Sexta-feira, 17 de Janeiro, 2020
Media

Director do "Expresso" afasta-se após perder apoio da redacção

Pedro Santos Guerreiro deixa de ser o director do Expresso, por decisão tomada entra a administração do Grupo Impresa e o próprio. O director-geral de Informação da Impresa, Ricardo Costa, assume a direcção do Expresso de forma “interina e temporária”.

A notícia vem na sequência do pedido de demissão formulado por Vítor Matos, editor de Política daquele semanário, que contestou o facto de uma recente edição da newsletter  ter aparecido assinada por si, quando  - por esquecimento seu -  tivera de ser redigida por outros elementos da redacção.  

Segundo o Público, que aqui citamos, Pedro Santos Guerreiro disse que “não foi esse episódio que motivou a sua saída”, mas que quis abandonar o cargo porque “deixou de sentir o apoio da redacção”.

O Observador  acrescenta que, segundo fonte oficial da Impresa, os restantes elementos da direcção  - Martim Silva, director-executivo, João Vieira Pereira e Miguel Cadete, diectores-adjuntos, e Marco Grieco, director de arte -  não caem por inerência com o director demitido. "Haverá uma reconfiguração, desde logo com Ricardo Costa como director interino, mas os restantes elementos da equipa deverão permanecer em funções."

Em comunicado, o presidente executivo do Grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão, declara:

“Agradecemos a Pedro Santos Guerreiro a sua lealdade, rasgo, combatividade e entrega ao Expresso e às suas causas e projectos, desde o Diário ao lançamento do saco de papel, e ainda a Tribuna e o 2:59. Agradecemos, em particular, o seu contributo para a digitalização do jornal e para o aumento da produtividade da redacção, que continuarão o seu curso. Pedro Santos Guerreiro manterá uma ligação ao Expresso, como colunista.” 

“Ao que o Observador apurou junto de fonte do Grupo Impresa, Ricardo Costa deverá ficar como director do semanário por um curto período de tempo, sendo que uma solução permanente estará já a ser trabalhada pela administração.” (...) 

“O ambiente no jornal já estava tenso nos últimos dias depois da demissão do editor de Política, Vítor Matos”  - segundo recorda ainda o Observador

“Em causa estava a newsletter matinal que deveria ter sido escrita pelo jornalista. Por esquecimento, Vítor Matos não o terá feito, e o director, Pedro Santos Guerreiro, terá dado ordens para que elementos da redacção a escrevessem e assinassem com o nome do editor de Política. Apanhado de surpresa com a publicação da newsletter com o seu nome, [e sem ter obtido resposta de uma tentativa de contacto], Vítor Matos apresentou a demissão, que nunca chegou a ser aceite pela direcção.” (...)

Mais informação no Público  e no Observador

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...