Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Três jornalistas turcos vítimas de "linchamento judiciário" para os RSF

Três dos mais famosos jornalistas turcos detidos  - os dois irmãos Ahmet e Mehemet Altan, e a escritora e ex-deputada Nazli Ilicak, foram agora condenados, pelo Tribunal regional de Istambul, a prisão perpétua agravada  - o que significa em isolamento. A acusação é de terem tentado “derrubar a ordem constitucional”, tendo o procurador especificado que Ahmet Altan tinha passado “mensagens subliminares” aos responsáveis pelo golpe falhado de Julho de 2016.

O secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, denuncia esta sentença como um “autêntico linchamento judiciário”, acrescentando que “a comunidade internacional deve redobrar esforços para pôr fim à arbitrariedade total que prevalece na Turquia”. Há um último recurso ainda possível, ao nível do Tribunal de Cassação.

“Detidos em Setembro de 2016, os irmãos Altan e Nazli Ilicak já tinham sido condenados, em primeira instância, a prisão perpétua agravada. O motivo invocado eram as suas actividades jornalísticas, nomeadamente as suas críticas às autoridades, durante uma emissão de televisão difundida na véspera da tentativa de golpe de Julho de 2016.” 

“Marcado por múltiplas irregularidades, o seu processo chegou a impasse por acto vinculativo do Tribunal Constitucional, segundo o qual a detenção de Mehmet Altan era uma violação injustificada dos seus direitos. Só depois de seis meses de resistência a justiça acabou por devolver Mehmet Altan a uma liberdade condicional, em Junho. Vai, no entanto, regressar à prisão, desde que a pena seja confirmada no Tribunal de Cassação.” 

Durante o julgamento, o procurador esforçou-se ainda por demonstrar que os jornalistas tinham feito “uso da força” (...) “de forma imaterial”.

 

A Turquia ocupa o 157º lugar entre os 180 países mencionados na classificação mundial de liberdade de Imprensa de 2018, dos Repórteres sem Fronteiras. Desde a tentativa de golpe de 2016, muitos meios de comunicação foram suprimidos sem qualquer recurso e o país mantém o recorde mundial do número de jornalistas profissionais na prisão.

Mais informação no texto dos RSF,  aqui citado da Agência News Press, e no site do CPI

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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