Sexta-feira, 20 de Setembro, 2019
Media

Jornalistas estão a desistir em França com amargura da profissão

Há jornalistas, em França, a deixarem de vez a profissão por causa do movimento dos “coletes amarelos”, pelo modo como se sentem agredidos por quem devia ser o seu público leitor. Falava-se disto numa conferência de redacção e vários tinham um amigo que estava de saída... Mas não é só por isto. A crise, o fecho de jornais, a precariedade do trabalho e a exigência de cada vez mais disponibilidade levam muitos a desistir. O presidente da Technologia, um gabinete especializado na prevenção de doenças profissionais, conta que 43% dos jornalistas estão hoje expostos a um risco elevado de esgotamento (a média era de 13% em 2014).

“Há cada vez menos meios humanos, e no entanto pedem-nos muito mais”  - conta um jornalista na casa dos 40 anos, que nem se considera mal pago com os seus 2200 euros mensais. “Hoje temos de fazer tudo: o print [texto para a edição impressa], a Web [para a digital], a paginação... Os secretários de redacção estão a desaparecer. A Web first [que designa a publicação online antes de aparecer no jornal] tomou proporções terríveis. E dizem-nos que, se não estamos disponíveis todo o tempo, é porque nos enganámos na profissão”.

A reportagem é da jornalista Audrey Kucinskas, em L’Express.

Jean-Claude Delgènes, o presidente da Technologia, realizou três estudos sobre as condições de trabalho dos jornalistas (2009 – 2016 – 2019) e refere uma “intensificação” da profissão: 

“Sobretudo com a Internet, que é preciso alimentar constantemente. Mesmo se os jornalistas nunca contaram o seu horário e estão habituados ao stress, o mau reconhecimento, nomeadamente da parte dos leitores, acentua o seu desgosto.” 

Coline (nome fictício), jornalista num site francês, confirma: “Há um sofrimento autêntico, tanto mais que não somos considerados nem pela hierarquia, nem pelos leitores. Enquanto community manager, confesso que já deixei de ler os comentários, de tal modo são violentos. No entanto, procuramos fazer o trabalho o melhor que podemos.” 

“A precarização aumentou nos últimos anos. O número de freelancers e de desempregados detentores de carteira profissional subiu de 22,7% para 26,2%, entre 2016 e 2017. Arnaud (outro nome fictício), de 28 anos, jornalista na Imprensa especializada, vai somando contratos desde há quatro anos. 

“Na realidade, só me encontro desempregado uma vez por ano”  - ironiza. É um sector de tal modo competitivo que somos incitados a obedecer sem pestanejar”. Segundo conta, actualmente escreve artigos em cadeia, artigos que chamem clics. (...)

E a Imprensa em papel não é a única com estes problemas: na NextRadio TV, que detém a BFMTV e a RMC [do mesmo grupo de L’Express], já 10% solicitaram a cláusula de rescisão, uma oportunidade legal de se demitirem com as “vantagens” de um despedimento, por ocasião de uma mudança de accionistas. 

No entanto, há os que ainda sentem o apelo da profissão e as escolas de jornalismo continuam a atrair candidatos. Mas Stéphane, que foi jornalista durante uma dezena de anos (incluindo em L’Express) e deixou a profissão há poucos meses, tem um olhar duro sobre ela: 

“A Imprensa de hoje nem saberia reconhecer um Jack London. Eram capazes de o pôr a fazer podcasts para o Spotify, ou documentários para o Netflix.”

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra em L’Express

Connosco
Jornalismo deve unir experiência à aptidão tecnológica dos jovens Ver galeria

Há muitos profissionais seniores  que foram afastados  das redacções nos últimos anos, mas os mais jovens, recém saídos das universidades, não foram também poupados.

Se  juntarmos a experiência dos antigos repórteres com a facilidade dos mais jovens no manejo das  novas tecnologias, teremos a receita ideal para assegurar a cobertura jornalística adequada a um preço baixo.

A crise de emprego exige organização, e  não se pode deixar escapar nenhuma oportunidade   oferecida   a quem queira  continuar na profissão,  como defende Carlos Wagner, no artigo publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o  CPI mantêm um acordo de parceria.
Segundo o autor, já não é possível encontrar um emprego fixo nas redacções dos grandes jornais, rádios ou televisões. Por isso,  exige-se aos mais jovens  que criem o seu próprio emprego.

Seis conselhos para abordar o jornalismo de soluções Ver galeria

Os editores  são essenciais para a orientação das redacções  no quadro de  um jornalismo de soluções. Podem influenciar a mentalidade dos jornalistas responsáveis, a ponto de mantê-los motivados e orientados para alcançar   objectivos comuns.

Num trabalho publicado pela Fundação Gabo,  elaborado com base na   Rede de Periodismo de Soluciones, são apresentadas seis directrizes, para acompanhar os jornalistas na transição.

O primeiro tópico, trata da escolha dos líderes nas redacções, onde é salientada a importância de existir uma figura forte que possa inspirar, mobilizar e manter o foco da equipa.

No segundo tópico, chama à atenção para a criação de novos hábitos de modo a não dar margem a desvios, mesmo perante a pressão de notícias de última hora.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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