Sexta-feira, 21 de Junho, 2019
Media

A plataforma “Medium” está a tornar-se um jornal digital

A plataforma digital Medium, que nasceu em 2012 como um desenvolvimento do Twitter  - aliás por iniciativa de dois dos seus fundadores -  evoluíu e deixou de ser uma espécie de híbrido entre o Twitter e o Blogger, tornando-se um meio de comunicação. “Não é um meio como o entendemos, mas sim um meio contributivo, que pertence a todos e a ninguém. Continua a ser, na essência, um híbrido, mas é capaz de agregar, no mesmo sítio, textos de pessoas completamente desconhecidas com reportagens sérias das marcas mais prestigiadas.”

Curiosamente, tende a destacar estas últimas, talvez porque funciona sob um modelo de “seguidores” e de likes. Um algoritmo e a própria comunidade de leitores “tratam de dar relevo aos melhores conteúdos, condenando os de fraca qualidade a um ostracismo digital que os deixa cair pelo seu próprio peso”.

A informação é do jornalista Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.

O Medium tornou-se, portanto, um agregador de conteúdos. Títulos com a importância de The Washington Post, The Economist, Bloomberg, The Atlantic ou Wired, depositam ali, na íntegra, alguns dos seus conteúdos mais exclusivos.

“Os utentes podem lê-los de graça, na maior parte dos casos, embora o Medium também tenha um programa de acesso pago que, por cinco dólares mensais ou 50 por ano, melhora a experiência e abre os conteúdos protegidos por uma paywall.” 

“Porque o Medium tem uma paywall optativa, que podem erguer, para textos concretos, todos os que escrevem na plataforma, sejam media reconhecidos ou bloggers amadores. A plataforma reparte com eles, em função do número de leituras ou do nível atribuído pelos utentes, o grosso da receita. Um bom autor pode conseguir 500 dólares por mês com uma reportagem de qualidade, e 8% ganham cerca de cem dólares mensais. Quantos meios tradicionais pagam isso por uma peça?” 

“Agora, o Medium vai fazer concorrência por si mesmo. Como já tem identificadas as temáticas que chamam mais leitores, lançou uma série de títulos próprios que os vão tratar, como marcas que aspiram a concorrer, mesmo, com os media tradicionais que também incluem nela os seus conteúdos.” 

Uma delas chama-se OneZero, uma revista de tecnologia. Outras que lançou até agora tratam de negócios, saúde e notícias de interesse geral. Um autor amador pode, assim, encontrar os seus textos incluídos numa dessas revistas do Medium, ganhando notoriedade, mais leitores... e mais dinheiro. O que significa que o Medium “está disposto a dar a volta aos meios digitais e à relação das plataformas tecnológicas com o jornalismo”. (...) 

“A empresa gastou cinco milhões de dólares em conteúdos originais em 2018. É mais dinheiro do que o orçamento de muitos meios de comunicação. Mas também é certo que desde a sua fundação levantou 132 milhões de dólares em capital de risco”. (...) “A aposta do Medium pelos conteúdos pagos levou a plataforma a eliminar a publicidade como via de financiamento em 2017.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Media-tics.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá
22
Jun
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido