Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

“Desde a sua chegada ao poder, nos finais de 2012, Xi Jinping reforçou a censura sobre os media nacionais e aumentou o controlo da Internet e das redes sociais, restringindo os espaços de liberdade que os jornalistas tinham conseguido estabelecer no seio do sistema.” 

Segundo Le Monde, que aqui citamos, as visitas regulares aos meios oficiais  - a agência Xinhua, a televisão CCTV (nomeada CGTN à escala internacional) e o Diário do Povo -  “revelam a sua preocupação em conduzir o combate ideológico”. 

O relatório dos RSF fala sobretudo da estratégia desenvolvida para o exterior: “modernização do seu aparelho audiovisual externo, aquisição maciça de publicidade, infiltração dos media estrangeiros, e ainda chantagem, intimidação e assédio a uma escala quase indistrial”. 

“No entendimento do regime de Pequim, a vocação dos jornalistas não é a de serem contra-poder mas, pelo contrário, de servirem a propaganda dos Estados”  - declara Christophe Deloire, secretário-geral dos RSF. 

“Se as democracias não resistirem, Pequim vai procurar impor o seu anti-modelo, e a propaganda de modelo chinês vai invadir a pouco e pouco os media mundiais, fazendo concorrência ao jornalismo tal como o conhecemos.” 

“No espaço de uma década, a China investiu em grande escala para modernizar a sua comunicação: o grupo audiovisual CGTN difunde hoje para 140 países, e a rádio RCI cobre 65 línguas. O regime conseguiu convencer dezenas de milhares de jornalistas dos países emergentes a irem ‘formar o seu espírito crítico’ em Pequim, com todas as despesas pagas, em troca de uma cobertura de Imprensa favorável.” 

“Quanto aos media da diáspora chinesa, antigamente crítica do regime, foram quase todos adquiridos e integrados no aparelho de propaganda do Partido Comunista Chinês.” (...)

 

Mais informação em Le Monde, no site dos RSF (que contém o link para o Relatório em francês, inglês e chinês)  -  bem como no nosso site

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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