Segunda-feira, 22 de Abril, 2019
Media

A plataforma “Medium” está a tornar-se um jornal digital

A plataforma digital Medium, que nasceu em 2012 como um desenvolvimento do Twitter  - aliás por iniciativa de dois dos seus fundadores -  evoluíu e deixou de ser uma espécie de híbrido entre o Twitter e o Blogger, tornando-se um meio de comunicação. “Não é um meio como o entendemos, mas sim um meio contributivo, que pertence a todos e a ninguém. Continua a ser, na essência, um híbrido, mas é capaz de agregar, no mesmo sítio, textos de pessoas completamente desconhecidas com reportagens sérias das marcas mais prestigiadas.”

Curiosamente, tende a destacar estas últimas, talvez porque funciona sob um modelo de “seguidores” e de likes. Um algoritmo e a própria comunidade de leitores “tratam de dar relevo aos melhores conteúdos, condenando os de fraca qualidade a um ostracismo digital que os deixa cair pelo seu próprio peso”.

A informação é do jornalista Miguel Ossorio Vega, em Media-tics.

O Medium tornou-se, portanto, um agregador de conteúdos. Títulos com a importância de The Washington Post, The Economist, Bloomberg, The Atlantic ou Wired, depositam ali, na íntegra, alguns dos seus conteúdos mais exclusivos.

“Os utentes podem lê-los de graça, na maior parte dos casos, embora o Medium também tenha um programa de acesso pago que, por cinco dólares mensais ou 50 por ano, melhora a experiência e abre os conteúdos protegidos por uma paywall.” 

“Porque o Medium tem uma paywall optativa, que podem erguer, para textos concretos, todos os que escrevem na plataforma, sejam media reconhecidos ou bloggers amadores. A plataforma reparte com eles, em função do número de leituras ou do nível atribuído pelos utentes, o grosso da receita. Um bom autor pode conseguir 500 dólares por mês com uma reportagem de qualidade, e 8% ganham cerca de cem dólares mensais. Quantos meios tradicionais pagam isso por uma peça?” 

“Agora, o Medium vai fazer concorrência por si mesmo. Como já tem identificadas as temáticas que chamam mais leitores, lançou uma série de títulos próprios que os vão tratar, como marcas que aspiram a concorrer, mesmo, com os media tradicionais que também incluem nela os seus conteúdos.” 

Uma delas chama-se OneZero, uma revista de tecnologia. Outras que lançou até agora tratam de negócios, saúde e notícias de interesse geral. Um autor amador pode, assim, encontrar os seus textos incluídos numa dessas revistas do Medium, ganhando notoriedade, mais leitores... e mais dinheiro. O que significa que o Medium “está disposto a dar a volta aos meios digitais e à relação das plataformas tecnológicas com o jornalismo”. (...) 

“A empresa gastou cinco milhões de dólares em conteúdos originais em 2018. É mais dinheiro do que o orçamento de muitos meios de comunicação. Mas também é certo que desde a sua fundação levantou 132 milhões de dólares em capital de risco”. (...) “A aposta do Medium pelos conteúdos pagos levou a plataforma a eliminar a publicidade como via de financiamento em 2017.” (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Media-tics.

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Social Media Camp
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27
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