Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

“Desde a sua chegada ao poder, nos finais de 2012, Xi Jinping reforçou a censura sobre os media nacionais e aumentou o controlo da Internet e das redes sociais, restringindo os espaços de liberdade que os jornalistas tinham conseguido estabelecer no seio do sistema.” 

Segundo Le Monde, que aqui citamos, as visitas regulares aos meios oficiais  - a agência Xinhua, a televisão CCTV (nomeada CGTN à escala internacional) e o Diário do Povo -  “revelam a sua preocupação em conduzir o combate ideológico”. 

O relatório dos RSF fala sobretudo da estratégia desenvolvida para o exterior: “modernização do seu aparelho audiovisual externo, aquisição maciça de publicidade, infiltração dos media estrangeiros, e ainda chantagem, intimidação e assédio a uma escala quase indistrial”. 

“No entendimento do regime de Pequim, a vocação dos jornalistas não é a de serem contra-poder mas, pelo contrário, de servirem a propaganda dos Estados”  - declara Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF. 

“Se as democracias não resistirem, Pequim vai procurar impor o seu anti-modelo, e a propaganda de modelo chinês vai invadir a pouco e pouco os media mundiais, fazendo concorrência ao jornalismo tal como o conhecemos.” 

“No espaço de uma década, a China investiu em grande escala para modernizar a sua comunicação: o grupo audiovisual CGTN difunde hoje para 140 países, e a rádio RCI cobre 65 línguas. O regime conseguiu convencer dezenas de milhares de jornalistas dos países emergentes a irem ‘formar o seu espírito crítico’ em Pequim, com todas as despesas pagas, em troca de uma cobertura de Imprensa favorável.” 

“Quanto aos media da diáspora chinesa, antigamente crítica do regime, foram quase todos adquiridos e integrados no aparelho de propaganda do Partido Comunista Chinês.” (...)

 

Mais informação em Le Monde, no site dos RSF (que contém o link para o Relatório em francês, inglês e chinês)  -  bem como no nosso site

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
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