Segunda-feira, 24 de Junho, 2019
Media

A paixão da reportagem está na descoberta da verdade

Um cartaz com a frase que vem na imagem é o ponto de partida do repórter brasileiro Carlos Wagner para uma reflexão sobre a natureza e vocação do jornalismo. Com três décadas de carreira no jornal Zero Hora, dedicou-se, ao sair, “a ajudar na formação de novos repórteres, fazendo palestras, discutindo com colegas em redacções pelo interior do Brasil e escrevendo sobre  jornalismo”:

“Por conta dessas conversas, eu precisei de me actualizar em tudo que se tem escrito, falado e pesquisado sobre a nossa profissão e o destino das empresas tradicionais de comunicação. Pelo que vi, eu acredito que nunca se tenham publicado tantos trabalhos académicos, pesquisas de marketing e livros sobre o futuro da reportagem.”

Dessa experiência, e do sentimento de que, no fim das conversas, saía sempre com a sensação de ter deixado de dizer o mais importante, recolheu o tema para esta crónica publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, onde defende que o essencial é a paixão que o repórter precisa de ter para esclarecer o desconhecido:

“Sem ela, nós somos apenas um amontoado de técnicas de como fazer jornalismo. Mas é ela que nos torna diferentes.”

Essa paixão, como Carlos Wagner a entende, pode ser definida como a “insistência de descobrir a verdade”: 

“A história reservou ao repórter a tarefa de descobrir e explicar os factos relevantes ao quotidiano das pessoas. Isso significa que nós não somos intermediários entre a fonte e o leitor. Nós produzimos conhecimento novo com o nosso trabalho.” (...) 

“O repórter não nasce com a paixão por esclarecer o desconhecido. Ele a cultiva como se fosse uma planta rara, até ela crescer e começar a dar frutos.” 

“O cartaz ‘Toda a garrafa vazia está cheia de histórias’  me fez lembrar porque resolvi  ser repórter. Foi ali, na mesa do boteco,  escutando as conversas de grandes repórteres sobre as matérias em que vi a paixão pela busca da verdade na cara deles.” 

“Lembro, enquanto as garrafas ficavam vazias sobre a mesa, o som da conversa subia. No final da noite, todos falavam ao mesmo tempo, parecia uma briga. Foi durante uma gritaria dessas que ouvi uma frase, não lembro quem disse, mas nunca a esqueci: ‘publicamos o mais próximo da verdade que conseguimos chegar’.” 

O autor acrescenta que 2019 não vai ser um ano fácil para os jornalistas brasileiros, com despedimentos e fecho de jornais:

“Seja lá qual for o rumo que o governo do Bolsonaro tomar, o certo é que vamos ter sérios problemas de acesso a informações. Ele seguirá o modelo de Trump, de usar as redes sociais para falar.” 

Mas acrescenta que, “se os grandes noticiários não divulgarem as postagens feitas pelo Presidente da República nas redes sociais, elas não repercutem”. 

E como “nem Trump nem Bolsonaro vão postar nas redes sociais factos desfavoráveis às suas administrações”, essa parte continuará a ser função do jornalismo: 

“Portanto, o governo Bolsonaro é uma garrafa cheia na mesa de jornalistas em um boteco. Logo ela vai estar vazia e restará uma história para contar. É simples assim.”

 

O artigo citado, na íntegra, no Observatório da Imprensa 
Connosco
Crónica da liberdade perdida da Imprensa na Turquia de Erdogan Ver galeria

“Pelo menos nós experimentámos o que significa ser jornalista”  - dizia Murat Yetkin, de 59 anos, uma semana depois de ter deixado as suas funções de director do Hürriyet Daily News, a edição em língua inglesa do Hürriyet, um dos mais importantes diários na Turquia. “Tenho pena por estes jovens que não puderam e já não podem.”

O Hürriyet foi um dos muitos jornais adquiridos e desmantelados pela família agora mais proeminente entre os media turcos, os Demirören  - que nos últimos sete anos se tornaram donos de um terço deles. Em Março de 2018, Aydin Dogan, que fora um dos mais poderosos donos de jornais, anunciou que ia vender o seu “navio-almirante” (o Hürriyet) e vários outros activos aos Demirören, grandes apoiantes do Presidente Recep Erdogan. A Imprensa passou a designar o patriarca da família, Erdogan Demirören [entretanto falecido], como o Rupert Murdoch da Turquia.

Mas, como explica Suzy Hansen, autora de Notes on a Foreign Country: An American Abroad in a Post-American World, os Murdoch, “especialmente na era de Donald Trump, são ‘fazedores de reis’; Erdogan nunca deixaria ninguém ter tanta influência”. Basicamente, os Demirören trabalham para Erdogan. Na Turquia, o único “fazedor de reis” é o rei.

"PortoCartoon" abrange novos espaços no Grande Porto Ver galeria

Foi inaugurada no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, onde fica aberta ao público até ao final do ano, a exposição PortoCartoon 2019, tendo sido feita a entrega dos prémios, conhecidos desde Março. A 21ª edição do festival é este ano alargada a vários espaços na área do Grande Porto, desdobrando-se pela Festa da Caricatura, na Estação de S. Bento, por uma galeria de arte no Centro Comercial Alameda, por uma exposição especial sobre Fernão de Magalhães no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, uma escultura do Grande Prémio no Passeio dos Clérigos e outras extensões da mostra em diversos locais da cidade.

Segundo Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, “esta é até agora a maior edição de sempre do PortoCartoon em termos não só geográficos, mas também de diversidade de obras”; o certame reuniu cerca de 1.200 trabalhos, numa altura em que  - como afirmou -  “o cartoon constitui um instrumento essencial para o oxigénio da democracia”.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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