Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Opinião

Duas atitudes face ao jornalismo

por Francisco Sarsfield Cabral

No recente encontro em Roma, no Vaticano, sobre o dramático caso dos abusos sexuais por elementos do clero católico, a vários níveis, ouviram-se vozes agradecendo a jornalistas que investigaram e divulgaram abusos. É uma justa atitude. 

Dir-se-á que alguns jornalistas terão procurado o escândalo e, também, denegrir a imagem da Igreja. Talvez. Mas o verdadeiro escândalo é que padres, bispos e cardeais, em vez de protegerem os mais novos e indefesos, os agrediram, deixando-lhes marcas psicológicas para toda a vida. E quanto a prejudicar a imagem da Igreja, quem, se não os agressores, contribuiu para abalar seriamente essa imagem? 

O facto essencial é que os jornalistas ajudaram a revelar casos que nunca deveriam ter sido encobertos – mas foram, desgraçadamente. Ainda bem que o papel dos jornalistas nesta tragédia foi reconhecido.

Pelo contrário, na Venezuela o ditador Maduro deporta jornalistas estrangeiros cujo trabalho não lhe agrada. Recorde-se que Maduro afirmou há dias que não existe fome no seu país. Uma incrível mentira, desmentida por  um vídeo com crianças a comer do lixo.

Esse vídeo havia sido feito por uma equipa do canal americano Univisión. A equipa foi detida depois de tentar entrevistar Nicolás Maduro. “Confiscaram-lhes todo o equipamento técnico que levaram ao palácio para a entrevista”, informa o jornal digital “Observador”.

A entrevista não chegou ao fim. Maduro não terá gostado de uma afirmação do jornalista, que lhe disse que milhões de venezuelanos o consideram um ditador, e abandonou a sala.

O ministro de Comunicação e Informação venezuelano e a vice-presidente da Venezuela entraram então na sala, insultaram a equipa e chamaram provocador ao jornalista. “Vais engolir as tuas palavras com uma Coca Cola”, terão dito.

A equipa da Univisión foi depois metida num quarto de segurança, onde permaneceu com as luzes apagadas durante mais de duas horas. Seguiu-se a deportação.

Este lamentável caso é típico de um ditador como  Maduro. E mostra o “grande respeito” que o chamado socialismo bolivariano tem pela liberdade de expressão e de informação.

Mas o mais extraordinário é ainda haver quem classifique de democrático um regime destes, que desgraçou o próprio povo.

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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