Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Nova revista francesa de reflexão literária e histórica

Nasceu em França uma nova revista trimestral, de formato grande, 196 páginas preenchidas com textos longos sobre temas sérios. O seu título, Zadig, foi tomado de uma personagem de Voltaire. O primeiro número tem na capa “Reparar a França”, sobre a imagem de uma espécie de passadeira de desenrolar, semelhante a um jardim clássico francês. O título do “número zero” era  - “Onde vais tu, França?”

Fundada por Eric Fottorino, antigo director de Le Monde  - que já em 2014 tinha lançado Le Un, um semanário de formato “impossível de abrir nos transportes colectivos em hora de ponta” -  a nova revista “tem um ar de família com a America (não só pela periodicidade como pela espessura), mas parece-se mais com o irmão mais velho (Le Un) pelo modo de reunir os valores seguros”.

Este primeiro número contém uma entrevista com a historiadora Mona Ozouf, um texto do medievalista Patrick Boucheron e outro da romancista Maykis de Kerangal sobre a sua cidade natal, Le Havre.

O título do tema de fundo, “Reparar a França”, remete para um dossier de 70 páginas, com reportagens de fundo, uma entrevista com o historiador Pierre Rosanvallon e o “cartoonista” Matthieu Sapin, “já notado pelos seus périplos pelos lados de François Hollande ou Gérard Depardieu”. 

“Todas as Franças que descrevem a França”  - a frase, que aparece como antetítulo das letras capitulares ZADIG, a vermelho,  “resume o estado de espírito que presidiu a este projecto, cuja ideia apareceu a Eric Fottorino logo após as últimas eleições presidenciais”: 

“Graças a mais de cinco mil contribuintes voluntários, uma campanha de financiamento participativo permitiu reunir mais de 270 mil euros para um projecto com o objectivo inicial... de 100 mil. A tiragem deste primeiro número é de 70 mil exemplares, sendo que o ponto de equilíbro é atingido a partir dos 25 mil vendidos. Zadig já tem 3.500 assinantes.” 

O preço é de 19 euros por exemplar. 

“Ao optar por uma periodicidade trimestral, Eric Fottorino limita a margem de risco num contexto económico complicado para a Imprensa. No início de 2018, duas revistas, Ebdo e Vraiment, lançadas com poucas semanas de intervalo, tiveram de fechar, por não terem conseguido atingir as suas metas de venda.” (...)

 

Mais informação em Le Monde  e PureMédias

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António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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