Quinta-feira, 6 de Agosto, 2020
Prémio

Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte e cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

A cerimónia, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, foi o ponto alto desta iniciativa do Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a “Europa Nostra”  - que representa em Portugal -  e em parceria com o Clube Português de Imprensa. 

Na sua alocução de agradecimento pelo Prémio, Bettany Hughes declarou-se “muito emocionada” e honrada pelo privilégio, lembrando que tinha razões “profundamente pessoais” para se sentir assim em Lisboa, porque foi aqui (em Sintra) que veio passar a sua lua-de-mel. 

Evocou Helena Vaz da Silva como “uma mulher extraordinária” e, também por esse motivo, declarou que iria sublinhar, na sua intervenção, o papel da mulher no ADN da História da Cultura e da Civilização.  

Sobre o seu próprio percurso, recordou que, nos anos 80, a História “não estava muito na moda, era considerada ultrapassada, irrelevante”. Quando pensou que a televisão seria o meio para fazer a sua divulgação, e procurou um produtor para lhe comunicar a importância desse projecto (já nos anos 90), ele disse-lhe  três coisas: 

“Primeiro, que ninguém está hoje interessado na História; em segundo lugar, que ninguém vê História pela televisão; e em terceiro, que ninguém quer receber lições de uma mulher. E eu fiquei furiosa e decidi que ia provar-lhe que estava errado.” 

 Na sua apresentação da laureada, também Guilherme d’Oliveira Martins recordou Helena Vaz da Silva como “um exemplo bem presente quando falamos do património e da memória como realidades vivas”: 

“Num tempo em que há nuvens negras no horizonte, no tocante a uma perspectiva humanista de cooperação humana e social  – numa ameaçadora articulação dos riscos das mudanças climáticas, da saúde, da segurança alimentar, de protecção do planeta e dos perigos inerentes à ciber-segurança –  torna-se necessário encontrar respostas capazes de articular a coesão social, a sustentabilidade humana e as novas dimensões do conhecimento.” 

Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, bem como do Júri do Prémio Helena Vaz da Silva, sublinhou que Bettany Hughes é a primeira mulher a receber este prémio: 

“Figura multifacetada, historiadora por formação, é professora universitária e autora. Mas é, sobretudo, grande comunicadora que actua no espaço público, informando com rigor, atratividade e sucesso, sobre os mais diversos aspectos da cultura, da história, da filosofia e da ciência.” 

Dinis de Abreu, Presidente do CPI, enumerou o elenco dos anteriores premiados com o galardão que traz o nome de Helena Vaz da Silva e, a concluir, afirmou que ela “nunca recuou  - e não é demais repeti-lo -, ao defender todas as causas em que acreditou. E foram muitas, estranhas ao ‘carimbo’  tão em voga do ‘politicamente correcto’. Devemos-lhe esse exemplo e a coragem. Ela foi, sem dúvida, o grito da Cultura”. 

O Prémio da União Europeia para o Património Cultural distinguiu, em Portugal, o Projecto de Reabilitação do Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz  - também vencedor do Prémio “Escolha do Público” -  que foi apresentado por Nuno Oliveira, director técnico do Património Natural. 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que não pôde estar presente por se encontrar na Cimeira Ibero-Americana, na Guatemala, enviou uma mensagem de vídeo, evocando Helena Vaz da Silva como “querida amiga, que comigo trabalhou”, e como “jornalista, política e mulher da Cultura”. Dirigiu-se em inglês à historiadora Bettany Hughes, a quem agradeceu e cumprimentou pela sua obra em defesa dos ideais europeus, sendo deste modo “um exemplo para todos nós”. 

A condução dos trabalhos foi feita por Sneska Quaedvlieg-Mihailovic, secretária-geral da Europa Nostra.

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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No meio de transferências milionárias, ao jeito do futebol de alta competição, em que se envolveram dois operadores privados de televisão, a paisagem mediática portuguesa, em vésperas da primeira  “silly season” da “nova normalidade”, está longe de respirar saúde e desafogo. Se a Imprensa regional e local vive em permanente ansiedade, devido ao sufoco financeiro que espartilha a maioria dos seus...
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Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena