Terça-feira, 26 de Março, 2019
Media

Jornalistas estão a desistir em França com amargura da profissão

Há jornalistas, em França, a deixarem de vez a profissão por causa do movimento dos “coletes amarelos”, pelo modo como se sentem agredidos por quem devia ser o seu público leitor. Falava-se disto numa conferência de redacção e vários tinham um amigo que estava de saída... Mas não é só por isto. A crise, o fecho de jornais, a precariedade do trabalho e a exigência de cada vez mais disponibilidade levam muitos a desistir. O presidente da Technologia, um gabinete especializado na prevenção de doenças profissionais, conta que 43% dos jornalistas estão hoje expostos a um risco elevado de esgotamento (a média era de 13% em 2014).

“Há cada vez menos meios humanos, e no entanto pedem-nos muito mais”  - conta um jornalista na casa dos 40 anos, que nem se considera mal pago com os seus 2200 euros mensais. “Hoje temos de fazer tudo: o print [texto para a edição impressa], a Web [para a digital], a paginação... Os secretários de redacção estão a desaparecer. A Web first [que designa a publicação online antes de aparecer no jornal] tomou proporções terríveis. E dizem-nos que, se não estamos disponíveis todo o tempo, é porque nos enganámos na profissão”.

A reportagem é da jornalista Audrey Kucinskas, em L’Express.

Jean-Claude Delgènes, o presidente da Technologia, realizou três estudos sobre as condições de trabalho dos jornalistas (2009 – 2016 – 2019) e refere uma “intensificação” da profissão: 

“Sobretudo com a Internet, que é preciso alimentar constantemente. Mesmo se os jornalistas nunca contaram o seu horário e estão habituados ao stress, o mau reconhecimento, nomeadamente da parte dos leitores, acentua o seu desgosto.” 

Coline (nome fictício), jornalista num site francês, confirma: “Há um sofrimento autêntico, tanto mais que não somos considerados nem pela hierarquia, nem pelos leitores. Enquanto community manager, confesso que já deixei de ler os comentários, de tal modo são violentos. No entanto, procuramos fazer o trabalho o melhor que podemos.” 

“A precarização aumentou nos últimos anos. O número de freelancers e de desempregados detentores de carteira profissional subiu de 22,7% para 26,2%, entre 2016 e 2017. Arnaud (outro nome fictício), de 28 anos, jornalista na Imprensa especializada, vai somando contratos desde há quatro anos. 

“Na realidade, só me encontro desempregado uma vez por ano”  - ironiza. É um sector de tal modo competitivo que somos incitados a obedecer sem pestanejar”. Segundo conta, actualmente escreve artigos em cadeia, artigos que chamem clics. (...)

E a Imprensa em papel não é a única com estes problemas: na NextRadio TV, que detém a BFMTV e a RMC [do mesmo grupo de L’Express], já 10% solicitaram a cláusula de rescisão, uma oportunidade legal de se demitirem com as “vantagens” de um despedimento, por ocasião de uma mudança de accionistas. 

No entanto, há os que ainda sentem o apelo da profissão e as escolas de jornalismo continuam a atrair candidatos. Mas Stéphane, que foi jornalista durante uma dezena de anos (incluindo em L’Express) e deixou a profissão há poucos meses, tem um olhar duro sobre ela: 

“A Imprensa de hoje nem saberia reconhecer um Jack London. Eram capazes de o pôr a fazer podcasts para o Spotify, ou documentários para o Netflix.”

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra em L’Express

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
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