Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Nova revista francesa de reflexão literária e histórica

Nasceu em França uma nova revista trimestral, de formato grande, 196 páginas preenchidas com textos longos sobre temas sérios. O seu título, Zadig, foi tomado de uma personagem de Voltaire. O primeiro número tem na capa “Reparar a França”, sobre a imagem de uma espécie de passadeira de desenrolar, semelhante a um jardim clássico francês. O título do “número zero” era  - “Onde vais tu, França?”

Fundada por Eric Fottorino, antigo director de Le Monde  - que já em 2014 tinha lançado Le Un, um semanário de formato “impossível de abrir nos transportes colectivos em hora de ponta” -  a nova revista “tem um ar de família com a America (não só pela periodicidade como pela espessura), mas parece-se mais com o irmão mais velho (Le Un) pelo modo de reunir os valores seguros”.

Este primeiro número contém uma entrevista com a historiadora Mona Ozouf, um texto do medievalista Patrick Boucheron e outro da romancista Maykis de Kerangal sobre a sua cidade natal, Le Havre.

O título do tema de fundo, “Reparar a França”, remete para um dossier de 70 páginas, com reportagens de fundo, uma entrevista com o historiador Pierre Rosanvallon e o “cartoonista” Matthieu Sapin, “já notado pelos seus périplos pelos lados de François Hollande ou Gérard Depardieu”. 

“Todas as Franças que descrevem a França”  - a frase, que aparece como antetítulo das letras capitulares ZADIG, a vermelho,  “resume o estado de espírito que presidiu a este projecto, cuja ideia apareceu a Eric Fottorino logo após as últimas eleições presidenciais”: 

“Graças a mais de cinco mil contribuintes voluntários, uma campanha de financiamento participativo permitiu reunir mais de 270 mil euros para um projecto com o objectivo inicial... de 100 mil. A tiragem deste primeiro número é de 70 mil exemplares, sendo que o ponto de equilíbro é atingido a partir dos 25 mil vendidos. Zadig já tem 3.500 assinantes.” 

O preço é de 19 euros por exemplar. 

“Ao optar por uma periodicidade trimestral, Eric Fottorino limita a margem de risco num contexto económico complicado para a Imprensa. No início de 2018, duas revistas, Ebdo e Vraiment, lançadas com poucas semanas de intervalo, tiveram de fechar, por não terem conseguido atingir as suas metas de venda.” (...)

 

Mais informação em Le Monde  e PureMédias

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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