Sexta-feira, 6 de Dezembro, 2019
Opinião

Quando os Media servem “gato por lebre”…

por Dinis de Abreu

A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media.

É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira.

É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco de contratados vai da direita à esquerda, embora esta tenha a primazia.

Em democracias maduras, os media, designadamente, as televisões, podem convidar especialistas, entre os quais políticos, para se pronunciarem sobre acontecimentos que careçam de enquadramento e de uma melhor contextualização. 

Mas não são residentes nem pagos por isso, ao contrário do  que acontece na maior parte dos  casos portugueses, cujos “cachets” são, contudo, sonegados ao conhecimento público.

Enquanto estas dezenas de comentadores, fieis às suas capelas, debitam os recados   que lhes convém,  para influenciar a agenda mediática e o eleitorado, assiste-se ultimamente a uma espécie de “baile mandado”  em programas de entretenimento em televisão, com a participação de dirigentes partidários e, até,  do primeiro ministro em exercício.

O objectivo ( não confessado…) dos  políticos  é, obviamente aproveitar a popularidade alcançada por alguns desses programas para se mostrarem à vontade, de avental na cozinha, ou a recontar histórias de vida, num jeito informal e a piscar o  olho ao eleitorado mais  sensível a estas rábulas estudadas.

Entre a doutrinação ideológica , servida  em doses maciças por evangelistas encartados,  e os petiscos cozinhados à vista ,  da direita  à esquerda, temos um novo formato de “reality show”, que procura explorar a adesão fácil do espectador,  entretido e grato pelo divertimento que lhe oferecem.

Pior: há políticos no activo, que se exercitam no comentário  com manifesto apetite, talvez por terem interiorizado a ideia de que os media e,  em particular a televisão, podem “vender”  melhor as suas ideias e alavancá- los para outros voos. Uma perversão do nosso sistema.

O que prova, ainda, o trabalho do Expresso é que os jornalistas, salvo raras excepções, foram completamente ultrapassados pelos políticos no ofício de comentadores, e a maioria dos que sobraram  activos, em particular, nos audiovisuais, “politizaram-se” também e circulam, entre estúdios e redacções, a repetirem o que está na “onda” do momento. 

Num altura em que tanto se fala de “fake news” - matéria que motivou inclusive um debate parlamentar - ,  é pena que se desperdice a oportunidade de discutir, seriamente, esta originalidade portuguesa, quando os media se curvam à “informação espectáculo”  e se prestam  a  vender “gato por lebre”…

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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