Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Opinião

Duas atitudes face ao jornalismo

por Francisco Sarsfield Cabral

No recente encontro em Roma, no Vaticano, sobre o dramático caso dos abusos sexuais por elementos do clero católico, a vários níveis, ouviram-se vozes agradecendo a jornalistas que investigaram e divulgaram abusos. É uma justa atitude. 

Dir-se-á que alguns jornalistas terão procurado o escândalo e, também, denegrir a imagem da Igreja. Talvez. Mas o verdadeiro escândalo é que padres, bispos e cardeais, em vez de protegerem os mais novos e indefesos, os agrediram, deixando-lhes marcas psicológicas para toda a vida. E quanto a prejudicar a imagem da Igreja, quem, se não os agressores, contribuiu para abalar seriamente essa imagem? 

O facto essencial é que os jornalistas ajudaram a revelar casos que nunca deveriam ter sido encobertos – mas foram, desgraçadamente. Ainda bem que o papel dos jornalistas nesta tragédia foi reconhecido.

Pelo contrário, na Venezuela o ditador Maduro deporta jornalistas estrangeiros cujo trabalho não lhe agrada. Recorde-se que Maduro afirmou há dias que não existe fome no seu país. Uma incrível mentira, desmentida por  um vídeo com crianças a comer do lixo.

Esse vídeo havia sido feito por uma equipa do canal americano Univisión. A equipa foi detida depois de tentar entrevistar Nicolás Maduro. “Confiscaram-lhes todo o equipamento técnico que levaram ao palácio para a entrevista”, informa o jornal digital “Observador”.

A entrevista não chegou ao fim. Maduro não terá gostado de uma afirmação do jornalista, que lhe disse que milhões de venezuelanos o consideram um ditador, e abandonou a sala.

O ministro de Comunicação e Informação venezuelano e a vice-presidente da Venezuela entraram então na sala, insultaram a equipa e chamaram provocador ao jornalista. “Vais engolir as tuas palavras com uma Coca Cola”, terão dito.

A equipa da Univisión foi depois metida num quarto de segurança, onde permaneceu com as luzes apagadas durante mais de duas horas. Seguiu-se a deportação.

Este lamentável caso é típico de um ditador como  Maduro. E mostra o “grande respeito” que o chamado socialismo bolivariano tem pela liberdade de expressão e de informação.

Mas o mais extraordinário é ainda haver quem classifique de democrático um regime destes, que desgraçou o próprio povo.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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