Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Opinião

Augusto Cid, uma obra quase monumental

por António Gomes de Almeida

Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das individualidades que acreditaram sempre, firmemente, ter sido a morte de Francisco Sá Carneiro provocada, não por um por um acidente, mas por um atentado.

No cartoon, era imbatível, em quantidade e qualidade. Quando ele aparecia, nas reuniões de redacção das quintas-feiras do semanário “Parada da Paródia”, de que fui director, e foi editado pelos Parodiantes de Lisboa, em 1960/61, vinha montado na sua mota, e já sabíamos que trazia, na pasta dos originais, material sempre de grande qualidade.

Havia um assunto que o motivava particularmente: a tourada. Fez muitos bonecos e até páginas inteiras dedicadas a esse tema, e os seus cavaleiros tauromáquicos tinham mesmo muita piada. Aliás, por falar em cavalos, nem toda a gente sabe que o Augusto Cid era, igualmente, um talentoso escultor, e se dedicava particularmente a esculpir cavalos, com uma expressão e um movimento espectaculares.

Aliás, nos seus regulares contactos com os Estados Unidos, onde foi expor durante anos, tornou-se uma rotina anual a sua apresentação de esculturas de cavalos, apreciadíssimas pelos americanos.

Lembro-me da mais longa conversa que tive com o Cid. Foi durante uma compridíssima viagem de camioneta, de Lisboa a Vila Real de Trás-os-Montes, onde íamos fazer parte do júri do primeiro Salão Nacional de Caricatura, organizado pelo Osvaldo de Sousa e patrocinado pela Regisconta. O Cid, que não era lá muito falador, teve então tempo suficiente para me contar alguns episódios da sua vida, que me revelaram um homem muito sensível e generoso, defensor de causas que considerava justas, e com uma capacidade de trabalho verdadeiramente notável.

Trabalhou comigo na “Parada da Paródia”, e só não trabalhou noutros projectos meus, posteriores, porque, entretanto, a sua colaboração com outros jornais e revistas o manteve sempre muito atarefado e cheio de trabalho. No entanto, ainda tive o privilégio de contar com ele para uma exposição que foi feita no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Outubro de 1989, integrada num projecto ambicioso, segundo o qual a nova Galeria daquele Museu, então em construção, viria a ser a sede e a base de um “Museu do Humor”, generosamente oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, e pelo seu presidente, Nuno Abecasis.

Ainda ali se fizeram quatro exposições, uma das quais a que referi atrás, com muitas obras do Augusto Cid, entre desenhos e esculturas.

Era um grande Artista, com uma grande obra publicada e justamente apreciada.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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