Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

O papel e o digital podem unir-se com vantagem do leitor

Citando a frase famosa atribuída a Mark Twain, os boatos sobre a morte dos jornais em papel foram muito exagerados. É verdade que as publicações digitais cresceram muitíssimo nos últimos anos, mas 58% dos assinantes ainda se descrevem como sendo em primeiro lugar leitores do impresso, e 60% a 80% das receitas dos media ainda vêm das edições impressas. Também é certo que os assinantes print-first são mais velhos, mas isso não significa que entre os mais jovens não haja quem esteja disposto a pagar pelo impresso.

A reflexão é de Ana Lobb, da plataforma MPP Global, que acrescenta: "Os editores estão, de modo inteligente, a assumir uma abordagem centrada nos utentes, para conquistarem novos assinantes e aprofundarem a sua relação com os que existem. Muitos tiram proveito dos dados que já têm e descobrem que não têm de escolher entre o impresso e o digital."

A solução pode passar por uma combinação dos meios: "Se um assinante quer uma assinatura digital do seu diário, mas ainda gosta do jornal em papel aos domingos, isso é fácil de tratar."

Segundo a autora do texto que citamos, “a importância do impresso não devia ser subestimada ou negligenciada”: 

“O perfil dos assinantes varia muitíssimo, mesmo na mesma publicação, e todos procuram experiências diferentes, na base daquilo que são, onde estão e que aparelhos usam ao longo do dia. Com mais informação do que alguma vez tiveram a respeito das audiências, e do modo como são consumidores dos media, os editores deviam considerar todas as opções para manterem os seus assinantes envolvidos com ofertas personalizadas.” (...) 

“Não é surpresa que os assinantes print-first e os que preferem o digital têm modos diferentes de se relacionarem com os conteúdos, e têm diferentes expectativas. Muitos dos primeiros são mais velhos e, de modo geral, fizeram assinatura para vários anos. Mas estes também se envolvem no digital, e até partilham conteúdos mais vezes do que os assinantes do digital.”

“Dito isto, os do digital-first ainda têm interesse no impresso. É por este motivo que vários editores digitais introduziram, nos últimos anos, revistas impressas, e alguns editores recentes introduziram novas publicações print-first, em pequenas quantidades. Até o Facebook lançou uma revista impressa intitulada Grow.” (...) 

A autora recorda alguns exemplos recentes de sucesso, ligados a grandes títulos bem conhecidos:  a assinatura de uma publicação impressa para crianças, por The New York Times; a síntese semanal, impressa, em The Guardian, pensada para poupar a sobrecarga do papel diário, mantendo “a satisfação e facilidade da leitura de um jornal em papel”; ou a mistura do Financial Times, que junta a oferta do impresso e do digital por um preço baixo. 

E outros editores propõem outras misturas, em que os assinantes podem escolher os vídeos, podcasts e conteúdos especiais, por exemplo de desporto ou de artes, para criarem a assinatura que lhes convém. 

A editora Amedia, na Noruega, é o exemplo de quem compreendeu a importância do impresso para a sua audiência de leitores locais:

“Nós fizémos uma proposta de valor: se quer o jornal entregue à sua porta todas as manhãs, pode tê-lo. Se não quiser, não é obrigado. Cada assinante do impresso é também do digital, portanto adquire esse valor e tem acesso a todos os canais digitais que usamos, porque simplificámos radicalmente a avaliação de custo dos nossos produtos e os preços que oferecemos.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra na FIPPInternational Federation of the Periodical Press

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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