunca. A ideia de que um “big brother” nos vigia é, agora, muito real, com plataformas “online” a desenvolverem algoritmos intrusivos, que recolhem dados sobre as preferências dos leitores, sem o seu consentimento.  


Foi com o ideal da privacidade em mente que os jornalistas Julia Angwin e Jeff Larson criaram a “Markup”, uma redacção sem fins lucrativos que investiga o uso da tecnologia para promover mudanças na sociedade.


No seu estatuto editorial, a publicação comprometeu-se a lutar pela privacidade aos leitores, garantido uma recolha mínima de informações pessoais, que serão mantidas em sigilo. As investigações dependem, de igual forma, de doações de informação, que permitem construir bases de dados de forma ética. O “Markup” quer, acima de tudo, criar uma relação “analógica” com os seus visitantes, numa época em que o contacto entre repórteres e leitores se estabelece digitalmente.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...